26 março 2014

Fanfiction: Caras e bocas - Capítulo 16 – Parte I


Capítulo 16 – Parte I

Serena P.O.V.

As pequenas peças que jaziam em cima da minha cama gritavam um nome que eu desesperadamente queria esquecer. Devia joga-las fora, devido às lembranças que me traziam, mas eu gostava tanto delas que... As peguei com delicadeza e as vesti, aproveitando a boa sensação do pequeno e gelado tecido deslizar por meu corpo quente. Caminhei pelo quarto de hotel até o elegante espelho de moldura dourada e encarei a imagem da garota que Taylor um dia vira na loja de roupas de banho; biquíni com misto de tons azuis e esverdeados, sobrepostos com fio dourado, que realçava meus olhos também azuis, o modelo possuía um decote discreto e um corte não muito cavado na calcinha, que evidenciava um bonito corpo sem deixá-lo vulgar.


Pensei como era incrível como um biquíni poderia me deixar tão triste e tão feliz ao mesmo tempo. Percebendo o quanto aqueles pensamentos me deixavam aérea, balancei a cabeça em negação e peguei minha escova de cabelo, a fim de ajeitá-los para que pudesse prendê-los no simples rabo de cavalo, que sempre prendia para ir à praia.

E antes que eu pudesse terminar de escovar os cabelos, uma batida soa levemente a porta, despertando abruptamente do pequeno prazer, que era arrumar o cabelo. Sabendo que a porta do quarto só abria por dentro, levantei a contragosto e fui ver quem era.

-Que cara de enterro. –disse Anthony entrando em meu quarto sem pedir licença e se jogando na cama e logo em seguida ligando a enorme TV.

Revirei os olhos e voltei a escovar meus cabelos. Terminei de escová-los e prendi-o em silencio, antes de voltar para meu irmão e responder:

-É só o sono, acabei de acordar. –menti, sabendo perfeitamente que minha expressão morta não era pelo sono e sim, pelas lembranças que minha roupa trazia.

Ele assentiu em concordância, pois sabia que eu ficava mal humorada logo que acordava pela manhã. Franziu o cenho para meu biquíni e levantou-se para analisa-lo.

-Que pedacinhos de pano são esses? –perguntou me rodeando e analisando minha pequena vestimenta.

Não pude deixar de rir. Esse era o irmão que eu conhecia e amava. Gostava dele assim, ciumento, brincalhão e folgado, não o exageradamente ocupado e indiferente para com a família que vi, quando fui visitá-lo na faculdade, em um feriado qualquer.

-Um presente. –respondi indo em direção a cama e tentando desamassar o simples vestido Pink, feito de malha fria e estampado com um belo arabesco com borboletas na barra, que Anthony havia deitado em cima. –Eu ia colocar esse vestido por cima, mas você fez questão de amassar. Agora vou ter que sair assim. –brinquei.

Veio como um vulto até mim. Só deu tempo de sentir a roupa passando por minha cabeça e alguém puxando meus braços pelas mangas da roupa e em um tempo inimaginável, eu estava vestida.

Recuei alguns passos, enquanto ele avançava para cima de mim. Infelizmente, bati de costas na parede do quarto, mas não senti sua frieza, pois bati exatamente na parte onde começava a cortina voal.

-E nunca mais brinque com isso. –disse brandindo o dedo na minha cara.

-Tudo bem.

Estava sem fôlego algum para dizer qualquer outra coisa. Apenas peguei algum dinheiro, o bloqueador solar e meu celular e o segui para fora do quarto em direção aos elevadores.

Nervosa demais para sequer encarar meu irmão depois daquela cena estranha, me pus a analisar o cenário a minha volta. Pela primeira vez desde que chegara ao hotel, me vi admirando as lindas pinturas de pontos turísticos, contidos em diversos quadros na parede, ao longo do corredor. Eram lugares como o Coliseu, em Roma; o Museu do Louvre, na França; a grande Muralha da China; o Big Bang, em Londres... Fiquei imaginando se aqueles lugares eram tão bonitos quanto nas pinturas e prometi a mim mesma que assim que possível, iria visitar todos esses lugares, apenas para provar sua diferente cultura e beleza. Estranhamente aquela simples atividade de observar os quadros e imaginar como aquelas paisagens eram na vida real, acalmou meus nervos o suficiente para me fazer esquecer momentaneamente a estranha ‘explosão’ de Anthony.

O último quadro que vi antes de chegar ao lugar onde esperaríamos o elevador foi uma magnífica cachoeira, que criava diversos arco-íris a suas margens. Não fazia ideia de que lugar poderia ser, mas ao ver a imagem, minha imaginação ganhou vida e em poucos segundos, eu estava em uma estranha passarela que era próxima demais a cachoeira. Podia até sentir a água que caía com força no rio sendo espirrada para todos os lados e me banhando de forma inovadora.

-Serena, vamos! –ouvi Anthony gritar. –Terra para Serena. Vamos logo! Não vou conseguir segurar o elevador por muito tempo. Não vê está apitando? Estão o solicitando em outro lugar.

Dei uma última olhada no quadro antes de entrar na moderna lata de aço, que era aquele elevador. Dentro daquela lata de sardinha que nos levaria para qualquer andar que quiséssemos dentro do prédio, havia um enorme espelho de corpo inteiro e uma minúscula câmera no canto superior esquerdo. Não entendia porquê tanto luxo ali dentro, sendo que o único objetivo do elevador era nos levar de um andar a outro. Era para isso que estávamos ali, não era?

-Não Tony, não vejo o elevador apitar, eu o ouço apitar. –respondi com uma pitada de sarcasmo e me aproveitando do apelido que meu irmão não gostava que usássemos.

Fui fuzilada por intensos olhos azuis, antes de ganhar a total desatenção de meu irmão.

Confesso que me senti um pouco mal por isso, mas pouco me importei com meus próprios sentimentos, pois sabia que isso acabaria em pouco tempo. Anthony me amava tanto quanto eu o amava e nós nos víamos pouquíssimas vezes no ano, então tinha total certeza de que essa pequena rixa entre irmãos acabaria em pouco tempo.

Dei graças quando o elevador finalmente parou no térreo, me libertando da prisão de lata. Admirava tal invento humano, que nos subia e descia nos andares em pouco tempo, poupando nossas pernas de grande esforço, mas odiava-o por ser uma pequena prisão, que parecia fechar suas pequenas paredes a nossa volta, mais e mais a cada segundo.

Inspirei profundamente, deixando que o delicioso cheiro de café, bacon e pão torrado com manteiga, me invadisse. Apesar do cheiro deixar meu estômago inquieto, aquele cheiro de café da manhã me acalmava, com sua promessa de um delicioso sabor e o inicio de um novo dia.

-A mãe e o pai já desceram? –perguntei a meu irmão, que já entrava no restaurante e começava a se servir. Era hábito de família esperar todos estarmos juntos, antes de começarmos a nos servir quando estávamos em um hotel. Fui respondida com o silencio.

Dei de ombros para o nada e também comecei a me servir, seguindo meu irmão para onde quer que ele fosse. Sempre fui péssima em procurar pessoas em locais grandes e com muitas pessoas, por isso, nem arrisquei a procurar meus pais sozinha.

O buffet do café era extenso e cheio de variedades. Ao longe, eu podia ver diferentes tipos de bolos, tortas, queijos, cereais, bolos e pães, tirando os recipientes de metal, que deveriam conter as coisas quentes, como: ovos, bacon e pães quentes. Eu olhava tudo com a imensa vontade de pegar um pouco de cada, mas cada vez que me imaginava comendo algo, meu estômago revirava, lembrando-me que se eu comesse, passaria mal.

-Não vai mesmo falar comigo? –perguntei quando já nos encaminhávamos para uma mesa.

-Depois conversamos.

O tom de voz de meu irmão era sombrio, o que me assustou de verdade, mas me contive, pois chegávamos à mesa onde meus pais se encontravam e aquele era um assunto entre irmãos, não sentia a necessidade de incluí-los.

-Bom dia minhas crianças. –ela nos saudou com voz melodiosa. Mamãe era tão cantante quanto um passarinho, tinha a voz linda e amava cantar. Nunca entendi o motivo dela não ter arriscado na carreira de cantora e, sempre que perguntava, ela mudava de assunto bruscamente, nunca respondendo.

Meu pai apenas sorriu com nossa chegada e me limitei a fazer o mesmo, totalmente o contrário de Anthony, que beijou minha mãe no topo da cabeça e bateu no ombro de meu pai com um forte “bom dia” em sua voz.

Depois de servida e acomodada, me permiti observar o luxuoso restaurante, com suas mesas metodicamente arrumadas com duas toalhas cada uma e um plástico de sobreposição, suas cadeiras de madeira entalhada e os assentos almofadados, o piso de um branco impecavelmente brilhante, os vasos de flores estrategicamente espalhados pelo salão e os funcionário muito bem uniformizados. Fiquei imaginando quanto dinheiro era desperdiçado naquele exagerado luxo e quantas crianças famintas podia-se alimentar com aquele dinheiro.

-Vejo que minha boneca resolveu comer como passarinho hoje. –comentou minha mãe, fazendo com que minha atenção se voltasse para ela. Ela encarava a pequena fatia de bolo, a torrada com mel e o suco de laranja. –Não é de seu feitio comer assim tão pouco, filha. O que houve?

E era verdade. Eu costumava comer horrores em qualquer ocasião, com exceção apenas a dias em que eu estava atrasada para algo e saía correndo de onde quer que fosse, com o estomago a roncar como um trator de tanta fome que tinha.

-Só estou sem fome. –franzi meu cenho para a comida e coloquei a mão sobre a barriga antes de prosseguir. –Acho que aquele hambúrguer que comi depois do jantar me fez mal.

Quanto mais eu olhava para meu prato, mais meu estômago revirava.

-Precisamos de um médico? –perguntou meu pai em tom preocupado. Não pude ver sua expressão, pois só conseguia olhar para a comida no prato, que parecia falar comigo.

Balancei a cabeça negativamente, sem desviar os olhos do apetitoso e estranho bolo de chocolate.

Mesmo estando insegura com relação ao café da manhã, peguei o garfo e o afundei com vontade no bolo e o coloquei na boca. Tinha gosto estranho e textura totalmente pastosa, assim como creme de amendoim. Foi preciso um esforço monumental para fazê-lo descer pela garganta.

A sensação da comida descendo pela garganta foi horrível, mas continuei a insistir e mandar tudo para dentro, pois sabia que seria pior se não comesse.

O café da manhã passou com conversas amenas e pouca comida, ao menos para mim. Era bom estar me divertindo em família.

 Desde que fui chamada para gravar Os imortais, minha vida tinha virado uma correria sem fim, o que me tirava completamente desses momentos em que eu poderia aproveitar meu pai e minha mãe, sem falar em meu irmão, que só ia para casa em feriados, dias em que também me faziam trabalhar, fosse ensaiando falas, ou gravando.

Não que eu não gostasse da vida de atriz, pelo contrário, eu amava. Mas às vezes tinha que abrir mão de alguns bons momentos, como este que se passava.

Lembrei de todos os lugares em que vi nos quadros e fiquei pensando em como seria bom ter um desses momentos naqueles lugares magníficos. Fiquei fantasiando como seria passar um dia nesses lugares com minha família.

-Serena! –gritava minha mãe. –Onde está com a cabeça, filha?

Pisquei os olhos repetidas vezes ao acordar de meu devaneio e fiquei encarando minha mãe sem saber o que responder.

-Nem ligue, mãe. Ela está assim desde que acordou. Precisava ver o que tive de fazer para que ela entrasse no elevador.

-Vai ter vingança. –sussurrei para meu irmão, enquanto ele e meu pai riam ruidosamente das minhas proezas.

Minha mãe foi mais discreta e apenas revirou os olhos, mantendo um leve sorriso nos lábios.

-Agora me responda. –disse ela olhando diretamente em meus olhos. –Onde pretende passar o dia?

Olhei para meu irmão seriamente, até que ele parou de rir, para eu poder contar nossos planos para o dia. Foi um longo tempo até que seu riso cessasse e ficássemos em completo silencio. Silencio que fiz questão de prolongar alguns segundos, antes de responder.

-O paspalho e eu combinamos de ir a praia pela manhã, fliperama depois do almoço e cinema a noite.

-Claro que respeitando as normas de não gastar muito e comer nas horas certas. –completou o paspalho. –E paspalho é o senhor seu colega de elenco, o Lautner.

No começo eu não entendia essa cisma que meu irmão tinha com o Taylor. E isso era desde que eu era apenas uma tiete dele, na época de Twilight. Meu irmão sempre franzia o cenho, quando eu suspirava ao ver filmes com ele, ficava feliz só de vê-lo na TV ou levava alguma coisa que o mencionasse para casa. E assim, tempos depois, era difícil admitir que Anthony tivesse razão com essas cismas. Taylor Daniel Lautner realmente não era flor que se cheirasse.

-São farinha do mesmo saco. –desdenhei, apenas para não sair por baixo.

O cão sarnento rosnou para mim e cerrou os punhos por baixo da mesa. Fechei os olhos esperando a bronca. Sabia que havia passado dos limites, pois meu irmão sempre deixou claro que odiava que o equiparassem ao astro, mesmo que fosse de brincadeira.

Esperei, esperei, esperei, esperei... Nenhuma reação vinha do meu irmão e dos meus pais, até que meu pai resolveu soltar uma longa gargalhada, que chamou a atenção de muitas pessoas a nossa volta.

-Adorei a piada! –comentou em voz alta, totalmente sem graça por ter chamado a atenção de tantas pessoas. – O quê? A Serena nunca te compararia com o Lautner, não é mesmo? –completou em resposta à expressão incrédula de meu irmão.

Apenas assenti, segurando um sorriso amarelo nos lábios. Não queria contrariar meu pai e muito menos dizer que compararia sim, Anthony ao Taylor.

O ódio de meu pai por Taylor era extremamente engraçado. Meu pai só o conhecia de poucas visitas que fazia ao estúdio de gravação e nunca se importara com ele, até o dia em que o mesmo jantou em casa. E quando perguntávamos a ele de onde vinha esse ódio, ele dizia que nunca gostara do jeito do rapaz e que havia confirmado suas suspeitas dele não ser boa pessoa, quando dormiu no portão de nossa casa. “Nenhuma pessoa decente faria isso”, afirmava. Minha mãe dizia que isso não passava de ciúmes, mas não fazia diferença alguma para mim, afinal, Taylor e eu éramos apenas colegas de elenco.

O café da manhã passou com conversas amenas e pouca comida, ao menos para mim. Foi bom estar me divertindo com a família.

Ao final do café, mamãe desatou a falar do lugar onde ela e o papai iriam passar o dia. Era uma ilha próxima a San Francisco, a Ilha de Alcatraz. Ela contou como a ilha fora uma base militar no passado e, anos depois, havia se tornado uma prisão de segurança máxima, que durou apenas 29, por o governo não conseguir mantê-la. Também contou como anos depois, um grupo de nativos norte-americanos ocupou a ilha, baseando-se num tratado federal de 1868, que permitia que os nativos utilizassem todo o território que o governo não usava ativamente. Após quase dois anos de ocupação, o governo os retirou da ilha. E por fim, esclareceu que depois disso o governo tornara a ilha um ponto turístico operado pelo National Park Service.

-Deve ser incrível. –pensei em voz alta, após toda a história ser contada.

Meu pai esfregou as mãos, como ele sempre faz em antecipação a algo.

-E aí crianças? Querem ir também? –perguntou depois de aquietar suas mãos.

-Não! –respondeu Anthony. Rápido demais... Meus pais desconfiaram de algo, é claro. Podia ver isso na testa franzida do meu pai e nos olhos curiosos de minha mãe.

-É que não queríamos mudar nossos planos, mãe. –respondi revirando os olhos.

-Também não queríamos atrapalhar seu momento como casal. –completou Anthony.

Tive que me controlar, para não gritar um “Não estraga!”, para meu irmão na frente de todos, pois ele só fazia meus pais ficarem mais desconfiados quanto aos nossos objetivos do dia.

-Então se cuidem. –advertiu minha mãe apertando os olhos, enquanto se levantava da mesa. E foi só nesse momento que percebi o quão linda ela estava em seu vestido longo de frente única, que era preto e adornado com flores brancas. –Ligaremos pela tarde para saber como estão. –disse minha mãe dando um beijo na bochecha de cada um de nós e se virando para sair do restaurante.

-E juízo! –falou meu pai antes de seguir minha mãe. Ele também estava belo em sua camisa pólo azul clara e seu calção cáqui. Raramente o via metido em roupas esportivas e vê-lo assim, livre de tantos compromissos de trabalho e leve em suas férias, só me fez ficar feliz por ele.

-É bom ver o papai longe do trabalho, não? –perguntou Anthony e eu assenti, ainda encarando a porta pela qual eles haviam saído. –Ele fez e faz tanto por nós...

Assenti mais uma vez, me levantei e meu irmão fez o mesmo. Rodeei sua cintura com meu braço direito e ele pousou seu braço esquerdo sobre meus ombros e assim saímos do restaurante em direção aos nossos passeios do dia.

_x_

O calor era maçante e fazia com que eu me sentisse cansada. Não era um dia em que o sol brilhasse muito, o céu estava até obscurecido com nuvens, mas o mormaço criava o efeito de uma estufa e entorpecia os sentidos através de sua elevada temperatura.

Olhei desejosa para o Museu de História Natural, pensando no quão fresco deveria estar dentro dele. Nem o ar condicionado do táxi melhorava a temperatura, não conseguia me sentir mais gelada, nem nada do tipo.

Estávamos indo para Ocean Beach, praia muito conceituada no mundo do surf e sempre tinha poucos turistas se banhando por lá, o que era uma mão na roda para mim, já que ultimamente eu estava sendo um tanto assediada por qualquer lugar que passasse.

A cidade de San Francisco passava por nós como um borrão através da janela do táxi e isso me deixava um pouco tonta. Fechei os olhos e tentei sentir o ar gelado do ar condicionado, enquanto rezava para que chegássemos o mais rápido possível a nosso destino.

-Serena... Acorde, chegamos! –alguém disse ao meu ouvido, mas não dei atenção, apenas ignorei, ansiando voltar para meu tranquilo sono. –Serena! –e dessa vez gritou, e acordei com um pulo e o coração batendo forte contra minhas costelas.

Olhei para um Anthony que me olhava preocupado do lado de fora do táxi. Observei a minha volta e estranhei o ambiente. Como havíamos chegado tão depressa? Ocean Beach era do lado oposto da cidade, do lado oposto de nosso hotel! Ouvi um leve riso vindo do taxista, que esperava pacientemente minha saída de seu carro.

Ainda meio confusa por ter acabado de acordar, saí do carro e segui meu irmão até a mais próxima loja de surf, onde alugavam equipamentos para praia, como guarda-sóis, cadeiras e obviamente, artigos para surf. Durante nosso pequeno trajeto do táxi até a loja, Anthony não desgrudou seus preocupados olhos de mim.

-O que foi? –questionei, já irritada demais com aquele olhar.

-Nada. –respondeu aéreo.

-Então entra logo na loja. –disse eu empurrando-o para dentro. E lá, atrás do balcão, uma bela surpresa nos esperava. Era ele, o Jude de Os Imortais na vida real, com sua pele bronzeada pelo sol, os cabelos louros com dreads e olhos incrivelmente verdes a única diferença gritante era o trabalhado porte físico dele, porque em minha mente, o verdadeiro Jude era mais magro, não tinha músculos tão proeminentes como ele.

Meu irmão limpou a garganta, fazendo-me acordar de meu breve estado de letargia ao ver aquela personificação da beleza na minha frente. Mas isso foi bom, pois me fez reparar no resto da loja e me pus a admirar o varejo de pranchas. Estava louca para surfar!

-Desejam alguma coisa? –perguntou o cosplay natural de Jude, assim que meu irmão interrompeu nosso contato visual.

Anthony olhou para mim e eu olhei dele para uma pranche evolution, que além de ter um design fashion, era uma das melhores para manobras, e eu sabia que ele entenderia esse meu olhar de desejo para a prancha.

Fiquei admirando tanto a prancha, que mal vi meu irmão se aproximar do balcão e fazer seu pedido em voz extremamente baixa. Um bom tempo se passou até que “Jude”, pegasse todos os pedidos de meu irmão, como o grande guarda-sol, as duas cadeiras e uma prancha evolution para ele.

-E qual das longboards você quer, mocinha? –perguntou o balconista se aproximando de mim, após pegar tudo o que fora pedido.

Levei meio minuto para entender o que ele dizia, por estar hipnotizada por seus belos olhos verde mar e pela quentura de sua mão, que estava pousada em meu ombro direito.

-Longboard? A usada para iniciantes? –perguntei incrédula. Não conseguia acreditar que ele estava fazendo aquilo comigo.

-Sim... –disse o vendedor calma e lentamente, como se estivesse falando com uma criança.

E foi nesse momento que vi Anthony sair de fininho da loja, carregando uma das cadeiras debaixo de um braço e o guarda sol debaixo de outro. Respirei fundo, virei-me para o vendedor e ergui um dedo, como se pedisse para que ele esperasse um momento e corri atrás de meu irmão.

-Tony! –e ele se virou em minha direção, a menção de seu odiado apelido.

Corri para ele, como uma criança corre para os braços da mãe, assim que a mesma chega de um longo dia de trabalho, mas diferentemente, não era para abraça-lo, mas sim para enche-lo de pancada. Estava a poucos passos dele, quando o mundo resolveu dar uma volta de quase 360º e tudo saiu de foco. Eu estava caindo... Exatamente como naquele estranho sonho que tivera há alguns dias atrás, mas a diferença é que algum tempo depois, horas talvez, ou segundos – eu realmente não consegui ter uma noção de tempo –, braços quentes e fortes me ampararam, impedindo que eu quebrasse o nariz na calçada.

-Serena! –uma voz preocupada chegou a meus ouvidos, antes que eu caísse na inconsciência.

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“-Não vê que eu te amo? –perguntou ele me abraçando repentinamente. –E lembre-se que estamos juntos nessa. Afinal, eu também sou responsável por isso.

Não soube o que dizer nem como reagir, pois tudo era muito novo e assustador para mim e... Meu pai com certeza iria me matar e o mataria depois, eu tinha muito medo.

-Só não me deixe. –sussurrei, enquanto quentes lágrimas rolavam por meu rosto.

-Nunca.”

-Nunca! Ela não é de desmaiar assim! Serena sempre foi forte e extremamente saudável. Ah, que raios de aluno de medicina eu sou, se nem consigo socorrer minha própria irmã quando ela desmaia?

Tentei abrir os olhos, mas a luz era forte demais e meus olhos estavam extremamente sensíveis. Não lembrava onde estava e com quem estava, mas podia arriscar um palpite pelas palavras que havia acabado de ouvir.

-Anthony? –minha voz saiu arranhando a garganta seca e imediatamente percebi o tamanho da minha sede. –Á... água.

-Para onde a levo? –perguntou uma voz desconhecida que estava próxima a mim. Talvez próxima até demais, já que senti a vibração da mesma em um peito, e foi nesse momento que descobri que estava em braços fortes e quentes.

-Pode leva-la para dentro de sua loja? –perguntou a voz que eu tinha certeza ser de Anthony.

Não ouvi respostas, apenas senti meu corpo mole ser elevado do chão e depois o suave balançar de uma caminhada. Também não sei quanto tempo demorou, só sei que logo estávamos em um lugar mais fresco e escuro e assim, pude abrir meus olhos. Abri-os lentamente, piscando várias vezes devido a claridade do ambiente, mas dei graças a Deus que a claridade deste ambiente era menor que a do ambiente anterior.

Ao me acostumar com a claridade, fui surpreendida com incríveis olhos verde mar me encarando e, em um segundo, tudo veio a minha mente em um flash. Os quadros do hotel, meu estômago inquieto durante o café da manhã, minha pequena briga com meu irmão, a história sobre a Ilha Alcatraz, o pequeno cochilo no táxi e os acontecimentos na loja de surf.

“Jude” me colocou delicadamente sobre uma cadeira de praia espreguiçadeira e a deitou completamente.

Logo meu irmão desesperado chegou e sentou no chão, ao lado de minha cabeça, segurando um copo que transbordava de tanta água. Ansiosa por esvaziar o copo, sentei rápido e uma pequena vertigem me atingiu. Meus ombros foram levemente empurrados pelo vendedor, até que eu estivesse encostada contra o peito de meu irmão, que havia aproveitado minha ansiedade para sentar na parte da espreguiçadeira, onde antes estava minha cabeça. Ele posicionou o copo em meus lábios e eu bebi toda a água.

-Mais. –pedi. A voz já estava mais forte, assim como meu corpo. Me sentia pronta para uma maratona, mas a sede ainda era grande.

Mas ao invés de ir buscar mais água para mim, meu irmão se limitou a acariciar meus cabelos e depois começar a avaliar minha temperatura. Levantou-se e eu voltei a deitar, enquanto ele se sentava no chão, ao lado de minha cabeça.

-Serena... O que aconteceu com você?

Balancei a cabeça negativamente e desviei o olhar. Ao completar o ato, percebi que o vendedor se movia pela loja recolocando tudo o que havia tirado para mim e para Anthony, em seu devido lugar.

-Por que está guardando as coisas? –perguntei encarando as costas do vendedor, enquanto ele encaixava uma prancha em seu lugar.

Ele virou para mim, franzindo as sobrancelhas sobre seus olhos, me encarando de forma curiosa. Senti que seu olhar me escaneava e reconhecia. Sim, vi o brilho do reconhecimento em seus olhos, no momento em que eles se encontraram com os meus.

-Vi você na capa da Faces and Mouths esses tempos atrás. –disse virando-se para pegar o guarda sol que estava encostado na parede as suas costas. –É atriz daquela nova série que está para lançar nos cinemas, não é?

Ignorei o fato de que poderia ter uma nova tontura e levantei-me rapidamente, me surpreendendo ao me sentir bem, após me levantar. Caminhei a passos firmes e decididos até o vendedor e segurei seu braço levemente, obrigando-o a olhar para mim.

-Não guarde os objetos, ainda vamos ficar com eles, não é mesmo, Anthony? –disse procurando meu irmão, só esperando que ele concordasse comigo, mas não foi isso que veio.

Ele, em resposta, baixou a cabeça e negou levemente.

-Como assim? –me exaltei. –Estamos esperando por isso há séculos!

O vendedor se livrou de minha mão em seu braço e colocou o guarda sol em seu devido lugar.

-Deveria procurar um hospital. –disse rudemente.

Fiquei estupefata, travada no lugar igual a uma estátua. Quem era ele para falar tão duramente comigo? E por que passara de uma hora para outra, a ser frio comigo, se há alguns minutos antes fora tão atencioso?

Braços me rodearam carinhosamente. Não percebi quando Anthony se aproximou de mim, apenas senti seu abraço, pouco antes dele me virar para encarar sua face, pegar uma de minhas mãos e tentar me puxar para fora da loja.

-Ele tem razão. –sussurrou, enquanto me obrigava a dar pequenos passos em direção a saída. –E desculpe o transtorno. –falou mais alto, para que o vendedor ouvisse.

Meu cérebro demorou um longo tempo para perceber, não sei se pelo choque de ser tratada tão mal sem motivo, ou por qualquer outro motivo. Só fui ter uma reação às palavras daqueles dois homens, quando estava na porta da loja, pronta para sair.

-Não.

-O quê? –perguntou Anthony, parando junto comigo.

-Não. –tornei a repetir, desta vez com mais ênfase. –Eu não vou para o hospital, estou ótima!

Meu irmão largou minha mão e segurou meu queixo, obrigando-me a encarar seus olhos.

-Serena, há menos de 10 minutos atrás você estava desmaiada sem motivos aparentes, você precisa ser examinada.

Desviei meu rosto de sua mão e tornei a entrar na loja, indo direto ao vendedor, que já se encaminhava para o balcão.

-Por favor, poderia pegar novamente os pedidos de meu irmão? Só com a diferença de que quero a tenda, ao invés do guarda sol e a minha prancha eu aceito longboard mesmo, não pretendo passar muito tempo na água.

Ele me ignorou, foi para trás do balcão, sentou-se em sua cadeira em frente a um computador, que até o momento eu não tinha reparado, e começou a jogar um jogo qualquer.

-Desculpe atrapalhar seu jogo, mas eu fiz um pedido. –insisti. Não poupei o tom azedo na voz, odiava que me ignorassem e era exatamente isso que aquele vendedor estava fazendo.

Não me ouviu, ou se ouviu, ignorou mais uma vez. Continuei ali, parada com um dois de paus, esperando que aquele homem atendesse meu pedido, como deveria fazer para qualquer cliente. Olhei a minha volta para me distrair e fiquei impressionada como era tudo milimetricamente organizado dentro daquela loja, desde as pilhas com as caixas das tendas, que formavam uma pirâmide, até o suporte para as pranchas de surf, onde as mesmas eram organizadas por tamanhos e cores.

Mais uma vez, Anthony se aproximou de mim e tentou me tirar dali, me puxando pelo braço, mas desta vez ele não conseguiu me mover, pois finquei meus pés no chão com toda força dali e repeti um antigo mantra em minha cabeça: “Daqui não saio, daqui ninguém me tira”.

-Vamos Serena, isso é loucura, você estava passando mal há pouco tempo. Pare de insistir nesta loucura e vamos a um médico.

Respirei lenta e profundamente, antes de me virar para meu irmão e dizer:

-Estou ótima. É sério! –completei, quando ele me olhou desconfiado. –Foi só um mal estar por conta do calor, minha pressão baixou, só isso.

-E você quer ficar aqui e arriscar que isso aconteça de novo? Nem pensar! Vamos, –novamente pegou meu braço e tentou me puxar dali. –você precisa de uma consulta.

O sangue subiu a cabeça, esquentando ainda mais meu corpo. Como ele não via que eu estava perfeitamente bem? Aquilo foi apenas... Apenas... Um leve mal estar, poderia ter acontecido com qualquer um!


-Você é o médico aqui! –acusei em um impulso. –Olha, eu estou bem e só quero aproveitar minhas férias, essa brisa do mar e um pouco de calmaria, que não tenho desde que as gravações começaram. –consertei, quando percebi que havia magoado aquela incrível pessoa, que tinha olhos azuis tão parecidos com os meus. –Se quiser, eu posso ficar só na areia, observando a paisagem e todo o resto, mas voltar para o hotel ou ir para um hospital.... 

2 comentários:

  1. Mas porquê a fic parou de postada se ainda faltam 9 capítulos e porquê estão na cor vermelho???Continua vai, ela é mto boa!!!

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  2. Mas porquê a fic parou de postada se ainda faltam 9 capítulos e porquê estão na cor vermelho???Continua vai, ela é mto boa!!!

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