27 dezembro 2013

Fanfiction: “A MUSA - Capítulo 1

Capítulo 1

Dois anos antes...
Apertei os meus dedos uns aos outros, disfarçadamente. No palco, Anne Hathaway apertava firmemente a estatueta, discursava com a voz clara, mas um tanto trêmula. Ela finalmente havia conseguido, e realmente merecido, umOscar, o de melhor atriz coadjuvante. Eu entendia o nervosismo dela, o enxergava por trás da bela compostura de atriz experiente que ela tinha, simplesmente porque estava sentindo a mesma coisa.
_ Só falta uma indicação, Diana. E seremos nós. – Carlos, o diretor, disse ao meu lado, me fazendo sorrir. Ele havia sido o responsável por estarmos ali, pois foi ele quem preencheu e enviou o formulário “OfficialScreenCredits”, nos candidatando ao Oscar na categoria de melhor documentário.



_ Não seremos nós, mas será a indicação de melhor documentário. – Eu corrigi.
_ Não, o nosso é o melhor, então, daqui há uma indicação, nós teremos que subir naquele palco. – Ele afirmou enfaticamente.
Eu sorri, a contragosto, e olhei pra frente. O que ele havia dito poderia ser verdade, mas eu ainda duvidava que o egocentrismo americano dos Membros da Academia permitissem que uma equipe inteiramente brasileira conseguisse a proeza de roubar o lugar de uma americana, nossa maior concorrente, com o documentário “XXI Century”, que falava de todos os principais ataques terroristas do nosso século de uma maneira completamente diferente do que já haviam feito.Eles produziram tudo de acordo com a perspectiva dos terroristas, e não dos americanos. Muito inteligente, eu devia confessar.
Mas Carlos Andrade, que do dia pra noite havia passado de um diretor falido que lecionava cinema na USP, para o melhor do Brasil, me afirmava que a Academia já havia superado esta fase. Era difícil acreditar, uma vez que até agora, muitos foram indicados, mas nenhum brasileiro pegou uma daquelas estatuetas dourada nas mãos.
O teatro Kodak exalava um brilho poderoso de riqueza e glamour ao meu redor, tão diferente do que eu havia vivenciado no meu ultimo ano, durante a aventura que havia sido a produção do documentário “O tesouro dos povos”. Finalmente a voz de Brad Pitt, anunciou o que nós, na quinta fileira da seção “B” daquele teatro, aguardávamos.
_ E agora, vamos aos indicados na categoria “Melhor Documentário”.
            Enquanto a projeção com trechos dos cinco indicados começava, Brad olhou pra mim, e sorriu. Minutos antes de entrarmos na premiação havíamos conversado, e ele havia dito que torcia por nós. Isto se devia obviamente as influências de Jolie, que havia encontrado comigo na África, durante as filmagens. Acabei por conhece-la mais de perto, conversamos muito durante os dois dias que estivemos na mesma cidade.
            Contra a minha vontade, senti um frio na barriga quando a minha voz soou por todo teatro, junto da minha imagem em meio a um bando de crianças tupis que cantavam e dançavam uma canção em homenagem ao sol. Senti o aperto suave de Maria, uma das produtoras, na minha mão, conforme as imagens do nosso documentário sobre as culturas musicais de vários povos étnicos do mundo encerrava a apresentação dos indicados. Depois, tudo foi como um outro filme irreal. A moça elegante levou o valioso envelope em uma bandeja para as mãos de Brad Pitt, ele fez qualquer brincadeira que eu não entendi até finalmente abrir o bendito envelope.
_ E o Oscar vai para… “O tesouro dos povos”, produção brasileira de Carlos Andrade e Diana Moreno.
            Os aplausos pereceram romper a minha bolha, me fazendo olhar para os lados. Carlos me fornecia um sorriso desafiador, como se dissesse “eu avisei”. Ele ofereceu a sua mão, que aceitei rapidamente, e nos levantamos.
_ Esta é sua coroação Diana. Depois disto, nunca mais perderá o reinado. – Ele me sussurrou, enquanto andávamos para o palco.
            Ele pegou a estatueta maciça das mãos de Brad e me ofereceu. Eu sorri e peguei. Ouro puro… um pensamento amargo me passou pela cabeça, quando eu pensei que ao derreter aquilo eu poderia conseguir dar uma preciosa quantia para o Hospital ao norte da Argélia, que atendia milhares e milhares de pessoas com a vida condenada e que estava em péssimas condições de estrutura.
            Não consegui repetir o ato de Carlos e beijar a estatueta, apenas sorri. Logo depois recebi os comprimentos afetuosos de um dos ídolos de minha adolescência.
_ Eu não tinha dúvidas, foi realmente muito bem feito. Parabéns pela ideia e pelo roteiro. – Brad me disse. Eu sussurrei um obrigado e me voltei para o púlpito em que Carlos se pronunciava.
_… e esta é uma conquista não somente para toda a equipe envolvida neste documentário, mas para o nosso país, Brasil, ao qual estamos representando neste palco. Posso dizer que este projeto foi uma aventura do começo ao fim, e devemos o mérito a inteligência e perspicácia de uma das mulheres mais incríveis que conheci: Diana Moreno.
            Carlos, filho da mãe, apontou pra mim iniciando uma turba de aplausos e me indicando que eu tomasse a palavra. Eu realmente não queria falar. Mas não havia alternativa.
_Penso que obrigada, muito obrigada a todos, é a melhor maneira de começar, pelo que pude observar ao longo dos anos. – Foi o começo do meu discurso em inglês fluente. Todos, por algum motivo, riram. Eu sorri e voltei os meus olhos para a estatueta que estava em minhas mãos. – Mas eu acredito que a experiência mais rica e valorosa que tive com esta produção não é, de fato, esta estatueta.
            Pronto, o silêncio reinou abruptamente por todo o Kodaly, e eu pude observar pela visão periférica o sorriso elegante de Brad Pitt congelar. Somente Carlos e o pessoal que ocupava a quinta fileira do setor “B” não pareceram apreensivos com as minhas palavras. Afinal, eles me conheciam.
            Eu ergui os olhos e encarei os rostos distintos da platéia.
_ Porque o que me alimentou o espírito, a cognição, a mente… foram os povos com os quais eu convivi, suas músicas, suas crenças, suas paixões, seus costumes… os verdadeiros tesouros humanos espalhados pelo Brasil, Bolívia, Bali, Angola, Mongólia, China, Austrália… O tesouro humano, os tesouros da vida humana que não precisam de máquinas, que não precisam de dinheiro ou mesmo de uma celebração em Los Angeles para ser eterno. A única coisa que nossa equipe fez foi mergulhar nesses universos culturais tão vastos e tão sufocados pela evolução tecnológica, gravar o nosso olhar pelas lentes de muitas câmeras e espalhar pelo mundo. No entanto, chegar até aqui é, de certa forma, saber que as pessoas ainda se encantam com estes tesouros antigos. Obrigada.
            Depois que eu me afastei do púlpito, o silencio ainda permaneceu por cerca de cinco segundos, até que, para minha surpresa, todo o teatro se pôs de pé e aplaudiu.
            Eu não sabia, mas depois de alguns anos eu voltaria a ser o centro dos olhares daquele teatro estrelando uma cena inusitada e real ao lado de Taylor Lautner.
************
            POV Taylor
Foi a primeira vez que a vi, enquanto subia naquele palco, acompanhada por um homem de meia idade, deslizando pelo corredor que levava até lá. Ao contrário dela, eu não estava no Kodaly para ser premiado, ou sequer, como participante de um filme indicado. Eu estava lá simplesmente porque era uma celebridade badalada excelente para preencher cadeira nas fileiras principais e fazer bonito para as câmeras.
Eu só assistia.
E, naquele momento, meus olhos estavam presos nela, que tinha uma aura magnifica ao seu redor, de imponência, superioridade. Eu não sabia muito sobre ela, nem sequer assisti o tal documentário que ela havia feito, mas era óbvio que ela tinha um certo estrelismo dentro de si.
O vestido de uma variação de rosa claro parecia ser um dos que mais chamavam a atenção entre as mulheres, mas parecia ter sido feito especialmente para ressaltar os atributos curvilíneos daquele corpo e de nenhum outro. Isto acontecia de forma elegante, clássica e… sensual. Ela tinha os cabelos negros, os lábios perfeitos, a pele morena e bronzeada e os olhos incrivelmente azuis. Era uma mistura perturbadora, impossível de passar despercebida.
Observei quando ela começou a falar, e analisei sua postura, o sorriso educado, fechado. Ela perecia bem diferente de todas as brasileiras que eu já havia conhecido… Não havia nela aquela receptividade calorosa, aquela espontaneidade que chegava a assustar. Ela parecia até… ser fria.Diana Moreno… este era o nome.
Ela desceu do palco e ao passar pela primeira fileira recebeu alguns comprimentos realmente valiosos: David Yates, Sandra Bullock, Meryl Streep, Anne Hathaway, Jhonny Depp…
Eu não sabia exatamente o que me levou aquilo, mas quando ela passou perto de mim - que me encontrava na ultima cadeira da ponta de minha fileira, ao lado do corredor que dava acesso ao palco - eu me levantei.
_ Parabéns! Bela produção, um prêmio merecido. – Eu a cumprimentei e, sorrindo, lhe ofereci a mão para um aperto.
            Lentamente ela direcionou aqueles belos e grandes olhos azuis para o meu lado. Me olhou e abaixou o olhar para minha mão. Por um instante fugaz eu tive a fria sensação de que ela ia recusar e virar as costas, mas isto não aconteceu. A mão macia dela apertou a minha.
_ Não pensei que atores com suas especialidades se interessassem em documentários deste gênero. Quando assistiu?
            Ela não agradeceu de imediato, apenas me questionou sem titubear. Ela havia pego em um ponto fraco, aliás. Eu não havia assistido e não, eu não me interessava por documentários daquele gênero.
_ Há alguns dias. – Sorri, atuando. Ela estreitou os olhos e sorriu de lado. Eu vi, ela não acreditou.
_ Obrigada Lautner. 
            Dito isto ela soltou minha mão e voltou para o seu lugar. Eu fiquei lá, de pé, até ser puxado para baixo novamente pela Nikki, que também estava na cerimonia com o marido, sentados ao meu lado.
_ As câmeras não podem te pegar babando Taylor! Mantenha a compostura! – Ela ralhou entredentes, enquanto sorria.
            Eu refiz minha expressão como se eu estivesse concentrado na apresentação de Brad Pitt no palco, de qualquer coisa que fosse.
_ Tudo bem… - Eu sussurrei para Nikki como se comentasse algo. Ela balançou a cabeça levemente e deixou um riso escapar.
Mas parecia que a imagem daquela mulher iria ficar gravada em minhas retinas por um bom tempo.

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4 comentários:

  1. é uma alegria voltar a ler essa fic que eu adoro por favor nao demora a postar

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  2. Nossa, acho que nunca li uma fanfic tão bem escrita. Sem erros, pensamentos claros e coerentes!
    Ótima estória!!!
    Parabéns!!!!!

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  3. Oh, my God! Obrigada pelo elogio flor, fico lisonjeada! Espero que continue gostando.

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