28 março 2014

Fanfiction: Um Amor Maior Que Eu - Capítulo 36: When You Got a Good Thing


Capa: Érica Rocha
Texto/Fic: @Rafaela_Vargaas
Beta: Letícia Monteiro
Música Tema: When You Got a Good Thing - Lady Antebellum


As letras minúsculas do jornal eram o que dominavam a minha visão na manhã seguinte, enquanto eu estava sentada no sofá da sala do apartamento. Ontem à noite eu apenas deitei minha cabeça no colo de Emile e não vi mais nada, a não ser quando ela colocou o cobertor por cima de mim e beijou o alto de minha cabeça. A exaustão tomara conta de mim depois do dia que tive ontem. Eu sabia que devia explicações para Liam, mas não agora, não quando as imagens de Taylor me esperando com uma rosa na mão eram nítidas demais em minha mente. A decisão que eu tomei foi verdadeira, eu apenas segui meu coração, e estava parecendo dar certo. Em relação a Taylor, eu apenas pensei nas coisas ruins que ele me fez, e as coisas boas que vivemos e tudo o que ele já fez para mim, não passaram nem perto de meus pensamentos. Taylor era uma pessoa boa, e o seu olhar gentil ainda me fazia bem; apesar de tudo eu odiava odiar ele.
Eu nunca me achei boa o suficiente para alguém, e ainda não me acho. Mas com Taylor eu não tinha medo de ser quem eu sou, não tinha medo dos paparazzi e nem das revistas e sites de fofocas. Mas Taylor? Ele era inseguro ao meu lado, isso eu não posso negar.

Mas Liam é tão ele mesmo comigo. Ele mostra não ter medo e sempre disposto a qualquer coisa e em qualquer hora, isso é bom e me transmite paz, coisa que eu achara que nunca mais acharia depois que Taylor partiu.
Mas apesar do olhar de nojo do Taylor pesar em mim como quinhentas toneladas, eu não o esqueceria e isso parecia cada vez mais difícil.  Já Liam, sabia como me trazer para o lado bom da vida. Ele me fazia esquecer completamente tudo, faz com que eu me esqueça de todas as coisas ruins enquanto eu estou com ele.
E diante de toda essa confusão dentro de minha cabeça, eu acordei disposta a achar um emprego. Eu não queria perder mais ninguém, inclusive minha melhor amiga, Emile Santana. Ela tinha que permanecer ali comigo ou eu cairia completamente dentro de um precipício.
Balancei minha cabeça e concentrei-me no jornal em minhas mãos. Passei todas às paginas e fui para a última folha, nos anúncios de empregos vagos na cidade. Todas as opções eram boas e a maioria ocupava apenas um turno do dia. Tinha empregos como trabalhar de garçonete na pizzaria, ou ser uma garçonete cantora em um bar próximo a Time Square – o que me interessou –, e bem no fim de vários anúncios tinha um que me chamou a atenção. Era um emprego de secretaria que ocupava meio turno na faculdade de musica e artes cênicas, chamada Juilliard School. Essa era sem duvida nenhuma a melhor faculdade que eu já vira ali por perto. Estudar lá era um de meus sonhos que a essa altura já estava na lista dos “sonhos impossíveis”. Mas na verdade eu não queria estudar, eu queria apenas trabalhar e dar duro para ser uma cantora famosa – o que estava parecendo ser difícil, já que eu nunca mais compus musica -, mas com força eu conseguiria. Eu pude enxergar meu nome em todos os cartazes da cidade e consegui escutar os gritos de meus fãs chamando pelo meu nome.
- O que esta fazendo? – Perguntou Liam sentando-se ao meu lado, fazendo com que meus devaneios evaporassem.
- Estou procurando um emprego. – Respondi olhando para ele e levantando o jornal para que ele olhasse.
- Emprego? Não, você não precisa.
- Sim, eu preciso. E preciso que você vá comigo a um lugar, parece que achei um emprego bom, basta eles me aceitarem. – Dei de ombros.
- Lice, olhe para mim. – Chamou-me ele.
Levei meu olhar até o dele e fiquei esperando que ele falasse algo, mas ele permaneceu em silencio por alguns minutos.
- Esta acontecendo alguma coisa? – Perguntou ele, ainda olhando em meus olhos.
- Não. – Menti desviando o olhar, eu não era uma boa atriz para mentir na cara dura.
- Lice... – Chamou-me ele mais uma vez.
O olhei de novo, e ele permaneceu me olhando.
- Eu sei que esta acontecendo algo. Ontem você veio correndo até mim e chorou em meus braços e hoje esta a procura de um emprego. – Disse ele pegando em minha mão – Quando você estiver pronta, me diga o que esta acontecendo, ok?
- Liam... Ontem eu... – Apertei sua mão e fechei meus olhos – Por favor, vá comigo até o lugar do emprego? É um emprego raro de se achar, eu preciso ir logo antes que alguém ocupe a vaga. – Desviei o assunto e me levantei.
- O.k, vamos. – Respondeu-me ele depois de alguns segundos.
Fui até meu quarto, peguei minha bolsa e arranquei a página de anúncios de jornais e coloquei dentro da bolsa. Vesti um casaco pesado e de pelos – o que me esquentava – e encontrei Liam na saída do apartamento.
- Érica ainda esta dormindo no seu quarto e todo o resto do pessoal saiu. – Disse Liam enquanto eu trancava a porta e passava a chave por baixo da mesma- Para que Érica pudesse abrir depois que acordasse, levei uma chave reserva comigo.
Permanecemos em silencio durante o trajeto de descida do hotel até a portaria, aguardando algum táxi. Eu sabia que Liam queria explicações, mas eu sinceramente não me sentia pronta. Eu não queria confessar para mim mesma que eu estava amando meu melhor amigo, o cara que eu tratava como um irmão, assim como Miguel. Meu coração estava num misto de sentimentos que nem eu mesma conseguia distinguir um por um, eu apenas seguia-o e pensava estar fazendo o certo.
Senti Liam pegando minha mão e logo depois a colocou no bolso de sua jaqueta para esquenta-la. Eu o olhei por alguns segundos esperando que ele me olhasse, mas ele apenas ficava observando os carros que passavam pela rua.
O primeiro táxi que passou por nós parou de imediato. Liam abriu a porta para que eu entrasse. Acomodei-me no táxi e disse para o motorista o lugar que iriamos ir, Liam sentou-se ao meu lado, pegou minha mão e as esfregou na sua a fim de que me esquentasse novamente.
- Eles ficarão somente mais um dia. – Murmurou Liam, parecendo estar com o olhar distante.

Um nó surgiu em minha garganta e minhas lágrimas ameaçaram cair, mas eu as segurei com todas as minhas forças. Deitei minha cabeça no ombro de Liam e fechei meus olhos.
Eu não estava pronta para me despedir de meus pais, de Will, Sue, Érica, Emile e Luan. Eu não estava disposta a deixa-los partir e não saber quando voltariam novamente. Eu sabia que meus pais ainda tinham esperanças de que eu voltasse com eles, mas me doía admitir que eu queria continuar ali. Eu daria qualquer coisa para que eles ficassem, mas meus pais são do tipo que não ficam mais de um mês longe de sua casa, e eles nunca aceitariam morar ali e deixar para trás tudo no Brasil.
- Eu não estou pronto para me despedir. – A voz de Liam saiu abafada.
As palavras dele vieram como um golpe de faca direto em meu peito. Ele não estava pronto para se despedir de todo mundo, ou não estava pronto para se despedir de mim? Uma tontura me veio à tona, fazendo-me abrir os olhos.
- Como assim? – Cochichei quase sem voz com medo da resposta.
- Eu não posso viver para sempre no seu apartamento. – Respondeu-me.
- Você bateu com a cabeça no chão? – Perguntei com a voz alterada.
- Por quê? – Ele finalmente olhou para mim.
- Eu sei que estou sendo completamente egoísta com você e sua família. – Falei olhando dentro de seus olhos – Mas você não pode ir embora... Não agora...


- Eu não posso ficar para sempre vivendo na sua casa. – Repetiu ele.
- Eu sei que você tem sua família, mas, por favor... – Peguei seu rosto em minhas mãos e o segurei – Fique!
Liam não cedeu ao meu toque. Ele apenas pousou seu olhar no meu e me olhou daquele jeito que eu gosto. Seus olhos azuis me domaram completamente, mas me controlei e soltei seu rosto. Sorri gentilmente para ele e vi o táxi parando em frente a um edifício grande e charmoso.
- Chegamos. – Disse o motorista olhando pelo retrovisor.
Vi Liam pegando dinheiro em sua carteira e tentei ser mais rápida ao entregar o dinheiro da passagem, mas ele segurou minha mão e entregou o dinheiro dele. Eu não gostava que as pessoas pagassem as coisas, ainda mais quando era eu que precisava estar ali.
Desci do táxi e caminhei até a calçada, ficando em frente à faculdade, sentindo que Liam já estava me seguindo.
A moldura triangular, as janelas e os vidros dava um toque tão grande de perfeição ao lugar, que eu pude acreditar que aquele anuncio do jornal era mentira. Eu não me via trabalhando em lugar tão grande e tão bonito feito aquele.
- É aqui? – Perguntou Liam ficando ao meu lado.
- Sim. – Suspirei.
Olhei para ele, dei uma piscadela e continuei caminhando até a porta de entrada. Eu tinha que admitir que minhas pernas estavam tremulas por estar ali, e o medo prevalecia em mim ao ponto de fazer meu coração disparar assim que me coloquei dentro do lugar. Liam estava me acompanhando logo atrás e isso fez com que eu me acalmasse um pouco.
- Olá! – Cumprimentou um dos seguranças do local, assim que entramos.
- Olá.. – Cumprimentei-o – Eu vi que há uma vaga de emprego aqui e estou interessada – As palavras saíram atropeladas de minha boca, fazendo com que elas mal pudessem ser entendidas.
- Oh sim! – Respondeu-me ele – Me acompanhe...
O segurança começou a se dirigir até outro cômodo. Peguei a mão de Liam, segurei-a forte e comecei dar os passos aligeirados, me fazendo tropeçar em meus próprios pés hora e outra. Esse seria o meu primeiro emprego, e eu sabia que por ser um emprego exigente, eu poderia não receber a vaga. Cruzei meus dedos e respirei fundo, tentando manter minha respiração controlada.
Entramos em uma sala iluminada, assim que fomos autorizados. A sala era luxuosa, com tapete de couro, uma mesa enorme com livros e papeis sobre ela, com lustres detalhados e uma imensa janela que dava visão a uma boa e linda parte de Nova York.
Eu podia sentir que meus olhos brilhavam ao ver a sala. Eu estava completamente encantada e fora de mim, virando-me em círculos para analisar a sala inteira, mas parei assim que vi uma senhora sentada em uma poltrona grande, logo atrás da mesa enorme.
- Pois não? – Disse a mulher, tirando seus óculos de grau e o largando em cima da mesa.
Ela era uma senhora que tinha por volta de uns cinquenta anos. A pele negra e o cabelo curto, escuro e cacheado era o que reinava nela. A sua expressão era seria – o que me deixou mais nervosa – e seus olhos eram pesarosos sobre mim.
- Hã... Eu vi que tem uma vaga aberta. – Falei, mas fui interrompida.
- A vaga esta sendo bem concorrida por várias pessoas. – Cortou-me ela.
Permaneci em silencio, olhando-a. Ela me fitou por alguns segundos, levando seu olhar de meus pés até minha cabeça. Eu não estava vestida com uma roupa formal. Isso me deixou um pouco constrangida, fazendo-me querer dar um passo para trás, mas hesitei.
- O que você sabe fazer? – Murmurou ela, sem interesse, parecendo fazer a pergunta apenas por educação.
- Eu nunca tive um emprego antes. – Baixei meu olhar – Mas qualquer coisa que você pedir para eu fazer, eu farei. – Respondi analisando-a.
Ela ficou por mais alguns longos minutos me olhando e depois soltou as palavras sem vontade:
- Venha preencher o formulário, caso gostarmos de você, nós ligaremos. – Disse ela apontando para a cadeira na frente da mesa, que ficava de frente para ela.
Olhei para Liam e percebi que ele havia se retirado da sala, então sozinha, caminhei até a cadeira. Eu estava tensa e minhas mãos tremiam enquanto eu escrevia meus dados pessoais no papel. Eu podia sentir o olhar daquela mulher pesar sobre mim, me deixando ainda mais tensa e não conseguia pensar direito. Minha respiração começou a ficar mais rápida, mas a ignorei, fazendo-a ficar normal.
Depois de alguns minutos eu terminei de preencher o formulário e o estendi, entregando em suas mãos. Ela o analisou por alguns segundos e ergueu uma de suas sobrancelhas ao ler algo que eu havia escrito.
- Você é Brasileira? – Comentou-a após ler de onde eu vinha.
- Exatamente. – Sorri.
Ela continuou com o semblante fechado e logo depois olhou para mim. Ergui minha cabeça, mas não a olhei. Eu estava soando frio e o olhar dela sobre mim só me deixava ainda mais nervosa.
- O.k. – Disse ela – Ligaremos em breve para darmos a resposta. – Disse ela.
- Obrigado. – Agradeci estendendo minha mão, mas fui ignorada completamente.
Virei-me e desejei poder correr o mais rápido que eu conseguia e sair dali. Eu nunca ficara tão desconfortável com alguém antes, ou talvez eu estivesse nervosa demais. Mas seu olhar era incrivelmente assustador e sua atitude foi bem clara ao dizer-me – sem falar nenhuma palavra – que eu não servia para estar ali.
Agradeci eternamente assim que sai daquela bendita sala e enxerguei Liam sentado no sofá, erguendo a cabeça assim que me viu.
- Como foi? – Perguntou-me ele levantando-se e ficando a centímetros de mim.
- Péssimo. – Respondi, levando meus braços até seu pescoço e puxando-o para mim.
Puxei uma bufada de ar e senti aquele delicioso perfume adocicado entrar em minhas narinas. Suas mãos seguraram minha cintura com tal intensidade que eu quis poder cola-lo ainda mais perto de mim.
Eu nunca, nem se quer tentei trabalhar em qualquer outro lugar. Eu odiava viver à custa de alguém, mas meus pais insistiam em dizer que eu tinha que focar apenas nos estudos, mas agora eu estava morando em Nova York, prestes a ficar sozinha no apartamento que meu irmão havia me dado. Miguel se mudaria na semana que vem e eu não conseguiria viver apenas com as gorjetas que eu havia juntado cantando no shopping. Eu sou uma total inútil, que além de perder as pessoas que mais amo, ainda não consigo nem um emprego.
- Não existe só aqui para encontrar um emprego. – Murmurou Liam.
Permaneci em silencio e o abracei ainda mais. Eu me sentia tão protegida e tão única nos braços de Liam, que parecia que somente eu e ele tínhamos vida em nosso mundo.
- Vamos sair daqui. – Disse Liam distanciando-se de mim e beijando minha testa.
Peguei em sua mão e o segui até a saída da faculdade. Olhei para trás e por um segundo me imaginei ali naquela bancada – que agora estava vazia.
Liam e eu fomos até uma cafeteria que ficava na esquina e paramos lá por uns vinte minutos. Liam não dissera nada dentro da cafeteria e muito menos no caminho de volta para casa. Eu apenas queria ouvir o silencio, era o melhor que eu podia fazer.
- Você realmente se sentirá segura aqui em Nova York? – Perguntou-me, por fim quebrando o silencio enquanto estávamos andando em direção ao elevador do hotel de onde eu morava.
- Por que não me sentiria? – Perguntei meio confusa.
- Miguel irá embora... – Lembrou-me ele.
- E você ficará aqui comigo. – Completei ao entramos no elevador.
Liam permaneceu em silencio parecendo refletir sobre algo. Eu fiquei olhando para seu semblante a fim de que eu encontrasse alguma pista nele, mas nada. Seu olhar estava distante e seu rosto estava vazio. Assim que chegamos no 11° andar, saímos do elevador e caminhamos lentamente até a porta do apartamento 111.
- Ei, eu voltarei daqui a pouco. – Disse Liam pausando na frente da porta do apartamento antes mesmo que eu pudesse abri-la.
- Aonde você vai? – Perguntei vendo-o dar um passo.
- Eu voltarei já. – Repetiu ele voltando e dando um beijo em minha testa.
Antes que ele ficasse distante de mim, eu o peguei pelo braço e o fiz parar. Ele virou o rosto para mim e no primeiro segundo que tive, levei meu rosto para frente e selei seus lábios.
- Obrigada por tudo. – Sussurrei em seu ouvido.
- Um sorriso é uma forma de agradecimento. – Disse-me ele fazendo-me sorrir involuntariamente.
Larguei-o e o vi sumir pelo corredor. Liam me fazia tão bem que eu chegava ao ponto de não querer deixa-lo ficar longe de mim por nenhum segundo sequer. Os seus cabelos dourados eram como o meu sol de todos os dias, seus braços mais pareciam às asas de um anjo que me cobriam e me protegiam de todo o mal, e seus olhos azuis eram o meu céu, que me trazia paz interior. Naquele momento eu tinha certeza de apenas uma coisa: eu o amo igualmente ao meu outro amor. 

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