30 dezembro 2013

Fanfiction: Caras e Bocas – Capítulo 3


Capítulo 3

Serena P.O.V.

Acordei com uma tremenda dor de cabeça. Olhei ao redor e não reconheci o quarto onde estava. Forcei a mente para lembrar como havia ido parar ali.
Então a noite anterior voltou a minha mente como um flash. Imediatamente abracei minhas pernas e comecei a chorar. Eu ainda podia sentir a respiração do que parecia dar as ordens e meu pescoço e as mãos ásperas daqueles dois passando por meu corpo.


-Serena! –exclamou Taylor entrando no quarto com uma bandeja.
Ele a depositou no baú aos pés da cama e correu até mim me puxando para si.
Enterrei a cabeça em seu peito e chorei até as lágrimas acabarem.
-Já passou, já passou. –ele sussurrava.
Quando as lágrimas acabaram, respirei fundo algumas vezes antes de falar algo.
-Que horas são? –perguntei lembrando-me de que tinha uma vida e que eu teria que cumprir todas as minhas tarefas de cabeça erguida.
-Dez horas. –Taylor respondeu.
-O quê? –perguntei incrédula procurando algum relógio e localizando um no criado mudo que indicava exatamente o mesmo horário que Taylor disse. –Não acredito que perdi aula. –lamentei-me. Eu não gostava de perder aula, ainda mais estando no final do último ano.
Senti Taylor balançar a cabeça negativamente.
-Foi só um dia, você não vai morrer com isso. –soltei-me dele e me recostei nos travesseiros. –Concentre-se em se recuperar, você ainda está bem pálida.
Revirei os olhos, mas me ajeitei melhor enquanto ele colocava a bandeja em cima de minhas pernas.
-Você que fez? –perguntei pegando o suco de soja. Maçã. Ele havia acertado em cheio, suco de soja sabor maçã era o meu favorito.
-Dê os créditos a Tereza, minha empregada. –ele respondeu rindo de minha pergunta.
Quando estava com o copo a meio caminho de minha boca me toquei de algo importante.
-Minha mãe sabe que estou aqui?
Ele assentiu.
-Ela passou para te buscar hoje cedo, mas como você estava dormindo ela não quis te acordar. –respondeu ele me estendendo um comprimido. –É para dor, o médico te receitou, mas não consegui te dar antes.
Assenti minimamente pegando o comprimido e o colocando na boca e o engolindo tão rápido que minha cabeça chegou a girar um pouco.
-Mas o que aconteceu depois? –perguntei com a voz fraquinha pela tontura.
Taylor comprimiu os lábios em uma cara de preocupação que preferia não ter visto.
Estava sendo ótimo finalmente conversar com Taylor sem brigarmos ou nos chamarmos apenas pelo sobrenome, mas isso não tornava o fato menos estranho.
-Ela vem te buscar a noite. –respondeu me empurrando o prato de ovos com bacon.
Balancei a cabeça e peguei apenas o misto quente.
Vendo minha expressão ele continuou.
-Eu liguei para David para avisar o ocorrido e ele nos deu o dia de folga. E como sua mãe e seu pai trabalham, sua mãe pediu para que ficasse comigo.
Respirei profundamente mais uma vez.
-Sabe que não precisa ficar de babá. –falei empurrando a bandeja quase intocada. Eu estava enjoada demais para comer muito.
-Eu sei que não preciso. –respondeu seco enquanto eu me ajeitava melhor e fechava os olhos ante a afirmativa. –Mas eu quero. –completou fazendo-me abrir os olhos novamente, eu estava totalmente confusa. –Você não sabe a raiva que fiquei ao ver aqueles... Se eu não estivesse naquela rua, ou demorasse mais dois minutos... –fechei os olhos e respirei fundo várias vezes tentando reprimir as lágrimas. Eu já havia chorado demais por um dia. –A questão é que eu não suportaria te ter longe, pelo menos por enquanto. Ainda me sinto responsável por você.
-Entendo. –disse eu assumindo aquele tom de voz fraquinho novamente.
Eu também não conseguiria ficar muito longe de Taylor por enquanto, ele era o meu herói, foram os braços dele que me seguraram, foram os braços dele que me deram suporte e um chão quando eu não tinha nenhum, e foi nos braços dele que eu chorei e fui consolada.
-Por que você me tratou mal desde a primeira vez que nos vimos? –perguntei mudando o rumo da conversa. Não só porque isso era uma curiosidade que eu tinha desde que nós nos conhecemos como também para pararmos de falar do ataque de ontem. Mas quando ele abriu a boca para responder o telefone tocou e ele atendeu.
-Alô. Uhum. Ela está aqui sim, quer falar com ela? –perguntou para a pessoa do outro lado da linha. –É a Amy, ela quer falar com você. –disse Taylor me estendendo o telefone e eu o peguei prontamente.
-Oi, Amy. –minha voz ainda continuava fraca.
-Serena! Você está bem? –perguntou ela em tom preocupado.
-Melhor agora. E o seu pai? –perguntei. Agora era eu quem estava preocupada.
-Só você mesmo para se preocupar com meu pai enquanto passa por uma situação dessas. –disse ela em uma forma de desaprovação e admiração ao mesmo tempo. –Ele está bem, teve apenas ferimentos leves.
-Que bom. –eu achei que a conversa acabaria por aí, mas estava mais do que enganada.
-Serena, eu sei que não é um bom momento, mas você precisa saber de uma coisa. –disse Amy, eu quase podia vê-la mordendo a ponta da unha.
-O que é? –perguntei. Nada podia piorar, certo?
-Ao que parece, um fotógrafo que passava por ali de carro, tirou uma foto de Taylor te carregando e logo depois um médico que disse que te atendeu contou a história. –disse ela. E eu rezei para que sua próxima frase não fosse o que eu estava pensando. –Você e Taylor estão em todos os jornais e revistas agora.
Bati a cabeça contra a cabeceira da cama fazendo com que minha dor de cabeça piorasse um pouco.
Taylor puxou o telefone de minha mão e colocou no viva a voz.
-O que aconteceu Amy? –Taylor perguntou preocupado.
Eu apenas me recostei na cabeceira da cama deixando tudo passar por mim.
Amy contou toda a história novamente.
Taylor cerrou os punhos, os dentes e deu vários socos na cama.
-Isso não é possível. –disse ele por entre dentes.
-Tanto é como está por todo o lugar. –Amy respondeu cansada. Eu imaginava o que ela estava passando no colégio. Todo mundo deveria estar perguntando tudo para ela. Ouvimos um barulho ao fundo. –Tenho que desligar, daqui a pouco a aula começa. Beijos e tchau para vocês.
-Tchau, Amy. Se cuide. –disse eu pensando no que ela estava passando. –Não deixe que ninguém te amole perguntando o que aconteceu, ok?
-Ta, Serena. Vou tentar. –respondeu aflita.
-Tchau Amy. –disse Taylor por fim.
-Tchau para os dois. –falou baixinho e depois desligou.
Taylor entrou em seu closet e voltou de lá com um notebook em mãos.
-O que você vai fazer? –perguntei enquanto ele abria o notebook a minha frente.
-Sabe qual o maior site de fofoca dos famosos? –perguntou enquanto acessava a internet.
-Sei. –respondi e acessei o site. –Ai. Meu. Deus.
-O que foi? –Taylor tomou o notebook de minhas mãos e começou a ler. –Os atores, Taylor Lautner e Serena Gligeusky, foram flagrados em uma cena um tanto quanto íntima nas ruas de Los Angeles. Segundo o requisitado médico, Roger Gruen, Serena quase sofreu um estupro em um beco ali perto; e para sua sorte, Taylor a encontrou e nocauteou os agressores com golpes de karatê antes de levar Serena em estado de choque para sua casa.  A verdade é que imaginamos que esse “ataque” foi forjada como uma forma de chamar a atenção para o novo casal das telonas. O que você acha? Reportagem assinada por Rita Skeeter.
-Isso é um absurdo! Ele como médico não poderia fazer isso! –exclamei indignada. –Por que raios ele faria isso? O que ele ganha?
-Gruen não precisa de um motivo para me atingir, nunca precisou. –disse Taylor com raiva. –Só que desta vez ele passou dos limites. A briga é entre ele e eu. Ele não tinha o direito te envolver na história.
-Com assim? Você o conhece? –perguntei assustada. O que estava acontecendo ali?
-Digamos que Gruen e eu temos uma rixa desde os tempos de colégio. –respondeu Taylor cerrando os punhos.
Passei a mão em seu rosto em um gesto impensado. Quando percebi o que estava fazendo, tentei tirar minha mão dali, mas Taylor a segurou junto de seu rosto.
Taylor se aproximou de mim vagarosamente. Agora nossos lábios estavam próximos, eu sabia o que ia acontecer, e mesmo que a maior parte de mim estivesse ansiando pelo momento em que nossos lábios se encontrariam, minha parte racional gritava que aquilo não era certo.
Ignorei a parte racional e venci a curta distância entre nós colando meus lábios aos seus. Nos beijamos calmamente, uma apreciava os lábios do outro, mas essa calmaria foi embora quando Taylor pediu passagem com sua língua. Foi impossível controlar meus instintos nesse momento; eu subi minhas mãos para seus cabelos enquanto ele mantinha uma de suas mãos em minha cintura e outra em meus cabelos me segurando junto a ele. Só paramos o beijo quando o ar já nos era escasso.
Continuei com os olhos fechados, mesmo depois de nos separarmos, eu ainda não estava pronta para encará-lo depois desse beijo.
-Serena, olhe para mim. –pediu ele após algum tempo e relutantemente eu abri meus olhos. –Você perguntou antes por que eu te tratava tão mal desde o primeiro momento que nos vimos. E eu queria dizer que...
Eu balancei a cabeça negativamente o cortando.
-Eu me precipitei. –falei voltando a fechar os olhos. –Não estou pronta para saber.
Taylor passou a mão por meu rosto e abri meus olhos novamente.
-Eu gostaria que você me chamasse de Serena. –pedi. Eu achava Serena muito formal, ainda mais agora que havíamos passado um longo período de tempo sem brigarmos. –Me sinto mais a vontade, ainda mais agora que... Bem, que estamos nos dando bem.
Ele assentiu, pegou a bandeja e saiu do quarto.

Taylor P.O.V.

Serena era um verdadeiro mistério para mim, a cada segundo ela me surpreendia como ninguém. No momento em que eu estava prestes a contar para ela o porquê de tratá-la tão mal, o porquê de eu odiá-la, ela simplesmente me pára e diz que não está pronta para ouvir.
Eu sabia que tinha errado ao beijá-la, eu não sabia quais eram seus sentimentos por mim, e nem sabia ao menos se ainda a odiava, não queria brincar com os sentimentos dela, geralmente guardo isso para as garotas fúteis, mas Serena não se enquadrava neste perfil.
Coloquei a bandeja de café da manhã de Serena em cima do balcão e voltei para o quarto, Tereza cuidaria daquilo. Voltei ao quarto entregando uma das mudas de roupas para Serena que a mãe dela havia deixado comigo hoje pela manhã.
Ela fez uma careta.
-Tenho mesmo que trocar de roupa? –perguntou fazendo-me rir. –Está tão confortável assim.
-Você não vai querer sair com minhas roupas. –falei enquanto ela arregalava os olhos.
–Não quero sair. –sussurrou. Eu entendia seu medo. Eu sabia que minha casa havia se tornado seu porto seguro, mesmo que por pouco tempo, pois foi aqui que ela encontrou paz depois de um trauma.
-Não precisa ter medo. –falei estendendo uma mão que ela pegou prontamente. –Não vou deixar que nada te aconteça.
Ela assentiu, usou minha mão como apoio para levantar e logo depois foi para o banheiro com minha ajuda, suas pernas ainda pareciam um pouco instáveis.
-Pode pegar uma toalha para mim? –ela perguntou abrindo a porta do boxe e ligando o chuveiro.
Abri o armário em baixo da pia e tirei uma toalha branca.
-Vai precisar de mais? –perguntei com a mão já a postos para pegar outra.
Ela apenas balançou a cabeça negativamente.
-Obrigada, Taylor, se precisar eu te chamo. –falou me dispensando. Mas não consegui me mover dali e acabei a vendo tirar a roupa.
Serena nem havia percebido que eu ainda estava ali, ela apenas entrou no chuveiro e começou a tomar banho.
Balancei a cabeça tentando clarear os pensamentos e saí do banheiro enquanto ainda era tempo.
Serena não demorou muito para sair do banheiro com um vestido vermelho e sandálias abertas. Ela fazia uma careta enquanto olhava para as próprias roupas.
-Está linda. –falei sentado na cama.
-Obrigada, eu acho. –falou pegando sua bolsa e tirando um pente de lá.
-Podemos ir? –perguntei.
-Só um minuto. –falou correndo para o banheiro com a bolsa em mãos e saindo minutos depois levemente maquiada. –Pelo menos assim eu fico com uma cor saudável. Para onde vamos?
-Almoçar. –respondi fazendo com que ela me olhasse incrédula.
-Mas eu acabei de tomar café da manhã!
-Já percebeu quanto tempo se passou desde que você comeu? –perguntei olhando no relógio.
-Não... –respondeu desconfiada. –Não deve ter se passado muito tempo.
-Agora é exatamente uma e vinte da tarde, o que significa que já faz três horas e vinte minutos que você comeu. –respondi esbanjando meus conhecimentos em nutrição. –Hora de comer de novo.
-Ah, não, nem pensar. Você também não!
-O que? –perguntei segurando o riso mediante a seu ataque enquanto eu a pegava pela cintura e a conduzia para a porta do apartamento.
-Você também não vai me obrigar a comer, nem pensar. –falou se desvencilhando de mim e colocando as mãos na cintura.
Dei de ombros.
-Onde vamos almoçar? –perguntou hesitando mediante a porta.
-Em um restaurante aqui perto. –respondi voltando a puxá-la com leveza.
Entramos no elevador e esperamos até que descesse.
-Acho que não me sinto muito bem. –Serena sussurrou assim que saímos do prédio para esperar que o motorista manobrasse meu carro até a rua. O rosto dela perdeu a pouco cor que havia adquirido com a maquiagem.
Apertei-a contra mim mais uma vez mostrando que nada aconteceria a ela enquanto eu estivesse por perto.
O motorista chegou com meu carro e entramos nele. Indiquei-lhe o nome do restaurante.
-O que vamos fazer depois do almoço? –perguntou Serena.
-Não sei. –respondi deixando meus olhos vagarem pelas ruas em que passavam. –Acho que podíamos ensaiar o script para amanhã ou pegarmos alguns filmes.
-Sem trabalho. –falou ela olhando-me assustada. –Pelo menos hoje não.
-Então o que sugere? –perguntei voltando meus olhos para ela.
-Eu estava pensando se nós poderíamos passar em alguma livraria. Preciso comprar alguns livros para o a faculdade. Vou fazer o vestibular no final deste mês, mas segundo o reitor eu entro de qualquer maneira. –falou franzindo o cenho. –Não gosto disso. Quero passar pelos meus conhecimentos, não por ser famosa.
-Para qual faculdade você vai? –perguntei beijando-lhe mais uma vez. Como eu disse antes, eu sabia que isso não era certo, mas era quase impossível me controlar, ainda mais agora com essa nossa estranha proximidade.
-Dartmouth. – falou sorrindo minimamente. –Eu sei que assim vai ser mais difícil trabalhar, mas eu já falei com David e ele concordou em conversar com todos para ver se concordam de mudar nossos locais de gravação para lá.
-Eu também vou para Dartmouth. –falei sorrindo mais ainda. Que curso será que ela faria?
-Sério? Que curso?
-Psicologia. –respondi. Depois de muito tempo eu havia conseguido livrar minha agenda de gravações ficando apenas com a série Os Imortais, tornando mais fácil meu ingresso na faculdade, coisa que eu queria fazer havia tempos.
-Eu também. –Serena falou abismada.
Ri da ironia. Nós tínhamos mais em comum do que parecia.
Eu odiava isso, eu a odiava, mas eu também sentia algo mais por ela, só não sabia o que era.
Afinal, o que estava acontecendo comigo?

(Continua...)

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