08 fevereiro 2014

Fanfiction: A musa - Capítulo 6



POV Diana

_ Tudo o que você tem que fazer é se adaptar ao que o ator propor. Nós estaremos avaliando como eles irão te responder também. Como casal principal vocês tem que ter aquela sintonia. – Chris explicava aquilo para Nádila, já confirmada e devidamente contratada para o papel de Perpétua.
_ Entendi… Então eles receberam o roteiro seco da cena e vão ter que decidir tudo sobre a interpretação e me dirigir também? – Ela perguntou, atenta.
_ Sim... o roteiro que eles receberam tem, praticamente, só falas. As únicas coisas que eles não terão como interferir são os planos de filmagens... as câmeras já estarão posicionadas e eles terão que decidir a melhor forma de se movimentar. – Eu expliquei a ela.
_ Certo… Realmente, isto aqui é pra profissional.



            Nádila sorriu, meigamente. Ela era muito eficiente, não tinha muita experiência com câmeras, já que atuava mais em teatro, mas aprendia rápido. Era muito inteligente, mas tímida, quando não estava atuando, falava sempre muito baixo, corava facilmente e sempre se recolhia logo após terminar o que tinha que fazer.
_ Não, não é pra amadores. Nós somos as exceções. – Eu disse, uma vez que em cinema ela podia ser considerada amadora e eu também. Ela corou e sorriu novamente.
_ Certo, serão dois atores por dia e sobra um que ficará para o terceiro dia, pela manhã. – Emma começou a tagarelar. - Daremos o resultado no terceiro dia no fim da tarde. Vamos começar amanhã de manhã… Estas coisas tem que ser rápidas, já demoramos demais pra escolher o casal principal. Tudo bem pra você? – Emma olhou para Nadila esperando resposta, com a caneta que segurava no ar, pronta pra escrever mais qualquer coisa em sua prancheta.
            Nadila só deu um aceno de cabeça, confirmando. Emma sorriu e voltou a rabiscar sua prancheta.
_ Perfeito… con-fir-maaado tessstes… – Ela falava pausadamente enquanto escrevia. – Aaaaama-nhã!
            Terminado de acertar os últimos detalhes, começamos a nos despedir. Eu ia pro hotel trabalhar em coisas do filme, mas só depois de tomar um bom banho e consumir muita caloria, qualquer coisa bem doce. Precisava relaxar!
Mas antes que eu pudesse sair, uma mocinha - devia ser auxiliar de filmagem - me chamou.
_ Sra. Moreno, tem uma pessoa querendo falar com você. Disse que é importante. Ela tá lá na sala do fundo.
_ Falar comigo? Quem seria? – Perguntei curiosa.
_ Bem… uma tal de Sra. Hortz. Disse que é assunto de seu interesse.
Eu não reconheci o nome, mas pra esta mulher ter conseguido entrar ali, é porque devia ter alguma influência.
_ Tudo bem. Avise que estou indo.
            Logo a garota desapareceu das minhas vistas. Eu terminei de juntar as minhas coisas e caminhei em direção a sala em que a tal mulher me esperava. Me deparei com uma mulher muito bonita, vestida de forma despretensiosa, mas ainda assim com certa classe.
_ Olá! – Eu disse, incerta. A mulher se levantou da poltrona em que me aguardava e sorriu.
_ Diana Moreno! É um prazer conhece-la. – Ela disse, apertando a minha mão seguramente. – Julia Hortz, empresária.
            Eu franzi o cenho e retribuí o aperto de mão.
_ O prazer é meu. Posso saber o motivo da visita? – Perguntei sorrindo, com a voz mais agradável que consegui, para diminuir o impacto da minha objetividade.
_ Claro. Estou aqui para esclarecer alguns maus entendidos.
            Eu indiquei o sofá pra que ela se sentasse novamente e sentei na outra poltrona.
_ A respeito do que, especificamente?
            Ela sorriu.
_ Do meu cliente.
_ Talvez… ficaria mais fácil saber se me dissesse quem é. – Eu retribuí o sorriso.
_ Taylor Lautner.
            Meu sorriso morreu, me levantei imediatamente.
_ Creio que não há nada pra ser esclarecido. Também não é muito profissional a senhora vir me procurar as vésperas da audição do seu cliente, em que eu o avaliarei. Se algum dos outros candidatos souberem, não será bom pra nenhum de nós… Por favor queira se retirar e…
_ Acalme-se senhora Moreno. Eu sei muito bem o que faço, pois acredito estar neste meio a mais tempo do que você. E acredite, o zelo pelo profissionalismo é exatamente o que me trouxe até aqui. – Ela disse, ainda segura e inabalável, sentada ereta em sua poltrona.
            Eu continuei de pé. Ela elevou as sobrancelhas e voltou a sorrir, me apontando a poltrona que eu havia acabado de me levantar.
_ Como eu disse, vim aqui para esclarecer alguns maus entendidos. Eu sei que não me conhece, mas não admito que questione minha ética profissional, não tenho intenção de induzir a contratação do meu cliente por qualquer meio politicamente incorreto. – Ela novamente argumentava segura de si. Talvez seja a sua postura inabalável que me fez olhá-la com outros olhos.
            Me sentei novamente.
_ Pois bem, estou ouvindo. O que seu cliente lhe mandou dizer?
_ Não estou aqui a pedido do meu cliente. Ele nem sequer sabe que estou aqui e acredito que não aprovaria minha atitude, embora eu tenha certeza que não estou errada.
            Eu não respondi nada, continuei a encara-la, sem demonstrar se acreditava ou não nela, muito embora algo me dissesse que ela era confiável.
_ Vim para tranquiliza-la. Sei que não tem bases para confiar em mim, ou sequer me dar alguma credibilidade. Mas a verdade é que eu sou movida a um senso de justiça muito forte, e ficaria insatisfeita comigo mesma se permitisse que algo injusto acontecesse. Além de empresária, também sou amiga de Taylor, amiga o suficiente para que ele me contasse sobre o ultimo encontro e conversa que vocês tiveram e compartilhar comigo impressões que ele pensa que você teve dele.
Ela deu uma pausa, esperando que eu me manifestasse de alguma maneira. Não fiz nada, assim ela prosseguiu.
_ No entanto, eu lhe garanto que Taylor só soube que estava sendo cotado para o seu filme depois, especificamente um dia depois, que vocês se encontraram. Não havia nas atitudes dele nada de terceiras intenções. Eu lhe digo isto somente para evitar que você julgue o caráter dele baseada em apenas um episódio.
_ Se o seu cliente percebeu que me causou certa impressão, certamente é porque ele julgou que suas atitudes puderam levar a isto. Estou certa? – Disse.
_ Claro que está. O que eu posso garantir é que ele não agiu como agiu por saber o que você poderia representar para a carreira dele.  – Ela sorriu – Sra. Moreno, não sei se tem consciência disto, mas você é uma mulher bonita e atraente. Pode despertar interesse de qualquer um. Estou certa?
_ Se você diz… - Fui evasiva.
_ Não estou aqui para fazer papel de mãe e defender o meu “menino”, falar que ele foi bem criado e estas coisas. – Ela assumiu uma seriedade outra vez. – Mas estou aqui para garantir-lhe que o meu cliente é ético e profissional, e ele não irá lhe tratar sem o devido respeito em um ambiente de trabalho. Ele tem boa conduta. – Ela foi enfática ao afirmar isto. - Da mesma forma, o que eu gostaria de receber em troca é a sua garantia que julgará o trabalho, e somente o trabalho, do Taylor independente de qualquer imagem distorcida que tenha tido dele em ambientes externos.  Como uma mulher inteligente que é, deve ter consciência que não seria profissional de sua parte prejudicar um ator baseada em algo tão insustentável e fugaz.
            Aquela ultima frase dela me pareceu uma alfineta e tanto. Não gostei, na verdade. Porém segurei bem a postura e expressão diante da afronta.
_ Sim, claro. – Respondi, simplesmente.
_ Se ele não for adequado para o papel, o dispense, não hesite. Não estou aqui para pedir que não faça isto.
_ Se ele não for adequado para o papel, você pode ter certeza que qualquer pedido seu não iria influenciar na minha decisão de dispensá-lo. – E aquela frase foi o meu momento de devolver a alfinetada de antes. Mas ela sorriu pra mim, parecendo não se incomodar com minha resposta seca. – Mas é justo. – Continuei. - Pode se tranquilizar também, pois a mim só interessa a capacidade do Sr. Lautner em atuar bem ou não. Nada além disto. Irei esquecer absolutamente tudo o que aconteceu fora daqui e é aconselhável que ele também faça o mesmo.
_ É certo que sim. Posso garantir a boa conduta dele, mas você certamente pode falar com todas as outras pessoas que trabalharam com ele até aqui pra confirmar as minhas palavras.
            Ela colocou um papel em cima da mesa de centro. Em uma passada de olhos pude ver nomes e telefones. Alguns dos nomes eu conhecia.
_ Estão todos listados aqui. – Ela disse.
Eu voltei meus olhos para os dela e a encarei sem cerimônia alguma por um tempo, avaliando. A mulher não desviou o olhar um segundo sequer. Havia certeza e transparência naquele olhar.
_ Não é necessário. Vou confiar em você. Pode levar a lista. – Sentenciei.
            Ela apenas sorriu e se levantou. Acompanhei-a no ato.
_ Eu lhe agradeço por isto. – Ela disse.
_ Realmente, não é necessário.
_ Eu insisto. Obrigada – Eu apenas sorri levemente. A tensão entre nós diminuiu um pouco com aquilo. – Devo ir agora… mas se não for pedir demais, eu gostaria que esta conversa ficasse só entre nós. Eu realmente não gostaria que Taylor ficasse sabendo disto.
_ Tudo bem. Ficará só entre nós. – Garanti. Ela me ofereceu a mão e eu imediatamente aceitei, dando um aperto cordial.
_ Novamente obrigada. Até um dia.
_ Até.
            Então ela foi embora e eu, alguns segundos depois, despenquei na poltrona, absorta em pensamentos. Talvez eu tivesse sido absurda em julgar o tal Lautner daquela forma… mas aquele homem me causava certo incomodo. Não me sentia segura a respeito dele. O motivo disto? Eu não fazia ideia!
            De uma forma nada correta ou coerente, eu torcia para que ele fosse péssimo no teste!
            Chegando no apart, eu me entupi de sorvete de chocolate. E acabei por não conseguir fazer nada do que eu devia ter feito. Acabei desistindo e dormindo no sofá, acordando no outro dia, em cima da hora pra ir ao estúdio.
EU ODIAVA ATRASOS! Não admitia isto de ninguém que trabalhava comigo e se eu me atrasasse, como ia cobrar isto dos outros??
            O resultado? A partir do momento que olhei pro relógio, virei o cão! Fiquei nervosa e com ódio de mim mesma. Como fui dormir tanto?
            Me arrumei as pressas, engoli um café e fui ventando para o estudo. Quando cheguei lá todos estavam preparados para o primeiro teste, só faltava eu.
_ Nossa, saiu de dentro de um furacão mulher? – Johan, o maquiador designado para Nádila, disse sorrindo quando eu me sentei toda descabelada na cadeira que tinha o meu nome, atrás das câmeras.
Ele tentou arrumar um pouco meus cabelos, mas eu desviei. Abanei as mãos o mandando para longe.
_ Cuide de deixar Nádila impecável, Johan! – Eu disse, completamente sem paciência... na verdade eu nunca tinha muita paciência. – E me deixe!
            Johan se virou para Nádila e deve ter feito uma careta, pois ela riu.
_ Bom dia pra você também, Diana. – Chris me cumprimentou, com um sorriso no rosto. Ele já havia se acostumado com minhas inconstâncias. Eu apenas acenei com a cabeça, nem chegando a sorrir e me voltei para a minha agenda. – Já está tudo pronto. O candidato já está lá fora. Como combinamos eles vão fazer o teste com o cenário e a caracterização dos personagens.
_ Certo... ele já está quase pronto, não é? – Perguntei. Chris confirmou com um breve aceno. Me virei para Nádila, que já estava de pé, pronta.  – Logo depois nós lhe daremos um tempo com ele para acertar os detalhes da cena, combinado Nádila? – Ela também me respondeu com um breve aceno. – Certo. Então comecemos!
            O primeiro teste aconteceu. O ator era bom, cumpriu a tabela, mas não surpreendeu. Ele fez exatamente o que esperávamos que ele fizesse dado o currículo que ele tinha. Muito seguro, até interagiu bem com Nádila, a máscara de arrogância do personagem muito bem montada. E só.
            Fiz algumas anotações e resolvi não comentar nada até que o ultimo candidato terminasse. Assim, fiquei completamente circunspecta durante os testes. Vez ou outra Chris me encarava com sobrancelhas enrugadas, me perguntava alguma coisa logo que o ator saía de cena, mas eu era evasiva.
            A verdade é que, até o quarto teste eu não me senti empolgada com os resultados. Isto porque nós entrevistávamos Nádila para saber como os atores se saíram na preparação da cena, quais orientações eles deram a ela.
            O único ator que me empolgou mais foi um descendente espanhol, Juan Salez. De todos, ele era o que tinha menos experiência, e talvez por isto seja aquele que realmente se preocupou em dar vida ao personagem e não meramente interpretá-lo. Claro, ele perdeu pontos na técnica e às vezes se perdeu na interação com Nádila.
            Conversando com ela, descobrimos que ele pediu para que ela fizesse coisas e depois esqueceu, cabendo a ela improvisar para se integrar ao que ele fazia. Bom, isto era, com certeza, resultado da inexperiência, o fato é que teríamos um bom trabalho se ficássemos com ele.
          Tudo se manteve no absoluto controle até chegar o momento em que Taylor Lautner entraria em cena. Eu não sabia explicar, mas uma estranha expectativa tomou conta de mim enquanto permanecia sentada em uma cadeira atrás das câmeras, na manhã do terceiro dia de testes, esperando ele e Nádila começarem.
          Joguei este sentimento pra debaixo do “tapete”, no entanto. Fechei os olhos, respirei fundo e vesti uma mascara apática de seriedade, que mantive durante aqueles dois dias anteriores com os outros candidatos.
_ Muito bem, acabou o tempo de preparação, peça para que eles comecem. – Chris falou com alguém.
          Pois bem, era só um candidato a mais....
          Era o que eu me esforçava para pensar.
******************
POV Taylor
Eu não dormi naquela noite, então não posso dizer que acordei. Me sentia pressionado para  aquele teste. Mais tenso do que eu jamais estive em minha vida profissional. Talvez porque o papel fosse grande e fugisse do estilo de personagens que havia feito até então... ou talvez... bem, eu não queria pensar sobre aquilo.
Quando me encarei no espelho, encontrei as olheiras suaves, claro, e um rosto sério e cansado demais. Não pude fazer muita coisa para melhorar, além de tomar um banho, comer uma maça e voltar a ler o script enquanto esperava Julia me buscar.
Mas o fato era que, mesmo depois da Julie chegar, de eu entrar no carro dela, eu não desgrudei do script, nem parei de rabiscá-lo fazendo anotações de última hora. Isto até que os papéis desapareceram da minha mão em um puxão.
_ Hey! – Reclamei, olhando de cara feia para Julia, que tinha se apossado dos meus preciosos papéis.
_ Pare com isto, homem! Tá me irritando! Você já fez tudo o que tinha que fazer. Agora relaxa e segue em frente. – Ela bufou. – Confie no seu taco!
_ Mas eu preciso olhar a parte em que… - tentei argumentar, mas Julia me olhou por cima dos óculos repreensiva.
_ Não. Você nãooo precisa! – Julia disse. Eu afundei no banco irritado. – Vamos, feche os olhos, inspire e expire. Simplesmente, deixe a coisa rolar. Por Deus, nunca te vi tão nervoso!
             Tentei fazer o que ela disse. O carro parou no farol e eu não sabia se queria que ela acelerasse logo ou que o farol ficasse um tempo bem maior no vermelho.
_ E se eu esquecer as falas? – Perguntei depois de um tempo, não suportando o silêncio do carro.
            Julia voltou a bufar e me olhou como quem olha para uma criança teimosa.
_ Taylor. Pense bem. Você não é mais um garoto, este não é seu primeiro trabalho e muito menos sua primeira audição. Você não precisa pegar este papel, se não der, não deu. Portanto vai lá e faça apenas o que você puder fazer. Okay? Que tal se lembrar de toda a sua experiência até aqui? Hum? – Ela piscou. – Re-la-xa!
            Eu ainda queria dizer que estava nervoso porque eu teria que contracenar e orientar com uma atriz que eu não conhecia, vestir um figurino que eu não tinha ideia de como ia ficar, me movimentar em um ambiente estranho. E eu só teria uma hora pra falar com a tal Nádila e combinar os detalhes e também me vestir! Era um absurdo!
            Quando eu dei por mim, estávamos em frente ao estúdio.
_ Vem Taylor! – Julie chamou, já fora do carro.
Eu respirei fundo duas ou três vezes e saí.
            Era tudo ou nada.



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