05 janeiro 2014

Fanfiction: "Um Amor Maior Que Eu" - Capítulo 25: Hush Hush


Capa: Érica Rocha
Texto/Fic: 
Beta: Letícia Monteiro
Ilustrações/Gifs: @Rafaela_Vargaas
Música Tema: Hush Hush  -  Avril Lavigne






Eu estava sentindo meu coração bater rapidamente conforme eu me dava conta do que estava acontecendo. Sentia que meu rosto já estava encharcado pelas lagrimas que caíam constantemente nos últimos segundos. Minhas mãos ainda estavam jogadas sobre minhas pernas e o celular marcava os vinte e sete segundos de duração de chamada.

Eu não conseguia pensar direito, pois mais uma vez tudo em minha volta girava. Eu realmente não sei o que Taylor queria comigo esse tempo todo, eu realmente não sei.
Até certo ponto Miguel podia ter um pouco de razão sobre o Taylor. Não a parte que ele o chamava de “vagabundo” e “marginal”, mas talvez a parte de quando ele o chamava de “idiota”. Sim, Taylor era um tremendo idiota!
Eu não sinto raiva dele, de forma alguma. Eu sinto nojo, nojo do que ele fez. Eu nunca pensei que poderia ter esse tipo de sentimento por ele, de chegar ao ponto de sentir nojo e realmente eu não conseguia acreditar que ele havia feito aquilo.
Eu achava que ele era diferente. A forma como ele me tratava era totalmente diferente, era tão carinhoso; tudo que ele fazia era cheio de amor e agora nada passou de um sentimento chamado “nojo”.
Ele conseguiu o que queria, ele queria minha “inocência” e a tirou como um flash, mas sinceramente, ele queria só isso?
 Eu queria tentar entender, mas era impossível. Eu nunca tinha feito nada desde quando cheguei, além de ama-lo. Talvez ele deva ter ficado com raiva de mim por eu insistir tanto em vê-lo, mas eu nunca imaginei que isso poderia ter acontecido.
- O que aconteceu, Lice? – A voz doce e ao mesmo tempo desesperada de Val ecoou pelo quarto fazendo-me sair de meus pensamentos.
- Ta... Taylor... – Gaguejei e não conseguia terminar a frase quando senti um nó se criar na minha garganta e fazer com que eu desmoronasse em cima do colo de Val, deixando as lagrimas escaparem como nunca.
- Respire fundo Lice... Seu irmão não vai querer te ver assim, se acalme! –Falou Val massageando meus cabelos.
Ouvir meus soluços altos e abafados fizeram-me chorar ainda mais. Naquele momento eu não sabia exatamente o que eu faria, eu simplesmente queria sumir daquele lugar que só me fazia lembrar dele. A cada bufada de ar que eu puxava eu sentia o cheiro de Taylor que estava impregnado em minha roupa e isso me fazia pior ainda.
***
Dias depois...

Passaram-se dias desde a última vez que eu escutei a voz rouca de Taylor no telefone pedindo-me um tempo e finalizando a chamada de vinte e sete segundos depois.
Aquilo tudo ainda passava pela minha cabeça vinte e quatro horas por dia, durante os dias que se passavam.
No outono do mês de novembro as árvores perdiam as folhas exatamente como eu perdia minhas forças com o passar dos dias.
O frio médio de novembro passou para o auto frio de dezembro, fazendo-me sentir ainda mais falta de Taylor; sentir falta de vê-lo se vestir com um casaco por cima de sua camisa gola “V” e até mesmo de me esquentar em seus braços.
Aquela imensidão achocolatada, aquele cabelo escuro e aquela pele bronzeada me faziam tanta falta que me impediam de sair de casa. Desde o ultimo dia que ele falou comigo eu permaneci em casa, passando a maioria do tempo em meu quarto, sentada em cima da cama, lendo livros e mais livros.
Eu não havia trazido muitos livros do Brasil e com isso eu sabia que eles acabariam e eu teria que lê-los novamente se não comprasse novos livros. Eu preferia decorar todos aqueles livros a sair de casa.
Eu fiquei meio solitária durante aqueles dias, pois desde que eu tinha chegado ali eu saia com Taylor todos os dias ou ficava em casa sabendo que eu o veria no dia seguinte e a tensão de ficar dentro daquela casa com Miguel me olhando pelo canto do olho passaria logo. Mas dessa vez não seria assim.
Taylor não havia me ligado e parecia nem se importar com isso. O cheiro que estava impregnado em minhas roupas saiu assim que Val as pegou escondidas de mim para lava-las. Ela sabia que se eu não lavaria minhas roupas para ficar sentindo o cheiro de Taylor e isso só me faria ficar pior e eu agradeci a ela pela gentileza.
-Droga... –Falei enxugando minhas lágrimas e jogando o livro em cima da cama sem me importar em qual página eu havia parado de ler.
Levantei-me e fui até a sala de estar do apartamento. Eu acho que a ultima vez que eu tinha reparado bem naquele lugar foi quando eu havia chegado de viagem com Miguel –quando Miguel ainda era legal- e o lugar não estava tão arrumado como da primeira vez.
Para passar o tempo eu comecei a arrumar a casa. Passei aspirador pelos sofás, lavei as louças sujas em cima da pia, varri o chão, tirei os pós e até lavei os vidros do apartamento. A empregada que Miguel tinha contratado ganhou licença maternidade – eu nunca a tinha visto antes desde quando cheguei – e ela voltaria dali a algumas semanas e isso me deixava ainda mais assustada. Eu não teria nada mais para fazer sem ser ler livros, até por que eu não conseguia mais compor músicas.
Eu sempre usava meus sentimentos para compor cada música, mas seriamente aquele não era um bom momento para o qual sairia uma música legal sem ter milhões de palavrões. Eu queria voltar no tempo e nunca ter ido para Nova York, mesmo com os momentos bons que passei ali... Nada daquilo fazia mais sentido para mim.
Eu parei de me importar com a faculdade de arquitetura assim que eu me mudei. Parei de fazer os cursos que fazia para entregar-me diretamente a Taylor, nada e mais ninguém. Eu até fiquei com vontade de ir embora novamente para o Brasil, mas Emile e Val imploraram para eu ficar dizendo que aqui era o melhor lugar para mim.
Além de toda a dor que eu estava sentindo eu estava com saudade – sempre estive – mas não daquela forma. Eu sentia saudades dos abraços carinhosos da minha mãe e da forma como ela falava comigo. Eu sentia saudade do olhar protetor e enigmático de meu pai. Eu sentia saudade do meu quarto simples onde eu dormia desde que nasci. Eu sentia saudade de chegar em casa e sentir aquele cheirinho de comida caseira da minha mãe. Eu sentia saudades de receber o abraço e os cafunés de Emile a todo momento e eu sentia ainda mais falta de quando eu era apenas uma simples FÃ...
Eu sabia que minha mãe se decepcionaria ainda mais comigo se eu voltasse, mas ela gostaria. Mas se bem que, Porto Alegre não me trazia tantas boas lembranças assim. Eu me lembrava do dia que fui traída pelo único garoto que tinha se interessado por mim. Eu acho que nunca disse a vocês, mas eu não tinha a aparência tão legal assim e eu acho que foi por isso que nunca tive tantas relações por quem eu me apaixonava na adolescência.
Eu queria apenas ter um namorado, o qual eu faria sorrir, o qual eu me aconchegaria em meus braços e o acariciasse até finalmente dormir. Ou nem tanto assim, eu só queria ser amada da forma certa e não usada como eu parecia estar sendo.
Em compensação, Miguel parecia estar mais calmo ultimamente, ele parou de me olhar pelo canto do olho e parou de me xingar a todo momento, mas mesmo assim não voltou a ser o antigo Miguel que eu sempre amei...
Os dias se passaram ainda mais lentos como eu imaginava e Val insistia em me tirar de casa a cada dia que passava, eu sempre negava e dizia que eu me sentiria melhor em meu quarto, o que era mentira.
- Vamos à loja de decorações para comprar alguns enfeites de Natal? –Pediu Val numa tarde fria de dezembro, enquanto eu estava pegando alguns ingredientes para preparar um chocolate quente para nós.
-Eu prefiro ficar... –Disse, mas fui interrompida por Val.
- Faltam poucos dias para o Natal, vamos, vai ser bom... –Implorou ela me olhando com aqueles olhinhos brilhantes que me impediam de negar.
Eu acabei aceitando o convite. Como a tarde estava fria eu me vesti apropriadamente. Coloquei um casaco pesado e calças jeans. Sinceramente eu não estava muito a fim de sair de casa, mas eu não conseguia negar a um pedido de Val.
Fomos à loja de decorações e compramos uma árvore de Natal e enfeites, Val parecia estar ansiosa. Quando estávamos no caixa eu olhei para rua e avistei por meio da serração enevoada uma loja cheia de luzes escrita “Barnes & Noble”. Eu já sabia que aquela era a melhor livraria de Nova York e já que eu havia saído de casa eu necessitada ir lá.
- Vamos ir naquela livraria depois que sairmos daqui? –Perguntei para Val apontando em direção à livraria.
-Vamos! –Disse Val pegando as sacolas em cima do balcão e saindo apressadamente – quase correndo - porta a fora.
O ar banhou meu corpo enquanto caminhávamos para a livraria. Ela tinha uma vitrine de vidro bem grande com alguns livros a mostra e parecia que eu iria pega-los todos para mim. Entramos na livraria e o ar condicionado estava ligado em temperatura ambiente, o que fez com que eu deixasse meu casaco na entrada da loja.
A livraria era completamente grande, com livros espalhados por todos os lados em cima das prateleiras. Parecia uma visão para o paraíso na situação em que eu estava.
Vi Val ir para um lado da livraria e olhar os livros de terror e eu fui correndo para a sessão de livros românticos. Era uma alta e longa prateleira, recheada de livros, um melhor do que o outro... Virei-me para a prateleira e comecei a passar meus dedos pelos livros até achar um que fosse bastante recomendado pelas pessoas. Em uma fileira tinha o livro “Um amor para recordar” e pelo o que todos falavam desse livro realmente parecia bom.
Virei-o e comecei ler a introdução, era sobre um menino de 17 anos que estava contado a sua história de vida e como ela o mudou completamente. Ao passar as folhas rapidamente eu tive a impressão de que estava sendo observada, mas achei que fosse apenas um devaneio da minha cabeça e comecei a ler a biografia do autor do livro, Nicolas Sparks. Eu pude perceber que alguém passava atrás de mim pelo corredor, mas a pessoa parou logo atrás de mim – quase colada ao meu corpo - fazendo-me tremer e parar de respirar.
- Este é um bom livro. –Ecoou uma voz rouca e familiar.
Arregalei meus olhos quando escutei a voz do sujeito.
Senti meu coração se acelerar e as minhas pernas bambolearem de um lado para o outro, mas equilibrei-me na prateleira de livros.
Senti meus olhos úmidos quando pensei em me virar para trás. E os segundos que haviam passado, pareciam mais como horas que se passavam lentamente. Eu só sabia que o meu chão havia desmoronado, mais uma vez...


Para ler todos os capítulos - Clique aqui

Livraria "Barnes & Noble"






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