06 janeiro 2014

Fanfiction: Caras e Bocas – Capítulo 4


Capítulo 4

Serena P.O.V.

-Sério? Que curso? –perguntei à Taylor assim que descobri que ele iria cursar a mesma faculdade que eu.

-Psicologia. –respondeu calmamente.

Silenciei por um minuto totalmente pasma.

Se nos odiávamos, como poderíamos ter tanta coisa em comum?


Ele riu. Provavelmente pela ironia, acho que ele pensou o mesmo que eu.

Eu tinha de admitir que até esse riso irônico dele me atraia. Tudo em Taylor me atraia, sempre foi assim. E eu lamentava isso, pois tudo não passava de atração, eu não poderia nunca ceder a ele, não poderia nunca me apaixonar, por que se isso acontecesse, eu sairia machucada desta história.

Ele agora havia silenciado. Me encarava intensamente. Foi quando eu cometi o maior erro de minha vida. Eu olhei em seus olhos. Seus lindos, profundos e expressivos olhos.

Por que não me apaixonar? –pensou a adolescente romântica dentro de mim. –Afinal, eu posso fazer ele mudar, eu posso fazer com que ele se apaixone também, certo?

Lautner? Se apaixonar por mim? Só pode estar de brincadeira. –dizia minha parte machucada pelo seu ódio, meu lado vingativo. –Apenas o ignore como sempre. Não é só porque ele me salvou que eu tenho que ser eternamente grata a ele.

Eu posso deixar de ser boba e não me apaixonar, posso me divertir por um ou dois meses e depois chutá-lo, assim ninguém sairia perdendo e os dois teriam o que querem. –disse minha parte fria e analítica.

É melhor deixar as coisas do jeito que estão. –disse minha parte racional meditando. –Nós podemos ser apenas amigos, assim eu não sairia como a ingrata da história e nem voltaria a aquela guerra diária que tínhamos.

-Taylor? –chamei baixinho ignorando todas aquelas vozes em minha cabeça juntamente com meu bom senso. Ele se virou e prendeu seus olhos nos meus. Era isso, depois eu decidiria o que fazer. –Me beija. –sussurrei a última parte quase que para não me arrepender de ter pedido.

-O quê? –perguntou ele tão surpreso quanto eu comigo mesma.

-Me beija. –sussurrei novamente.

Taylor tomou meus lábios rapidamente. Não havia calma no beijo, só calor, apreciação e mais uma mistura de sentimentos que ficava cada vez mais confusa a cada segundo. Quando o ar ficou escasso, ele desceu o beijo para o meu pescoço e clavícula exposta por aquele vestido. Puxei seus cabelos querendo seus lábios nos meus novamente assim que consegui recuperar o fôlego.

Ouvi um pigarro, mas ignorei, um pigarro era insignificante perto de todos os sentimentos que me rodeavam.

Outro pigarro. Agora mais forte e mais alto. Tarde demais dei conta de que era o motorista de Taylor chamando nossa atenção.

Soltei-me de Taylor ficando vermelha. Eu podia sentir o sangue subir as minhas bochechas.

-Sim? –perguntei evitando encará-lo.

-Chegamos. –anunciou ele com a um ar de riso na voz.

Corei mais ainda.

-Já almoçou, Alfred? –Taylor perguntou ao motorista.

-Sim, senhor. –respondeu. –Devo esperá-los?

-Pode descansar, Alfred. –falou me puxando para fora do carro. –Quando eu estiver terminando eu te chamo.

Alfred assentiu e saiu dali rapidamente.

Entramos no restaurante escondendo o rosto para que ninguém nos reconhecesse e um bando de pessoas invadisse ali.

-O de sempre, Sr. Lautner? –perguntou um garçom quando nos sentamos a mesa.

-Não, hoje vou querer olhar o cardápio. Ah, e a carta de vinhos, por favor. –falou para o garçom que colocou o cardápio a nossa frente e deixou a carta de vinhos na mesa antes de sair atender outro cliente.

-Já é conhecido por aqui? –arqueei uma sobrancelha esperando que ele visse já que eu segurava o cardápio a frente do rosto.

-Digamos que já vim muitas vezes aqui. –eu não podia ver seu rosto, mas tinha quase certeza de que ele estava sorrindo.

-Não imaginava que você freqüentava restaurantes caseiros. –disse eu analisando o cardápio.

-É isso que acontece quando se mora em Los Angeles por mais de um ano. –falou baixando o cardápio e olhando para mim diretamente quando eu também baixei o meu. –Talvez algum dia você passe por isso também.

Assenti sem querer falar muita coisa. A certeza que eu havia visto em seus olhos tinha me assustado.

-Já escolheu o que vai querer? –perguntou após algum tempo de silêncio.

-Pode escolher por mim. –falei deixando meu olhar vagar pelo local e logo após em direção a janela.

Um dos homens que havia me agredido ontem me olhava fixamente do outro lado da rua, seu olho estava inchado e colorido em um tom de amarelo, roxo e preto. Fiquei tensa de imediato quando vi que ele vinha em direção ao restaurante. Engoli em seco e fechei os olhos para conter o choro, ele não podia estar vindo ali.

-Está tudo bem, Serena? –Taylor perguntou preocupado sentando-se no banco vago ao meu lado e segurando a face.

-Não. –sussurrei sabendo que minha voz não passaria disto. –Um daqueles dois, um dos estupradores... está lá fora, vindo para cá. –maneei a cabeça em direção a janela da melhor forma que pude já que ele segurava meu rosto.

-Olá. –disse uma voz masculina.

Era o tal Peter. Travei, não fiz mais nada; eu era uma estatua.

-O que quer aqui? –Taylor perguntou rude. Senti suas mãos deixarem meu rosto enquanto ele mudava o corpo de direção.

-Essa garota. –falou seco. –Preste atenção por onde anda, pois eu vou estar onde você menos imagina. –falou em minha direção. Eu podia sentir seu olhar queimando sobre mim. –E você vai pagar pelo que me fez. –ele falou para Taylor; foi nesse momento em que abri os olhos.

-Mantenha-o fora deste assunto. –disse eu. Meus olhos ardiam em medo, ódio e fúria.

-Ou o quê? –perguntou e eu me mantive em silêncio.

Taylor jogou os braços para trás criando uma proteção para mim enquanto o garçom que nos atendeu vinha com dois seguranças.

-Ele está incomodando Sr. Lautner? –perguntou enquanto os seguranças cercavam Peter.

-Sim, ele está. –disse Taylor, e foi o que bastou para os seguranças pegarem Peter pelo braço e arrastá-lo porta afora enquanto ele gritava:

-ISSO NÃO VAI FICAR ASSIM.

Tremi involuntariamente e recostei-me na parede.

-Tudo bem, Serena? –perguntou Taylor virando-se para mim novamente e secando uma lagrima que teimou em cair de meus olhos.

Assenti fechando os olhos novamente.

-Acho que só preciso de um pouco de água. –sussurrei me abanando com as mãos. Eu suava frio.

Taylor fez o nosso pedido. A água veio de imediato, e eu a bebi com extrema sede.

-Se sente melhor? –perguntou Taylor assim que esvaziei a primeira taça de água.

-Um pouco. –fui capaz de responder com um pouco mais de força do que antes.

_x_

Depois do almoço fomos à livraria para comprar os livros para a faculdade e depois viemos direto para cá.

Agora estávamos sentados debaixo de uma árvore a beira do lago em um parque isolado da cidade. Eu nunca tinha vindo aqui, fiquei feliz de conhecer um lugar tão belo e tranqüilo para descansar.

-Faz tempo que não vou a um lugar como este. –falei me ajeitando na manta para ficar na sombra da árvore.

-Eu vinha aqui com a minha mãe quando me mudei para L.A. – Taylor falou de algum lugar a meu lado direito. –Mas agora...

-Não tem tempo. –completei sua frase. Eu conhecia a vida de um ator agora que era uma. Nunca tínhamos tempo para nada, nossa vida se resumia em gravações, ensaios, premieres, festas beneficentes, peças de teatro e shows que tínhamos que marcar presença. Tudo isso tirando entrevistas e programas de auditório.

Sorri com todo este pensamento. Apesar de tudo o que era chato e cansativo nisso eu gostava de exercer minha profissão.

-Você gosta disso? –eu quase podia ver o sorriso torto de Taylor.

-Apesar de tudo eu gosto do que faço. –falei sorrindo ainda. –Você não?

Ele soltou uma gargalhada tão verdadeira e leve que cheguei a me questionar se esse era o mesmo Taylor que eu conhecia.

-Você acha mesmo que se eu não gostasse disso eu estaria aqui? –perguntou ele fazendo um gesto abrangente. Eu sabia que ele se referia a cidade.

Dei de ombros e me recostei nele.

-Não sei, existe louco para tudo. –argumentei deixando que ele me deitasse em suas pernas passasse as mãos em meus cabelos. –Isso é bom.

Ele parou o movimento bruscamente e eu o olhei indignada pouco antes dele me colocar de lado e sair correndo.

-Hey! Volta aqui! –saí correndo atrás de Taylor e pulando em suas costas quando o alcancei. –Assim não vale, sabia? Suas pernas são bem maiores do que as minhas.

-Cada um joga com o que tem. –falou virando o rosto para mim.

O beijei sem ligar para quem via ou o que aconteceria depois.

-Quero sorvete. –pedi olhando fixamente para o carrinho que passava por ali. –De morango.

-Ok, senhorita. Estou a seu dispor. –falou tirando a carteira do bolso e se encaminhando para o carrinho. –Um sorvete de morango e um de passas ao rum. –falou analisando a plaquinha de preços e sabores.

-O de morango é para quem? –perguntou o sorveteiro e eu estiquei a mão.

-Para mim! –falei como uma criança esbaforida. Eu amava sorvete.

Ele me entregou o sorvete rindo, eu só não sabia se era pelo local onde eu estava ou se pela minha reação.

-Você é louca. –disse Taylor se afastando do carrinho após pagar e pegar o seu sorvete.


-Agora que você descobriu? –perguntei inocentemente enquanto descia das costas dele e pegava minha bolsa que estava em baixo da árvore enquanto ele pegava a manta. –Nós já vamos?

Ele sorriu matreiro.

-Pensei que seria legal se déssemos um mergulho na piscina do meu apartamento. –eu empaquei no caminho. Nem o sorvete chamou mais minha atenção do que suas palavras.

-Co...como?  -perguntei envergonhada por antecedência. Eu não queria que ele me visse de biquíni.

Ok, ok. Eu sei que ele já meu viu só de lingerie, mas eu ficava com vergonha de qualquer jeito. E afinal, eu nem tinha biquíni mesmo.

-Não gosta de piscina? -perguntou com um sorriso torto que quase me fez esquecer o que estava pensando.

-Eu gosto, mas... -comecei a responder, mas logo baixei os olhos.

-Mas... -Taylor me instigou a continuar.

-Não tenho biquíni aqui. -deixei a vergonha de lado e encarei seus olhos.

-Eu já ia chegar nessa parte. -falou rindo da minha cara.

-Então vamos comprar, se é isso que você queria dizer. -disse eu revirando os olhos enquanto pegava minha bolsa. -E sem gracinhas enquanto eu experimento.

Taylor ergueu as mãos na altura dos ombros e disse:

-Tudo bem.

Ri de seu gesto e comecei a me direcionar para a saída do parque. Algo me dizia que essa compra seria bem longa.

Taylor P.O.V.

-Serena, sai logo desse provador, eu juro que não vou rir. -eu a chamava pela milésima vez.

-E o que me garante isso? -ela perguntou colocando apenas a cabeça para fora do provador.

Sorri e fique encarando-a.

-Não vai responder? -perguntou irritada após algum tempo de silêncio.

-Vamos Gligeusky, você não deve ser tão gorda assim. -respondi assumindo um tom sério só para vê-la irritada.

-Você não disse isso. –Serena falou começando a ficar vermelha.

-O quê? Que você não deve ser tão gorda? -perguntei fazendo-me de desentendido.

Serena colocou a cabeça dentro da cabine de novo e pude ouvi-la trocar de roupa. Fiquei preocupado quando percebi que ela demorava.

-Serena... –chamei me aproximando da cabine, mas temeroso que ela estivesse trocando de roupa ainda.

-Já saio. -falou com a voz leve. -E aí, o que achou? -perguntou abrindo a cortina da cabine e revelando-se em um biquíni que valorizava bem suas curvas sem ser vulgar. -Fale alguma coisa Lautner. -disse saindo da cabine e desfilando pela pequena loja.

Que pernas eram aquelas? Eu mal podia acreditar que Serena escondia esse corpão em baixo de calças e camisetas soltas.

-O gato comeu sua língua? -perguntou fechando minha boca que até agora eu não tinha percebido estar aberta. -Ou foi a gata? -sussurrou em meu ouvido.

-Vai levar? -perguntou a vendedora colocando a mão em meu ombro.

-Os dois que experimentei. –Serena respondeu sorrindo. -Só vou me trocar. -disse olhando para o biquíni e se encaminhando para o provador logo em seguida.

Serena voltou logo em pouco tempo e foi para o balcão pagar a compra. Só nesta hora me lembrei de que queria presenteá-la com o biquíni e também me encaminhei para o balcão entregando meu cartão para vendedora antes que ela o fizesse.

-Esquece. -disse ela tirando meu cartão das mãos da vendedora e entregando o seu no lugar. -Eu pago.

-Não vou deixar você fazer isso, considere como um presente. -disse eu puxando sua mão que segurava seu cartão e entregando o meu novamente sem desviar meus olhos dela.

Ela sorriu minimamente.

-Não sabia que era um cavaleiro. –Serena disse baixando o rosto e adquirindo uma leve coloração avermelhada. -Pelo menos nunca demonstrou ser para comigo.

-Por que você sempre fala tão formalmente? -perguntei curioso enquanto a vendedora lhe entregava a sacola com os biquínis.

Serename olhou confusa.

-Você percebeu isso? -perguntou me olhando de rabo de olho enquanto eu me virava e dava um "tchauzinho" para a vendedora que acenava para mim.

Serena riu descaradamente quando viu a cara que a vendedora fez e eu a acompanhei.

-Preciso sair mais vezes com você, isso não é uma coisa que se vê todos os dias. -disse entrando no carro e cumprimentando Alfred com um aceno discreto.

-Você não respondeu minha pergunta. -falei lembrado-a do assunto.

Serena respirou profundamente antes de responder.

-Só faço isso quando tenho uma emoção forte. Digo, quando estou nervosa, envergonhada, com medo... Acho que é um mecanismo de defesa. -disse dando de ombros.

-É engraçado. -falei fazendo-a olhar-me indignada.

Serena estreitou os olhos e disse:

-Isso terá troco, Lautner.

-É o que veremos. -disse eu zombando de sua cara. -Para casa, Alfred, para casa. -pedi.

_x_

-Agora pague Lautner. -disse Serena de algum lugar atrás de mim. E antes que eu pudesse me virar para vê-la senti seu corpo batendo contra o meu poucos segundos antes de cair com tudo na piscina. -Eu disse que você ia pagar. -disse ela já na beira da piscina quando emergi.

-Isso é covardia Gligeusky, se aproveitar da minha distração e do fato de eu estar à beira da piscina. -falei tão formal quanto ela apenas para provocá-la.

-Sabe, eu esperava um: "Você tem razão, Serena. Eu não deveria ter zombado do fato de você falar tão formalmente." Mas vejo que você vai ter que pagar por isso mais vezes. -disse com um brilho no olhar.

-Enquanto isso você é que me paga. -a puxei para dentro da piscina por suas pernas.

Serena afundou pesadamente e emergiu poucos segundos depois tossindo muita água.

-Sabe Taylor, você precisa aprender a ser mais delicado. -falou com a voz fraca enquanto eu lhe dava apoio para sair da piscina. O contato com sua pele me mandava pequenas correntes elétricas nunca experimentadas antes.

-Fico feliz que tenha largado o Lautner. -falei envergonhado por saber que ela tinha razão, eu não era acostumado com garotas delicadas, inteligentes e intrigantes como ela. Geralmente eu lidava com garotas frias e superficiais, que teriam lidado com a mesma situação soltando apenas um ridículo gritinho agudo.

Serena riu (para meu alívio).

-Porque não era adequado ao momento. -falou se deitando de bruços na beira da piscina e ficando com o rosto próximo ao meu, já que eu estava dentro da água. -Eu também prefiro que me chame de Serena. -disse acariciando meu rosto, meus olhos se fechando a seu toque. -Soa mais puro e direto, menos forçado e masculino do que Gligeusky.

Não aguentando mais aquela ladainha cacei seus lábios a calando. Serena alternava entre me beijar e mordiscar meu lábio inferior e a sensação era ótima, era como algo nunca provado por mim antes.

Ficamos o resto da tarde ali na piscina, conversando, brincando, se divertindo. Algo totalmente diferente para nós dois contando que nos odiávamos.

Já era noite quando a mãe de Serena ligou pedindo que a levasse para sua casa.

-Está entregue. -falei assim que estacionei o carro em frente a sua grande casa.

Ela sorriu minimamente.

-Eu me diverti muito hoje. -falou olhando para o lado de fora evitando que nossos olhos se encontrassem.

-Que bom que gostou. -falei na esperança de que ela olhasse para mim.

Serena assentiu e se virou para meu lado novamente, só que agora com um enorme sorriso nos lábios.

-Até amanhã. -falou depositando um beijo em meu rosto e abrindo a porta do carro logo em seguida.

Segurei seu braço e a virei para mim lembrando-me de ser delicado, como ela havia dito há algumas horas atrás. A puxei para mim e a beijei como se aquela fosse a última vez que nos veríamos. Não sei porque estava assim, mas sentia que aquela seria uma última vez.

-Até amanhã Serena. -sussurrei tirando os braços dela e a deixando ir para sua casa, para sua vida.

(Continua...)

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