15 fevereiro 2014

Fanfiction: A musa - Capítulo 7



POV Taylor

Há muito tempo eu não me sentia tão inseguro. Isto era fato. Mas eu não podia transmitir isto. Não para a atriz que iria contracenar comigo e que, de certa forma, eu tinha que direcionar.
            A sorte era que, ao contrário de mim, ela parecia tranquila, como se estivesse em casa.
_ Você entendeu bem? Eu gostaria de dar uma dramaticidade a cena, mas não algo que ficasse muito forçado. Eu também acho que… Axel tem que ser agressivo com você nesta primeira parte. Certo? – Eu disse a ela, que sorriu e acenou com a cabeça. – Okay.
            Eu voltei a olhar para o papel e depois para o estúdio onde estávamos, aquele não era o que faríamos o teste. Eu tive oportunidade de analisar o espaço que eu faria a audição quando cheguei, mas foram só por alguns minutos.


Por um tempo fiquei encarando tudo perdido até que senti uma mão delicada pousar em meu ombro.  Me virei lentamente para Nádila Krow, me deparando com seu sorriso um tanto meigo demais para quem iria interpretar uma guerreira rebelde. Ela era bonita, um tipo de beleza suave e delicada, traços harmoniosos e uma pele tão branca... Os cabelos ruivos cheios e volumosos da personagem contrastavam de forma quase brusca com aquele olhar singelo.
_ Você parece nervoso. – Ela me disse, cuidadosa.
Fechei os olhos e inalei profundamente.
_ Deu pra notar, não é? – Perguntei, dando um riso sem graça.
A mão dela desceu até que encontrasse a minha, dando um leve aperto.
_ Vai dar tudo certo. Sua ideia está boa e você já é deste meio há bastante tempo. Não é nada de outro mundo. – Ela disse, tentando me acalmar. Inocentemente ela afagava minha mão, havia um leve franzido em sua testa enquanto ela me avaliava, parecendo preocupada. – É só fazer o que você sempre fez.
            Ela soltou minha mão e se afastou. Eu penteei meus cabelos com os dedos.
_ Não. – Eu sussurrei. – Não se trata de fazer o que eu sempre fiz. E é isto que está me deixando… nervoso.
_Olha… Taylor… - Ela disse meu nome de forma comedida, como se dali há alguns minutos nós não tivéssemos que estar completamente entrosados em cena. – Se é você quem está nervoso, se é você quem está com medo, apenas… - Ela não concluiu a frase, apertou os lábios como se estivesse arrependida.
_ Apenas… - A incentivei continuar.
_ Eu não devia te dar dicas… mas, por incrível que pareça, você é o mais nervoso de todos os outros. – Ela disse assim que, pela décima vez, eu sequei minhas mãos suadas na roupa. – Olha, eu só vou dizer o que eu acho... o que eu faço pra me livrar do nervosismo, não é como se eu te desse nenhuma dica sobre o personagem... certo? 
            Ela piscou, um tanto cúmplice. Eu sorri, conivente.
_ Taylor, apenas deixe de ser você. A partir de agora, seja Axel, o Soberano.
            Eu a encarei por um momento. É, devia ser assim... talvez aquilo funcionasse... mas de repente eu não sabia mais como era ser Axel!
            Céus, eu estava perdido! Olhei pra saída considerando seriamente sair correndo dali.
_ Achas que é tão superior quanto o Grande Sétimo Sol? Não és! Você é apenas sombra pálida de Duncan! – Atrás de mim, a voz furiosa de Nádila me deu um susto, me arrancando dos meus pensamentos covardes ao recitar uma das falas.        
            Quando voltei a encará-la, ela não era mais Nádila. Ela era Perpétua: a prisioneira kalena, a rebelde que estava prestes a morrer, se não convencesse Axel a ir para o seu lado.
            E foi incrível a metamorfose daquela mulher... até a pele, antes tão alva, estava corada, quase rubra, ela forçava as veias da garganta e me olhava com fúria e… esperança? Sim, esperança… Porque só ela sabia que o demoníaco filho de Duncan era a salvação de seu povo.
_ Tempo esgotado, se preparem para começar! – A porta se abriu e alguém entrou anunciando o início de tudo. Eu engoli em seco e larguei o script. 
            Olhei pra porta que o cara que nos alertou para o início da audição deixou aberta. Parecia a boca de um leão, prestes a me devorar.
            Apertei os olhos e conversei comigo mesmo: “Chega de covardia, você não é assim! Vamos lá!”
            E antes que eu pudesse pensar muito, eu estava andando para dentro.
“Não seja Taylor, seja Axel. Não seja Taylor, seja Axel…”  Este era o meu mantra. Eu entrei e nem olhei pros lados. Não me apresentei pra banca, não conferi se estava realmente na posição certa para ser filmado pela câmera principal… Eu só entrei.
            E eu ainda não me sentia Axel… eu me sentia Taylor. Meus olhos arderam e não era só nervoso, era raiva, raiva de mim mesmo. O Taylor rato, o Taylor covarde – que eu não conhecia até aquele momento – que dizia pra eu sair correndo dali antes que sujasse meu nome perante quem quer que fosse. Mas eu não ia fazer aquilo.
            Eu ia tentar. Mas o ódio de mim estava me atrapalhando. Me cegando. Fechei minhas mãos em punho, travei os dentes, meu olhar fixo para o foco de luz da câmera fazia meus olhos arderem mais, ao ponto de quase lacrimejar.
“Seja Axel…”  
_ Tragam a líder kalena. – Eu cuspi a primeira fala. Minha voz saiu quase gutural.
            Não tinha mais volta, eu ia fazer a maldita – ou bendita - cena. Parei de pensar… todos os planos milimetricamente calculados para cada atitude minha naquele momento deixou de existir. Eu não lembrava deles… eu simplesmente agia… minha cabeça perdida em algum lugar que eu não sabia definir.
Ouvi a pancada na porta, Nádila entrava, fingindo lutar contra soldados invisíveis. Escutei seus balbucios, ela já devia ter colocado a mordaça que sugeri que ela colocasse. Meus pés se moveram então, eu contornei uma coluna para chegar até Perpétua, ocultando propositalmente minha imagem da câmera por um tempo. Ao fazer isto eu me coloquei de frente para uma outra câmera, enquanto Nádila ficou de frente – ajoelhada – para a câmera central.
Me curvei lentamente e suguei o ar, como se cheirasse o corpo de Perpétua... mas na verdade Axel fazia aquilo só porque queria sentir o quanto de magia restava na perigosa prisioneira a sua frente. Na sinopse geral falava algo sobre isto.
Tentei me concentrar nas possíveis reações do personagem: muita magia… havia muita magia nela quando não era pra haver nada. Eu sorri… sim, eu me lembrava de como eu havia imaginado a cena. Mas não era pra eu sorrir... era?
Mordi a língua antes que eu praguejasse alto. E o ódio de mim mesmo voltou.
Talvez tenha sido rápido demais o meu movimento seguinte, porque senti que Nádila levou um susto quando eu me curvei e segurei os seus cabelos pela nuca, a puxando pra cima.
Não foi difícil puxá-la até mim, ela deu um impulso para me ajudar, mas ainda assim chiou de dor, um chiado muito parecido com o de uma gata. Logo que estávamos quase cara a cara ela voltou a amolecer as pernas, cambaleando, eu a sacudi pelos cabelos e ela voltou a chiar, talvez de verdade… Talvez tivesse doído mesmo, eu não tinha controle da minha força naquele momento.
_ Onde roubou esta magia? Como entrou nas criptas? – Perguntei perto de seus ouvidos, minha voz ainda um chiado gutural. Eu forçava para que assim fosse.
            Nádila me encarou… e só. Não fez nada além disso. Nada além de me encarar. O olhar dela me incomodou, parecia me alertar pra algo… eu estava esquecendo de algo?
            Quase deixei minha ansiedade desmontar a ‘mascara’ do personagem… e foi neste momento que eu me lembrei… Eu não era Axel.
            Eu não ia conseguir. Eu apertei os olhos, não sabia o que estava acontecendo comigo. Sobre minhas pálpebras cerradas, apenas em breves segundos, eu vi Diana Moreno interrompendo a cena e me chamando de estúpido.
            Eu abri os olhos. Nádila continuava a me encarar… profunda demais, parecia carregar um poço de piedade no olhar e era o que eu veria nos olhos de todos depois que saísse destruído daquele teste.
            Soltei os cabelos de Nádila, ela se jogou no chão como se eu tivesse a jogado. Ela ainda insistia na cena. Eu olhei pra ela com raiva e ela me devolveu o olhar de ódio. Ela ainda continuava amordaçada e caída aos meus pés.
            Mas ela era a profissional excelente ali, não devia estar naquela posição, ainda insistindo que eu tomasse uma atitude… Eu me abaixei, as mãos trêmulas, e arranquei a mordaça dela com força demais. Ela exalou fortemente e cuspiu em mim. Sem a menor cerimônia ela fez aquilo… Cuspiu em mim!
            Eu não havia combinado aquilo com ela… eu havia combinado que ela me desse um tapa, um soco ou qualquer coisa assim.
_ Abutre… estúpido.  – Ela me xingou, enquanto eu limpava, completamente descrente, a saliva dela do meu rosto.  
            Por que ela não parou? Ela não viu em meus olhos que eu estava desistindo?
Não. Ela continuava recitando com maestria as benditas falas. 
_ És tão estúpido…
_ O que fez? …  - Eu perguntei realmente abismado. Mas aquilo não fazia parte do script… não aquela fala. – Como ousa?  - Sim… isto estava no script.
            Nádila não disse nada… apenas sorriu. Um sorriso enviesado e sacana. Como se ela tivesse ganhando algo me deixando daquele jeito. E eu não a entendia… ela me provocava, me impactava e confundia exatamente… exatamente como Perpétua faria com Axel, desde o primeiro instante que se vissem!
            Eu, diante da Perpétua de Nádila, realmente me sentia como Axel se sentiria. Por isto, talvez, eu tenha visto uma vitória a mais no sorriso que Nádila tinha no rosto.
            Sim, ela havia percebido minha desistência, e sim, ela não havia desistido. E sem dizer uma palavra, ela havia acabado de me convencer que eu podia me sentir Axel.
_ Ouso como tu ousa ao invadir todas as nossas terras e escravizar meu povo… e roubar a nossa magia! – Ela continuou, afrontando Axel abertamente.
_ Quer morrer por minhas próprias mãos kelena? – Eu respondi, rindo, realmente me divertindo com toda aquela rebeldia. – Quer que eu lhe dê o maior sofrimento já visto…?? – Enquanto eu falava, eu fingia lhe chutar o estomago, até que ela se encolhesse tossindo. E Axel batia nela, porque no lugar onde estavam as magias eram bloqueadas. Tanto a dele quanto a dela. - Por isto me afronta abertamente? Quer mais dor? É por isto que afronta o filho do Soberano Duncan?
_ Duncan… - Nádila grasnou em meio a tosses convincentes. -…aquele velho demônio não é um Soberano!  Nunca foi e NEM SERÁ! – Ela gritou, como se sentisse dor ao fazer aquilo.
            Eu ri, gargalhei e despejei todo o meu nervosismo naquelas gargalhadas.
_ Mas vejam só! É uma jovem kalena louca! Só assim para defender um bando de miseráveis!
            Ela riu comigo, parecendo um tanto cansada.
 _ Acha que é tão superior quanto o Grande Sétimo Sol? Não é! Você é apenas sombra pálida de Duncan! – Ela voltou a dizer aquela frase que me desestabilizou lá fora. E ali, naquele momento, a frase teve o mesmo efeito. E então ela voltou a me olhar, aquele olhar de raiva e esperança… e eu podia ler aquilo claramente nos olhos dela.
            Eu fechei a expressão, senti a minha pulsação acelerar, estava chegando ao ápice da cena. Me permitindo caminhar lentamente pra perto dela, eu me ajoelhei. Senti minha garganta seca.
_ Não existe poder do Sétimo Sol, kalena estúpida. Aquela estrela há muito deixou de brilhar... É uma estrela morta.
            Minha voz saiu mais baixa do que eu pretendia.
_ Se você crê que é uma estrela morta, é porque Duncan te enganou. – Ela disse aquilo convencida, a respiração ainda alta, como se estivesse se esforçando muito para falar. Diante da frase eu voltei a gargalhar, de um jeito que me pareceu histérico demais. - Você sabe… - Nádila voltou a falar, ainda sussurrando. - Você sabe da profecia… o Sétimo Sol vai voltar. Nós vamos trazê-lo de volta! – Ela deslocou o seu corpo de forma suave, se arrastando pra perto de mim um pouco mais. – Nós vamos trazê-lo de volta!  - Repetiu.
            Nádila disse aquilo ainda sussurrando, seu rosto muito perto do meu. Realmente parecia uma serpente hipnotizando a presa. Ela voltou a me olhar, mas desta vez havia a sombra de um sorriso em seu rosto. 
_Nós… - Ela disse, uma vez mais. Eu fechei os olhos.
            “Ser Axel…” Entoei internamente meu mantra. Abri meus olhos: eu era Axel.
E eu estava tão perto dela… de Perpétua. Nádila a fazia muito bem… até onde eu sabia, Perpétua teria uma presença forte, como um campo magnético em volta de si… que puxava pra perto…
            Eu mantive meu olhar fixo nos olhos de Perpétua, no meu rosto um sorriso que era pra ser malvado, vacilava. Levantei minha mão direita em direção ao seu rosto. Engoli em seco, imaginando sentir ansiedade e prazer para fazer aquilo: tocá-la. Mas tudo ficou suave demais, não era pra ser assim. Ainda nervoso eu apertei os olhos e soltei um grunhido e a minha mão, que estava prestes a afagar o rosto de Nádila, a puxou pelos cabelos, curvando a cabeça dela para trás em um puxão.
            O olhar de fúria de Nádila se fez novamente, mais evidente desta vez, tanto que eu me mantive firme pra não esboçar nenhuma reação e recuar.
_ Jamais ouse repetir isto! – Murmurei com raiva em seu ouvido.
_ É a verdade! – Perpétua insistiu, seu olhar, apesar da cabeça curvada pra trás, ainda não deixava o meu. – Você sabe que a profecia é verdadeira… você sabe!
            Soltei seus cabelos e a agarrei pelos ombros.
_ Não existe profecia! É uma mentira… uma mentira! Você será punida por espalhar esta mentira, por se levantar contra aos que deve beijar os pés! – Na verdade, eu queria gritar, mas ainda havia algo que travava minha garganta.
_ É verdade!
_ Não! - Eu a soltei, me levantei, e me preparei para apanhar a lança que havia no cenário. Matar! Axel só queria matar aquele que chegasse perto da vergonhosa verdade!
­­            Eu me virei contra ela, com a lança falsa em punho, levantei ao ar enquanto Nádila recuava. Mas meus braços tremiam. 
_ Não pode me matar! -  Nádila gritou, assustada.

Eu investi para frente… queria que tudo terminasse logo, aquilo estava me agoniando.
_ EU SEI DA MARCA! – Ela gritou, quando eu já estava muito perto.
            Eu deixei a suposta lança cair. Não sabia como agir diante daquilo… talvez porque eu tivesse permitido que o grito de Nádila me atingisse demais. Eu sabia que eu não poderia parecer fraco, eu não deveria ser fraco. Eu era Axel!
            Mas ainda assim, minha voz escapou em um chiado.
_ O que… diz?
            Sem tirar os olhos de mim, Nádila fingiu rasgar ainda mais o vestido puído que vestia, mostrando a parte superior das coxas. Meus olhos se voltaram para o local, e eu me permiti encarar, olhando a coxa direita de Nádila como se ali realmente estivesse o sinal da minha destruição. Olhei para a perna dela como se ali estivesse gravado o grande “não” que eu levaria naquela audição, olhei para aquele pedaço de pele, como se ali estivesse tatuado o sinal da minha derrocada.
            Eu ainda tentei levar as minhas mãos para perto de Nádila, ela dizia algo, mas eu não prestava a atenção, absorto demais em meu nervosismo e com a vontade de ainda assim continuar, ainda assim seguir com os meus planos.
_ … a profecia existe… eu sou a prova dela! – Pedaços da frase de Nádila entraram no topor que era meu ouvido. Eu a olhei, com dúvida sobre o que deveria fazer, minhas mãos ainda estendidas no ar em direção a sua perna, onde estaria a marca em que ela e Axel compartilhavam.
            Nádila, ou Perpétua – eu já estava em um ponto que confundia as duas – rastejou em minha direção, prendendo os olhos nos meus. Naquele momento não havia mais raiva, somente um brilho claro que poderíamos ler como esperança.
_ Você só precisa aceitar. – Ela murmurou, suave, sutil. Axel deveria sentir notável atração pela mulher que estava entrelaçada a ele pelo destino, uma mulher que, fatalmente, fazia parte dele… uma parte que ele não conhecia. Talvez fosse esta atração que estragou meus planos e me fez seguir para mais perto daquela Perpétua, hipnotizado com seu olhar e…
_ Aceite e eu te tiro das trevas!
            Ela bradou… eu me lembrava que a próxima frase que Axel diria era um corte abrupto. Havia um percurso enorme entre as duas falas, mas não havia nenhuma dica no script da cena. Eu não sabia que reação Axel deveria ter para dizer o que diria a seguir… em casa eu pensei em várias: descrença, ódio, ironia… mas, naquele momento, talvez influenciado por meus próprios sentimentos, nenhuma daquelas reações pareciam adequadas.
            Então, quando eu voltei a encarar Nádila, tudo o que eu deixei fluir foi o meu medo. Meu medo do futuro. Talvez eu tivesse dado vazão demais a isto, Axel ainda era poderoso, não podia sentir tanto medo das palavras de uma mulher. Tentei camuflar o medo com raiva, mas parecia que não estava certo. Virei às costas para as câmeras e despejei a ultima fala.
_ Matem-na!
            Depois sai, fui direto pela mesma porta onde tinha entrado, saindo em tal mal estado quanto quando eu tinha entrado naquele lugar.
Não olhei pra trás, não pensei em voltar para agradecer Nádila por ser tão brilhante, não voltei para olhar no rosto daqueles que me avaliavam por detrás das câmeras. 
            Não, nada disto! Às pressas eu voltei para o camarim onde estavam minhas roupas. Por graças, estava tudo vazio. Entrei, arranquei a roupa que haviam me feito vestir, coloquei a minha e voltei a sair. Não me dei ao trabalho nem de tirar a maquiagem, que já devia estar em péssimo estado devido a minha transpiração.
            Só no meio do caminho encontrei Julia, que me encarou com um olhar assustado.
_ O que você tem? – Ela me perguntou, enquanto me avaliava.
            Desviei meus olhos dos dela e apenas disse:
_ Me tire daqui!

***************
POV Diana
             Eu tamborilava os dedos no braço da cadeira enquanto esperava a ultima audição começar. Me sentia mais impaciente, isto devia ser porque eu já havia ficado tempo demais sentada naquela cadeira nos últimos três dias. Não estava mais suportando assistir a mesma cena. Esgotada eu achava que tudo estava muito ruim, e não era só das interpretações que eu falava, mas sim das falas que eu mesma escrevi.
            Tudo um saco! Ansiava para que aquilo terminasse, mas já estava sem esperança de encontrar uma interpretação impressionante. Já estava conformada com o fato de que teríamos que praticamente construir um Axel perfeito com nossas próprias mãos.
_ Quanto tempo eles ainda tem? – Perguntei para Jack.
_ Só mais cinco minutos Diana… - Eu acenei concordando e voltei a enfiar minha cabeça nas anotações que havia feito dos testes anteriores. Dos quatro atores, nós já havíamos riscado dois nomes, que realmente não tinham entendido a proposta.
            Os cinco minutos se arrastaram até que Jack finalmente se levantasse pra pedir que os atores começassem. Meus olhos permaneceram fixos nas minhas anotações, enquanto eu esperava algum movimento que me indicasse que eles estavam se posicionando.
            Escutei passos apressados… depois silêncio. Olhei pra cima e senti um certo impacto ao dar de cara com Lautner me encarando furioso. Demorei segundos pra perceber que ele não me encarava, até porque havia um foco de luz bem na minha frente, o que com certeza ocultava minha presença para ele.
            Olhei pra Chris, que tinha se inclinado para frente e olhava atento do monitor, para o ator parado a nossa frente. Tinha começado. Lautner simplesmente havia começado sem  nenhuma pergunta ou apresentação. Voltei meus olhos pra ele, desta vez apenas avaliando cada traço de sua expressão. E ele não dizia a primeira fala nunca!
            Mas havia algo ali, nos olhos dele, que me chamou a atenção… Havia raiva e medo, o que me remeteu imediatamente a cena que teríamos anterior a esta, em que Axel brigava com seu pai e tinha mais um indício que ele lhe mentia sobre a suposta profecia que lhe atormentava.
            Mas não… era impossível que Taylor soubesse da cena anterior, muito menos que reagisse da exata forma como eu esperava que Axel reagisse ao sair da briga com o pai. Olhei de novo para o seu rosto, estreitando os olhos, e percebi que aquilo era outra coisa…
            Me inclinei em direção a Chris e murmurei o mais baixo que pude.
_ Muito nervoso…
            Chris sorriu, abanou a cabeça e me respondeu no mesmo tom.
_ Pode não ser tão ruim. Espere. – Ele me alertou.
            A primeira fala veio, Taylor finalmente a despejou. E foi exatamente assim: um despejo nervoso. Me incomodei com aquilo… um nervosismo de amador, mas que ainda assim, não era capaz de fazer da coisa toda algo ruim.
            Nádila então entrou. E havia algo diferente nela. Eu imaginava que ela, mais do que qualquer um de nós, tivesse seu pior rendimento naquele ultimo teste, devido aos tantos outros que ela teve que fazer. Mas havia algo a mais, uma disposição a mais nela.
            Ele estava amordaçada e, mais do que nunca, parecia ter encarnado a personagem. Eu sorri, ela realmente foi uma boa escolha. Ela se jogou ajoelhada bem atrás de Taylor, parte do corpo dele cobriu minha visão dela. Mas foi ela cair no chão (ou se jogar), que ele se moveu.
            Observei ele mudar as posições atentamente, e a decisão dele pareceu acertada ao deixar a câmera central com foco em Nádila. Só achei que ele poderia ter ficado atrás dela, também de frente para a câmera principal, mas ele ficou de lado, com a câmera lateral. Não era de todo ruim, mas poderia ser melhor. Encarei os monitores, ficou até bom o jogo de imagens, daria pra fazer uma edição satisfatória com os dois ângulos. Mas se ele estivesse de lado para a câmera da direita talvez…
            Parei de pensar em coisas técnicas quando Taylor se inclinou para cheirar? Isto, farejar o corpo de Nádila.
Ohhh..... mostrava que ele tinha tentado conciliar informações da sinopse geral com a cena em si. Espertinho.
            Então ele sorriu, quase imperceptível movimento de lábios, mas casou com o exato momento em que Nádila fechou os olhos com certa expressão de prazer. Ele voltou a montar uma falsa máscara de raiva, ao ponto que Nádila estatelou os olhos abertos, recebendo quase imediatamente um puxão vigoroso na raiz dos cabelos que a fez saltar para cima, corpo quase colado com o de Taylor.
            Descruzei e cruzei as pernas e só então percebi que estava tão inclinada para frente quanto Chris. Refiz minha postura. Taylor falou as frases novamente. Ele havia mudado o timbre de voz, me pareceu muito forçado, mas no fundo a intenção poderia ser útil.   
            Mas novamente houve uma interação mútua entre ele e Nádila. Os olhares dos dois ficaram presos por bons instantes, naquele momento, a posição das câmeras não me permitiu ver muito bem o rosto de Nádila, mas deu-me uma visão em cheia de Lautner. Novamente percebi claramente o nervosismo latente nele, tanto que me incomodava, desregulando um pouco da minha pulsação. Ele fechou os olhos e naquele momento jurei que ele iria perder o controle. Suas mãos soltaram Nádila, ela caiu no chão, e a troca de olhares permaneceu.
            Havia o nervosismo, mas havia mais do que isto. Havia uma sintonia perfeita de Nádila para ele, ela parecia se comunicar muito bem com ele, só com olhar, coisa que não tinha feito com nenhum dos outros. Creio até que não houve oportunidade pra isto.
            Nesta troca de olhares ele ficou furioso, arrancando, com novo movimento impulsivo demais, a mordaça de Nádila. E então ela cuspiu nele, me causando outro impacto. Eles haviam combinado aquilo?
            Do meu lado Chris soltou um riso abafado. Talvez porque ele tivesse percebido o mesmo que eu em relação a Nádila. Mas ainda assim, ela não poderia sustentar tudo sozinha. Não se Taylor desistisse…
            Porém ele continuou… teimando. Eu via que ele estava a um passo da desistência em alguns momentos, ele conseguia disfarçar bem, mas não para mim. Eu podia ser muito mais sensitiva para ser enganada pela superfície. Ele reagiu incrédulo com a atitude de Nádila, e aquela incredulidade encaixou bem na sequência.    
            A interpretação continuou e eu tive certeza de algo: Nádila nunca foi tão perfeita como Perpétua quanto naquela manhã. O nervosismo de Taylor jamais passou despercebido por mim, mas foi impossível negar que ele interagia muito bem com Nádila, o que fez com que o ápice da cena fosse algo… que eu não soube muito bem como categorizar.
            Havia uma sintonia perfeita e eu não tinha certeza, em certos momentos, se ele enxergava ou tinha consciência de algo a mais a não ser Nádila. Como quando ele quase afagou seu rosto, quando permitiu que uma ternura que não era para estar ali, tomasse conta do personagem. Neste momento, a resposta corporal de Nádila a qualquer coisa que ele fazia era magistral. Eu podia ler a crença da conquista nos olhos dela.
E naquele momento, o nervosismo do Taylor, como antes Chris havia dito, foi bom, quando o fez ter, mais uma vez, um ato impulsivo e romper bruscamente o breve momento de ternura.
            Aquilo tinha sido bom, quase comparável ao que o outro ator que eu havia gostado foi capaz de fazer… Mas o que aconteceu a seguir foi o que realmente marcou a cena. Foi o momento em que pude ter certeza do sim ou do não.
            Foi no breve momento em que Taylor permaneceu estático, encarando a perna de Nádila, foi no breve momento antes dele dizer a ultima frase e sair abruptamente do estúdio, deixando Nádila lá, ao relento. A saída dele me pareceu de muito mau tom, aliás. Mas foi ali que tomei minha decisão. 
            O teste acabou, eu me encostei melhor na cadeira e encarei Chris, ele viu certeza em meus olhos, e balançou a cabeça.
            Nádila ia se levantar, aparentemente para correr atrás de Taylor, mas Chris a chamou para permanecer no estúdio, impedindo-a de sair. O que foi muito bom… afinal, ela não tinha razão de correr atrás dele!
_ Vamos decidir agora Nádila. Fique. – Ele disse. 



2 comentários:

  1. É legal a fic,pena que pra ser só no sabado, é muito pequeno os capitulos... :/
    Tinha que ser mais :)

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  2. estou ansiosa por mais eu tinha lido até aqui e estou a muito tempo esperando pra ver o que acontese a seguir essa fic é maravilhosa por favor nao para de postar

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