27 dezembro 2013

Fanfiction: "Um amor maior que Eu" - Capítulo 24: Vinte e sete segundos



Capa:  Érica Rocha
Texto/Fic: @Rafaela_Vargaas
Beta: Letícia Monteiro
Ilustrações/Gifs: @Rafaela_Vargaas
Música Tema: Lonestar - Amazed

As luzes dos postes começaram a acender e o sol estava se pondo. Chuviscava um pouco, mas parecia mais um sereno sem fim. Olhei para Taylor e ele parecia cansado, sua roupa agora estava seca e sua toalha estava jogada no banco de trás. Seus cabelos estavam arrepiados, mas seu olhar parecia feliz.

A rua cheia de arranha-céus e o imenso hotel cheio de janelas começaram a fazer sentido para mim agora. Nós permanecemos em silencio até chegarmos aos fundos do meu hotel. Um frio passou pela minha barriga e o enjoo de olhar para o rosto de Miguel já me veio antes mesmo de vê-lo.
Ter que deixar Taylor ir embora, nem que fosse por pouco tempo ou até mesmo por um dia, parecia que iam se passar anos. Puxei uma bufada de ar para me recordar bem daquele delicioso perfume e me aproximei de Taylor. Peguei em sua mão e recostei minha cabeça em seu ombro, eu nem precisei dizer nada para ele saber exatamente o que eu estava sentindo. Parecia que nós dois prevíamos uma grande e eterna briga entre mim e Miguel, onde ele o chamaria de tudo e eu teria vontade de dar na cara dele até dizer chega. Eu sabia que ele iria me encher a paciência até eu desistir e pedir desculpa, mas eu não pediria.
- Eu te amo Tay...  – Cochichei fugindo de meus pensamentos ruins.
- Eu também te amo minha Loira...
- Me desculpe. –Falei olhando para ele segurando as lágrimas.
- Te desculpar pelo que? – Perguntou ele parecendo confuso.
- Por deixar os caras virem que era você na estrada me beijando e por não saber controlar meu irmão...
- A culpa não é sua, não se culpe por isso. – Disse ele beijando o alto de minha testa e pegando minha bolsa.
Taylor abriu a porta do carro e saiu lentamente olhando para os lados. Ele fez a volta no carro e abriu minha porta pegando na minha mão e me tirando de lá.
Taylor passou a mão por minha cintura e começou a me guiar até a porta dos fundos. Quando eu vi que ele ia colocar a mão no trinque da porta, automaticamente eu coloquei a mão em seu braço e o puxei rapidamente ficando em sua frente tampando o trinque da porta.
- Onde você pensa que vai? –Perguntei assustada.
- Vou conversar com seu irmão. – Falou Taylor tentando me tirar cuidadosamente da frente da porta.
- Você está maluco? Bebeu alguma coisa? –Perguntei explodindo de susto.
- Não, por quê?
- Taylor você não pode! –Falei quase gritando.
- Por que não? Qual o problema? –Perguntou ele dando um passo para trás e abrindo as mãos.
- O problema é que você não pode entrar lá. Não pode enfrentar Miguel, você entende? Eu me entendo com ele, por favor, não vá! –Falei entrando mais ainda em pânico.
- Loira, nós temos que cessar isso de vez, se eu não o enfrentar ele nunca vai parar, deixe-me falar com ele...
- Não Taylor, por favor, não! –Gritei colocando as mãos em minha cabeça.
- Calma! Tudo bem, eu não vou... Mas qualquer hora dessas, eu vou falar com ele, ok? – Disse-me ele aproximando-se de mim e selando meus lábios.
- Não faça isso... – Falei fraquejando.
- Isso o quê?
- Não faça essa carinha de cão sem dono... –Falei sorrindo.
Taylor gargalhou e me beijou calorosamente. Separamos nossos lábios quando escutei meu celular vibrar no bolso de minha calça. Coloquei minha mão em meu bolso e puxei meu celular, e o nome de Miguel estava no visor e o desliguei. Taylor viu o nome dele e de imediato entregou-me a bolsa e abriu a porta para eu passar.
- Eu te amo Loira, vai lá, eu te ligo mais tarde... –Disse Taylor me abraçando fortemente e logo depois selou meus lábios mais uma vez.
- Eu também te amo, meu Moreno e vou aguardar sua ligação. – Falei retribuindo o abraço e o selinho.
Fechei meus olhos, respirei fundo e tentei me acalmar quando dei meu primeiro passo para dentro do Hotel e percebi que Taylor fechou a porta assim que passei. Abri meus olhos e os olhares especulativos dos porteiros foram à primeira coisa que vi. Comecei a dar passos rápidos e atrapalhados até o elevador. O elevador parou no 11° e no corredor extenso eu só conseguia ver o apartamento número 111. Tentei manter minha respiração normal e caminhei até o apartamento. Quando ergui minhas mãos para abrir a porta, a porta foi aberta e deparei-me com uma figura extremamente angelical em minha frente.
Os cabelos negros e compridos voavam suavemente, as bochechas rosadas foram movidas num sorriso largo e brilhante, a pele bronzeada era como um sol dentro do apartamento, seu pequeno tamanho a fazia parecer uma adolescente perto de mim e seus olhos castanhos perfuraram mais uma vez minha alma.
- Lice! –Falou Val com sua voz calma e aconchegante.
- Val! –Falei dando um passo a frente e a abraçando tão forte que eu pude ver que ela ficou sem ar.
- Como você está? –Perguntou-me ela me levando para dentro do apartamento e fechando a porta.
-Estou bem... E você?
- Estou bem também... Eu estava indo no mercado agora, mas não quero ficar mais nenhum segundo longe de você. –Disse ela sorrindo e me abraçando mais uma vez.
Era daquilo que eu precisava antes de entrar naquele apartamento que agora parecia assombrado e com um fantasma me esperando lá dentro, Miguel. O abraço quente e ansioso de Val era como estar coberta pelas asas de um Anjo e aquilo me trazia uma extrema paz, parecendo que eu estava flutuando pelas nuvens claras do céu azul.
- Onde está Miguel? –Cochichei em seu ouvido voltando a triste e assustadora realidade.
- Está no quarto, ele parecia nervoso antes de entrar lá de novo dizendo que ia me aguardar voltar... –Disse Val olhando tristemente para a porta. –Quero que você me conte tudo depois. –Disse ela cochichando e piscando o olho para mim.
Automaticamente eu me dei conta que ela já sabia sobre mim e sobre Taylor. Eu não me importei de que ela soubesse, pois ela era a pessoa na qual eu confiei durante esses anos todos sem nem mesmo ter dado um abraço, mas agora eu não tenho nem sombras de duvidas que ela era uma das pessoas em que eu mais confiava.
- Eu vou conversar com ele... –Falei estremecendo.
- Eu vou ao mercado, volto já... –Disse ela parecendo prever as brigas.
Vi sua silhueta sumir pela porta e tomei coragem de ir falar com Miguel. Caminhei até a porta de seu quarto e dei duas batidinhas antes de abrir. O quarto estava bem claro por conta da luz da lua que adentrava o quarto pela janela de vidro, o cheiro de perfume era o que reinava no quarto e subitamente vi Miguel de costas para mim em cima da cama e com a cabeça baixa.
- Miguel? –Falei calmamente entrando no quarto e fechando a porta, ficando encostada nela.
- Ah, a Princesa e o vagabundo já chegaram do castelo negro! –Disse ele sarcástico.
- Ah, e o dragão está me esperando! – Falei com o mesmo sarcasmo.
- Olha como você fala comigo! –Falou Miguel erguendo o tom de voz e se aproximando de mim.
- Se você me respeitar eu te respeitarei também. –Falei dando um passo a frente.
- Olha, eu não te trouxe para Nova York para você sair por ai com esse vagabundo, andar por essas ruas desertas e fazer coisas que não deve estrada a fora e muito menos te trouxe pensando que você iria se envolver com marginais desse tipo. –Falou ele apontando o dedo para mim e gritando mais uma vez.
- Miguel você bateu com a cabeça foi? Vagabundo e marginal? Diga-me de onde que você tirou esse absurdo, isso não faz sentido, isso não tem lógica, seu louco! –Falei gritando e deixando transparecer a dor e a raiva em meus olhos.
- Olha só, aquele rapaz não é perfeito, ele é um idiota que se faz de santinho pra pegar todas as vadias que passa em sua frente.
- Cala a merda dessa boca! –Gritei passando ao meu extremo. – Você está achando o que, hein? Está achando que vai falar assim dele? Que vai chama-lo de vagabundo e mulherengo e eu vou ficar quieta? Você pensa muito bem antes de falar merda, está me ouvindo? –Gritei correndo para sua frente e ficando á centímetros de seu corpo.
O olhar de Miguel era o pior e o mais apavorante que eu já tinha visto em toda a minha vida. Seus olhos escuros me penetraram e suas mãos fechadas voaram para o abajur em cima de sua cômoda fazendo-o voar e dar um estrondo. Os cacos do abajur voaram para todo o lado fazendo-me pular.
- Porra Alice! Vocês estavam pensando que nunca iam ser vistos? Ele nunca pensou em sua imagem estampada em todos os sites e revistas de fofoca? Ele nunca pensou na dor que isso traria a sua família?  Ele nunca pensou que no meu serviço eu iria ser questionado a todo instante? – Disse ele virando-se e colocando a mão na cabeça.
Analisei bem como ele conjugou as palavras e um tremor voou pelas minhas pernas fazendo-me ficar tonta e ter de me segurar na parede do quarto. Tudo ao meu redor ficou embaçado e eu desejei que aquilo passasse logo.
“Vocês estavam pensando que nunca iam ser vistos?”, a voz de Miguel ecoou em minha mente fazendo-me perder totalmente as minhas forças.
-Do... Do que você está falando?  -Perguntei gaguejando e quase sem voz.
Miguel não disse nada, apenas jogou uma revista em meus pés. De longe eu já pude ver o que estampava a capa da revista. Uma foto minha e de Taylor era o que estampava a revista. Nossos rostos estavam de lado e não tinha nem como negar que aquilo era mentira. Embora a foto estivesse um pouco nítida, os meus cachos e o formato o rosto de Taylor era bem visto. Uma letra grande nomeava o titulo da reportagem como “Loira misteriosa sai com Taylor Lautner de carro”
Entrei em choque na mesma hora que eu vi. Segurei as lágrimas e peguei a revista do chão, abri-a e não vi mais nenhum foto, apenas aquela estampada em uma das páginas juntamente com um imenso texto de fofoca, eu não fiz questão de ler e rasguei a revista em centenas de pedaços.
- Eu não me importo com isso. –Falei jogando os pedaços rasgados no chão.
- O que? Como assim você não se importa? -Gritou Miguel levantando uma de suas sobrancelhas.
- Eu não me importo com essas fofocas e isso não me impedirá a nada. –Falei virando-me para sair do quarto.
- Alice, qual foi à poção que ele te deu? –Perguntou ele mais uma vez sendo sarcástico.
- Poção do amor. –Falei virando meu rosto e sorrindo.
- Que tolice, Alice! –Gritou ele mais uma vez.
- Tolice é você gritar e brigar comigo por uma coisa que você nunca vai conseguir impedir. E é ainda mais tolice você dar atenção pra esses sites e revistas de fofocas que não vai levar ninguém a lugar algum. –Falei virando-me para ele.
- Tolice é você sair com um vagabundo.
- Cale a sua boca! –Gritei levantando minha mão de imediato para dar um tapa em sua cara, mas eu a travei quando percebi o que eu iria fazer.
- Vamos lá, bate na minha cara! –Falou ele olhando para mim.
- Não me enche Miguel! –Falei abaixando minha mão e virando-me para a porta.
- Essa foi a ultima vez que você saiu com aquele idiota, está me ouvindo? –Falou ele segurando meu braço quando percebeu que eu iria sair do quarto.
- O que você está falando? –Perguntei incrédula.
- Isso mesmo, foi a ultima vez.
- Você não pode me proibir a fazer nada, está me entendendo? Não pode! –Gritei.
- Eu posso sim, falei com a mamãe hoje... Ela viu você estampada em todas as revistas brasileiras e você acha que a deixou feliz? –Falou ele.
- Miguel, me esquece! –Falei deixando escapar uma lágrima.
Puxei meu braço para tirar as mãos de Miguel e sai correndo para meu quarto batendo a porta na cara de Miguel quando ele foi atrás de mim.
Eu não estava acreditando. Minha mãe havia me visto naquelas malditas revistas de fofocas, e pior ainda, com meu ídolo o qual ela nunca acreditou que eu pudesse me envolver. Eu me odiei por ter vacilado daquela maneira, eu e Taylor estávamos tão ansiosos para ver-nos que nós não percebemos as consequências que isso nos traria mais tarde.
- Eu me odeio! –Gritei enterrando minha cabeça no travesseiro.
Deixei que as lágrimas rolassem, era a única maneira de me acalmar e de me esvaziar, de qualquer forma, eu tinha vacilado com toda a minha família e amigos. Fiquei algumas horas ali, na mesma posição quando escutei a música preferida de Taylor começar a tocar.
- Alô? –Falei quase entrando em desespero quando li o nome de minha mãe no visor de meu celular.
- Lice minha filha... –Disse ela mostrando decepção.
- Mamãe, me perdoe. Foi a ultima vez, eu juro. –Falei.
- Filha, eu não quero te proibir a nada, mas as coisas têm limites.
-Eu sei mamãe, eu vacilei me perdoe. –Falei chorando mais uma vez.
- Não chore Lice, olha você nos magoou muito e fique ciente disso.
- Eu sei mãe, eu sei.
- Ricardo estava aqui até a pouco tempo e saiu na mesma hora que viu a revista em cima da mesa. –Falou ela do outro lado da linha.
- Por favor, não mencione o nome desse cafajeste nunca mais. –Dei de ombros.
- Ele foi o único que se importou com você...
- Rá, Rá, Rá! –Ri sarcasticamente. – Namorar com uma pessoa e trai-la é uma maneira de se importar? Mãe, não me faça rir!
- Ele se importou quando você se machucou por causa daquele... Daquele Taylor. –Falou ela mostrando reprovação ao falar o nome dele.
- Mãe, ele só se importou comigo por que foi ele que me atropelou e ele ficou morrendo de medinho de perder a carteira de motorista, eu não sou burra, ok? Eu sei muito bem o joguinho dele e eu não estou a fim de cair nele de novo. –Falei sendo dura.
-A partir de amanhã eu estarei bem mais relaxada, espero... –Falou ela.
- Por quê? – Falei pensando que algo de bom tinha acontecido no Brasil.
- A namorada de Miguel vai cuidar de você e uma pessoa irá ficar ai por perto. –Falou ela.
- Por que a Val vai cuidar de mim? E que pessoa?
- Ela não deixará você fugir e a pessoa é uma surpresa.
- Por que vocês tem que meter pessoas que não tem nada a ver com as nossas discussões? Não façam isso, eu já não sou nenhum bebezinho e eu sei cuidar da minha vida. –Falei quase gritando.
Escutei uma batida na porta e corri para atender. Mas antes de abrir a porta eu chequei para ver se não era Miguel e felizmente não era ele, se tratava de Val.
Abri a porta para ela passar e me despedi de minha mãe no telefone.
- Vem aqui... –Disse Val me puxando para mais um abraço.
Abracei-a e a guiei até a cama para sentarmos e conversarmos um pouco. Eu precisava desabafar apenas isso.
- Eu escutei a maior parte da briga... –Disse Val baixando o olhar.
- Ele é tão mal, ele é tão... Urgh! –Falei estremecendo.
- Ele apenas quer te proteger, ele pensa que o Taylor é uma pessoa má... Eu já expliquei a ele muitas vezes, mas ele não entende, parece um ciúme bobo, e ele o odeia desde quando começamos a namorar. –Disse ela.
- E quando vocês começaram a namorar? –Perguntei apressada precisando saber imediatamente.
- Há dois anos.
Fiquei boquiaberta quando supostamente descobri o motivo da raiva de Miguel por Taylor. Ele falava mal de Taylor a todo o tempo, sem nem mesmo ter motivos e isso não poderia ter outra explicação sem ser o ciúme que ele sentia de Taylor com Val.
- Matei a charada! –Falei batendo uma mão na outra.
- O que?
- Miguel só tem essa raiva de Taylor por que ele tem ciúmes de você com Taylor... –Falei, mas fui interrompida pelo o toque de meu celular.
Nossos olhares voaram para o celular e eu vi o nome de Taylor no visor. Levei minha mão para atendê-lo, mas ignorei quando me lembrei das palavras de minha mãe no telefone.
- Não vai atender? –Falou ela quase surtando.
- Você não vai deixar mesmo... –Falei pegando meu telefone para desliga-lo.
- Você está maluca? Atende! –Falou ela cochichando, mas mesmo assim surtando.
Em questão de segundos atendi ao telefone e no outro lado da linha escutei a voz rouca e protetora de Taylor.
- Lice... Disse ele.
- Oi Moreno! –Cochichei.
- Eu preciso conversar seriamente com você. –Disse ele.
- Tay, eu já sei de tudo. Já sei dos sites e revistas de fofocas, já sei da nossa foto, já sei das especulações, não vamos gastar nosso tempo com isso. –Falei.
- Lice, precisamos dar um tempo. –Falou ele pausando entre as palavras e puxando uma bufada de ar.

Naquele momento senti meu coração parar de bater. Eu comecei a piscar várias vezes quando comecei a enxergar tudo embaçado, um embrulho se formou em meu estomago e o sangue fugiu de meu rosto. Minhas mãos trêmulas e nervosas caíram sobre minha perna e o celular voou para cima da cama. A chamada foi finalizada com apenas 27 segundos de duração e naquele momento eu me vi sem chão. 



Foto da estampa da revista:


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