17 março 2014

Fanfiction: Caras e bocas – Capítulo 15


Serena P.O.V.

“Estava flutuando na escuridão, caindo... Em meio a um fundo negro, via quadros de minha vida passar por mim enquanto eu caía, sem nunca chegar ao fundo daquele lugar. Os momentos mais marcantes se ampliavam e vinham para minha frente como uma tela de TV a exibir um filme, o filme de minha vida.

O momento de meu nascimento, minhas primeiras palavras, minha primeira peça de teatro, meu fatídico aniversário de 7 anos, onde eu cometi a peripécia de quebrar a perna ao cair de uma escada, a dificuldade de não enxergar direito, por não ter dinheiro para comprar um óculos, meu primeiro beijo, minha primeira vez, minha cirurgia nos olhos, meus primeiros testes de elenco, o dia em que recebi a notícia de que iria fazer o papel de Ever, o dia em que conheci Taylor... Depois, vieram os recentes e tristes acontecimentos em minha vida, como o dia do quase estupro.

Perdi-me na nostalgia e tristeza, deixando-me afundar e finalmente caindo em alta velocidade, como se finalmente fosse chegar ao chão. Fiquei feliz quando avistei o chão, pois estava mais do que pronta par pôr um fim em tudo, um fim em minha vida.”


Acordei chutando os lençóis. Estava ensopada de suor, meu coração batia muito rápido e minha respiração era curta. Vários minutos se passaram até que minha respiração acalmasse e meu coração voltasse ao ritmo normal.

Era a segunda vez naquela semana que aquele pesadelo se repetia. Ele sempre vinha em momentos que inconscientemente eu me deprimia, mesmo tendo mil e um motivos para sorrir sem parar.

Ouvi uma leve batida na porta, seguida por meu irmão atravessando-a e encarando-me com expressão muito preocupada, assim que viu meu estado deplorável.

-Está tudo bem, Serena? –perguntou ele, se jogando com tudo em minha cama e passando a mão por meu rosto, para verificar minha temperatura.

Seus olhos azuis, como os meus, irradiavam preocupação, seu cenho estava franzido, deixando sua face pesada, os cabelos loiros, desgrenhados. Anthony era realmente lindo, menos quando estava preocupado.

Não consegui responder sua pergunta, pois minha voz estava presa em minha garganta, como se algo a impedisse de sair. Tentava gesticular, fazer mímica, para dizer-lhe o que minha boca não dizia, porém, meu irmão sempre foi péssimo nessas brincadeiras e acabou interpretando minhas mímicas como um ataque de asma, o que o incitou a pegar minha bombinha que estava em cima do criado mudo e enfiá-la em minha boca, estimulando o ar para meus pulmões.

O excesso de ar me fez engasgar, o que causou um intenso ataque de tosse.

Tive de bater com força na mão de Anthony, para que ele se tocasse que o que estava me fazendo mal era a bombinha de asma, para que ela a tirasse de minha boca.

-Está louco? –perguntei com a voz fraca, enquanto voltava a respirar normalmente. –Falta de ar no corpo mata, mas excesso também, sabia?

-Não estava com falta de ar? Seu peito chiava como se estivesse. –disse Anthony, confuso com minha declaração.

Ele se aproximou de mim, olhou bem fundo em meus olhos e depois puxou a parte de baixo de um olho meu e continuou a olhar, como se quisesse encontrar algo de estranho ali. Eu realmente não entendia aquele exame médico idiota, mas preferia não questionar o fato de meu irmão faze-lo em mim.

-Não...

-O que estão conversando? –perguntou minha mãe, abrindo a porta de meu quarto com toda a força, fazendo com que nos abraçássemos assustados.

Meu coração pulou no peito e meus olhos se arregalaram com o susto. Minha pele ficou fria e meus músculos dormentes. Odiava quando minha mãe fazia isto, pois meu corpo sempre tinha reações estranhas, fazendo-me ficar desnorteada por alguns segundos.

Anthony me apertava com força, provavelmente tendo as mesmas reações que eu, pois eu podia senti-lo suando frio, através de seus braços em volta do meu corpo. Reação de família, fazer o que?

-Nossa, até parece que viram um fantasma! –disse mamãe atravessando meu quarto e abrindo as pesadas cortinas, para que o sol adentrasse o ambiente pela janela.

-Quase isso! –meu irmão e eu exclamamos ao mesmo tempo.

Soltamo-nos do abraço encaramos um ao outro, impressionados com nossa sincronia na fala e reações ao medo e caímos na gargalhada.

Peguei meu travesseiro e bati com ela na cabeça de Anthony com tanta força, que ele caiu de costas em minha cama e continuei batendo nele, enquanto ele tentava se defender, colocando os braços em frente ao corpo. Bati nele até meus braços cansarem, antes de cair de costas na cama, rindo feito a louca que era.

E foi assim que meu irmão aproveitou a deixa e começou a fazer cócegas em minha barriga, meu ponto fraco. Não sei quanto tempo ficamos naquela palhaçada, só sei que quando ele parou, eu já estava vermelha igual a um pimentão e quase sem ar.

-Meu Deus, coloquei dois loucos no mundo! –disse minha mãe, sentando-se ao nosso lado em minha cama.

Ela apresentava uma face de medo e sentava-se na ponta da cama, como se fosse fugir de nós ao primeiro sinal de loucura extrema. Anthony falou baixinho em meu ouvido, que achou engraçado o jeito de mamãe e, mais uma vez, caímos na gargalhada, assustando-a ainda mais.

-Qual os planos para hoje? –perguntou meu irmão, assim que se recuperou da onda de risos.

-Algumas compras para a viagem de quarta-feira.

-COOOMPRAS! –gritei, pulando da cama e começando a correr pelo quarto, pegando tudo que eu levaria em minha bolsa. –Compraas! –Desta vez até Anthony me olhou assustado com minha estranha reação. –Qual o problema? Só estou feliz por ter meu irmão por perto. –pulei na cama novamente, ficando entre meu irmão e minha mãe.

-Onde é a festa? –perguntou meu pai, também entrando no quarto e se apossando do espacinho na cama ao lado de minha mãe.

Mamãe nada disse, apenas nos abraçou da melhor forma possível e caiu em lágrimas.

-É bom estar de volta. –disse Anthony.

Ficamos ali, naquele estranho abraço, acomodados e felizes com a companhia um do outro. Não havia maior felicidade do que estar com a família reunida.

_x_

-Filha, atende o telefone para mim? –minha mãe gritou da cozinha.

Como estávamos prestes a sair de férias, dispensamos todos os empregados, com a ordem de que só deveriam voltar para casa dois dias antes de nossa volta, apenas para manter a residência apresentável, até que chegasse o dia da faxina, onde todos enfiaríamos a cara nos produtos de limpeza e daríamos um trato na casa.

Já era hora do almoço e mamãe cozinhava algo com um aroma delicioso. Depois de comer sairíamos para fazer compras, assim como havia sido anunciado em meu quarto, hoje pela amanhã.

Levantei-me do confortável sofá de veludo champagne, onde estava acomodada assistindo “O Diário da Princesa” na enorme TV de 50 polegadas e corri para o telefone que tocava estridente, em cima de uma escrivaninha de carvalho branco, que se localizava perto da janela.

-Já vou! –gritei para o aparelho. Ah tá, como se ele fosse ouvir! –Residência dos Gligeusky.

Ao pegar o aparelho, voltei a caminhar em direção ao sofá, pois não estava com nenhuma vontade de ficar perto do local do telefone. Hey, é para isso que serve telefone sem fio, sabia?

-Posso falar com a Serena? Diga que é a Amy. –ela pediu, com uma voz extremamente cansada.

-Não reconhece minha voz? O que acontece? –indaguei sem delongas.

O tom de voz de minha amiga me assustou profundamente. Há dias não nos falávamos pessoalmente e em todas as nossas ligações, eu percebia que ela me escondia alguma coisa, mas não fiz pressão para que ela falasse, pois sabia que ela o faria assim que se sentisse pronta.

-Eu não vou poder viajar com vocês, amiga.

-Por... –a induzi a falar. Sabia que ela falaria de qualquer modo, mas quanto antes falasse, melhor seria para ela e para minha preocupação (curiosidade).

Meu coração acelerou de nervoso, com o medo de que alguma coisa ruim tivesse acontecido nesse final de semana em que estive fora.

-Papai está velho. –disse ela, como se aquilo pudesse encerrar a conversa.

Respirei fundo e contei até vinte.

Sei que disse que a deixaria contar no tempo certo, mas odiava quando ela fingia que ia contar e ficava nessa enrolação agoniante.

-O que aconteceu com o padrinho?

-Papai está velho. –Amy repetiu. –Escorregou na cozinha que a diarista tinha acabado de limpar e bateu a cabeça de novo.

O alívio percorreu meu corpo, aliviando os músculos que eu nem havia percebido que havia tensionado.

Arthutr e Tina, pai e mãe de Amy, respectivamente, e meus padrinhos, são muito próximos de minha família. Eles cuidaram de mim como se fosse sua filha, quando meus familiares não podiam fazê-lo por motivos maiores como a carga extra de trabalho. A ideia de que algo ruim pudesse ter acontecido a um deles me apavorava muito.

-Então não foi nada grave?

-Não era para ter sido, mas ele bateu a cabeça bem no lugar onde ele levou os pontos por conta do acidente, o que quer dizer que os pontos abriram. –ela respondeu chorosa. –Serena, estou desesperada! Minha mãe não atende ao telefone e quando liguei para o trabalho dela, disseram que ela não ia atender se não fosse com urgência. Eu expliquei que era urgente, mas não me deram ouvidos!

Minha amiga chorava desesperada ao telefone.  E assim como ela, eu não tinha ideia do que fazer, então fiz a coisa que qualquer pessoa desesperada e sensata faria:

-MÃÃÃÃEEEE!

_x_

A sala de espera possuía pressão natural, o que me causava uma inquietação maior que o normal. Aquelas pessoas ansiosas, presas em um desespero interno, os bancos metodicamente espalhados pela sala, a pequena TV que passava um programa qualquer, mas ninguém prestava atenção... Isso tudo era totalmente estressante e me deixava com os nervos a flor da pele.

-Pode parar de andar de um lado para o outro? –perguntou Amy, quando eu estava prestes a completar minha quinquagésima volta pela sala.

Estaquei por um segundo.

-Então pare de enrolar o cabelo! –rebati antes de voltar a caminhar pela sala.

De um modo ou de outro, sempre acabávamos no hospital, presas em uma nuvem de ansiedade, dentro da sala de espera, ou de qualquer outro setor do local. Parecia uma sina feita especialmente para minha amiga e eu.

Lembro-me de todas as vezes em que viemos parar aqui. A primeira foi quando Amy quebrou o dedinho da mão direita, na aula de Ed. Física, ainda no primário. Fiquei horas com ela até que minha mãe chegasse para nos buscar. Naquela época, minha mãe cuidava de nós duas, pois a mãe de minha amiga trabalhava dia e noite num shopping Center, enquanto o pai, passava o dia no banco. A segunda vez foi quando batemos nossas cabeças, ao corrermos de encontro uma a outra, para nos abraçarmos. Fazia dias que não nos víamos, e a saudade era grande. Acontece que a saudade era tão grande que ao nos abraçarmos, batemos a cabeça com tal força, que ficamos mais tontas que bêbados saindo de boteco, o que resultou num enorme galo. Outras vezes que viemos para este hospital foi por acidentes fatidicamente engraçados, assim como os dois primeiros, o que me fez cair na gargalhada com as lembranças, em plena sala de espera.

-Sua louca! Estamos no hospital, lembra? –disse Amy se aproximando de mim e me empurrando para fora da sala logo em seguida.

-Estava lembrando todas as vezes que paramos aqui NESTE hospital! –consegui falar entre risos.

Ela ficou quieta por longos segundos, encarando o nada, enquanto eu ria de seu modo e de meus pensamentos insanos neste momento inadequado. Não demorou muito até que se juntasse a mim e gargalhasse, fazendo com que passássemos atestado de loucura.

-Peixinho fofinho! –disse a louca, apertando minhas bochechas com força.

-Não!

Ela apertou com mais força, dando maior proeminência ao bico em que minha boca se transformou com o aperto. (?)

-Peixinho fofinhooo!

Sabia que ela continuaria a apertar minhas bochechas até que eu falasse, mas eu não queria ceder, não mesmo!

-Peixinho fofinhooo!!!

Fiquei em silencio, lutando com suas mãos ao tentar repuxar meus lábios em um sorriso, mas de nada adiantava. Sua mão era mais forte que minha bochecha e, quando a mesma começou a arder, achei que era hora de ceder.

-Pexinhoofofino. –disse eu emburrada, tentando pronunciar direito a palavra, por entre os lábios abertos em “O”.

Amy soltou minhas bochechas, dando-me o prazer de senti-las livres depois do apertão, mas elas estavam dormentes, o que significava que eu não conseguia falar direito e isso só fez minha amiga rir mais ainda de mim.

-Amy, estava pensando... –comecei a falar, assim que senti minhas bochechas voltarem ao normal.

-Você pensa? –ela me cortou com mais uma de suas piadinhas, antes de começar a rir feito uma hiena.

Fechei a cara e fiquei a encarando até que parasse de rir e tratar o assunto com a devida seriedade.

-Estava pensando, –disse novamente, assim que ela parou de rir. –se sua mãe e seu pai não gostariam de viajar com a gente também e não só você, como a gente sempre faz.

Fui respondida por um enorme silencio vindo da parte de minha amiga. Não queria que ela ficasse sozinha com o pai e a mãe aqui em L.A., ainda mais com a filha do pai dela os importunando o tempo todo, pisando moralmente nela e na mãe, como se fossem insetos indignos da companhia do velho Arthur.

Se fosse pela irmã de Amy, o pai delas estaria em uma casinha precária, ainda sofrendo com a morte de sua falecida esposa e cedendo a todo o tipo de depressão, mesmo depois de anos. Eu achava um belo milagre ele ter conhecido a mãe da Amy e se casado com ela pouco tempo da morte da antiga esposa. Não conseguia imaginar o padrinho sozinho e sem um filho que desse atenção para ele, como minha amiga fazia. Então, mesmo sem ser atingida pelo mal de Samanta, não podia deixar de odiá-la.

-Pode ir a aproveitar suas férias com tranquilidade, Serena. Papai vai precisar de cuidados e ninguém ia aproveitar nada. Aliás, eu gosto de cuidar do meu velho, e aposto que vou me divertir muito passando as férias aqui com ele e com a mamãe.

-Tem certeza? –insisti, pensando que seria muito bom se o padrinho saísse da cidade para espairecer, largar os problemas que o atormentavam por aqui.

-Tenho certeza de que você quer descansar depois de tudo o que aconteceu nas últimas semanas.

-O que aconteceu? –perguntei, fazendo-me de desentendida.

-...Ainda mais depois do que está acontecendo agora. –Amy complementou, olhando fixamente para um ponto acima de meu ombro.

E, em um momento de pura curiosidade com açúcar, olhei para o ponto que minha amiga encarava, dando de cara com uma cena que poderia ser vista como terna para uns, mas para mim, era algo repugnante.

Hannah e Taylor, ambos sentados na espera de consulta. Aquilo me enojou, ainda mais quando ela pegou a mão dele com delicadeza e colocou-a em cima de sua barriga lisa. Ela havia me visto. Cheguei a essa conclusão, porque, depois de ter executado aquele “lindo” gesto, a vadia se jogou com tudo para cima do cafajeste e começou a beijá-lo libidinosamente, em plena sala de espera!

Senti meu café da manhã me subir todo à garganta, e saí em disparada em direção ao banheiro. Entrei no mesmo de supetão, assustando duas mulheres que ali estavam e entrei num reservado, mal conseguindo trancar a porta, antes que todos os alimentos que eu havia consumido fossem expelidos garganta a fora.

-Amiga, está tudo bem? – Amy perguntou batendo a porta, no momento em que dei a descarga, eliminando todos os vestígios de meu recente mal estar.

Saí do reservado sem dizer uma palavra, correndo direto para pia e lavando minha boca com água, da melhor maneira possível. Dei graças por estar em um hospital de bom status e que possuía recursos como fio dental e enxaguante bucal nos banheiros. Utilizei o segundo recurso antes de falar:

-Estou bem, foi apenas enjoo por ver aquela cena de vermes fazendo vermisses.

A palavra inventada veio naturalmente, dando mais veracidade as minhas palavras. Não havia sido intencional usar ironias, –pois Hannah realmente parecia um verme ambulante. –mas elas vieram.

-Vermisses? –perguntou Amy.

-Coisas de vermes. –respondi, como se real pergunta fosse algo banal, como o significado da palavra risada.

Minha amiga caiu na gargalhada, logo me puxando junto com ela. Ficamos um longo tempo rindo no banheiro, até que a louca parou de rir, segurou meu pulso com força e saiu me arrastando do banheiro, novamente para a sala de espera.

Mal sentamos e minha mãe apareceu, com a face um pouco abalada.

-Como ele está? –perguntou Amy pulando de sua cadeira.

Minha mãe respirou muito fundo, antes de sentar-se, pegando a mão de Amy entre as dela e fazendo que minha amiga sentasse no lugar vago, a seu lado.

-Arthur está bem. Ele apenas levou mais alguns pontos na cabeça e precisará de muita atenção nos próximos dias. Não foi nada grave, mas como a batida foi forte, ele ainda está meio desorientado.

Um suspiro de alívio escapou pelos lábios de minha amiga, fazendo com que sua face, antes vermelha de nervosismo, voltasse à cor normal.

-Posso vê-lo? –perguntou minha amiga, já se levantando e virando na direção da porta.

-Vai rápido, você só tem 15 minutos até que o horário de visitas acabe. –minha mãe respondeu, empurrando Amy em direção à porta e logo voltando para se sentar perto de mim.

Olhei bem fundo nos olhos também azuis de minha mãe, pisquei e deitei minha cabeça em seu ombro, deixando-me consolar com palavras não ditas, por conta do que vi recentemente.

Uma mão suave passava entre meus cabelos, naquele delicado momento. Agradecia aos céus todos os dias, por ter minha família ao meu lado o tempo todo, pois se não fosse por minha mãe, meu pai e irmão, não sei o que seria de mim.

-Algum problema?

-Nada mãe, apenas uma coisa na sala ao lado denominada pela mídia de Taylor Lautner.

Não pude evitar o soluço que me subiu a garganta, ele apenas veio, apenas para me colocar ereta e ver o momento em que a pessoa cujo nome eu havia acabado de pronunciar, adentrou a sala de espera que eu estava.

“Em espanhol, "consciência" é a unidade de medida internacional que, em noites de insônia, calcula a pressão exercida sobre um travesseiro.” –dizia certa frase de autor desconhecido. E, ultimamente, sentia que a consciência de certa pessoa que me encaravam agora, andava tão pesada, que essa tal pessoa sentia a necessidade de me perseguir para se desculpar, mas sempre acabava cometendo algum erro e me magoando a um ponto que, “desculpa”, não era uma palavra que a salvasse de seus erros para comigo.

-E qual foi a da vez? –mamãe sussurrou em meu ouvido.

-Cafajeste. –respondi em voz alta, para que todos ouvissem. Minha mãe ficou vermelha de vergonha e afundou em sua cadeira.

-Não deixe seu pai saber disso. –falou mamãe, tentando inutilmente se fundir com a cadeira em que estava sentada.

-Quero mais é que ele saiba. –respondi. –Oi Taylor, o que faz aqui? –falei para ele, elevando a voz.

O olhar de surpresa que recebi do ator foi hilário. Tenho certeza de que ele não esperava a reação fria, desinteressada e sociável que eu tive ao falar diretamente com ele.

Segurei o riso, enquanto minha mãe nos olhava perplexa. Acho que depois daquele dia que Taylor jantou em casa, sendo tratado tão bem, ela não imaginava que eu colocasse meu lado vingativo em ação na frente dele. Ah, ela não tinha visto nada!

-Vim acompanhar Hannah em seu primeiro pré-natal. –disse ele, ainda surpreso com minha reação. –Te vi aqui e...

Levantei para ficar a uma altura aceitável, para que conseguisse colocar o dedo nos lábios dele, o silenciando.

-Então o teste de DNA deu positivo? O filho é seu? –o desafiei. –E não precisa se explicar, baby. Já sei que quer ficar perto da sua namorada e de seu filho.

Foi nesse momento, o momento em que vi a raiva passar rapidamente por seus olhos, que eu soube que nossa rixa estava de volta.

-O filho é meu. E adoraria acompanhar a MÃE dele em suas consultas. –confirmou friamente. –Sinceramente, espero que o motivo que a trouxe para este hospital não seja nada de mais. Agora, se me dá licença Gligeusky, preciso acompanhar Hannah.

Mais uma vez tive de segurar o riso, enquanto o via dar as costas e começar a se direcionar para a saída da sala de espera em que eu estava.

Me adiantei em sua direção, mas minha mãe segurou meu braço com força, fazendo com que eu me atrasasse alguns segundos, em alcançar Taylor.

-Calma mãe, depois te explico tudo. –disse eu mal olhando para ela, antes de me soltar e fazer o que queria. –Hey, Lautner! Tenho mais uma pergunta! –ele parou, virou-se para mim novamente e arqueou uma sobrancelha, aguardando a pergunta. –Por que não a levou em um médico particular de sua confiança?

Ele apertou a mandíbula, diante de meu questionamento debochado e com segundas intenções.

-Porque ela queria se consultar com seu médico de longa data. –respondeu, apertando os olhos. –Entendi exatamente o que quis dizer, ok? Sei que desconfia que o teste de DNA possa ter sido manipulado, mas... E se esse filho realmente for meu?

Dei de ombros, mostrando desinteresse, mas a verdade era que eu estava louca para ver a bomba explodir e causar rebuliço.

Virei as costas e voltei ao meu lugar. Não fui impedida de fazê-lo, apenas caminhei e sentei onde estava anteriormente, como se nada tivesse acontecido.

Tirei de minha bolsa meu velho exemplar de Hamlet e comecei a lê-lo despreocupadamente, como se a cena anterior não tivesse acontecido.

Sentia os olhares das pessoas presentes na sala, queimando em cima de mim. Afinal, não é todo dia que se tem um confronto civilizado entre atores em um hospital, não é? Mas nem me incomodei, apenas continuei a ler meu livro, até que minha mãe me interrompeu.

-O que aconteceu Serena? –perguntou com aquele tom autoritário que só as mães sabem usar.

Contei mentalmente até vinte, fechei o livro e virei de frente para ela, com um sorriso cadenciado nos lábios. Não gostava de discutir esse tipo de assunto com ninguém, mas não podia escapar quando minha mãe perguntava daquele jeito.

-Sabe aquele dia que ele jantou lá em casa? –perguntei para minha mãe, baixando a voz e imediatamente sentindo meu rosto queimar de vergonha. Prossegui quando ela assentiu. –Então, aquele dia, bem... Nós ficamos intensamente, por assim dizer. –Mamãe arregalou os olhos e olhou para mim, incrédula com o que fiz.

-E por qual motivo não me contou sobre isso? –ela esbravejou.

Mamãe e eu tínhamos um ótimo relacionamento. Contávamos (quase) tudo uma para outra, inclusive meus namorados, casinhos, parceiros sexuais e etc. Ela estava realmente muito estupefata e brava por eu não ter contado para ela antes. Aquilo já havia acontecido há semanas! Eu podia ver toda a decepção em seus olhos e aquilo realmente me incomodou.

-Com o Taylor é diferente, mãe. Eu realmente achei que ele tinha deixado de ser aquele cara convencido que eu tinha conhecido nos sets. –respondi às suas perguntas não pronunciadas. –Aconteceram mais vezes. –ela arregalou ainda mais aqueles olhos azuis, tão iguais aos meus. –Mas, no final, ele é apenas mais um conquistador barato.

Mamãe estava com seu máximo ódio estampado no rosto. Sua face vermelha, os lábios apertados em uma linha, os olhos determinados e insanos. Tive medo do que ela poderia fazer, pois não seria a primeira vez que ela enlouqueceria por fazerem coisas do gênero aos seus filhos. Digamos que minha progenitora era uma leoa legítima quando queria.

Mas nossa conversa foi interrompida por uma Amy a beira de lágrimas, chegando à sala de espera.

-O que aconteceu querida? –minha mãe se adiantou para ela.

-Ele está bem! Estou tão aliviada!

Não pude deixar de me sentir felicíssima. Apesar de tudo, meu padrinho estava bem, e era isso o que me bastava para me sentir feliz.

-Agora eu posso vê-lo? –perguntei, ansiosa para ver pessoalmente como ele estava.

Amy apenas balançou a cabeça negativamente, antes de responder:

-A enfermeira acabou de dar o sedativo para ele, está dormindo agora. E o horário de visitas já acabou. –ela fez cara de culpada. Por quê? Eu realmente não sei. –Talvez, se eu não tivesse ficado tanto tempo... Minha mãe vai poder ficar, porque meu pai precisa de acompanhante, mas só ela pode ficar.

Ergui a mão, com a palma virada para seu rosto. Um pedido mudo para que ela parasse de falar.

-Seu pai. Seu direito de vê-lo é bem maior que o meu.

Baixei a mão, e um silencio mortal se instalou entre nós três. Eu, ao menos, não sabia o que falar num momento desses, então nem arrisquei abrir minha boca grande.

-Vamos para casa meninas? –mamãe perguntou após algum tempo de silencio.

Assentimos, antes de ajeitarmos nossas coisas e sairmos da sala de espera em silencio. Foi assim o resto do trajeto até a porta do hospital: mamãe na frente, Amy do meu lado esquerdo, mas ainda assim um pouco a frente e eu, a dois passos atrás de minha amiga.

Quando estávamos quase chegando a porta de saída, senti uma mãe forte e quente segurar meu braço com delicadeza.

Virei e encontrei aqueles olhos calorosos, ora negros, ora castanhos, que aquecerem meu corpo e alma. Era o olhar que eu havia visto um dia, em certo evento que ele nem deveria se lembrar. Àquela época, eu era apenas uma fã sonhadora, e com muita sorte, por sinal, pois havia conhecido quase todos os meus ídolos.

-Não faz isso. –ele pediu, com a voz pesada.

Suspirei, balancei a cabeça, fechei os olhos e me segurei ao máximo para não chorar.

-Quem sabe, quando você voltar a ter aquela inocência, calor, felicidade, simpatia... Se algum dia deixar de ser o ser odioso que hoje você é... –abri os olhos e o encarei o mais profundamente possível. –Quem sabe se você voltar a ser aquele Taylor que conheci, aquele que ama o que faz, ama a família, os fãs e sempre faz de tudo para ser feliz, sem ser mesquinho. O Taylor que me abraçou e disse que eu era uma garota linda, sendo que eu tinha uma tonelada de espinhas na cara, usava óculos fundo de garrafa e também usava um aparelho horroroso... Se um dia isso acontecer, talvez você ganhe uma nova chance. –as palavras travaram em minha garganta. Sabia que choraria a qualquer momento, então soltei meu braço de seu aperto, e saí o mais rápido possível atrás de minha mãe e minha amiga, que já me esperavam na porta do hospital.

(Continua...)


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