24 fevereiro 2014

Fanfiction: Caras e bocas – Capítulo 12


Serena P.O.V.

Uma semana, três dias e sete horas sem ver Taylor. Eu não conseguia definir se isso era algo bom ou ruim. Eu sentia muita falta dele, mas era melhor não precisar vê-lo, pois se o fizesse, eu imagino que uma tristeza me abateria. Era por isso que eu tentava conter todo tipo de pensamento com relação a ele.

Sem minha permissão, flashs de nós nos amando, de nossas cenas como Ever e Damen, nossas danças e as palavras doces, me vieram à mente, tornando aquele momento em algo nostálgico, justamente como eu temia.


Joguei meu corpo contra minha cama e fiquei olhando para o teto com a esperança de que aqueles pensamentos fossem embora, mas para a minha decepção, eles não foram.

-Eu te odeio Taylor Lautner. –murmurei mal humorada.

Bufei irritada e, virei de barriga para baixo, para poder enfiar o rosto em meus travesseiros. Fiquei ali, parada, tentando não pensar em nada, antes de me entregar a um sono profundo.

-Serena. Serena... Serena! –chamou minha mãe me chacoalhando.

Em resposta, resmunguei sem tirar a cabeça do travesseiro, o que fez com que meu resmungo saísse mais abafado do que o normal.

-O que foi? –perguntei quando não obtive nenhuma resposta.

Minha mãe suspirou, fingindo não ter percebido minha grosseria, e respondeu:

-Madison e Chloe estão aqui para te arrumar, filha. –ela disse, me fazendo olha-la, questionadora. –Para a entrevista coletiva.

Senti meus olhos se arregalarem e meu coração disparar, antes de jogar minhas pernas para fora da cama e correr a toda velocidade para o banheiro.

Não me importei com o horário ou com quem teria de me esperar. Eu estava agoniada com meus pensamentos e, achava que um bom e longo banho me faria bem.

Graças a Skeeter, todos já sabiam o que havia acontecido entre Taylor e eu. E a partir do dia em que essa notícia saiu, meus atrasos se tornaram constantes.

Sem saber o porquê, olhei ao redor de meu banheiro impecavelmente branco antes de colocar uma quantidade generosa de meu shampoo de damasco nas mãos.

Deixei o aroma do shampoo tomar conta de mim, enquanto os pensamentos indesejados(leia-se Taylor) eram levados para longe de minha mente. Aquele delicioso cheiro da shampoo tomou conta de mim de tal forma que, quando percebi, já estava cantando uma música incrivelmente alegre. Eu não sabia ao certo que música era, mas eu pouco me importava com isso, pois tudo o que eu queria era aproveitar o momento.

A sensação do shampoo em meus cabelos, a água escorrendo por meu corpo, o vapor que saía do chuveiro... Tudo aquilo me libertava, dava uma sensação de paz e me levava para um mundo completamente meu, onde tudo era possível e a felicidade reinava.

Era estranho naquele momento que eu vivia, pois meu coração nada mais sentia, além do momento propriamente dito. Meu coração estava liberto de qualquer sentimento profundo ou confuso, ele apenas aproveitava o momento... Em um ato impensado, abri meus braços, deixando a água quente escorrer por meu corpo, ao mesmo tempo em que atingia as notas mais agudas daquela música que me fazia “viajar” sem sair do lugar.

-Serena, Madison e Chloe estão esperando! –minha mãe gritou de algum lugar do meu quarto, quando eu já passava o condicionador.

-Mais cinco minutos! –cantarolei e depois ri, parecendo uma louca.

Eu disse cinco minutos? Creio que demorei mais dez, vinte minutos... Tudo o que eu queria e fazia, era aproveitar cada segundo da melhor forma.

Tomar banho, sempre parecia me acalmar. Não sei ao certo o motivo, mas a água dava a impressão de levar minhas angustias consigo, juntamente com a sujeira de meu corpo.

Saí do banheiro, ainda cantarolando, enquanto era seguida por minha mãe ao entrar em meu closet. Selecionei uma lingerie qualquer, larguei a tolha e me vesti, colocando um quimono por cima da roupa intima.

-Filha, você vai se atrasar. –disse minha mãe, passando uma das mãos em minha face.

Sorri para minha mãe, que aparentava estar cansada. Ela havia trabalhado muito durante essa semana, coisa que não era necessária, devido a nossa excelente situação financeira, mas ainda assim, ela insistia em fazê-lo.

Fitei seus olhos azuis, iguais aos meus, e levemente, passei um dedo debaixo de suas olheiras mais do que arroxeadas.

-Mamãe. –chamei baixinho.

Os olhos de minha mãe brilharam. Ela adorava quando eu a chamava de mamãe, ela dizia ser bem mais carinhoso do que chama-la apenas de mãe.

-Fala filha.

Fiquei em silencio por alguns minutos, apenas para deixar a voz melodiosa de minha mãe, ressoar pelo espaço.

-Vamos viajar? –perguntei, fazendo com que os olhos de minha mãe brilhassem. –Só você, o papai, o Anthony e eu. Como não fazemos há...

Anthony, meu queridíssimo irmão. Eu morria de saudades de meu irmão mais velho, mas quase não o via, pelo fato dele viver para estudar. Aquele nerd... Anthony raramente deixava Harvard, sua vida era estudar.

-Como não fazemos desde que você começou a realizar seu sonho. –minha mãe completou.

Aquelas palavras me machucaram um pouco, mas eu não podia culpa-la por dizer a verdade.

-Fala com o papai, busca o Anthony, escolhe o destino, mãe. Vou para onde você quiser. –falei, antes de sair do quarto atrás de minha cabeleireira e minha maquiadora.

Enquanto Madison e Chloe me arrumavam, percebi que as coisas que me aconteceram eram apenas consequências daquilo que um diz eu quis ser, daquilo que eu era.

Mas apesar disso, eu estava feliz, pois havia realizado meu sonho e havia encontrado a forma perfeita de meu expressar, de mostrar meus sentimentos ao mundo. Na minha vida, não havia nada melhor do que atuar. Virar outra pessoa, fugir de minha realidade, mostrar ao mundo todas as minhas facetas e especificar como eu agia quando cada uma delas tomava conta de mim quando necessário. Só que para isso, eu precisava fazer sacrifícios.

-No que pensa tanto, caixinhos dourados? –perguntou Chloe soltando uma mecha do meu cabelo, que caiu em um encaracolado perfeito no meu ombro direito.

-Em tudo o que aconteceu desde que me tornei atriz. –respondi em um suspiro.

-Algo que queira compartilhar? –ela perguntou acariciando meus cabelos, mas eu apenas balancei a cabeça negativamente, apreciando a sensação que aquele carinho me causava.

Chloe continuou a cachear meus cabelos em silêncio, o que foi bom, me permitiu pensar em paz.

Logo depois de Chloe, foi Madison que assumiu o trabalho de me embonecar para a entrevista coletiva. Ao contrário de Chloe, que era reservada, Madison era uma exímia faladora, e me arrancou muitas risadas enquanto relatava algumas de suas histórias de vida.

Fui para a entrevista cantando, enquanto dirigia pela grande cidade de L.A. Só não pedi para Joe me levar, por conta das férias que eu havia dado a ele.

Com tudo isso eu sei agora
Tudo dentro da minha cabeça
Tudo isso vai mostrar como
Nada que eu conheço me faz mudar

De novo eu espero isso para mudar em vez de
Rasgar o mundo em reboques
Outra noite com ela
Mas estou sempre querendo você

Use me Holly venha cá e use me
Nós sabemos onde vamos
Use me Holly venha cá e use me
Nós vamos onde sabemos

(All of This – Blink 182)

Minha cantoria foi interrompida pelo toque estridente de meu celular. Aproveitei a deixa do sinal vermelho, e conectei o fone no celular antes de atendê-lo.

-Alô?

Ri do modo cantado, com que minha voz saiu.

-Serena, onde você está? Sua louca, você tem ideia de que horas são? –Amy gritou do outro lado do telefone.

Me encolhi com o eco que seus gritos fizeram em meus ouvidos. Será que a Amy não tinha um mínimo de noção, não? Digo, eu tenho certeza de que ela não gostaria que eu gritasse ao telefone enquanto falava com ela.

-E você tem ideia de como está o trânsito? –rebati com outra pergunta, de forma “educada”.

Apertei minhas mãos no volante, para conter minha raiva.

Olhei de relance para o relógio do painel do carro, só para constar que Amy tinha razão. Eu estava oito minutos atrasada para a entrevista, o que era um mau negócio, contando que essa era a primeira grande entrevista depois do final das gravações do filme.

Enterrei a mão na buzina do carro, só para assustar o lerdo que dirigia a minha frente. Ele estava trancando o transito ao deixar seu carro entre duas pistas, não tinha como eu ultrapassar, o que significava que eu tinha que esperar. E, sinceramente? Eu não tenho muita paciência no trânsito.

O motorista do carro a frente fez um gesto obsceno, e eu fiz questão de responder com mais uma buzina. Aquele motorista se debruçou sobre a janela aberta de seu carro e me olhou irritado, seus olhos brilhavam em decepção, impaciência e ódio. Surpreendi-me ao ver que o motorista era Taylor, mas o ódio me consumiu e acabou com minha surpresa segundos depois. Já não bastava ele ter virado toda minha vida de cabeça para baixo? Ele tinha mesmo que andar quase parando, em meio a uma avenida movimentada?

Recebi várias buzinadas, enquanto eu fuzilava Taylor com os olhos. Parei o carro no meio da avenida e andei até o carro que Taylor, que havia parado pouco depois de eu ter o feito.

-Não dá para andar mais devagar, Lautner? Você está indo muito rápido! –falei ironicamente, ao parar ao lado da janela do motorista.

Ele olhou para mim novamente e novamente, percebi que a raiva consumia seu ser. Olhos em brasa como fogo e turvos como furacões, que visavam destruir tudo o que viam a sua frente.

-O pneu furou. –ele respondeu educadamente. Sua voz era calma e fluida, ao contrário de seus olhos e de sua expressão fechada. –Estava tentando encostá-lo no meio-fio quando você me parou.

A máscara de raiva tirava toda a beleza da pele morena de Taylor, os olhos... Os olhos negros, por hora turvos, continuavam a ter a mesma profundidade de um poço sem fundo, mas agora esse poço era frio.

Coloquei meus óculos na cabeça, estiquei a mão e peguei a chave do carro de Taylor da ignição. Um erro, pois meu braço roçou no seu, trazendo um arrepio por minha pele, juntamente de uma corrente elétrica.

A máscara de Taylor desmoronou quando nossos braços se tocaram, o líquido endurecido de seus olhos derreteu, tornando aquele olhar novamente em algo aconchegante. Taylor segurou meu braço com força e me obrigou a encará-lo, ao colocar a mão em meu queixo, assim que desviei de seu olhar.

-Serena...

Gritos interromperam o Taylor ia falar. Uma horda de fãs corria desenfreada até nós. Eles viam correndo em alta velocidade, enlouquecidos... Arfei de medo e corri para meu carro, mas meu salto quebrou no meio do caminho, me levando ao chão.

-Droga! –exclamei, me levantando de qualquer jeito, antes de continuar mancando até o carro, onde eu entrei e tranquei as portas. Me dei conta de que ainda estava com a chave de Taylor nas mãos. –TAYLOR! –gritei abrindo a porta de meu carro. –VAI ENTRAR OU VAI FICAR AÍ? –perguntei sinalizando para o banco do carona, de meu carro, antes de fechar a janela e dar partida.

Não precisei chamar de novo para que Taylor corresse para meu carro, entrando no mesmo com uma velocidade espantosa. Ele pegou o celular e digitou alguns números que não consegui ver, pois tudo o que em que eu prestava atenção no momento, era naquela avenida movimentada, que agora estava cheia de fãs/pedestres, enlouquecidos. Eu tentava achar uma brecha entre eles para poder sair dali, mas eu não conseguia achar nada!

O ar começou a ficar mais pesado, conforme o desespero e a vontade de sair dali iam tomando conta de mim. Gritei quando o ar se tornou pesado demais, para que entrasse em meus pulmões. As laterais do carro pareciam estar se fechando sobre mim.

-Eu já chamei os seguranças! –disse Taylor, colocando uma das mãos em minhas costas, o tom desespero e preocupação estavam acentuados em sua voz.

Encostei minha testa no volante, enquanto esperava os seguranças. O fato de Taylor estar ali ao meu lado de nada me incomodou, pelo contrário, o fato dele estar ali ajudou para que eu mantivesse minha sanidade, enquanto aquela orla de fãs nos cercava.

Levantei a cabeça da volante, a fim de ver o que acontecia. Erro grande. Ao ver os fãs se aproximando cada vez mais, o nervosismo se abateu sobre mim, causando-me um forte ataque de asma.

Minha respiração suspendeu, enquanto meu peito começava a chiar. Pontos pretos escureceram minha visão, a voz desesperada de Taylor chegava aos meus ouvidos como um eco, eu não compreendia o que ele falava.

Tentei apontar o porta-luvas do carro, onde se encontrava uma das minhas bombinhas de asma, mas meu corpo estava dormente, então não senti o que meu corpo fez, além de produzir sons de sufoco.

Tudo se apagou.

_x_

Em poucos minutos, minha visão começou a clarear, assim que algo impulsionou ar para meus pulmões. Aos poucos, recuperei meus sentidos e consegui visualizar o ambiente em que eu estava.

Eu ainda estava em meu carro, só que agora no banco de trás, juntamente com o Taylor – e, por uma incrível ironia do destino, eu estava mais uma vez com a cabeça apoiada em seu colo. – Quem dirigia era um dos seguranças que viera em nosso auxilio.

Agora, a pergunta era: como havíamos parado ali?

-Tudo bem? –perguntou Taylor, passando a mão por meus cabelos, antes que eu levantasse a cabeça de seu colo e me sentasse.

Assenti meio atordoada, uma pequena tontura tomou conta de mim, devido a rapidez com que levantei, mas ela logo passou.

-O que... –comecei a perguntar, mas quando senti que minha voz saiu rouca, pigarreei antes de continuar. –O que aconteceu?

Foi com os olhos sofridos que Taylor me encarou, seus olhos pareciam querer perfurar os meus e captar tudo o que se passava dentro de mim.

Apesar de minha crise de asma já ter passado, respirei com dificuldade, devida a tamanha e incomoda intensidade com a qual aquele homem a minha frente, me encarava.

Meu coração se apertou com a demora de sua resposta, então me virei e encostei a cabeça no vidro do carro, admirando a paisagem que passava por nós, uma paisagem matosa.

-Onde estamos indo? –perguntei assustada, sem nunca tirar os olhos da janela. Encarar Taylor agora seria um grande sacrifício.

Aquele não parecia nem um pouco com o caminho que levava ao hotel onde daríamos a entrevista.

A falta de conhecimento, quanto ao local em que estávamos, deu-me uma sensação de desconforto. Eu me senti como se eles estivessem me sequestrando.

-Depois que você começou a ter o ataque de asma, você desmaiou. –ele disse se aproximando por trás. –Tive que fazer respiração boca a boca em você, até que os seguranças chegassem e nos tirassem dali, você melhorou logo depois. –ele disse com um tom de riso na voz.

-Respiração boca a boca? –ofeguei com o susto. Os seguranças riram minimamente.

Senti a cor fugir de meu rosto, só se pensar em Taylor com os lábios nos meus... Os conflitos começaram a nascer em minha mente. O que eu sentia? Saudades? Ódio?

Taylor riu juntamente com os seguranças, o que fez com que eu me virasse para ele novamente.

-Alguns fãs nos seguiram, então liguei para o meu agente e ele disponibilizou sua casa de campo para fazermos a entrevista. –ele prosseguiu, ignorando minha pergunta. –Creio que todos já estão lá, já que passamos no hospital para o médico fazer um exame rápido em você.

Arregalei os olhos. Hospital?

-Eu estava tão mal assim? –perguntei temerosa. Esses ataques de asma geralmente não eram tão fortes a ponto de eu ter que ir para o hospital.

-Medidas de precaução, senhorita. –disse o segurança que não estava dirigindo. –Ordens do seu pai.

Fiquei estupefata com as palavras do segurança. Como assim “ordens de meu pai”? De onde vinha tanto zelo da parte de Taylor e de meu pai?

Taylor olhou para mim e soltou um risinho irritante e disse:

-Liguei para seu pai assim que você recuperou os sentidos.

Respirei fundo, assenti e voltei a observar a paisagem que passava por mim. As árvores passavam rapidamente, mas eu tinha a impressão de que o tempo passava lentamente. Eu não via a hora de chegar a tal casa de campo, para poder descer daquele carro e me afastar minimamente de Taylor.

Me senti nostálgica, ao me pegar novamente, pensando em todos meus momentos com Taylor. Em meio aquela nostalgia, dei olhadela rápida para trás e encontrei Taylor me encarando. Agora, com ele a poucos centímetros de mim, eu achava quase impossível eliminar meus sentimentos por ele, mas eu ainda tinha a esperança de que iria conseguir fazer isso, bastava eu me manter forte em minha decisão.

Taylor P.O.V.

Observei mais uma vez o modo com seus lindos cabelos dourados brilhavam contra a luz do sol. E minhas mãos coçaram de vontade de acaricia-los, sentir a textura daqueles leves fios em minhas mãos.

Serena era a mulher mais linda que eu já havia visto em minha vida, assim como também era a mulher mais inalcançável. Ela virou seu olhar minimamente, de encontro ao meu, mas desviou rapidamente, o que me fez pensar que a melancolia estampada em seus olhos azuis fosse só coisa de minha mente.

Eu fiquei extremamente preocupado quando a vi desmaiar, pois só uma vez na vida eu vira essa garota forte e turrona desprotegida assim, e nesta vez, uma coisa ruim havia acontecido.

Ignorei esses pensamentos e voltei a ler a mensagem em meu celular, coisa que eu fazia antes de Serena acordar.

Boa ideia essa de levá-la para esse SPA, para descansar. Mas fique sabendo que não vou te ajudar de novo, seu idiota!

Kisses, Amy ;D

Ri discretamente da mensagem de Amy. Aquela garota era uma verdadeira comédia quando queria. Mas, eu sabia que ela não havia dito aquilo à toa, ela era fiel à amiga e, qualquer escorregão que eu desse com Serena, eu teria que acertar contas com ela.

Ao contrário do que Serena pensava, não estávamos indo para a casa de campo de meu empresário, mas sim, para o SPA que minha mãe havia comprado para administrar, nos arredores de L.A. A entrevista havia sido remarcada para dali a dois dias.

Olhei mais uma vez para Serena. Eu sabia que ela iria me odiar ao saber que passaríamos dois dias juntos no SPA de minha mãe, mas isso seria bom para ela, e para mim também.

-O que foi? –perguntou Serena em tom rude, virando em minha direção novamente.

Nada fiz além de continuar a olhando e tentando desvendar o que se passava por aquela fascinante cabeça.

-O que foi? –ela repetiu a pergunta, aumentando o tom de voz.

Ah! Como ela ficava sexy, quando estava irritada... A vontade que eu tinha de beijá-la, cuidá-la e possuí-la ali mesmo era imensa, mas eu sabia que o poder que aquela mulher tinha sobre mim era muito mais do que físico. Eu não poderia “ataca-la” e ferir seus sentimentos mais uma vez.

O sol que entrava pela janela do carro me aquecia, mas um único olhar daquela mulher, me aquecia mil vezes mais.

-Observando. –respondi tentando segurar minha máscara de indiferença, que fiz questão de colocar, quando ela olhou para mim.

Serena olhou-me indignada e se voltou para a janela novamente. Quase ri. Quase, pois se risse, eu acabaria com toda a cena.

O resto do caminho foi percorrido em silêncio, exceto pelo bip de meu celular, que recebia mensagens importunas de Hannah e de outras pessoas, a cada segundo.

Quando o carro começou desacelerar e entrar no SPA, Serena virou-se para mim com olhos questionadores. Foi aí que eu soube que estava ferrado.

_x_

-COMO ASSIM VOCÊ ME TRAZ PARA UM SPA? –Serena gritou em meu ouvido, assim que entramos em nosso quarto. –E AINDA POR CIMA UM SPA QUE POR ACASO É O DA SUA MÃE!

Ela se jogou na cama e logo em seguida tirou as sandálias, jogando-as em minha direção, mas errando por centímetros.

Sem saber ao certo o que fazer, dei alguns passos para me aproximar, mas parei no momento em que Serena me fuzilou com os olhos.

-Você está estressada. –afirmei, mesmo sabendo que essa afirmação seria inútil.

-Jura? –ela disse em tom irônico. –Nossa, eu tinha a certeza de que eu estava pulando de felicidade!

Uma mecha de cabelos dourados caiu em frente a seus olhos. Em um impulso, avancei mais alguns passos para livrar seu rosto do cabelo, mas quando cheguei a ela, fui surpreendido com um belo chute na virilha.

-Meus futuros filhos... –gemi, caindo no chão.

Serena começou a rir incansavelmente. Parecia que aquilo não passava de uma bela piada para ela.

Me encolhi ainda mais devido a dor.

-Não se preocupe, Hannah ainda está grávida. Sem filhos você não fica. –Serena disse antes de sair do quarto batendo os pés.

-Serena... –chamei mesmo sabendo que ela não ouviria. –Eu só fiz isso porque te amo. –mas ela não voltou.

Serena P.O.V.

Como pude ser tão burra a ponto de acreditar que estávamos mesmo indo para um lugar mais tranquilo para fazer a porcaria da entrevista?

É claro que não iam mudar o local, o máximo que eles fariam era cancelar e entrevista e remarcar.

Andei a passos pesados até a recepção, onde a Sr.ª Lautner conversava com a funcionária da recepção. Eu não ficaria no mesmo quarto que Taylor nem morta. Aliás, por qual motivo nos colocaram no mesmo quarto?

Eu só fiz isso porque te amo. –aquelas malditas palavras ecoaram e minha mente. Quem dera aquilo fosse verdade, pois se Taylor me amasse, tudo seria mais fácil.

Senti meus olhos se inundarem de lágrimas, mas eu as segurei. Havia prometido a mim mesma que nunca mais choraria por aquele homem que tinha o forte poder de bagunçar meus pensamentos.

Respirei fundo e me aproximei do balcão da recepção.

-Sr.ª Lautner. –chamei.

A mulher morena e de longos cabelos castanhos parou de conversar com a recepcionista de cabelos roxos e se virou para mim com um grande sorriso no rosto.

-Posso ajudar querida?

Sorri minimamente diante da gentileza e atenção que ela exalava. Seus olhos inspiravam confiança e seu sorriso, tranquilidade.

-A Sr.ª....

-Me chame de você, querida. –ela pediu, me cortando.

Seu grande sorriso me encorajou a seguir em frente. Sinceramente? Eu nunca me senti a vontade para pedir coisas em hotéis e coisas do tipo, mas este era um caso inevitável.

-A senh.... Você poderia me trocar de quarto?

Ela me analisou atentamente, questionando meu pedido com os olhos. Aqueles mesmos olhos que variavam entre o preto profundo e um castanho mel.

-Algum problema com aquele quarto? –ela perguntou, saindo de trás do balcão e parando ao meu lado.

Assenti, não querendo responder. Como eu diria a ela que queria trocar de quarto por causa do gos... impertinente do filho dela?

-Kate, veja para mim se temos mais algum quarto disponível. –ela pediu para a recepcionista que provavelmente estava entretida com algum jogo no computador, a julgar pelo barulho que saía das caixinhas de som.

-Claro, Deborah. –disse Kate com a voz mole, o que me fez ter a leve impressão de que ela não estava com a mínima vontade de trabalhar.

-Algum problema com aquele quarto? –Sr.ª Lautner repetiu a pergunta.

Remexi na ponta de meu colete jeans preto, por um bom tempo antes de responder.

-Me sinto incomodada com...

-Mãe! –a voz dele chegou até meus ouvidos, interrompendo minha resposta.

Minha respiração perdeu no tempo, eu não sabia se ficava agradecida por ele ter chegado e me salvado de responder àquela perguntou ou se ficava irritada por ele estar ali.
O piso de madeira esquentou sob meus pés, quando o avistei, as árvores se tingiram de vermelho e o céu azul ficou escuro. Aos poucos, a raiva tomava conta de meu ser, e tudo o que eu queria era destruir tudo a minha volta.

Os olhos da Sr.ª Lautner brilharam de felicidade, antes da mesma se virar de costas para mim e abrir os braços para o filho.

-Meu pequeno campeão! –exclamou ela, enquanto Taylor se aproximava cada vez mais. –Se esqueceu de sua velha mãe? –o abraçou com um carinho imensurável. –Nunca mais veio me visitar.

Taylor abraçou a mãe com força, a ergueu e a girou delicadamente no ar. Mesmo depois que Taylor colocou a mãe no chão, eles continuaram abraçados por um bom tempo e eu... Eu fiquei apenas observando o enorme carinho que um tinha pelo outro.

Sr.ª Lautner começou a afagar a cabeça de Taylor, que por sua vez, estava completamente curvado para poder apoiar a cabeça no ombro da mãe. Ele era três vezes maior que ela.

Aquela cena de carinho me desarmou, fazendo com que tudo voltasse a sua forma natural, a meus olhos. Minha visão não estava mais tingida de vermelho e o céu agora, voltara a ser claro.

-Vou tentar vir te ver mais vezes, mãe. –Taylor disse, afastando-se minimamente da mãe.

Não consegui ver a expressão da Sr.ª Lautner, mas pelos poucos minutos que a observei, seus olhos deviam estar inundados de uma reverência profunda ao filho.

Desviei os olhos, incomodada com aquela cena. Eu não entendia como aquele Taylor que agora conversava suavemente com a mãe, poderia ser o mesmo Taylor que havia partido meu coração.

-Deborah, pode vir aqui um momento? –perguntou a recepcionista, Kate, acabando com o momento mãe e filho entre Taylor e a mãe.

A Sr.ª Lautner suspirou, parecendo exausta e sussurrou algo como:

-Como pode não saber fazer nada sem mim?

Taylor se aproximou de mim, assim que a mãe foi para o balcão da recepção, se juntar a uma Kate, que estranhamente me olhava raivosa.

Fingi que minha pele não se arrepiou com a presença daquele homem, fingi que meu coração não se acelerou e que uma corrente elétrica não passou por meu corpo.

-Por que veio incomodar minha mãe? –ele se abaixou e sussurrou a pergunta.

Cerrei os punhos e os dentes, na tentativa de conter meus sentimentos, pois se eu me deixasse levar por algum deles, ou eu o beijaria ou bateria novamente.

-Por que veio incomodar minha mãe? –ele repetiu.

Fechei os olhos e comecei a cantar mentalmente, um mantra que a louca da Amy havia me ensinado.

O silencio reinou entre nós, eu me recusava a responder, assim como ele se recusava a falar outra coisa, além daquela pergunta que ele havia feito.

-Serena. –chamou a Sr.ª Lautner. Abri meus olhos e me deparei sua face séria, irritada e quase explosiva, reações que ficavam estranhas no rosto daquela doce mulher.

-Sim, Sr.ª Lautner? –me aproximei do balcão, temerosa.

Depois que percebi o tom infantil que empreguei em minha voz ao pronunciar aquelas palavras, quase ri, mas me contive, por conta da expressão completamente séria da Sr.ª Lautner.

-Me chame pelo primeiro nome, por favor, nada de formalidade, não é, Taylor? –ela disse, encarando o filho com aquela face séria, por cima de meu ombro.

Sem vontade, me virei minimamente para encarar Taylor, que também se aproximou do balcão.

-Claro mãe. –ele respondeu confuso, com a expressão e o tom de voz da mãe.

Senti meu cenho se enrugar, enquanto meus olhos, iam de Taylor para a Sr.ª Lautner e vice-versa.

-Algum problema com meu pedido? –perguntei, quando me senti tonta de tanto olhar de um para o outro.

Mais uma vez o silencio tomou conta do ambiente. Meu corpo começou a ficar tenso e meu estômago ganhou vida, fazendo com que todo meu café-da-manhã ameaçasse sair.

-O quarto que ficaria desocupado até semana que vem, acaba de ser reservado. –respondeu Kate, quando percebeu que sua chefe não pronunciaria nenhuma palavra.

Arregalei os olhos. Será que eu teria que ficar no mesmo quarto e mesma cama que Taylor por dois longos dias?

_x_

Abri a porta de meu quarto levemente. Já era tarde da noite e Taylor já deveria estar dormindo, eu não queria acordá-lo.

Meus olhos ainda estavam inundados com as imagens que havia visto. O bom de estar num SPA, é que ele geralmente é isolado da cidade, o que significava mais natureza, nenhuma interferência luminosa e isso permitia uma melhor visão do céu estrelado a noite.

Entrei, fechei a porta do quarto, respirei fundo e me encostei a mesma, ainda maravilhada com as constelações que havia visto.

Estava tão perdida em meus pensamentos, que quase não vi Taylor saindo do banheiro, apenas com uma toalha enrolada no quadril.

Ofeguei com a visão das gotículas de água descendo de seu abdome, escorrendo por seu tronco e se perdendo naquela pequena toalha branca.

-Eu não sabia que você estava acordado. –falei num só fôlego, enquanto colocava a mão sobre o coração, na tentativa de acalmar os batimentos cardíacos.

Taylor riu molemente e andou em direção ao pequeno armário contido no canto do quarto.

-Estava com minha família. Meu pai acabou de voltar de uma viagem e minha irmã veio passar o final de semana aqui. –ele disse com a voz extremamente sonolenta.

Ele virou de costas para mim, fazendo com que meus olhos se focassem naquelas redondas, firmes e gostosas nádegas. Minhas mãos coçaram de vontade de bater e apertar naqueles interessantes músculos de Taylor.

-O que foi? –ele perguntou, se virando para mim novamente.

Balancei a cabeça levemente antes de responder.

-Só pensando em quem deveria dormir na cama auxiliar. –menti, apontando para a pequena cama auxiliar instalada ali a meu pedido. Eu me recusava a dormir na mesma cama que Taylor, pois dormir no mesmo quarto já seria suficientemente ruim.

Andei lentamente até o divã no meio do quarto e me joguei nele com tudo, mas sem nunca desviar os olhos de Taylor, que havia erguido o braço e estava coçando a nuca de forma sexy.

-Eu posso dormir nela, se você quiser. –disse ele, mas aí eu analisei sua altura e o tamanho da cama.

Balancei a cabeça negativamente.

-Eu durmo. –afirmei.

Ele assentiu e se virou para o armário novamente, tirando a toalha logo em seguida.

Gritei, enterrando a cabeça nas mãos.

-Nada que você não tenha visto. –Taylor disse em tom de escarnio.

Fiquei indignada com suas palavras. Só porque eu havia visto tudo aquilo uma vez, não significava que eu queria ver novamente.

-Isso não quer dizer nada. –retruquei, com a voz abafada pelas mãos e pelos cabelos, que caíram em cima de meu rosto.

Segundos depois, ouvi o barulho do armário sendo fechado.

-Pode olhar agora. –a voz de Taylor chegou suavemente a meus ouvidos, mas um suave tão suave, que desconfiei. Porém, minha curiosidade foi mais forte, então olhei mesmo assim.

Fiquei estática. Taylor estava completamente nu, na minha frente. Algumas gotículas de água ainda escorriam por seu corpo, dando ainda mais beleza para aquele Adônis* à minha frente.

Encarei Taylor de cima a baixo. Meus olhos pararam de passear por seu corpo apenas quando encontraram... aquilo. Ofeguei, ao mesmo tempo em que perguntei como aquilo havia entrado em mim.

Quando percebi o que estava pensando, corei instantaneamente, arrancando uma gargalhada de Taylor.

-Vai ter troco. –sibilei, pegando minha nécessaire, que milagrosamente eu havia deixado em cima da cama e correndo para o banheiro antes que algo mais acontecesse.

Escovei meus dentes, tomei um bom banho e me preparei para dormir o mais lentamente possível, quem sabe assim Taylor não tomava vergonha na cara e se vestia antes de eu voltar para o quarto.

Quando voltei para o quarto, Taylor dormia profundamente na cama de casal, ainda nu.

Balancei a cabeça negativamente, antes de pegar o lençol que ele havia deixado de lado, para cobri-lo.

-Boa noite, Taylor. –sussurrei, indo trocar de roupa, para seguir seu exemplo e mergulhar no mundo dos sonhos.

(Continua...)

*Adônis: Adônis, nas mitologias fenícia e grega, era um jovem de grande beleza que nasceu das relações incestuosas que o rei Cíniras de Chipre manteve com a sua filha Mirra.
Adônis passou a despertar o amor de Perséfone e Afrodite. Mais tarde as duas deusas passaram a disputar a companhia do menino, e tiveram que submeter-se à sentença de Zeus. Este estipulou que ele passaria um terço do ano com cada uma delas, mas Adônis, que preferia Afrodite, permanecia com ela também o terço restante. Nasce desse mito a ideia do ciclo anual da vegetação, com a semente que permanece sob a terra por quatro meses.

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