13 janeiro 2014

Fanfiction: " Um Amor Maior Que Eu" - Capítulo 26: A dor e o medo


Capa: Érica Rocha
Texto/Fic: 
Beta: Letícia Monteiro
Ilustrações/Gifs: @Rafaela_Vargaas
Música Tema: Broken - Seether, Feat. Amy Lee


A dor, o medo e o nojo eram sentimentos que tomavam conta de meu corpo naquele momento. As lágrimas escorriam pelo meu rosto assim que eu fui me dando conta do que estava acontecendo.
Tentei controlar minha respiração, já que eu não a usava desde que escutei aquela voz falando comigo de imediato. Ao puxar minha respiração eu senti aquele doce perfume em minhas narinas que me condenaram por alguns segundos.

Eu ainda não tinha me virado para ele e nem pretendia fazer isso. De acordo que os segundos que passavam, minha mente ia me mandando flashbacks de tudo o que havia acontecido naqueles últimos dias e com isso o meu fraquejo se fortaleceu e o nojo tomou conta de mim, fazendo-me tremer dos pés a cabeça.
- Lice? –Chamou-me mais uma vez aquela doce e rouca voz familiar, agora sua boca estava quase se encostando a minha orelha, fazendo-me arrepiar.
Quase cedi mais uma vez, mas no momento em que me virei lentamente para ficar de frente com ele eu me fortaleci mais uma vez.
Aquela imensidão achocolatada de seus olhos me olhava intensamente. A sua pele bronzeada parecia me iluminar por completa assim que me virei. Os seus cabelos negros como a noite estavam arrepiados suavemente para cima. A sua boca rosada estava retorcida num ato de desgosto.
Mas o que mais me chamou a atenção foi o seu olhar. Parecia um olhar culpado, um olhar que implorava por perdão. Eu pude perceber que meu corpo estava implorando por um abraço e que minha boca pedia para receber a dele, mas não, eu não podia.
- O que é? –Falei tentando ser dura, mas a dor em minha voz era perceptível.
- Eu a amo... –Disse Taylor pegando-me pela cintura e me puxando para ele, fazendo nossos corpos se encaixarem.
O seu toque mesmo apressado continuava sendo tão amável e tão doce que qualquer um não resistiria aquilo, mas eu não sei como e nem de que forma eu cedi com sucesso.
- Me solte! – Falei entre os dentes.
- Eu sei que você não quer que eu te solte! –Disse ele provocando e me olhando ainda mais intensamente.
- Me solte Taylor! –Grunhi colocando a mão em seu peito e o distanciando de mim. – Você realmente acha que é só você vir aqui, me beijar e tudo estará bem? Taylor, eu não sou essas vadias que tu pega e faz o que quer! – Falei aumentando o tom de voz.
Eu sabia que aquilo seria motivo de fofoca se alguém nos visse, mas como era uma tarde fria quase ninguém estava na livraria e os únicos que compareciam ali estavam espalhados por ela e não nos escutariam, já que a livraria era grande o suficiente e o som do rádio tocava um pouco alto.
- Eu não quero te tratar como uma vadia. Quero você de volta minha Loira! –Disse ele tremendo o queixo.
- Você realmente acha que você vai terminar tudo comigo em vinte e sete segundos de uma ligação e eu vou aceitar tudo de boa? Taylor por favor, saia da minha frente! –Falei fechando os meus olhos e tomando coragem para ser forte e não derramar nenhuma lágrima.
- Lice, por favor, me escute! –Disse ele pegando minha mão.
- Eu não quero te escutar! –Falei.
- Por favor...
- Eu já disse que não! –Grunhi mais uma vez.
Taylor baixou o olhar e soltou minhas mãos lentamente dando um passo para trás. Eu fiquei observando-o por alguns momentos e seus olhos nunca saiam do chão. Desviei meu olhar tentando não chorar e percebi que também estava sendo observada, olhei para os lados e vi uma figura pequena, mas bem familiar.
Sua face outrora feliz agora estava decepcionada e devastada, parecendo estar triste. Os seus cabelos meio loiros estavam jogados para o lado e seus olhos castanhos me fitavam.
Ergui ainda mais minha cabeça e a figura começou a se mover até mim, quase correndo quando me puxou para um abraço.
O perfume doce igual ao do seu irmão que estava impregnado em sua pele me fez querer chorar, mas fui forte.
Era Makena quem estava me abraçando forte naquele momento. Eu não sei como, mas parecia que eles tinham uma genética que nenhum outro tem. Pois o cheiro, o modo como olha e até mesmo o abraço protetor dos dois era realmente muito semelhante e isso me assustava um pouco.
Senti Makena passar a mão discretamente pelo bolso de minha calça e eu tentei disfarçar ao máximo para não acabar deixando Taylor desconfiado de que ela estava tramando alguma coisa.
- Vamos Makena. –Disse Taylor com a voz vazia e se distanciando de nós.
- Apenas atenda... –Instruiu-me Makena apertando-me ainda mais para o abraço e logo depois me dando um beijo de despedida na bochecha.
- Vou tentar... –Falei ainda confusa.
Vi a silhueta de Makena e de Taylor sumirem pela imensa livraria e o cheiro doce de Taylor outrora consumidor do ar, agora tinha ido embora juntamente com ele, exceto o cheiro que estava impregnado em minhas roupas agora.
- O que aconteceu aqui? –Perguntou Val confusa.
- Eu não sei, fui pega de surpresa. Taylor veio me pedir desculpas. –Falei ainda assustada sem me dar conta do que estava acontecendo.
- E você o desculpou? –Perguntou ela quase sorrindo parecendo ter esperança.
- Eu não cedi, não sei como, mas  não cedi. –Falei ainda incrédula.
Val não me questionou sobre mais nada, apenas deduziu que eu deveria parar e pensar. Eu não tinha feito isso desde que eu escutei aquela voz novamente naquele corredor. Eu queria ceder naquele exato momento e sair correndo dali e o abraçar dizendo que eu ainda o amo e sempre vou amá-lo, mas isso seria errado diante do que ele fez. Eu não sabia ao certo onde ele queria chegar, só sabia que isso poderia ser mais alguns de seus joguinhos de sedução que podiam me fazer cair em um buraco sem dificuldade alguma e isso me dava mais medo ainda.
Apesar de eu querer muito ter ele comigo mais uma vez eu não podia, seria totalmente errado. Eu só sabia que esse seria mais um mês tenso e triste longe do meu amado Moreno e eu sabia que eu deveria nega-lo daqui pra frente e não poderia ceder a momento algum.
Ergui minha cabeça e senti as lágrimas finalmente romperem a barreira que as impediam de sair. Olhei para rua e vi algumas bolinhas de neve cair sobre o chão, dando um contraste sobre a escuridão da noite, fazendo-me tremer ao lembrar-me de como iniciei dezembro e de como provavelmente eu finalizaria.
Eu estava devastada e tudo que eu mais queria era sumir por algum tempo. Tudo que eu mais queria era voltar no tempo e desfazer tudo aquilo.

*P.O.V  TAYLOR

Alice tinha sido o meu refúgio nos últimos dias. Ela era a única pessoa que eu não tinha medo de confiar e que eu não tinha medo de compartilhar tudo que eu fazia.
A garota dona de belos olhos celestes, cachos dourados e de um lindo sorriso era e sempre seria a dona de meu coração.
Eu sabia que a cada passo que eu dava para perto dela, eu transformava a vida dela um inferno dentro de casa e isso era o que eu mais temia.
Eu sabia que eu era uma ameaça para a imagem dela, mas quando eu via aquela garota em minha frente eu não conseguia pensar em nada a não ser sentir o seu toque, o seu beijo, ouvir sua voz angelical e sentir o cheiro delicioso que emanava de sua pele perolada.
Foi numa perfeita tarde que eu senti o gosto dela pela primeira vez. Em cima do tronco da praia de La Push e sobre a brisa do vento frio que soprava. Eu não sabia se estava fazendo a coisa certa e nem se estava fazendo no momento certo, eu só sei que fiz e que eu não me arrependo de ter feito.
O seu toque quente, o jeito como ela se movia a cada toque meu, os seus pelos eriçados e o som que saia de sua boca eram coisas surreais, parecia que ela era uma Princesa ou um ser enviado de outro Mundo. Eu só sabia que era com ela que eu queria ficar pelo resto de minha vida.
Mas como tudo na vida infelizmente não é um mar de rosas, o nosso conto de fadas se desmoronou transformando-se em um filme de terror.
Eu a deixei em casa na tarde seguinte e me dirigi até minha casa. De acordo com meus planos, meus pais estariam na nossa casa na Califórnia pegando mais algumas peças de roupas para passarmos mais algum tempo em Nova York, e Makena estaria em um dos seus treinos de vôlei, mas não foi assim.
Quando cheguei em casa, os seis pares de olhos pousaram em mim e ficaram ali por um longo tempo. Eu tentava descrever em seus olhares o que estava acontecendo, mas seus olhos estavam preocupados e decepcionados, exceto os olhos de Makena que pareciam tristes.
- O que foi? –Perguntei quase sem voz.
Meu pai não disse nada, apenas varreu seu olhar pela sala e pousou seus olhos na mesinha de centro.
Franzi o cenho e me aproximei da mesma. Em cima dela tinha uma revista aberta em alguma página aleatória, mas o que eu não tinha percebido até certo ponto era a foto que estava estampada na folha da revista.
Era uma foto minha e de Alice no carro e não tinha como negar que éramos nós dois, pois nossos rostos estavam bem aparentáveis e bem visíveis. Tentei ignorar e olhei para as três figuras que ainda estavam me observando e tentei deixar o meu rosto o mais relaxado possível.
- Não Taylor, olhe... –Disse meu pai levantando-se do sofá e entregando a revista em minhas mãos, desdobrando-a e procurando a capa da mesma.
- Isso é... –Falei, mas travei quando peguei a revista na mão e vi que além de tudo a foto estava estampada na capa da revista com um título que eu não fiz questão de ler.
- Não me venha dizer que é um engano, pois nós não somos burros, Taylor! –Disse meu pai mais uma vez, agora olhando no fundo de meus olhos.
- Pai, me de licença... –Falei tentando sair da sala e me socar dentro do quarto.
- Fique! –Ordenou-me ele assim que me virei.
Fiquei parado ali mesmo, virado de costas para meu próprio pai. Eu realmente não tinha o que falar e nem sabia qual era a minha expressão naquele momento.
Eu não estava pensando no que ia acontecer comigo agora, eu só pensava em Alice e em seu irmão a xingando fazendo-a chorar.  Isso fazia de mim um lixo. Eu estava completamente fora de mim naquele exato momento e eu não queria pensar em nada além de como minha Lice estava agora.
- Quem é essa garota, filho? – Ecoou a voz doce e protetora de minha mãe.
- Alice... Alice Araújo... –Falei segurando as lágrimas.
- E onde vocês estavam indo? – Questionou-me ela.
- Para La Push... –Admite impossibilitado de mentir.
- E vocês foram fazer o que lá, Taylor? –Perguntou meu pai, sendo totalmente rude ao escutar a verdade.
- Nós fomos passar um tempo juntos longe dos flashes e de tudo que nos impedia... –Falei assustando-me com minha própria coragem e cara de pau.
- E o que adiantou? Você a leva para um lugar distante, provavelmente não é para fazer coisa boa e antes mesmo de saírem já são vistos juntos? Taylor, você está fazendo atitudes de crianças! – Gritou meu pai.
Quando eu escutei as palavras do meu pai eu senti meu corpo ferver. Eu sabia que ele estava certo e que eu estava errado. Mas eu tentei ser o mais maduro possível, mas diante daquela situação eu não conseguia pensar em palavras certas para dizer a eles que eu só sabia imaginar as mãos do irmão de Alice pegando-a forte e a xingando dentro daquele apartamento e isso fazia meus olhos arder.
- E qual é a atitude de um homem de verdade? –Perguntei tomando coragem e virando de frente para o meu pai.
- Um homem de verdade não faz uma mulher sofrer Taylor... Por mais que você goste dela e vê que isso só esta fazendo mal a ela você tem que deixa-la partir... E você sabe que não está fazendo bem a essa garota! –Disse meu pai baixando o tom de voz e me dando mais um de seus conselhos.
- Tu queres que eu a deixe? – Perguntei cerrando minhas mãos.
- Eu não quero nada Taylor, eu quero que você faça o que é certo!
- Mas ela é o meu certo! –Falei deixando escapar uma lágrima somente em pensar deixa-la sozinha.
- E você é o certo para ela? –Perguntou-me ele olhando mais uma vez dentro de meus olhos.
Eu senti meu corpo desmoronar por dentro quando refleti sobre a pergunta que meu pai tinha feito. Eu sabia que eu a estava prejudicando, mas ela parecia tão feliz quando estava ao meu lado que essa possibilidade era quase impossível, mas era a realidade.
Eu não disse absolutamente nada, apenas baixei minha cabeça e corri para a escada, pulando dois degraus de vez para chegar em meu quarto logo.
Eu não sabia exatamente como fazer aquilo e eu nem conseguia imaginar mais o rosto dela ouvindo o que eu pretendia dizer. Eu sabia muito bem da dor que eu traria a ela e de como ela ficaria devastada se eu terminasse tudo pelo telefone, mas era tudo para o bem e a felicidade dela.
Ainda com minhas mãos tremulas peguei meu celular e disquei desesperadamente o número de telefone dela.
Demorou alguns segundos para eu escutar a voz dela no outro lado da linha.
- Lice... –Falei tentando não fazer voz de choro.
- Oi Moreno! –Cochichou ela do outro lado da linha.
- Eu preciso conversar seriamente com você... –Falei sentindo meu coração se quebrar em mil pedaços.
- Tay, eu já sei de tudo. Já sei dos sites e revistas de fofocas, já sei da nossa foto, já sei das especulações, não vamos gastar nosso tempo com isso. –Disse ela tentando de certa forma me acalmar.
- Lice, precisamos dar um tempo... –Falei pausando em cada palavra buscando ar para continuar.
Eu escutei uma zoada no telefone e depois ficou tudo em silencio, mas a linha ainda estava ligada. Chamei o nome dela algumas vezes, mas ela não me respondia. Eu senti lágrimas escorrendo de meus olhos e pingando em meu queixo fazendo a colcha de minha cama ficar molhada. Eu sabia que nada e nem ninguém podia fazer aquilo sem ser eu e eu desejei que eu não existisse mais depois daquilo.
Meu corpo desmoronou em cima da cama e eu admito que nunca chorei tanto em toda a minha vida como naquele dia. Eu sabia que eu não sentiria mais seus toques e nem o gosto de seu beijo e muito menos o som de sua voz expressando palavras lindas para mim.
***

Os últimos dias de novembro passavam lentamente e todas as pessoas davam boas vindas alegremente ao frio congelante de dezembro.
Eu sempre gostei das datas comemorativas de fim de ano, mas nesse momento, essa época festiva era a única que eu menos queria ter. Eu tinha completa noção da dor que Alice estava sentindo, mas embora pareça ser impossível a minha dor era maior, a dor de quem iludiu e terminou tudo cruelmente daquela forma. A dor da culpa e a dor do amor eram misturas que eu nunca tinha provado, mas quando provei eu pensei em desistir de tudo e simplesmente partir.
- Tay, vamos numa livraria comigo? Papai e mamãe saíram e eu não quero sair de casa sozinha... Quero comprar as biografias do One Direction e do Justin... – Disse Makena adentrando meu quarto e fazendo-me sair de meus devaneios e limpar minhas lágrimas rapidamente.
- Makes, me desculpe, mas prefiro ficar em casa... –Falei deixando derramar outra lágrima, mas a limpei com as costas de minha mão.
- Tay, por favor, saia um pouco de casa. É época de Natal e você sempre fica feliz nessa época e agora você está assim... –Disse Makena colocando a mão em meu rosto. – Eu sei que você tem motivos, mas ficar mofando dentro de casa não vai desfazer e nem melhor nada do que está acontecendo... –Disse ela passando um de seus dedos sobre a lágrima que derramava em meu rosto.
Eu nunca tinha chorado na frente de Makena, nem mesmo quando eu era pequeno. Eu sempre tentei trata-la bem e nunca neguei algum pedido dela.
Mas eu realmente estava em estado cruel e eu não conseguia mais ter controle dos sentidos do meu corpo. Embora Makena tivesse razão eu não tinha motivo algum para sair de casa.
- Vamos mano? –Perguntou ela mais uma vez.
- Não faz sentido sair de casa hoje... –Finalmente soltei as palavras.
- Por que não faz sentido? Vamos, por favor! Eu te ajudo a escolher algum livro, eu faço a sua saída valer a pena!
- Makes...
- Uhul! Vou me arrumar e te espero no carro! –Gritou ela pulando e saindo do quarto.
Sorri comigo mesmo ao ver a reação de Makena. Foi o primeiro sorriso que dei depois da minha ultima conversa séria com meus pais.
Como “planejado” fui até o carro e como sempre tive que esperar alguns minutos no carro até que Makena estivesse pronta e mais uma vez vacilando no tempo.
- Acho que você se atrasou... –Falei assim que ela entrou no carro.
- Eu também acho, mas não tem problema, pelo menos estou te tirando de casa! –Falou ela batendo as mãos nas pernas mostrando estar ansiosa.
Liguei o carro e dirigi até a livraria mais próxima de nossa casa, embora fosse um pouco longe. Estava fazendo muito frio, mas dentro da livraria a temperatura estava boa o suficiente para largar o casaco na entrada.
Sai à procura de um livro enquanto Makena se deliciava nas biografias dos famosos e às vezes gritava para mim mostrando-me a minha biografia na estante, parecendo uma retardada mental. Eu apenas sorria e escondia o rosto e às vezes até saia de perto.
Mas em uma dessas minhas fugidinhas dentro da livraria eu vi uma pele reluzente e cabelos dourados jogados para trás. No inicio eu pensei que fosse loucura minha, mas de acordo com que eu ia me aproximando eu tinha mais certeza de quem se tratava.
Era ela, a mulher da minha vida. Ela estava lendo algum livro, o qual eu tentei ver qual era e vi que se tratava do livro “Um amor para recordar”. Eu queria ter coragem e a maturidade que o homem do livro tinha, mas infelizmente o meu medo de coloca-la em meu Mundo era maior do que minha coragem e minha maturidade, não do meu amor.
- Este é um bom livro. –Falei.
Eu vi que o corpo frágil dela estava se desmoronando aos poucos, e eu juro que tentei com todas as minhas forças me distanciar dela e sair correndo ao ponto de ela não ter certeza de que era eu, mas o desejo de tê-la novamente era maior, o desejo de toca-la, de ouvir o que ela tinha para falar era maior e eu tinha total sabedoria que aquilo não faria bem a ela. Entretanto, a minha teimosia e a minha persistência tornava tudo tão ridículo e tão bagunçado que eu me odiei mais uma vez.
Percebi que ela estava se virando lentamente para mim, até que eu tive total visão de seu rosto perfeito e eu pude olhar dentro daqueles olhos celestes e marejados mais uma vez. Parecia um sonho e um pesadelo num só momento e isso me deixava tão confuso ao ponto de não conseguir mais pensar no que eu estava fazendo, apenas agi de acordo com que minhas vontades me orientavam.
- O que é? – Falou ela tentando ser forte, mas eu vi que sua boca se torcia enquanto ela falava, parecendo engolir o choro.
- Eu a amo... –Falei passando a mão em sua cintura e puxando-a até mim, fazendo com que nossos corpos ficassem colados. Eu realmente era um cafajeste e eu sabia que me arrependeria depois.
- Me solte! –Grunhiu ela entre os dentes.
- Eu sei que você não quer que eu te solte! –Falei desacreditando no que eu tinha dito assim que as palavras voaram de minha boca.
- Me solte Taylor! –Grunhiu ela mais uma vez colocando a mão em meu peito e tentando me levar para trás, embora a força que ela usava nem me movesse. Mas eu a soltei.
-Você realmente acha que é só você vir aqui, me beijar e tudo estará bem? Taylor, eu não sou essas vadias que tu pega e faz o que quer! – Falou ela quase gritando.
E foi aí que eu me dei conta de o que eu estava fazendo: a fazia perder ainda mais as forças e me odiar ainda mais. Eu queria que ela me odiasse, pois ela tinha os motivos dela e eu também tinha os meus motivos para odiar a mim mesmo.
- Eu não quero te tratar como uma vadia. Quero você de volta minha Loira! –Disse segurando o choro. Que porra eu estava fazendo?
- Você realmente acha que você vai terminar tudo comigo em vinte e sete segundos de uma ligação e eu vou aceitar tudo de boa? Taylor por favor, saia da minha frente! – Falou ela fechando os olhos e cerrando os punhos.
- Lice, por favor, me escute! – Insisti pegando sua mão e tentando finalmente me controlar e não olhar para ela, simplesmente falar o que eu sentia. Eu apenas queria falar para ela de meus motivos, embora isso não importasse mais.
- Eu não quero te escutar! – Disse ela.
- Por favor... –Falei perdendo as forças.
- Eu já disse que não! –Grunhiu ela mais uma vez.
Eu não disse mais nada. Por que diabos eu estava fazendo aquilo?
Nunca mulher alguma tinha me deixado daquela forma, apenas ela tinha esse poder sobre mim. Eu queria socar minha própria cara e me chicotear até dizer chega. Eu sou um idiota, eu sou um idiota!
Baixei meu olhar e percebi a presença de mais alguém. Eu vi que era Makena e não fiz questão de levantar minha cabeça mais uma vez, eu estava envergonhado o suficiente para querer sair dali e não falar absolutamente mais nada. Eu deveria ter escutado os conselhos do meu pai quando eu era um garoto, e deveria ter escutado ainda mais o ultimo conselho que meu pai me deu há alguns dias atrás.
- Vamos Makena. – Falei virando-me e caminhando até a saída, sem olhar para trás.
Peguei meu casaco e ao sair na rua senti Makena encaixar seu braço no meu. Ela não me disse mais nada, apenas tê-la ali comigo já era o suficiente. Eu estava mordendo meus lábios para não chorar, mas isso estava sendo impossível e eu sentia que a qualquer momento a umidade de meus olhos ia cessar e ia dar espaço a uma cachoeira de lágrimas.
O cheiro de Alice ainda estava em meu casaco e o jeito como ela me olhava ainda estava em minha mente, parecendo que ela estava presente em minha frente.
Ao sair daquela loja eu tinha certeza que a partir daquele exato momento eu não a procuraria mais, eu não a faria mais sofrer e eu não a magoaria mais. Era difícil pensar nisso, mas eu precisava deixar a minha garotinha se cicatrizar e dar lugar à grande mulher que ela era. E apesar de toda a dor que eu sentia – que parecia ser incomum e ao mesmo tempo maior que tudo - eu queria poder de alguma forma excluir toda a dor que ela estava sentindo e envia-la para mim, para não deixar mais a mulher de minha vida derramar uma lágrima se quer.



Para ler todos os capítulos - Clique aqui

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Deixe seu comentário! A sua opinião sobre as fanfics é muito importante para que os autores continuem escrevendo. Fale sobre o mais gostou, sobre o que espera ler nos capítulos seguintes. Comente sobre seus personagens favoritos e os que mais detesta. Não deixe de comentar, seja mais ativo e evite que as fanfics entrem em hiatos por desmotivação da autora em escrever. Não seja um leitores fantasma. Comente agora mesmo!

DEIXE SEU RECADO!

SITE DE NOTICIAS - TAYLOR LAUTNER MANIA