22 março 2014

Fanfiction: Um Amor Maior Que Eu - Capítulo 35: Ready To Love Again


Capa: Érica Rocha
Texto/Fic: @Rafaela_Vargaas
Beta: Letícia Monteiro
Música Tema: Ready To Love Again - Lady Antebellum




Meus passos eram pesados e barulhentos com o som que saía da minha bota de couro ao tocar chão. Eu deixava rastros na calçada e no meio da neve que caia em flocos minúsculos. Eu estava caminhando diretamente na rua que me levava até a livraria “Barnes & Noble”, a qual eu acreditava que Taylor estaria me esperando lá.
Eu deixei todos em minha casa e saí às escondidas para ir atrás de Taylor. Eu deixara todos, entre eles Liam.

Eu era uma completa idiota. Eu deixara para trás a pessoa que mais me protegeu e que foi capaz de curar boa parte do enorme corte que Taylor fez em meu coração. Mas os meus sentimentos se confundiam entre a dor e o medo e agora voltam a fazer parte de mim. Eu sabia que estava errando ao deixar Liam e me arriscar em ir atrás de Taylor, a fim de reatar tudo que perdemos em vinte e sete segundos durante uma maldita ligação. Eu sabia que Taylor tinha tirado minha inocência e que ele queria apenas isso, mas as pessoas mudam e todos merecem uma segunda chance. E sei também, que estou usando isso como uma desculpa esfarrapada para não ter que admitir para mim mesma que eu ainda amava aquele homem; que sempre foi o dono de meu coração.
Mas Liam era tão amável e tão protetor que era tão difícil deixa-lo. Escolher Taylor e não escolher Liam era o mesmo que exclui-lo de minha vida automaticamente, e isso era sem duvida nenhuma a pior crueldade que eu já fiz.
- Feliz natal moça! – Escutei a voz de uma criança e logo depois algo esbarrar em mim.
Fugi de todos os meus pensamentos e varri meu olhar pelo lugar, e encontrei a criança logo abaixo de minha cintura, com os olhos arregalados. De primeira eu o olhei por alguns segundos, mas depois dei um passo para trás e abaixei-me, ficando da mesma altura que a dele.
Era um garotinho. Um lindo garotinho. Os olhos azuis e os cabelos loiros me lembravam tanto de Liam que fez meu coração apertar-se em um nó forte. Ele era igual a Liam quando pequeno. As bochechas rosadas e o jeitinho doce eram o que prevaleciam no menininho que parecia ter por volta de cinco ou seis anos de idade. Sorri para ele e vi um sorriso largo aparecer em seu rosto, mostrando todos os dentes de sua boca, entre eles, faltava dois dentes da frente, exatamente do mesmo modo que vi Liam pela primeira vez.
Meu corpo inteiro se arrepiou. Olhei para o menino e ele ainda me olhava, parecendo querer me dizer algo com o olhar.
- Acho que você havia me dado feliz natal. – Falei sorrindo.
O garotinho balançou a cabeça positivamente.
- Qual o seu nome? – Perguntei.
- Sam. – Respondeu-me ele com a voz suave.
- Que lindo nome. – Sorri
- Feliz natal! – Repetiu o garotinho, agora me entregando uma pequena rosa vermelha, que ainda não tinha brotado completamente.
- Ah, obrigado! – Agradeci gentilmente – Feliz Natal para você também! – Falei entregando-lhe um leve beijo no rosto.
Levantei-me e fiquei de pé, mas permaneci olhando para o garotinho. Eu o vi afastar-se de mim e ir até a uma mulher – que certamente era sua mãe -, puxando levemente o vestido dela para que ela o olhasse. Assim que sua mãe baixou o olhar até ele, ele seus finos dedinhos em minha direção. A moça de longos cabelos negros e lisos, por sua vez sorriu e passou a mão nos cabelos do filho como forma de um “parabéns”. Sorri e abanei minhas mãos cochichando um “obrigado” e continuei caminhando.
Ver aquele garotinho me fez refletir mais ainda. Da mesma maneira que eu não teria coragem de ferir aquele menininho, tanto fisicamente, verbalmente ou sentimentalmente, eu também não teria coragem de ferir Liam – que um dia já foi igual a aquele menininho e que diante de meus olhos, permanecia o mesmo.
Balancei minha cabeça e levantei meu olhar, parando logo em seguida, assim que avistei a loja familiar.
As luzes fortes contornavam perfeitamente o nome “Barnes & Noble”, que ficava no ponto mais alto da livraria. As luzes da vitrine já estavam acesas por conta da neve, que agora caia mais forte e que fazia parecer que já estava anoitecendo. Meu coração começou a palpitar forte.
Um, dois, três, quatro, cinco, seis. Seis passos foram necessários até chegar à porta de entrada da livraria. Não tinha muita gente, porém no fundo da livraria eu pude avistar uma silhueta que eu jamais deixaria de conhecer. Era Taylor.
Paralisei na mesma hora em que eu o vi. Minhas mãos que estavam indo em direção à maçaneta da porta, agora voltaram a se colocar em minha barriga, apertando meu estomago para que ele se controlasse.
Pelo contrario do que eu imaginei a tontura não veio à tona. Eu estava completamente sóbria, mas não tinha certeza do que estava fazendo. Aprofundei ainda mais meu olhar no homem que estava de costas, e logo depois eu o vi girar e ficar de frente para mim.
A sua barba estava sem fazer, suas roupas desleixadas mais pareciam um truque para que ninguém o pudesse reconhecer; seus olhos estavam ainda mais delirantes assim que eu os vi pousar sobre mim e a rosa branca em suas mãos vieram como um golpe até mim. O relógio que ficava um pouco acima dele marcavam 02:59 PM. Eu não estrava atrasada. No inicio Taylor pareceu hesitar, mas depois seus passos foram se aligeirando.
Uma tensão tomou conta de mim assim que eu o vi caminhar em minha direção. Eu não sei por qual motivo desviei o olhar dele e comecei a olhar para os lados. Primeiro olhei para o lado direito e nada vi além de pessoas caminhando de um lado para o outro da calçada. O.k, tudo parecia normal. Virei minha cabeça para o lado esquerdo, e tudo que eu pude ver foi à mesma coisa, mas lá no fundo, bem lá no fundo, uma cabeleira dourada me fez pausar o olhar assim que eu o vi.
Virei-me um pouco mais para vê-lo melhor, e a imagem parecia bem nítida para parecer somente um devaneio meu. Era Liam Evans que estava do outro lado da quadra. Escutei o ranger da porta, fazendo-me olhar em direção da mesma.
Era Taylor que estava em minha frente agora. A imensidão achocolatada de seus olhos me fez perder a respiração por alguns segundos, até que sua voz ressoou em meus ouvidos:

- Alice...
Tentei falar algo, mas a única coisa que eu consegui fazer foi pousar meu olhar no seu. Puxei uma bufada de ar e eu pude sentir aquele doce aroma do qual eu sentia tanta falta. Os cabelos negros de Taylor estavam completamente bagunçados e ajeitados ao mesmo tempo. Tudo parecia uma armadilha, na qual eu estava prestes a cair.
Balancei mais uma vez minha cabeça e olhei para Liam, que agora estava caminhando lentamente até mim, e que certamente não sabia o que estava acontecendo.
Levei mais uma vez meu olhar até Taylor, e o encontrei tão inocentemente que nem parecia ele que tinha feito tudo àquilo comigo.
Eu estava mais uma vez dividida, mas agora estava ainda mais pressionada. Eu tinha que tomar uma decisão.
De um lado estava Liam, o mesmo que nunca me fez mal algum e que nunca me faria. Desde a primeira vez que o reencontrei, eu pude sentir em seu olhar algo a mais, talvez um amor surgindo lá do fundo de meu peito. Eu o amava, da mesma maneira que eu amava meu outro amor.
Do outro lado estava Taylor, o mesmo que pareceu não se importar comigo e tudo que ele fez foi me mostrar o quão mal e o quão cruel ele pode ser.
Meu coração explodiu dentro de mim e o nome de Liam veio em minha cabeça, fazendo-me falar alto até de mais.
- Liam! – Falei arregalando os olhos.
Virei-me em direção a Liam e o vi ainda caminhando lentamente em minha direção. Forcei minhas pernas a se moverem e a correrem rapidamente em meio a multidão. Eu esbarrava em algumas pessoas e tudo que eu conseguia fazer era sussurrar um “desculpe” e continuar correndo o mais rápido que eu conseguia.
Eu sabia tudo o que havia deixado naquele exato momento. Eu havia deixado o amor que eu tanto cultivei, tanto amei e que eu tanto quis proteger: Taylor Daniel Lautner. Mas ele nunca me provou o mesmo. Tudo o que ele fez foi me deixar para trás e pensar que eu seguiria tranquilamente em frente, sem nenhum rancor e sem nenhuma memória de tudo que havíamos passado. Eu senti lagrimas descerem pelo meu rosto assim que eu me dei conta de tudo. Em meio ao desespero, Liam foi a primeira pessoa na qual eu havia pensado; logo eu que pensei que nunca amaria alguém sem ser Taylor. Mas que finalidade tinha amar e não ser amada? Proteger e não ser protegida? Ficar disposta a dar a vida por alguém e não ter a certeza que o outro alguém seria capaz do mesmo? Nenhuma finalidade.
Ouvi o estralo de meu corpo batendo em algo. Puxei uma bufada de ar e senti o perfume de Liam. As mãos dele fizeram a volta em minha cintura e me seguraram forte, impedindo-me de cair para trás. Levei minhas mãos até seu pescoço e tudo o que eu fiz foi abraça-lo o mais forte que pude. Meu coração batia forte, mas eu o ignorei e continuei abraçando-o. Agora, ali, naquele exato momento, nos braços de Liam, pareceu que nada de ruim havia acontecido. Em seus braços eu me sentia tão aconchegada que conseguia esquecer completamente de TUDO.
As lagrimas escorriam loucamente por todo o meu rosto e eu não as impedi de caírem. Tudo que eu precisava era daquilo: sentir os batimentos do coração de Liam, escutar sua respiração e sentir o calor de seus braços em minha volta.
Fiquei abraçada a ele por longos minutos, e ele fez o mesmo sem dizer nenhuma palavra.
- Pro... Promete que nunca vai me abandonar? – Gaguejei quase não emitindo som algum.
- Nem que você me expulse de casa. – Prometeu-me ele.
- Eu nun...ca fa...ria isso. – Gaguejei novamente.
-Respira Anjo... – Disse-me ele, levantando suas mãos de minha cintura e as levando até minha cabeça, acariciando a mesma.
- Eu te amo tanto. – Apertei-o ainda mais em meu corpo, como se fosse possível cola-lo ainda mais em mim.
- Eu te amo. – Ouvi sua voz num misto de nervosismo e paixão.
Abracei-o por mais alguns minutos e depois tomei coragem para me distanciar. Assim que fiquei na distancia certa para que eu pudesse olhar em seus olhos, eu senti a paz me inundar.
- Vamos sair daqui? – Falei.

- O que houve? – Perguntou-me ele. 
- Vamos sair daqui? – Repeti.
Ele me olhou por breves segundos e depois pegou em minha mão e puxou-me suavemente para caminharmos pela calçada. Eu não olhei para trás, pois tive medo de encontrar Taylor nos olhando.
Continuamos caminhando e conforme íamos chegando mais perto do hotel, eu ia passando a manga de minha jaqueta em meu rosto para seca-lo e liberta-lo das minhas lagrimas. Fazia muito frio, e nossa respiração saia em forma de fumaça no ar. Ao contrario de meus planos para a previsão do tempo, fizera muito mais frio do que eu pensava. A neve agora caia em flocos maiores, congelando-nos por dentro e por fora. Hora e outra Liam passava suas mãos nas minhas para aquecê-las, e ele repetia o ato de segundo a segundo até adentrarmos a porta do apartamento numero 111.
- Onde vocês estavam? – Perguntou minha mãe olhando para mim e Liam.
- Fomos dar uma volta no quarteirão. – Respondeu Liam de imediato, antes mesmo de eu abrir minha boca para inventar alguma desculpa.
O fitei por alguns segundos e depois me dirigi até a cozinha. Eu encontrei minha mãe, Sue, Val, Érica e Emile preparando algo que eu descrevi como um bolo.
- Vou tomar um banho e vou ajudar vocês assim que voltar. – Sorri olhando para Érica, que estava com um pouquinho de farinha na pontinha do nariz.
Fui até o meu quarto e durante esse pequeno percurso eu senti o olhar de Liam pesar em cima de mim. Eu sabia que ele esperava por explicações, e eu sabia que não deveria mentir.
Permaneci no banho por cerca de meia hora, quando sai vesti-me com uma calça jeans, camisa comprida, jaqueta reforçada e com um All Star– que já estava velho, mas ainda assim era o meu preferido.
Assim que sai do banheiro - já vestida-, deparei-me com Emile olhando o painel de fotos que Miguel havia pendurado em meu quarto antes mesmo de eu me mudar. Nele continha fotos de quando eu era pequena juntamente com Liam e Érica, minha e de Emile e até mesmo as quatro fotos dos quatro festivais musicas da minha escola, os quais eu ganhei quatro anos consecutivos.
-Sinto falta de você no Brasil. – Disse Emile com a voz abafada, ainda virada de costas para mim.
- E eu sinto tanta falta de você aqui. – Falei com um nó na garganta.
- Você não sente falta do Brasil? – Agora ela se virou para mim, fitando-me.
- Não. Eu gosto daqui, mas sinto falta de meus pais, amigos e parentes...
O silencio nos rondou por alguns segundos enquanto Emile me fitava.
- Aconteceu algo? – Perguntou-me ela quebrando o silencio e mostrando-me o quanto me conhecia.
Segurei as lagrimas por alguns momentos, mas depois a minha voz baixa e quase inaudível fez questão de sair:
- Sim
Emile caminhou até mim, pegou minhas mãos e levou-me para sentar-me juntamente com ela em minha cama.
- Desabafe. – Pediu.
- Ao contrario do que você pensa, eu nunca tinha beijado Liam antes. Taylor me deixou logo depois que tirou tudo o que ele mais queria de mim. – Puxei uma bufada de ar – E hoje eu o vi, depois de muitos dias.
- Como assim? – Perguntou-me – Quer dizer... Você e Taylor já...
- Sim, já. – Falei antes de ela terminar a frase – E eu me arrependo disso, nunca pensei que ele seria tão sem coração até a esse ponto.
- E o que você fez quando o viu hoje? – Especulou.
- Ele me mandou rosas e no meio delas uma mensagem subliminar, que não era tão subliminar, eu descobri que deveria encontra-lo em uma livraria durante a tarde...
- O.k, continue. – Disse-me ela.
- E quando eu o vi, eu também vi Liam. Eu não sei por qual motivo, mas eu corri até Liam e tudo o que eu consegui fazer foi apenas isso. Eu deixei Taylor e a única coisa que eu disse a ele foi “Liam”, somente isso.

Emile arregalou os olhos e permaneceu em silencio. Eu sabia que ela estava procurando por palavras certas para me dizer, mas na real eu não precisava escutar nada, apenas joguei-me para frente e a abracei. Eu gostava tanto de abraços vindos de pessoas que eu amava, era tão relaxante e não tinha nada que descrevesse essa sensação. Parecia que através de um abraço eu conseguia descrever todos os meus sentimentos em milhões de palavras, sem dizer absolutamente nada. 


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