14 abril 2014

Fanfiction: Caras e bocas - Capítulo 17


Taylor P.O.V.

Um latido alto e agudo soou em meu quarto, anunciando a chegada de um tornado em forma de cachorro ao meu quarto.

-Só não faça xixi aqui dentro. –falei, como se ela realmente fosse entender.

Um latido a mais, antes dela saltar com impecável leveza para cima da minha cama e ir se acomodar nos macios travesseiros. Sentei-me a seu lado e deslizei minhas mãos por seu brilhoso pelo champanhe.Era incrível como uma criaturinha dessas pode animar e acalentar uma pessoa. Ela era uma cockerspanil de dois meses, elétrica e carinhosa, como quase qualquer cachorro. Makena e eu havíamos comprado ela pela manhã, como presente de aniversário para Camila.


Bom, esse presente seria entregue em pouco tempo, já que é difícil se entregar um cachorro como presente em meio a uma festa. Na verdade, estava esperando minha irmã sair do banheiro para irmos à casa de minha colega de elenco.

No momento, o que me deixava louco era essa demora de Makena para se arrumar. Queria sair logo, queria vê-la logo... A preocupação tomava conta de mim e me impedia de pensar em outras coisas. Desde que vi a foto de Serena em um site qualquer, tão pequena e frágil com aquela perna quebrada, eu quis vê-la. Tentei ligar, entrar em contato, perguntar se estava tudo bem, mas a única vez que ela atendeu ao telefone foi quando Makena ligou de seu próprio celular e conversou com a amiga e quando eu pedi para falar com ela, a negação foi imediata, nada mais foi dito.

Peguei o telefone e digitei mais uma vez os números já decorados por meus dedos. Chamou, chamou, chamou... Caixa postal!

Levantei da cama frustrado e soquei a primeira parede que me apareceu a frente. Era demais para mim! Sabia que havia acontecido algo a mais, não era só a perna quebrada e nossa última conversa que a impediam de me atender. Mesmo quando discutíamos - o que era frequente -, ela sempre me atendia, não podia ser diferente desta vez. Com toda a certeza, havia algo a incomodando.

-Makena! –berrei a plenos pulmões assustando o cachorro, que saltou de imediato da minha cama e saiu correndo de meu quarto.

Saí a passos largos em direção ao quarto de minha irmã e comecei a bater em sua porta incansavelmente, pois já não aguentava essa demora.

-Não precisa quebrar a porta do meu quarto. –disse uma voz atrás de mim.

Virei-me assustado, não esperava que ela estivesse fora do quarto. Tentei usar minhas habilidades de ator para mascarar meu susto, mas algo naquele olhar me dizia que já não adiantava, pois meu susto, minha ansiedade e falta de concentração, eram evidentes.

-O que está fazendo aqui? –questionei autoritário. –Por que não se apronta logo para partirmos?

Aquela criatura que eu chamava de irmã começou a rir sem motivo, até que perdeu o fôlego. Demorou um tempo antes que ela se recompusesse e respondesse minha simples e nada engraçada pergunta. Durante esse meio tempo, tentei não esboçar nenhuma emoção, porém sentia que todos meus sentimentos exalavam evidentemente de meus poros.

-Calma, Tay. –disse, pousando a mão em meu braço. –A Serena está bem, pode ter certeza disso. E respondendo a sua pergunta, eu estava arrumando os outros presentes dentro do carro, coisa que o Sr. deveria ter feito.

Engoli a resposta perfeita para aquilo e respirei fundo, tentando me livrar daquela angustia e agir como uma pessoa normal. Olhei para o teto e tentei colocar meus pensamentos no lugar. Esse desespero me fazia mal, só piorava as coisas.

Voltei minha cabeça no lugar antes de abraçar minha diminuta irmã, em busca de algum conforto para meu coração machucado. Nunca costumei demonstrar fraqueza alguma, ainda mais para coisas sentimentais, mas alguma coisa dentro de mim havia mudado e eu não conseguia voltar ao normal. Eu precisava de mais, eu precisava de uma nova vida, eu precisava de amor, eu precisava dela mais que tudo nesse mundo.

Quando soltei o abraço, não precisei dizer nada antes de sair do apartamento, sendo seguido por Makena, que carregava o cachorro em seus braços. Em poucos minutos, estávamos dentro do carro em direção à casa de Serena.

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-Identificação. –pediu o porteiro, quando paramos em frente ao portão da casa.

-MakenaLautner e irmão. E você sabe muito bem quem eu sou, Adrian! Estou aqui para fazer uma surpresa para Serena, nem pense estragar perguntando se eu posso entrar, ou eu...

Adrian, o porteiro, riu da irritadinha antes de abrir o portão, liberando nossa entrada para a mansão Gligeusky.

Mansão Gligeusky... Era estranho isso, eles terem uma mansão. Até onde haviam me contado,Serena vinha de um lugar humilde e a principio não teria muito dinheiro para viver, mas pouco tempo depois de ganhar o papel principal na série Os Imortais, ela adquirira essa mansão cheia de empregados e instalações luxuosas, coisas difíceis e caras de se manter, ainda mais para um ator em início de carreira. Digo, ela até poderia receber bem com o direito de imagem e derivados, mas pela lógica ela ainda não havia adquirido tanto dinheiro assim para manter um lugar como esse. E o salário de seus pais poderia ser até um bom salário para manter uma família em boas condições, afinal, o pai era advogado e a mãe uma bancária, mas nem de longe esse salário manteria uma casa tão grande.

Infelizmente, esse era um charme que minha amada possuía, o mistério. A vida inteira dela era um mistério para mim. Nunca soube de onde veio, pelo que passou e o que a levou a ser atriz e isso me atraía muito. Certamente ela não tinha um passado obscuro a ponto de ser voltado para o crime, mas era um passado misterioso demais para uma pessoa pública. Algo ela escondia e algum dia eu descobriria.

Tomei a coragem que precisava, desci do carro e caminhei para a porta da frente, onde uma pessoa já nos esperava.

Abraçou Makena com carinho, antes de trocarem algumas palavras. Não sei se foi imaginação minha, mas eu senti que ele me fuzilou com os olhos antes de virar as costas e entrar na casa, seguido por minha irmã. Fui atrás, segurando a cachorrinha nos braços. Entramos na casa, enquanto minha irmã e o outro conversavam:

-Por que trouxe um cachorro? –perguntou nosso anfitrião, que eu presumia ser o irmão de Serena, com olhos curiosos.

Antes que eu pudesse abrir a boca, a intrometida que eu chamo irmã respondeu por mim.

-O presente de aniversário da Serena, Anthony. Trouxemos também alguns acessórios, como caminha, potinhos de comida e água e roupinhas. Será que ela vai gostar?

Para minha surpresa, ele riu.

-Claro que ela vai gostar. Só não digo o mesmo de meus pais. –aqueles olhos azuis, tão iguais aos de sua irmã, me encararam glaciais. –Latuner, se esconde em algum lugar e faz uma surpresa para ela. –assenti e me direcionei para uma porta que ficava em baixo da escada. Fiquei surpreso ao descobrir que ali ficava um pequeno lavabo, sempre pensei que era um armário de limpeza ou algo do gênero.

Minha querida irmã, como a verdadeira folgada que era, jogou-se no sofá, totalmente a vontade. Até parecia dona da casa, ao invés de visita.

Um barulho forte soou acima de minha cabeça. Presumi ser o gesso de Serena batendo contra os degraus da escada. Inconvenientemente, a cachorrinha começou a latir, assustada com o barulho. Entrei rapidamente no lavabo, me escondendo.

-Quieta! –sussurrei. – Quer estragar a surpresa?

Como se compreendesse o que eu havia dito, a cachorra olhou para mim e diminuiu seu latido para um leve e baixo rosnar. Me assustei com aquilo. Nunca imaginei que um cachorro pudesse nos entender assim.

O barulho dos passos na escada foram diminuindo até se extinguirem. Presumi que ela já tivesse descido. Meu coração disparou ao imagina-la tão próxima a mim depois de tanto tempo.

-Serena... –sussurrei, me colando a porta e largando a cachorrinha no chão. –Como você está? Senti tanto a sua falta!

-Estou bem na medida do possível, Mah! –ela respondeu alguma pergunta de minha irmã, a qual eu não prestara atenção. –É difícil, mas estou tentando lidar da melhor maneira que posso.

Mais uma vez, não ouvi as palavras proferidas por minha irmã, ela falava baixo demais, como se quisesse me esconder algo.

Ouvi risinhos, seguidos de passos pela sala. Colei-me ainda mais a porta, tentando ouvir alguma coisa. Agora, até a cachorrinha estava apontando o focinho para a porta, ansiosa para sair e ver o que acontecia ali fora.

-Aqui? –perguntou Serena, abrindo a porta pelo lado de fora, fazendo com que eu caísse de cara no chão.

A cachorrinha, para ajudar, pulou por cima de mim e correu para a dona, que a esperava com um sorriso enorme no rosto. Fiquei apenas observando ela pegar o pequeno animal nos braços e deslizar a mão livre pela pelagem sedosa. Tinha um brilho diferente nos olhos azuis, um brilho mais intenso. Estava mais bonita e mais simples do que jamais eu a tinha visto, vestia jeans qualquer e uma camiseta de alças com a estampa do Mickey, um pé descalço e outro coberto pelo gesso, mais linda do que jamais esteve.

Abaixou-se e me agraciou com um sorriso. Não havia percebido que ainda estava no chão, até ela passar o peso da cachorrinha para um braço, antes de me oferecer o outro. Peguei sua mão, entrando em êxtase ao sentir sua pele contra a minha novamente, mesmo que por um curto período de tempo. Segurei sua mão apenas como um ato simbólico, pois sentia que ela estava frágil e precisava de cuidados e apoiar meu peso para que eu me levantasse, não lhe faria bem.

Virou-me as costas e voltou para a sala, assim que me coloquei de pé. Esperei um tempo antes de segui-la e quando o fiz, ela já estava acomodada no sofá, com seu novo animalzinho no colo. A cachorra, por sua vez, repousava calmamente sobre as pernas da dona, como se soubesse que ali era seu verdadeiro lugar.

-Como vocês sabiam que eu queria um cachorro? –perguntou Serena, com um sorriso leve.

-Te conhecemos, amiga. –disse minha irmã, revirando os olhos. –Foi o Tay que a escolheu, disse que combinava com você.

-Na verdade, eu escolhi essa porque é da mesma raça do cachorro da foto que você fez para uma revista uma vez. Aquela foto era de uma propaganda, não era? –disse eu, passando a mão pelo cabelo. Não queria que ela interpretasse errado o que minha irmã disse.

Serena colocou a cachorra de lado, levantou-se e correu para me abraçar. Quando ela o fez, senti a vida correr por minhas veias como um choque elétrico, algo nunca sentido antes. Senti-me renovado.

Desde daquele nosso infame encontro no hospital, pensei que quando se encontrasse comigo, minha garota de olhos azuis me trataria com desprezo, mas pelo contrário, ela estava leve e serena, como se algo de importância muito grande estivesse acontecendo com ela. Estava naturalmente mais bela e o melhor de tudo, estava feliz.

A cachorrinha, já acorda de sua pequena soneca, latiu chamando a atenção de sua dona para si e fazendo com que a mesma desfizesse o abraço.

-Não fique com ciúmes Aia, estava apenas agradecendo por ele ter me presenteado com você. É um amigo. –disse ela, se aproximando do animalzinho e acarinhando-o, quando estava próxima o suficiente.

-Aia? –Makena e eu indagamos ao mesmo tempo.

Não me leve a mal, Makena e eu nunca tivemos essa sincronia ao falar, mas esse nome era estranho, até mesmo para um cachorro. Não era de se admirar que o questionássemos.Ficamos encarando Serena em busca de respostas, mas a mesma se limitava a acariciar Aia, segurando um sorriso zombeteiro nos lábios.

-É a palavra cherokee para “eu”. –a resposta veio do irmão dela, que até agora se limitara a nos observar. –Também era o nome da cachorra de nossa vizinha, Downey, ela e sua cachorra passaram muito tempo cuidando da Serena, enquanto eu ia para a escola e meus pais iam trabalhar.

“Também era o nome da cachorra de nossa vizinha, Downey, ela e sua cachorra passaram muito tempo cuidando da Serena, enquanto eu ia para a escola e meus pais iam trabalhar.” – essa frase ficou rondando minha cabeça, enquanto a resposta ficou no ar. Por que motivo Serena não iria à escola também? Essa era mais uma pista para o passado misterioso dessa atriz.

A sala caiu num silencio reflexivo.Ninguém ousou interrompe-lo, exceto Aia, que latia e corria pela casa como uma criança em um parque de diversões. Ela estava fazendo a maior bagunça, pois até fazer xixi no tapete ela fez.

Serena ralhou com o animal, fazendo com que ela se encolhesse momentaneamente, como se soubesse que aquilo era errado. A dona chamou a empregada que se assustou com o novo membro da família, mas tirou o tapete e o substituiu por outro assim que se recuperou do choque.

-Você está se sentindo melhor, Serena? –perguntou minha irmã, quebrando o silencio após um longo tempo.

A loira sorriu e assentiu, colocando em seguida a perna em cima do sofá.

-Só dói um pouco de vez em quando, por conta de eu não poder tomar todos os remédios, você sabe... Mas de resto, vou ficar bem. Até o pino já tirei! –disse sorridente.

-Como assim não pode tomar todos os remédios? –assustei-me com aquilo. Não era normal uma pessoa não poder tomar remédios para se recuperar, a não ser que tivesse uma alergia, ou... Será que estava tudo bem mesmo?

Todos na sala me olharam com caras estanhas, inclusive Aia. Nesse momento, soube que ME escondiam mais um segredo.

A porta bateu na parede com um baque surdo, desviando a atenção de todos para aquela direção e para uma Amy vestida como um rapper, incluindo as calças largas, camiseta grande e boné, também usava uns óculos estranhos. Pouco eu conhecia dela, mas conhecia o suficientemente em para saber que aquilo era fora do normal.

-Vocês acreditam que tive de me ridicularizar a esse ponto para conseguir entrar aqui? –disse ela, andando até onde estávamos, antes de sentar no tapete, totalmente à vontade. –E ainda tive de entrar pelos portões dos fundos!

Aia, curiosa, foi até a recém-chegada cheirar-lhe, mas foi afastada com um olhar do qual até eu teria medo. Agora que havia tirado os óculos, podíamos ver a maquiagem escorrida da menina, seus olhos estavam totalmente pretos, como os de um panda.

-Minha santa maquiadora! O que aconteceu com você? –Makenaperguntou, daquele seu jeitinho todo especial.

-Paparazzi. –disse a garota, tirando o boné e revelando o ninho de rato que se tornara seu cabelo. –Por todos os lados. Ao que parece, vazou a falsa informação de que a Serena está sendo mantida sob forte medicação em casa, doente demais para conseguir ir ao hospital.

-COMO ASSIM? –explodiu o alvo dos paparazzi, tropeçando ao se levantar. Corri para ampará-la, antes que chegasse ao chão e estranhei ao ver que todos correram para fazer isso também. Agora, estávamos em um estranho abraço coletivo. –Gente, obrigada, mas acho que podem me soltar agora. –disse ela, com um sorriso amarelo no rosto.

Ajudei a colocá-la de pé novamente, apenas para que a mesma se acalmasse e se sentasse novamente. Sentei-me ao seu lado, a fim de ficar de olho caso ela quisesse levantar e tropeçasse novamente.

-De onde surgiu essa informação? –perguntou Anthony.

Mas Amy apenas balançou a cabeça negativamente, indicando de que nada sabia.

-Foi isso que consegui arrancar daqueles que estavam ali na frente do portão principal, antes de me reconhecerem e fazerem isso em busca de informações. –disse, indicando a si própria. –Depois arranjei esse kit disfarce dentro do carro e consegui dar a volta pelo portão dos fundos, como uma pessoa qualquer. Sorte que o Bill me reconheceu e me deixou entrar.

-Falaram mais alguma coisa? –estava ansioso por saber tudo o que diziam. Quais mentiras inventariam... Esses paparazzi faziam de tudo por uma notícia bombástica, inclusive destruir a vida de alguém.

Amy respirou profundamente, antes de soltar a bomba final.

-Só inventaram mais uma história digna de Nicholas Sparks. –disse, revirando os olhos. –Perguntaram se era verdade que a Serena estava à beira da morte e se você veio passar seus últimos momentos com sua amada. Viram seu carro ali e...Provavelmente a matéria estará em todas as revistas de fofoca de amanhã.

Simplesmente raiva. A sala se tingiu em vermelho sangue, no momento em que aquelas palavras foram proferidas. Passei anos sendo e vendo meus amigos serem perseguidos pela imprensa, todos nós sendo ridicularizados nas absurdas histórias que inventavam, uma pior que a outra, mas isso era o fim! E eu iria acabar com isso de uma vez por todas.

Como se lesse meus pensamentos, Serena levantou e andou firmemente para a porta da frente, sendo seguida de perto por mim e por todos os outros. Senti que estavam preocupados com nossa atitude inesperada, mas não tinha tempo para pensar nisso, pois eu tinha que agir.Nós tínhamos que agir.

Andamos até o portão da casa e ficamos encarando aquele monte de paparazzi, que estava a nos fazer perguntas, uma mais absurda que a outra.

-É verdade que estão juntos? –perguntava um.

-Serena, que tipo de doença você tem? Ouvi dizer que é grave. –dizia outro.

-O que aconteceu para não sair de sua casa há dias?

-Taylor, me fale sobre seu relacionamento.

E por aí ia. Eram tantas perguntas que eu não conseguia assimilar todas. Mas isso não importava, eram todas absurdas e sem nexo.

Para minha surpresa, Serena pegou minha mão e me puxou para mais perto, quase se encostando às grades, onde choviam microfones e gravadores, ansiosos por um pronunciamento.

-Não vou chamar os seguranças. –ela sussurrou ao meu ouvido. –Quero que me ajude a colocar Skeeter para dentro.

-COMO ASSIM A SKEETER?

Serena deu um sorriso torto e encarou a multidão à sua frente. Não precisamos esperar muito para que Skeeter aparecesse, acompanhada de seu fiel cachorrinho, Matthew Klosh.

-Serena, poderia nos dizer se os rumores são verdadeiros? Está mesmo muito doente? –a jornalista perguntou gentilmente.

A garota estava prestes a falar algo, quando eu me coloquei a sua frente e me colei ao portão, ficando o mais próximo que podia daquelas pessoas sem índole, que perguntavam tantas coisas e distorciam nossas palavras ao publicar suas matérias.

-No portão dos fundos, daqui 10 minutos. Não seja seguida.

Virei as costas e saí dali, junto com todos os outros. Era a hora do show.

Serena P.O.V.

Pequenos tecidos e pequenos formatos para um amor e pensamentos tão grandes.

Depois da confusão em minha casa, resolvi dar as caras nas ruas de Los Angeles, a fim de mostrar que aquele estardalhaço que faziam era exagero e também para fazer algumas compras para a festa do meu aniversário, que seria dali a uma semana.Liguei para Gabi e fomos todos para o shopping mais próximo fazer as compras necessárias para a festa. Mas não resisti ao passar em frente a uma loja de artigos infantis, tive de entrar e ver algumas coisas para meu bebê.

-Olha esse aqui, Serena. –disse Gabi, me entregando uma roupinha marrom com a touca em formato de urso.

Não pude deixar de rir ao imaginar eu vestindo meu bebê com aquela roupinha. Separei aquela roupinha juntos com as outras que iria comprar e fui ver alguns sapatinhos.

-Acha que eles voltam logo? –perguntei à minha amiga. –Estou com muita vontade de ver outras lojas de bebê.

Gabi olhou para mim e suspirou. Ela achava um absurdo eu esconder minha gravidez de seu primo, mas não contou nada para ele, desde que lhe contei a novidade e pedi segredo. Ela passou a mão em meus cabelos, antes de segurar minha mão e me puxar para dentro de um dos provadores da loja.

Não disse nada, me deixou no provador e foi atrás de uma vendedora que passava por ali. Mesmo sem entender coisa alguma, fiquei ali esperando minha amiga voltar com... Uma barriga de pano e um vestido?

-Aqui, veste isso e me diz o que vê. –disse ela, empurrando as coisas para mim.

-Mas...

-Nada de mas, Serena, apenas vista-se. –e fechou a cortina do provador. –E quanto a sua pergunta, Taylor é um crianção, ele adora ficar horas e horas jogando naquelas máquinas estranhas do playcenter, ou seja lá o que for aquilo!

Sem ter muitas opções, revirei aquele amontoado de tecidos, até saber como vesti-los. Sabe, é extremamente difícil colocar uma barriga falsa, não sei como as atrizes lidam com isso com tanta naturalidade nos filmes, porque esquenta e é pesado, mas isso nem é o pior de tudo, pois colocar a roupa é pior ainda, a barriga lhe faz perder totalmente a noção do tamanho do seu corpo.

Calei meus pensamentos assim que vi minha imagem refletida no espelho. Uma série de imagens sobre meu futuro com meu filho passou em minha mente, pude sentir seu cheiro, seu delicado toque, enquanto eu o amamentava e admirava seus lindos olhos castanhos, iguais ao do pai. Meu coração finalmente se inflou e um sentimento novo nasceu. Até aquele momento, estava apenas conformada com minha gravidez precoce, amando meu filho de forma vaga, não entendia o verdadeiro significado de ser mãe. É provável que eu ainda não o soubesse por completo, porém aquilo me abriu os olhos.

Abri a cortina do provador com tudo, ansiando mostrar para Gabi como fiquei e segredar-lhe o que sentia, mas ela já não me esperava em frente ao provador, mas sim no meio da loja, conversando com Amy. Não viram eu me aproximar, mas assim como eu, se calaram no momento em que me viram daquele jeito.

-Pela primeira vez desde que descobri a gravidez, me senti verdadeiramente mãe. –confessei para minhas melhores amigas. –Não é apenas estar grávida, é... Muito maior do que isso!

Me abraçaram com carinho e eu me senti em paz.

Provavelmente Gabi sabia o que estava fazendo e sabia como eu me sentiria ao ver meu futuro. Eu, com barriga de seis meses, verdadeiramente vi o que me aguardava: a felicidade, o amor e a imensa responsabilidade. Não podia fazer isso sozinha, tinha de contar ao Taylor, precisava do pai do meu filho por perto, mesmo que como amigo.

-Então, você não acha que já está na hora de contar? –Gabi sussurrou ao meu ouvido.

Me afastei das duas e assenti. Virei-me e fui para o provador trocar de roupa. Enquanto o fazia, Amy enfiou a cabeça pela cortina, me assustando.

-Quase me esqueci, Anthony pediu para que eu viesse chamar vocês para ir à praça de alimentação, ele disse que você tem que tomar um remédio, mas tem que comer antes.

-Sério que você me assusta só para dizer isso? –perguntei, voltando a me vestir.

Ela se afastou rindo, deixando que eu terminasse o que tinha de fazer.

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É incrível como um simples gesto pode mudar completamente seu dia, seu modo de ver as coisas. Agora, tudo era colorido, vibrante e lindo. Não havia coisas tristes, apenas a felicidade e tudo o que eu via era o amor, coisa mais bela e preciosa no mundo, coisa que todos merecem, mas poucos o possuem.

Amor de amante, amor de irmão, amor de amigo, amor de mãe para filho, pai para filho, filho para pai, amor para desconhecidos, amor compaixão, amor perdão, simplesmente amor. Eu senti todo esse grande amor, pois a vida me concedeu e eu abraçaria isso intensamente.

Sua face confusa com o meu constante encarar só fazia meu coraçãobater com mais intensidade de tamanha a minha alegria. No fundo, no fundo, ele sabia que o que estava por vir e não era apenas uma nova chance, mas algo muito maior que isso. O plano já estava armado, iríamos ao parque dar uma pequena caminhada ao ar livre, era bom para minha plena recuperação, assim como era um bom lugar para uma grande revelação.

Estávamos agora a caminhar pelo shopping em direção ao estacionamento. Em meio a brincadeiras, éramos um bando de inconsequentes, amigos se divertindo. Quem via meu sorriso, não diria que poucas horas antes estava trancada dentro de casa me martirizando pelofato da vida ter sido dura comigo.

-Acho que preciso de uma ajudinha. –disse eu, quando chegamos a uma escada rolante que estava parada.

Discretamente, Taylor foi empurrado até mim. Ele me olhou apreensivo, como se estivesse estranhando minha calmaria. Na verdade, ele havia me olhado assim o dia todo. Cuidadosamente, passou um braço pela minha cintura e fez com que eu passasse meu braço pelos seus ombros largos. Derreti-me no calor de seu toque, enquanto ele sustentava quase todo meu peso com o lado do corpo. Quando finalmente terminamos de descer a escada, ele me soltou o mais rápido que pode e aquilo magoou um bocado, porém ergui a cabeça e segui meu caminho, até esbarrar sem querer em alguém e ir ao chão. Minha perna latejou tanto com a queda, que não consegui ver em que eu tinha esbarrado.

-Serena! –um coro de vozes veio ao meu encontro, me segurando delicadamente e me colocando em pé. Não senti as mãos de Taylor em meio as que me ajudaram.

-O que está fazendo aqui, Hannah? –ele perguntou rudemente para a pessoa em que eu havia esbarrado.

Minha visão foi clareando aos poucos, me permitindo ver a face da mãe do outro filho de Taylor e de sua amiga ruiva esnobe. Elas me olharam de cima a baixo, provavelmente avaliando meu frágil estado e minha simples vestimenta composta por jeans e uma blusa verde de uma alça só, pois vi quando seguraram o risinho.

-Apenas fazendo algumas compras para nosso filho, Tay. –disse Hannah, passando as mãos pela camiseta dele.

Sua barriga de cinco meses já era proeminente, bonita e harmônica com seu corpo. Ela era com toda a certeza uma grávida muito bonita por fora, mas não por dentro. Em meus cursos de atuação eu havia aprendido uma coisa: uma verdadeira grávida inconscientemente tinha brilho intenso nos olhos e mostrava uma beleza profunda, não apenas superficial, portanto, para representar uma grávida, deveria acima de tudo, sentir-se uma. Não era o que Hannah aparentava. Estava grávida apenas de corpo, não de amor, não de alma.

-Vem junto comigo? –perguntou ela à Taylor, fazendo voz falsamente manhosa.

Ele olhou para todos nós, fitando um a um. Sabia que ninguém ali gostava de Hannah, ficava apreensivo com isso, ainda mais com ela demonstrando tamanha e falsa intimidade publicamente. Implorei-lhe com os olhos para que viesse conosco.

-Vou dar uma palavrinha com Hannah e já alcanço vocês.

Meu coração murchou um pouco. Virei as costas e novamente segui meu caminho.

O amor é maravilhoso, mas muitas vezes machuca mais que vidro quebrado.

(Continua...)

N/a: 
que estão achando? A PP vai realmente contar para o Tay que está grávida? Façam suas apostas! Quero saber o que pensam! Só digo que os próximos capítulos são de idas e vindas. Muita coisa irá acontecer, alguns mistérios, P.O.V. Desconhecido... (Ops! Um spoiler! Kkkkk’). Veremos também uma festa com flashbacks, um pouco mais da vida dos personagens secundário, entre outras coisas. Realmente espero que estejam gostando da fic. Beiijos e até a próxima.




Um comentário:

  1. Eu só acho que Taylor vai descobrir a gravidez por outra pessoa, e não por Serena! Tbm acho que ele vai saber mais sobre o passado de Serena!

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