18 janeiro 2014

Fanfiction: A musa - Capítulo 3

Então entramos na árdua tarefa de produzir um filme. Eu, ingênua, enquanto estava na produção de meus documentários, pensei que havia me envolvido com coisas grandes. Mas nada que eu havia feito podia se comparar, porque tudo o que começamos a fazer depois que eu disse sim tinha uma magnitude imensurável. Os Estados Unidos era um verdadeiro monstro na indústria cinematográfica, tudo era feito em proporções monumentais. Não havia o produtor, mas os produtores; não havia o roteirista, haviamos roteiristas.
            Chris tinha a sua própria companhia cinematográfica, a SyncopyFilms, mas ele queria, para aquele projeto, a co-produção de uma companhia maior e mais tradicional. Ele queria a co-produção da WarnerBros. Depois daquela noite no Lounge, nós– eu, Emma e Chris - nos dedicamos a estudar a premissa de roteiro que eu havia feito - que em linguagem cinematográfica, era mais um argumento, uma síntese do que era o enredo, embora já tivesse algumas falas embutidas. Emma e Chris cuidaram para transformar aquilo em uma proposta audiovisual e só depois disso, nos apresentamos para os executivos da Warner.

_ Então… você quer enfrentar a produção de um épico, Nolan? – Um dos executivos da sede de New York, Sr. Morgan, questionou após a nossa apresentação.
_ Ao que parece… sim. Eu realmente quero fazê-lo. E você tem que concordar que é uma boa matéria-prima. Podemos fazer algo grande e é por isto que estou aqui.
_ Hummm… vejamos… um mundo incomum foi este que você criou senhora Moreno. Bastante… ousado. Pensou em escrever um livro com isto aqui? – Morgan disse, erguendo a sinopse em minha direção. – “Kalah”… é um nome bem sonoro… impactante. Eu gostei.
            Morgan era um dos diretores principais, a palavra final deveria ser dele. Eu apenas sorri com o que ele havia dito.
_ Eu gostaria de ouvir um resumo da história vindo de você, e não destes velhos maliciosos aqui. – Morgan disse, se referindo a Emma e a Chris, fazendo todos na sala luxuosa rirem. Ele retirou os óculos de leitura e olhou em minha direção.
_ Mas… a exibição do vídeo não ficou clara? Algo faltou? – eu perguntei, me inclinando sob a mesa para poder enxergar melhor o homem que estava na outra ponta.
_ Não… não. Todo o projeto audiovisual está fascinante… Mas entenda Sra. Moreno, a ideia é sua… você deu vida a ela e você será a principal a conduzi-la, já que Nolan acabou de declarar que quer você ao lado dele em tudo. Eles conhecem o que você mostrou a eles, mas a alma de tudo está em você. A Warner recebe muitas propostas realmente instigantes. Então… me parece fundamental que você me mostre o porque eu deveria escolher a sua ao invés de todas as outras e disponibilizar bilhões de dólares para viabilizar este projeto. Quero que você reconte tudo… - Ele disse, me explicando calmamente o que desejava.
Chris se virou apreensivo pra mim. Antes de irmos pra lá ele havia me dito que poderiam desconfiar da minha capacidade, apesar do Oscar, pelo fato de eu ter dedicadominha formação intelectual em outra área, sendo que o gênero e caráter daquele enredo era completamente diferente de tudo que eu já havia feito. Morgan queria mais do que a palavra de Nolan a meu respeito, apesar de confiar extremamente nele.
            Eu respirei fundo e tentei me concentrar… Okay… Como fazer aquilo?Decidi por contar como contaria uma história de terror para um grupo qualquer, em uma noite inspirada. Me levantei e fui até o interruptor e apaguei todas as luzes da sala. Ninguém se opôs ou questionou nada. Voltei a me sentar na mesa e comecei com a voz baixa, quase em um sussurro.
_Kalah é um mundo paralelo… seus habitantes, os kalenos, são como nós, humanos. Seres movidos pelo amor, pelo ódio, pela ambição, pelo poder, pela miséria… Há naquele mundo uma aura de suprema magia, que domina a todos desde os tempos de sua origem.–Eu fiz uma curta pausa, para observar os rostos virados para mim. Prossegui. - O equilíbrio daquele mundo, a harmonia entre a magia e o poder, sempre fora medido por seres supremos… como os milhares de deuses dos humanos, os kalenos tinham aqueles a quem recorrer, a quem crer, a quem obedecer. Eles eram chamados “Os Soberanos”. Os Soberanos viviam no limiar do plano terreno e etéreo do mundo Kalah, eles viviam, por vezes, entre os próprios terrenos. Deles partiam toda e qualquer decisão para fazer daquele mundo digno, justo e bom. Os kalenos de toda parte tinham poderes mágicos, mas sua magia era concedida e retirada conforme o julgamento dos Soberanos. A eles cabiam o julgamento dos que mereciam a miséria ou a gloria eterna. Aqueles a quem era concedida a glória eterna, após terem vivido longo tempo entre os terrenos, passavam a habitar as Terras Alvas, perto do Reino Soberano e perto da graça dos supremos seres.
Eu dramatizei a voz, tornando-a mais grave e apertada. Foquei meus olhos em Morgan e dei um riso amargo ao me dar conta de como ele se concentrava mais ao que eu contava, do que no vídeo maravilhoso que Emma exibiu.Me inclinei para frente, com um movimento tão sutil quanto o de uma serpente que hipnotiza sua presa. Funcionou, ele e quase todos ao meu redor se inclinarem um pouco mais pra frente. Somente Chris se manteve imóvel, observando cada uma das minhas ações. Continuei.
– Mas aqueles que eram condenados a eterna miséria devido as suas iniquidades… estes iam habitar as temerosas Terras Negras, onde o nada lhe agarrava o coração e o oprimia na eterna escuridão. As Terras Negras foram criadas por causa de um único Soberano, fora ele que plantou a escuridão em Kalah. O nome dele era Duncan… - Deixei o nome do meu vilão principal ressoar por cinco segundos antes de continuar. - Ele era irmão do mais poderoso Soberano: o grande Noah. Duncan deixou que seu coração alvo se escurecesse ao invejar o seu irmão, ao não se submeter aos seus mandamentos, ao não aceitar que a seu irmão havia sido dado uma dádiva maior.
Eu sorri, aquilo era estreitamente ligado a mitologia grega. Mas na mitologia grega, Zeus nunca havia perdido…
_ Até que ele o traiu… Duncan traiu o próprio irmão e concedeu magia aqueles kalenos que não mereciam, que haviam desobedecido Noah e usado erroneamente seus poderes. A partir daí, Noah se enfureceu e rompeu laços com Duncan, arrancou a magia que lhe concedia poder de Soberano e lhe condenou a eterna miséria em uma Terra privada de tudo o que fosse bom… até mesmo da luz. Mas o que Noah não sabia era que Duncan jamais havia perdido seus poderes completamente… ele esperou séculos, até formar um exército impiedoso nas Terras Negras… E então ele atacou, a Grande Guerra do mundo Kalah aconteceu… e Duncan venceu. Todos os Soberanos foram destruídos… inclusive Noah. Duncan matou o seu próprio irmão. Mas não sem antes ouvir dele uma profecia: “O bem terá força onde o teu mal reina. Perpétua despertará o Ultimo Soberano, o pai da paz…”.
“Noah rogou aquela profecia sabendo que Duncan teria um filho… um filho poderoso, impiedoso, que influenciado pelo seu pai iria espalhar a desgraça por entre os pobres kalenos que eles dominariam. Duncan seria imbatível sobre todos… mas não seria imbatível contra o seu próprio filho, Axel… Em Axel os Soberanos iriam reviver e lutar para dizimar as trevas que os governantes das Terras Negras espalharam em Kalah. Axel seria o reverso de seu próprio progenitor, mas permaneceria maligno até que seu caminho se cruzasse com o de uma rebelde kalena… seu nome, Perpétua… Ela lhe tocaria o coração, despertando-o para algo profundo e desconhecido. Axel se assusta, tenta resistir… mas nele o que impera não é o mal…E então tudo começa aqui. Dentro de um ser maligno o bem desperta e um Soberano surge para enfrentar e dizimar a escuridão.”
Eu terminei e acendi a luz. Como resposta eu recebi o silencio e o olhar pensativo de cada um dos que estavam sentados ao redor da mesa de reunião. Eu sabia que todos tentavam ao máximo explorar todas as possibilidades da história. A primeira a falar foi uma mulher sentada a minha direita.
_ Axel… pela descrição que recebemos e pelo teor de tudo o que disse… é um personagem muito complexo, bipolar, contraditório. Muitas emoções distintas passarão por ele… é um personagem rico… muito rico.
_ A história irá orbitar ao redordele. A salvação do todo um mundo dependerá de suas decisões… se o bem será forte o suficiente para superar sua natureza obscura. A paz de Kalah dependerá da resolução dos conflitos deste personagem. – Christopher argumentou, complementando o que a mulher antes dele havia dito. – O bom tratamento dos conflitos e embates deste personagem com aquilo que embasa o enredo é que fará o diferencial. Porque a história é mais uma luta entre o bem e o mal de forma magnânima…
_ O clichê de todo bom épico… - Morgan completou a frase de Chris, se pronunciando pela primeira vez após a minha fala. Mas ainda assim ele não tirou os olhos de mim. – Pra mim este é um bom material, nós temos uma excelente equipe e temos que seguir em frente.
            Eu sorri, agradecida, tal como Chris e Emma.
_ Mas me prometa uma coisa, Diana. – Morgan disse, como se aquilo fosse a condição principal. Eu acenei a cabeça pedindo para que ele prosseguisse. – Quero que você dê neste filme toda a paixão que eu sei que existe em você. Eu acabei de ver… de ouvir. Faça desta a nossa grande história.
_ Farei tudo o que puder… e mais um pouco. – Eu afirmei, me levantando e pegando firmemente sua mão.
_ Então… vamos aos contratos? – Emma disse, os olhos espertos.
**********
_ Então nós temos o desenho dos cenários, o projeto das maquetes, estamos quase fechando as locações para gravação, temos os desenhos dos figurinos e… não temosos atores! NÃO TEMOSOS ATORES! – Emma dizia, quase histérica.
            Estávamos em mais uma reunião com a equipe técnica, montada a partir dos muitos contatos de Chris. Todos os projetos, da maquiagem a sonoplastia, estavam sendo apresentados para a aprovação de Chris, e também da minha. Chris deveria saber de cada detalhe, pra saber com o que ele poderia trabalhar e como ele poderia utilizar as ferramentas para dar vida ao roteiro. Durante toda a pré-produção Christopher quis me colocar ao lado dele, decidido a me ensinar as coisas que eu ainda não sabia, a me fornecer todas as informações técnicas que eu precisava para ajudar a enriquecer a produção com o meu “instinto e paixão artística”, de acordo com ele.
Depois da frase eloquente de Emma, eu olhei para minhas mãos… havia lá vários textos detalhados sobre cada personagem, para estudo dos atores que os fariam. E havia também os trechos de roteiros que eu separei para os testes. E nas mãos de Chris havia outra lista… com os nomes dos atores cotados para os papéis. Eu tinha visto somente alguns nomes, não todos. Fora Chris e os outros roteiristas que elaboraram a lista enquanto eu cuidava de montar a descrição detalhada de cada personagem.
_ Bom, na verdade nós temos os atores… só não temos os principais. – Sandra, diretora de produção, disse.
_ Ou seja… estamos sem os atores! Acho que está mais do que na hora de definir quem serão. – Emma continuou a enfatizar.
_ Bom, eu também acho isto… - Eu disse, desanimada. Aquilo seria o pior… escolher os atores. Eu tinha certeza! Até o momento todos os atores que eu havia visualizado como Axel, por exemplo, tinham outros projetos que não poderiam abandonar.
_ Vamos fazer isto com calma… todos nós já nos empenhamos em pesquisar as possibilidades e estou aqui com a lista das opções. – Chris finalmente passou a lista pra mim. Peguei e comecei a passar os olhos por ela. Haviam nomes bons… outros excelentes e outros… outros eram péssimos!
_ Taylor Lautner? – Eu perguntei, com a voz incrédula. Chris olhou pra mim enrugando a sobrancelha.
_ Bem… sim? – Ele meio que confirmou, meio que questionou.
Eu sacudi a cabeça, tentei me lembrar de algo que Lautner tivesse interpretado que me fizesse entender o motivo daquele nome estar naquela lista. A primeira coisa que me veio foi Jacob Black… o lobisomem legal da Saga Crepúsculo… que garantiu uma excelente experiência das mil formas de tirar uma camisa em cena para Lautner.
_ Você tem certeza que colocou ele para Axel? Um ídolo teen para interpretar o Axel? – Eu questionei, algumas pessoas da equipe pareciam confusas com minha reação, mas Emma parecia entender bem o que eu dizia.
_ Bom, ele não é tão mais ídoloteen. Mas, Chris… acho que ele não seria uma boa pedida pra um personagem tão complexo… - Ela fez uma careta.
            Eu não esperei uma resposta de Chris, peguei uma caneta e estava prestes a riscar o nome dele da lista quando ele resolveu me interromper. Chris segurou minha mão.
_ Não seja tão intransigente, Diana! - Ele me disse. - Estes são os nomes cotados para teste!  Terão de passar por isto pra conquistar o papel. Eu confesso que preferia os nomes que você escolheu, mas você escolheu os únicos que já tinham compromissos inquebráveis! As características de Lautner bate com o personagem…
_ Oh… sim… bate: moreno, alto, porte atlético, com aparência entre 25 e 30 anos… - Magda, responsável pela maquiagem, começou a suspirar, ridiculamente, mas eu a cortei.
_ E expressão forte e agressiva! Taylor tem tudo, mas eu não acredito que aquela expressão dele possa se converter em algo alucinado ou perverso como precisamos na primeira fase de Axel! Ao menos eu nunca vi isto… - Eu contra argumentei.
_ Diana, nós vamos entrar em contato com os empresários de todos os atores que estão nesta lista, dar o roteiro para que eles leiam, e aqueles que não tiverem o ego tão grande farão os testes, os outros que não aceitarem passar por testes nós mesmos teremos de selecionar. – Chris bateu o martelo. Eu bufei, mas decidi não insistir naquilo, porque acabaria parecendo uma birrinha sem sentido.
_ Eu acho que Russell Crowe seria um desses que não fará testes. E nem precisa, realmente. – Emma disse, lendo a lista por cima do meu ombro.
_ E eu acho que ele seria perfeito como Noah… posso colocar o nome dele no topo? – Eu perguntei para Chris, recebendo um aceno afirmativo de cabeça.
_ Eu quero Jason Mamoa como Duncan… - Chris disse, dando um sinal para Emma. Eu assoviei…
_ Escolha espetacular! – Murmurei.
_ Sim, senhor… vou entrar em contato com os empresários dele já! – Emma respondeu, batendo continência e dando uma piscadela para o marido depois. Todos nós rimos.
            Passamos o resto da tarde naquilo de filtrar e analisar a lista de atores. Conseguimos definir bem o nome de todos, exceto do casal principal: Axel e Perpétua. Pensar e repensar naquilo tudo havia me deixado de cabeça quente. Eu tinha que deixar claro as subjetividades dos personagens, as características que cada ator teria que suprir e discursar sobre isto durante todas aquelas horas incansáveis.
            Eu saí do escritório de Chris, que tinha se tornado a “base” da pré-produção, por volta das sete da noite, completamente exausta de tanto pensar. Nem as aulas na Universidade faziam isto comigo. Oh céus! Por que eu abandonei a Universidade e fui para aquilo? Certo, eu sabia a resposta: porque era um desafio novo, uma terra inexplorada. E eu era movida a novos desafios, ao menos no âmbito profissional.
            Tudo o que eu queria naquele momento era ir para minha casa, tomar um banho relaxante de espuma, comer qualquer besteira e dormir. Mas o problema era que eu não estava em casa. Atualmente, o escritório central da SyncopyFilms era em Los Angeles, o que me obrigou a trancar o meu apartamento em Nova York e me mudar para um quarto de hotel temporariamente. Eu simplesmente não conseguia me sentir relaxada em hotéis, eu odiava ficar em hotéis por mais de três dias e eu já estava em um há mais de um mês.
_ A senhora quer que eu mande o jantar subir? – O gentil recepcionista me perguntou, quando passei na portaria para checar meus recados. – Pode pedir agora se quiser. – O sorriso dele era cordial e bonito, me fazendo sorrir de volta.
_ Não precisa… hum… Jordan. – Eu li rapidamente o nome no crachá.
            Logo que eu entrei no elevador vazio eu tirei minhas sapatilhas e desfiz o coque que meus cabelos estavam presos. Entrei no apart que eu deveria estar acostumada, mas que sempre me causava estranhamento. A decoração era moderna, neutra, e o ambiente tinha tudo para ser confortável, exceto pelo fato de que não tinha nada de muito pessoal ali. Sem disposição de preparar um banho de espuma eu simplesmente me enfiei no chuveiro quente e fiquei lá um bom tempo, sentindo o jato de água bater nas minhas costas e aliviar meus músculos. Quando eu saí dali senti o natural sintoma da minha insônia começar a me abater. As paredes brancas meio que me oprimiam e eu sabia que não conseguiria dormir naquela solidão.
            Eu estava decidida sobre onde ir, até tinha falado com um velho conhecido, Bryan, quando escuto meu celular tocar em cima da cama. Quem poderia ser? Adivinha?
_ Diga Matt… - Atendi, sem nem precisar olhar o visor para saber que era ele.
_ Oh! Finalmente me atendeu! Viu os trinta recados que te mandei? Custava me mandar ao menos uma mensagem? – Ele reclamou. Estava eufórico do outro lado da linha. Eu quase ri daquilo.
_ Eu estava em uma reunião com a equipe técnica, querido. Saí agorinha. Então, não deu…
_ Eu perdi uma reunião? – Ele perguntou, abismado. Mateo estava na equipe de fotografia do filme, que estava sendo chefiada pela mais nova profissional da área: Annie Bertram. Uma fotógrafa alemã renomada que recentemente havia migrado para o cinema. Ela era a nossa Diretora de Fotografia e Mateo havia passado nos testes para ser o nosso fotógrafo de cena.
_ Considerando que você não pode estar em dois lugares ao mesmo tempo… sim, você não estava lá.
_ Muito engraçado, Diana Moreno! – Eu podia até prever a careta que ele fez quando disse aquilo. Eu ri.
_ Mas o que há de tão importante pra me dizer?
            Certo, nunca faça uma pergunta do tipo “o que você tem pra falar”, para Mateo. Simplesmente pelo fato que ele não sabe quando é que tem que parar de falar. Ele passou quarenta minutos falando de todos os materiais relacionado a fotografia que ele havia adquirido em Nova York nos últimos dias, de como ele estava preparando as suas coisas para estrear como fotógrafo naquela produção, de suas expectativas… enfim, uma matraca!
_ O que você tá fazendo? – Quando ele finalmente parou para me perguntar aquilo, eu não pude evitar soltar um suspiro de alívio.
_ No momento esperando você terminar de falar para visitar a academia do Bryan aqui em L.A. – Eu disse e logo recebi a resposta que eu esperava…
_ Grossa!
_ Eu também te amo.
_ Certo, estúpida, vai lá chutar uma almofada na academia daquele gostoso. Eu sei que você só vai pra lá porque eu não estou aí pra te distrair decentemente. – Ah, como ele era delicado!
_ Primeiro, eu não vou chutar almofada, vou treinar Muaythai. E segundo, duvido que você poderia me distrair mais decentemente do que uma luta. – Alfinetei, enquanto procurava meu top de ginastica preto… onde ele havia ido parar quando desfiz as malas? Será que eu não trouxe?
_ Oh... isto é um desafio? – A voz de Mateo pareceu ardilosa do outro lado.
_ Não, isto é uma verdade imutável. – Que se dane o top preto! Peguei uma regata qualquer na gaveta do armário.
_ Certo… você está indo agora? Vai demorar lá? Onde fica a academia dele? Digo, qual o endereço? Onde você encontrou o Bryan aí em Los Angeles? Pensei que você estivesse sem tempo para os outros, já que você nem me atende e…
_ Cala a boca um minuto? – Interrompi a falação dele, muito pior do quea de qualquer mulher, com aquela frase completamente sutil. Pausadamente eu tentei responder todas as perguntas dele e me despedi antes que ele tivesse chances de prosseguir com aquela falação costumeira.
            A academia ficava na região sul de Los Angeles e Bryan foi meu treinador em Nova York antes de vir para cá, administrar uma franquia de uma rede imponente de academia. Faziam seis meses ou mais que eu não o via, mas ele continuava muito gentil e alegre como eu me lembrava. Eu gostava de treinar com ele, pois ele era um dos raros seres do sexo masculino que não se aproveitava do fato deestar lutando para me “pegar”. Os outros idiotas movidos a testosterona sempre me convidavam pra treinar com segundas intenções.
            Eu não era uma praticante assídua de Muaythai, mas comecei cedo, com meus quatorze anos, junto com meu pai. Havia um problema com minha mãe, que dizia que aquilo não era nada sutil para uma mulher, ainda mais uma envolvida com artes. Mas meu pai, o habilidosos senhor Jair, conseguiu dobrá-la. Eu acho que o fato de eu me dar bem naquilo se devia mais ao fato de eu praticar a bastante tempo do que ser talentosa como lutadora.
_ O cotovelo, Diana! Não descuide dele na guarda! – Bryan disse, quando eu não consegui bloquear um golpe.
            Acontece que ao parar pra me dizer aquilo, Bryan se distraiu e manteve os pés na posição errada, alinhados. Eu fui mais rápida que a percepção dele e o derrubei.
_ Descuidei dos cotovelos só pra te distrair.  – Eu disse, vitoriosa. Não era fácil derrubá-lo. Ele riu.
_ Jogo sujo!
            Eu pedi uma trégua para beber água, mas assim que me virei, me deparei com uma pessoa um tanto quanto particular. Certamente, falar demais no diabo pode atraí-lo. Talvez aquele tenha sido o motivo para Taylor Lautner estar bem ali, parado, assistindo minha luta.
            Eu o encarei enquanto bebia água, com o cenho franzido, e ele prendeu o seu olhar ao meu. Só então eu me tornei consciente do burburinho das outras mulheres que estavam ali no tatame.
_ Oh, céus, como é gostoso! – Uma delas dizia. Elas estavam exibindo ainda mais seus corpos, tentando, pateticamente, chamar a atenção.
            De longe ele me deu um breve aceno de cabeça, parecendo me reconhecer, o que era inacreditável, já que havíamos nos encontrado pessoalmente apenas uma vez, na premiação do Oscar, há dois anos. E o meu nome já havia desaparecido da mídia americana alguns meses após a premiação. O louvor só permaneceu intacto no Brasil, ainda assim entre os profissionais, não para toda a “massa” da população.
            Eu respondi o aceno discretamente e ele sorriu. Ele certamente devia se achar muito sedutor com aquela postura forçada de super galã: os braços cruzados firmemente, o cabelo molhado e um tanto despenteado, sua típica barba por fazer, uma calça larga de tactel e uma regata justa. Certamente aquele não era o tipinho que eu imaginava interpretando meu personagem principal, simplesmente porque eu não queria que todos os detalhes complexos de um personagem rico se perdessem em meio a todo aquele assédio que havia ao redor de Taylor Lautner e que, inclusive, ofuscava qualquer coisa… inclusive as minúcias ausentes em seu trabalho como ator.
            Eu virei as costas, ainda consciente do olhar dele pra cima de mim. Mas o que diabos acontecia para ele me olhar deste jeito? Ri com o pensamento de que ele mal sabia que a chance dele conseguir um grande papel poderia estar em minhas mãos.  Ou será que ele sabia?
            Eu voltei a olhar pra ele, estreitando os olhos, desconfiada e meio… raivosa. Não me surpreenderia nada se ele realmente soubesse o que eu significava na carreira dele naquele momento e que estivesse ali, me olhando initerruptamente, justamente para me “ludibriar” a ceder. Oh! Havia tanto daquilo naquele glamoroso mundo de Hollywood! Certos artistas se vendiam para serem comprados. Meu estomago se embrulhou imediatamente com aquela remota possibilidade e eu olhei com ainda mais raiva para aquele ator metido a sedutor do século. O semblante dele pareceu confuso por um instante, mas ele não saiu dali.
            Ele definitivamente estava me irritando assistindo a minha aula/treino daquele jeito. Não tinha mais o que fazer, não? Até Bryan havia percebido e, por vezes, olhava confuso de Lautner pra mim. Aquilo acabou por me desconcentrar tanto que eu levei um chute bem no meio do abdômen. Certamente Bryan estava esperando que eu estivesse com os músculos devidamente contraídos para absorver o impacto, mas eu não estava, o que me fez cair pra trás e gemer com uma dor chata. 
_ Arrrgh! – Eu rugi, com ódio.
            Bryan se abaixou pra me ajudar a levantar quando eu não me mexi.
_ Ok, eu desculpo a sua desatenção. Algo do tipo sempre acontece quando ele aparece. – Bryan sussurrou, e apontou escondido para Lautner, que tinha se mexido e andava em direção ao tatame conversando com um funcionário da academia.
            Eu podia responder grosseiramente que eu não era do “tipo” que se distrai por uma montanha de músculos, mas sim, por alguém que não tem outra coisa pra fazer a não ser te encarar.Mas engoli a resposta.
_ Ele é frequentador daqui? – Perguntei, observando com surpresa que ele continuava a andar na minha direção.
_ Hum… é, tem umas vezes que ele aparece por aqui. Só que não é sempre. – Bryan me respondeu, e aquilo não fez com que a possibilidade de ele estar ali pra tentar conseguir um papel fosse descartada.
_ Você está bem?
            “Respira fundo, fecha os olhos e contenha a sua mão pra não disparar um soco na cara do galã!”
Este foi o mantra que eu roguei a mim mesma pra não agir conforme meu instinto quando o galã me fez aquela pergunta. Por via das dúvidas eu não disse nada, apenas me levantei e acenei com a cabeça. Eu poderia me virar, me despedir de Bryan, e ir embora. Mas esta não seria eu. Eu decidi ficar e descobrir porque, justamente naquele momento, Taylor Lautner resolveu despencar, Deus sabe de onde, e pousar bem a minha frente.
_ Obrigada por se preocupar. – Eu disse, muito educadamente.
_ Imagine, foi um chute feio. – Ele enrugou o cenho e encarou Bryan, como se o culpasse por me golpear. Oras! Era um treino, o que ele queria?
_ Ela costuma estar preparada pra este tipo de coisa. – Bryan se defendeu e me defendeu daquele olhar.
            Ele balançou a cabeça, compreensivo.
_ Eu não esperava que você se interessasse por este tipo de luta… digo, com o que eu conhecia de você, não esperava que praticasse alguma luta.
            Quando ele disse aquilo todos os meus poros ficaram em alerta. Com aquela mísera frase Taylor havia despertado minha mente para inúmeras possibilidades. Primeiro, para o fato de que ele sabia muito bem quem eu era, e sendo ele alguém que lida com bilhões de pessoas por mês, o fato de se recordar de uma pessoa que o cumprimentou por dois minutos a mais de trinta meses era algo, no mínimo, admirável. Segundo, ele havia demonstrado que conhecia coisas sobre mim, provavelmente deve ter procurado saber disto. A possibilidade de ele fazer aquilo casualmente era praticamente impossível de eu conceber na minha cabeça.
            O fato era: por que isto tudo afinal? Por que ele saberia tantas coisas de mim sem ter nenhuma intenção por trás disso? A ideia “ele sabe do seu roteiro, ele quer o papel” piscava como um enorme letreiro luminoso dentro da minha cabeça.
_ As aparências enganam. – Eu respondi, seca.
            O sorriso dele vacilou.
_ Claro… as aparências enganam. – Ele respondeu sem jeito, e fez menção de se afastar.
            Mas se era aquilo que eu pensava que ela estava procurando ali, comigo, eu ia descobrir! E antes que eu pudesse controlar minha maldita boca, algo, que eu nunca cheguei a descobrir o que, me fez perguntar:
_ Que tal uma luta?
            Ele se voltou pra mim novamente com uma expressão confusa.
_ Hã?
            Eu falei pausadamente, como se explicasse algo a uma criança.
_ Você luta, eu luto. Estamos em uma academia onde acontecem treinos e aulas de luta. Estamos pisando em um tatame. E eu estou te chamando para treinar comigo. Ou as técnicas de Muaythai não fazem parte do seu repertório de golpes?
            A expressão confusa dele ficou até cômica, Bryan riu baixinho do meu lado. Mas de repente ele me olhou determinado.

_ Certo, isto parece interessante. Vamos lutar.

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