21 abril 2014

Fanfiction: Caras e bocas - Capítulo 18


Serena P.O.V.

Avaliei-me no grande espelho de corpo inteiro de meu quarto e decidi que estava bonita. Meus cabelos caindo em cascatas cacheadas por meus ombros até a altura da cintura, o batom vermelho combinado com delineador preto e sombras em tons de pêssego, o vestido azul marcado apenas no busto e caindo em camadas de cetim e crepe voal abaixo disso, escondendo a leve protuberância em minha barriga, que começava a ficar evidente.


-O que acha, Aia? –perguntei para a cachorra, que se encontrava deitada em minha cama.

-Só acho o salto um exagero.

Virei-me e dei de cara com minha mãe na porta do quarto. Ela estava simplesmente linda em seu tubinho preto, que contrastava com a pele e os cabelos extremamente claros. Encarava meu pé com receio, achando que eu não seria capaz de andar suficientemente bem com salto.

-É pequeno. –disse eu, voltando meus olhos para os sapatos xadrez preto e branco, estilo boneca que calçavam meus pés.

Havia tirado o gesso dois dias antes, andava bem, mas teria de fazer fisioterapia para voltar completamente ao normal. Não sentia dor alguma e tinha perguntado ao médico se podia usar salto e ele disse que não tinha problema, desde que o salto não fosse muito alto. Não considerava cinco centímetros alto, mas mamãe era super protetora e implicou com o sapato desde que eu havia dito que ia usá-lo no dia da festa.

-Mesmo assim, filha. –disse ela se aproximando de mim. –Não acha que é melhor usar uma sapatilha agora e deixar o salto para quando estiver completamente recuperada?

Balancei a cabeça e a abracei com força. Minha mãe sabia que eu era teimosa e iria com o sapato que eu usava, não entendia porque insistia naquilo, por isso me calei a fim de evitar brigas. Ela retribuiu o abraço com força e caiu no choro, quando eu disse que a amava. Arrastei-a até a cama e logo Aia veio se acomodar entre nós e mamãe começou acarinhá-la, antes de deixar seu olhar se perder em algum lugar.

-Como o tempo passou tão rápido, querida? –perguntou, colocando uma mecha de meu cabelo atrás de minha orelha. –Lembro-me de ter você em meu peito há pouco tempo e agora... –virou seu olhar nostálgico para mim. –Agora é uma mulher, assim como eu fui com sua idade, com um filho no ventre e vida de adulto a enfrentar.

Arfei com aquelas palavras. O quarto começou a girar, enquanto as paredes pareciam estar se fechando sobre nós. Respirei fundo, tentando colocar os pensamentos em ordem. Como ela havia descoberto? Só se...

-O Anthony te contou? –perguntei perplexa. Não conseguia imaginar meu irmão me traindo daquele jeito, mas essa era a única explicação.

Minha mãe riu, passou a mão levemente por minha barriga de 11 semanas e suspirou resignada. Levantou-se de minha cama e foi até meu closet e saiu de lá com uma sacola de uma loja em que eu havia comprado roupas de bebê. Não demorei muito para perceber que era da loja onde eu decidira contar para Taylor sobre minha gravidez. Ela tirou de lá a roupinha em forma de urso, apertou nas mãos e a trouxe até mim.

-Sou mulher, Serena, além de ser sua mãe, percebo tudo o que acontece com você. Já havia percebido o início das mudanças em seu corpo antes da viagem, depois vieram os enjoos e minha desconfiança aumentou. Esses dias encontreiisso em meio às suas roupas. –sentou-se novamente a meu lado e encarou-me com olhar de gelo. – Quando pretendia me contar?

Abri a boca para responder, mas Amy, Gabi e Makena entraram em meu quarto num rompante, interrompendo completamente a conversa. Minha mãe nada disse, apenas olhou para mim como se dissesse: “Conversamos mais tarde”, cumprimentou as meninas e deixou o quarto, fazendo com que um clima extremamente pesado se instalasse ali.

Peguei a roupinha e a guardei na sacola novamente, antes de me jogar de costas no colchão e olhar para o teto perdida em pensamentos. Senti que minhas amigas sentaram-se no colchão a minha volta, deixando Aia incomodada e fazendo com que ela viesse se deitar em meu peito.

-Minha mãe já sabe. –disse-lhes o óbvio.

Makena se aproximou de mim e deixou que seus longos cabelos caíssem em minha face, ao olhar para mim. Aquilo fez cócegas, mas gostei de ter minha amiga se solidarizando comigo, fez com que eu não me sentisse só.

-Então não está na hora de deixar meu irmão saber também?

Assenti, tirando Aia delicadamente de meu colo e sentando novamente. Uma a uma, abracei minhas amigas, agradeci por estarem comigo em um momento tão importante de minha vida.

Hoje era meu aniversário, meu lindo e maravilhoso dia. Mais um passo, mais um ano de vida e, mesmo com a pouca idade, já tinha tudo o que eu podia querer, uma família amorosa, amigos perfeitos, meu grande sonho se realizando através da série Os Imortais e um animalzinho amoroso e que me fazia rir sem executar nada de extraordinário.

-Vocês estão lindas! –disse sem saber se olhava para o belo penteado grego de Gabi, a delicada pulseira de Amy ou o glamoroso vestido de Makena. –Se fosse homem, eu pegava todas! –ri e elas me acompanharam.

Gabi, sofisticada como sempre, usava um vestido com busto creme e saia azul escuro, combinado com belíssimos saltos dourados, uma verdadeira mulher, a não ser pelo penteado, que lhe dava ar mais jovial. Usava pequenos pontos de luz no lugar de joias, fazendo com que ficasse mais linda e iluminada do que já era.

Já Amy não havia abandonado o rosa habitual. Usava um vestido de tom bem clarinho, com o corpo colado e a cintura marcada por uma fita em tom prateado, que combinava com a que combinava com a que estava sendo usada em seus cabelos, como uma tiara. Fiquei feliz em ver que usava os quartzos verdes que havia lhe dado em seu último aniversário. Nos pés, sapatilhas prestas.Parecia uma bonequinha.

Por fim, passei à glamorosa Makena, com seu curto vestido preto rendado e poderosos saltos meia pata. Como sempre, estava arrasando e provavelmente abalaria corações esta noite. Não pude deixar de notar nas lindas pérolas que trazia no pescoço e orelhas.

Depois da rápida analise, fui para minha cômoda e coloquei a tiara de strass, com a qual minha mãe havia me presenteado nesta manhã de 08 de Agosto. Ajeitei-a para trás da franja e conclui que estava pronta para a festa.

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Mais perfeita que eu podia imaginar, essa era a minha festa. Os convidados começavam a chegar e me cumprimentar por meu dia, porém não era isso que prendia minha atenção e sim o lindo ambiente. Por todo o gramado, foram espalhados tablados para as pessoas pisarem sem estragar nada.Aqui e ali, flutuavam os balões prata em forma de estrela, as mesas espalhadas ao redor da pista de dança, que se encontrava no centro de tudo em forma de círculo, as luzes coloridas, a luz da lua, que brilhava cheia e intensa naquela noite, a brisa morna de verão... Aquele ambiente me tomou conta e em poucos minutos estava flutuando em meio a tanta beleza. Tudo mais simples do que imaginara, porém mais belo também.

Saí correndo e saltando pelo lugar, admirando cada pequeno detalhe daquilo. Entrei em êxtase ao perceber que as flores nas mesas se tratavam de lírios brancos, os meus favoritos. Aproximei meu rosto de uma flor e inspirei profundamente seu doce aroma, antes de voltar a correr pelo espaço, em completo êxtase.

Com tamanha a minha distração, esbarrei em uma pessoa que dava duas vezes meu tamanho. Recuei alguns passos, atropelando desculpas e alegando ser extremamente desastrada quando estava extremamente feliz, como naquele momento, até que ergui os olhos e vi a face conhecida. Dei um gritinho de felicidade totalmente atípico e pulei em seus braços para um abraço de urso.

-Desculpa interromper o momento dos dois, mas quem é o bonitão aí, Serena? –perguntou Makena na maior cara de pau. –Toma cuidado, que o Taylor vai ficar com ciúmes.

Desfiz o abraço e virei-me para fuzilar aquela louca com os olhos. O pior de tudo foi que a indivídua fez cara de inocente e ergueu as mãos na altura dos ombros, fazendo-se de desentendida. Ethan riu, mas minha vontade era de fazê-la comer os próprios punhos por me constranger.

Respirei fundo e olhei para meu amigo surfista, com o melhor sorriso que pude arranjar naquele momento.

-Ethan, conheça Makena Inconveniente Lautner. –falei apontando para aquela sem vergonha. –E essas são Gabi e Amy. –completei apontando para cada uma, respectivamente. –Meninas, esse é Ethan, o cara que me tirou da água quando eu quebrei o pé.

-É um prazer conhece-las, madames. –disse ele, beijando a mão de cada uma, todo galante. Chegada a vez de Gabi, ela corou profundamente e com isso ele abriu um sorriso capaz de ofuscar qualquer coisa a sua volta.

Não pude deixar de sorrir ao vê-los daquela forma. Paixão à primeira vista. Eu realmente nunca acreditei que existisse, mas vendo aqueles dois era bem fácil mudar de ideia.

-Não sou especialista nisso, mas pintou um clima aqui...

-Makena! –Amy e eu a repreendemos, mas era tarde demais, a bolha dos dois havia estourado e Gabi tingia-se cada vez mais de vermelho, enquanto Ethan passava a mão distraidamente pelos dreads.

Eu estava pronta para tentar iniciar uma conversa com todos ali, na tentativa de acabar com o clima constrangedor que havia se instalado ali, quando Anthony chegou para salvar o dia.

-Ethan! O que está fazendo aqui, cara?

Eles apertaram as mãos firmemente.

Logo depois que saí do hospital, meu salvador pediu nossos contatos para se manter informado sobre meu estado de saúde, estava realmente preocupado comigo. Foi dessa preocupação que nasceu essa amizade. A família inteira fazia gosto, pois o surfista era boa pessoa e se mostrara solidário quando precisamos. Papai até disse que adoraria tê-lo como genro, mas tirei completamente a ideia de sua cabeça, pois meu sentimento por ele era apenas fraternal e era claro que isso era recíproco. O clima que rolou entre nós aquele dia na praia fora apenas uma fatalidade derivada da carência de cada um, nada mais.

-A Serena me convidou e eu vim. –respondeu, voltando os olhos verdes momentaneamente para mim. –Queria ver como extava essa baixinha.

Fiz uma careta para ele, expressando meu ‘desprezo’ pela sua escolha de palavras. Ele sabia que eu odiava ser chamada de baixinha. Meu irmão riu.

-Mas venha comigo, meu pai vai adorar saber que está aqui. –disse Anthony passando o braço por volta dos ombros de seu novo amigo e o conduzindo para longe dali.

-Serena, Makena, Amy, Gabi... –disse antes de se deixar ser levado para outro lugar. Pude ver como minha amiga, cujo nome fora o último mencionado estava visivelmente derretida pelo tom de voz e cordialidade de Ethan.

Makena riu da face sonhadora dela e Amy e eu a acompanhamos, o que fez minha amiga que era o motivo da piada corar mais um tantinho. Recuperada do encantamento, ela começou a ralhar conosco sobre nossa grosseria ao constrangê-la daquela maneira. Foi para cima de Makena e soltou leves xingamentos em cima da prima.

Nesse momento, começou a tocar EyesOn Me da Celine Dion. Essa música realmente não tinha muito a ver com uma festa jovem como aquela, já que tinha um toque Marroquino, mas havia algo nela que fazia com que eu me sentisse mais mulher. Corri para a pista de dança e comecei a movimentar meu corpo naquele ritmo estranhamente libertador, improvisei passos que eu achava ser de dança do ventre e libertei a energia acumulada em meu corpo.

Passei as mãos pelos cabelos e as deixei ali, enquanto tremia o quadril no ritmo da música, tirei a mão direita de meu cabelo e a deixei a poucos centímetros do osso lateral de meu quadril, institivamente mexi apenas o lado direito do quadril para cima e para baixo, deixando que minha mão acompanhasse o movimento, sem nunca encostar nele. Ergui meu olhar e comecei a movimentar os ombros em pequenas chacoalhadas para frente e para trás e foi aí que finalmente avistei Taylor. Ele me encarava fixamente, com olhar penetrante e faminto, baixou os olhos por meros segundos e voltou a me encarar. Caminhei pela pista de dança, movimentando os quadris, enquanto o chamava para dançar apenas com movimento das mãos e dos braços. Vagarosamente, ele caminhou até a pista de dança, fui de encontro a ele, sem nunca parar de dançar. Quando chegou perto o suficiente, peguei a gola de seu terno e o puxei para o meio da pista, para dançar junto comigo. Sem nunca tirar os olhos de mim, Taylor começou a se movimentar timidamente no ritmo daquela música, que provavelmente era desconhecida para ele. Coloquei as mãos no quadril e o rodeei dançando, depois parei de frente para ele e fiz movimentos pouco mais lentos, destacando meus olhos, o que só fez com que o ator me encarasse de maneira ainda mais intensa.

-Betterkeepyoureyeson me. –cantei junto com a música, dançando mais lentamente nos acordes finais. –Youreyeson me.

Respirei fundo depois da dança e voltei para o mundo real. Quando olhei a minha volta, fiquei surpresa com o número de pessoas que olhavam para nós com a boca escancarada. Corei ao perceber que mais uma vez havíamos dado um show de dança. Abaixei levemente a cabeça, rodeei os ombros de Taylor, que rodeou os braços em minha cintura e me conduziu no ritmo da música lenta que veio a seguir. Depois de algum tempo de dança, dei um jeito de espiar por cima de seu ombro, fiquei feliz ao constar que mais ninguém nos olhava.

-Você demorou, não veio com Makena... –disse eu, recostando a cabeça em seu peito. Inspirei seu perfume másculo e relaxei nos braços fortes. –Pensei que não vinha.

Sua risada rouca me arrepiou e me transportou para um mundo tranquilo, muito longe dali. Ele acariciou meus cabelos e depositou um leve beijo no topo de minha cabeça.

-Precisava passar em um lugar antes de vir para cá. –disse me afastando de si e segurando uma minhas mãos com uma das suas, enquanto a outra buscava algo no bolso da calça. Tirou de lá uma pequena caixinha de veludo, colocou na mão que ele segurava e fechou meus dedos a seu redor. –Feliz aniversário, Serena.

Com um sorriso de criança no rosto, abri a caixinha e encontrei lá um fino aro de prata com uma delicada pedra azul em forma de gota no meio. Ergui meus olhos para ele, totalmente encantada com o presente, não havia palavras para agradecer.

Em um ato inesperado, Taylor tirou o anel da caixinha e colocou minha mão direita sobre a sua só para em seguida deslizar o pequeno objeto por meu anelar. Existiam grandes possibilidades do anel não caber, porém o encaixe era perfeito, ele havia acertado na mosca.

Estava prestes a agradecer, quando minha mãe apareceu e me encarou com olhos frios. De repente meu mundo encantado ruiu e a realidade me atingiu em cheio, lembrando-me da conversa que tivera com minha mãe mais cedo. Senti meus olhos se arregalarem e minha pressão descer minimamente, pois sabia que ela estava prestes a continuar a conversa ali, na frente de Taylor. Provavelmente ela achava que ele era o pai (e estava certa) e já sabia de tudo, contando que depois daquele dia no shopping, nos encontramos todos os dias.

‘Não!’, eu queria gritar para minha mãe. ‘Ele não sabe de nada!’, mas era tarde e ela já abria a boca para falar algo.
                      
-Oi, Taylor! –disse ela, toda simpática. –Que bom te ver por aqui, já estava com saudades.

Não pude evitar fazer uma careta de confusão. Aquela não era minha mãe! Calculei as possibilidades de um alienígena ter abduzido ela enquanto eu estava longe, mas como as possibilidades eram baixas, concluí que algo havia acontecido. Procurei a minha volta algo que pudesse me dar respostas mais concretas sobre o que havia acontecido, encontrei a mesa em que meu irmão e meus amigos se encontravam e todos nos encaravam com faces preocupadas. ‘Vocês conversaram?’, perguntei a eles apenas movendo os lábios e como resposta recebi um aceno da parte de Anthony.

Eu realmente queria fazer algo, mas estava totalmente sem ação ante a tagarelice de minha mãe. Meu medo era que ela falasse algo para ele, antes que eu pudesse contar, sabia como ela era bem capaz de fazer isso só para me punir por minha irresponsabilidade.

Fiquei lá, olhando-os de boca aberta, como se algo houvesse me petrificado. O bom era que eu tinha amigos de ouro, que vieram me ajudar.

-Hey, Tay! A Skeeter está no portão e quer falar contigo. –disse Makena, pegando o irmão pelo braço.

-Mais tarde nós conversamos Sr.ªGligeusky. –disse ele, deixando-se arrastar pela irmã. –Mas comigo, não com a Serena? –perguntou para a irmã enquanto se afastavam.

Respirei aliviada. Fora graças a Deus e a Makena que Taylor não descobrira sobre minha gravidez por minha mãe. Por falar nela, assim que Taylor saiu de perto, ela voltou a me fuzilar com os olhos, indicou com a cabeça uma mesa vaga e se encaminhou para lá, sendo seguida de perto por mim.

-Por que não contou para ele? –perguntou indo direto ao ponto.

Mordi o lábio e pesei a maneira certa de contar. Era um assunto extremamente delicado, precisava ser tratado com extremo cuidado, ainda mais com minha mãe estando chateada daquela maneira. Doía vê-la assim comigo, mas não podia fazer nada até que ela se conformasse com a ideia.

-Porque... –comecei, ainda sem saber o que dizer. –Porque... Eu estava com medo! –minhas amigas se aproximaram e sentaram-se a mesa também. Se minha mãe não as queria por perto naquele momento, ela disfarçou bem. Amy apertou minha mão com força e eu prossegui. –Quando eu tomei coragem para contar, veio a idiota da Hannah e estragou tudo! Ele nem me deu mais atenção naquele dia! Tentei lhe contar nos dias que se seguiram, mas sempre havia algo que me cortava na hora! –despejei tudo em uma avalanche. O ar me faltou ao terminar de falar, mas não me importei, pois me senti extremamente mais leve depois de contar isso a minha progenitora.

-Quando você pretendia contar a mim e ao seu pai, querida? –perguntou em tom mais leve. Ela sabia de minha rivalidade com Hannah e também sabia como a gravidez da ‘desgramenta’ me abalava.

-Depois que contasse ao Taylor, eu acho. –respondi balancei a cabeça negativamente e ergui os ombros para complementar a resposta.

Encarei todos ali naquela mesa, mas apenas um olhar me prendeu e esse era o da irmã do assunto. Ficamos nos encarando por um bom tempo, o que me fez reparar em como seus olhos eram extremamente parecidos, tanto na cor, quanto no formato. Ela deslizou a mão pela mesa até pagar na minha e olhou ainda mais profundamente em meus olhos. Senti-me invadida.

-Você tem que contar logo.

-No final da festa eu conto. –consegui responder em um fio de voz.

Minha mãe encarou-me compreensiva e aquilo me trouxe ainda mais paz. Era tão bom saber que a fúria dela não durou por muito tempo...

-Vocês deveriam ter se cuidado. –falou após um curto silencio. –Não que seja ruim, mas ainda é muito nova e eu sempre te ensinei a importância da camisinha... Não estava tomando seus remédios?

Fechei os olhos e aquele dia voltou à minha mente em um flash. Podia sentir seu cheiro, a maciez do tapete, seu corpo quente contra meu, sua voz rouca em meu ouvido e a sensação de me sentir completa. Suspirei e respondi:

-Provavelmente o remédio que o médico me deu por conta da asma era algum tipo de antibiótico, a camisinha estourou e bem, a explicação já está aí, eu acho. –dei de ombros. –Essa gravidez foi inesperada, mãe. Eu me cuidei, mas aconteceu.

Em um segundo, Makena e Amy largaram minhas mãos e todas sentaram-se relaxadamente em suas cadeiras, começaram conversas paralelas. Não entendi o porquê disso, até sentir uma mão quente em meu ombro desnudo.

-Você está grávida? –aquela linda voz chegou até mim em tom furioso.

Lentamente, virei a cabeça para trás pronta para dizer algo, mas a raiva em seus olhos me emudeceu. Abri a boca, mas som algum saiu. Repeti isso várias vezes na esperança de encontrar minha voz, mas nada aconteceu. Meu coração batia freneticamente pelo susto, a respiração estava suspensa e meu corpo inteiro tremia.

-Serena, você está grávida? –repetiu, apertando a ponte do nariz.

Num primeiro momento, não consegui expressar reação alguma, mas logo comecei a gesticular freneticamente, porém sem conseguir soltar uma palavra que fosse. Abruptamente, parei de gesticular, tomei coragem e fiz o que deveria fazer. Apontei primeiramente para mim, para ele e finalmente para a casa. Sem esperar respostas, levantei-me e saí andando, sendo seguida de perto. Parava quando necessário, cumprimentava os convidados, ria quando era preciso... Demorou um tanto até que conseguíssemos entrar em casa, mas quando conseguimos, ele já foi se exaltando.

-Esse filho é de quem? –perguntou um tanto rude.

Fiquei indignada com sua pergunta. Gritei de raiva e comecei a subir a escada, porém ele não me seguiu.

-Você não vem?

-Por quê?

Gritei mais uma vez e desci para busca-lo. Desta vez, o puxei pela manga do terno e ele veio sem resistir.  Transpusemos a grade que fora posta no alto da escada para segurar Aia lá em cima e logo fomos atacados por um pequeno furacão peludo, que pulava em nossas pernas e mordia levemente nossos tornozelos.

Abaixei-me para pega-la nos braços, antes de entrar no quarto. Lá dentro, sentei-me na cama e indiquei o divã aos pés da cama para Taylor, mas ele permaneceu de pé, ainda na soleira da porta. Esperei alguns momentos para ver se ele se sentava, mas como não o fez, respondi a pergunta que ele havia feito na sala:

-É claro que esse bebê é seu.

Ele me estudou atentamente, caminhou pelo quarto e parou a minha frente. Seu olhar duro fixo em mim me dava calafrios e raiva ao mesmo tempo. Não disse nada, apenas ficou me encarando sem descanso, até que eu me irritei e comecei a andar pelo quarto, completamente sem rumo. Coloquei Aia no chão. Seu olhar me seguia o tempo todo, não me dando descanso algum. Aquilo fez a raiva subir pela boca e deu-me impulso para correr em sua direção e bater em seu peito o mais forte que pude. Como estava desavisado, consegui derrubá-lo na cama.  Levantou-se rapidamente, os lábios brancos em uma linha extremamente fina.

-Como posso saber que é meu?

-PORQUE NÃO SOU COMO AS ‘MULHERES’ QUE VOCÊ ESTÁ ACOSTUMADO A ESQUENTAR SUA CAMA! NÃO TRAGO UM POR NOITE PARA MEU QUARTO! –gritei, totalmente estupefata com o tratamento que ele dirigia a mim. Nunca, nem quando tínhamos aquela velha rixa, ele havia me tratado tão rudemente. – Estou de 11 semanas, você sabe muito bem onde e com quem eu estava há onze semanas.

-Por que não me contou antes? –a raiva ainda era evidente em sua voz, mas o desprezo se fora, deixando a fala pouco mais suave. Ele acenou uma vez, como quem tivesse entendido meu raciocínio, porém em momento algum deu a entender que acreditava em mim. – Ia contar só quando a barriga aparecesse?

Avistei a sacola com as roupinhas de bebê, bem no momento em que Taylor proferiu a pergunta. Andei até a sacola e peguei a roupinha de urso de lá de dentro, me aproximei dele novamente e estiquei para ele, que a pegou confuso. Eu realmente não sabia no que aquilo faria diferença, mas eu tinha que fazê-lo.

-Eu ia contar no dia em que comprei essa roupinha. –falei olhando a pequena peça. –Ia contar quando chegássemos ao parque, só que você ficou distante de todos depois que encontrou aquela maldita Hannah na saída do shopping. Apesar de termos nos aproximado depois disso, ela estava sempre lá para atrapalhar. Sempre que ia abrir a boca para te contar, ela ligava ou mandava uma mensagem para você. Teve até aquela vez que ela apareceu na sua casa na hora do café. Lembra que Makena havia nos deixado a sós sem motivo aparente? Era para que eu contasse, mas ela apareceu bem nessa hora. –disse eu, colocando o desprezo em minha voz cada vez em que tinha de mencionar aquela víbora.

-Devia ter arrumado uma maneira de contar. –falou agressivamente. –Eu tinha o direito de saber. Hannah pode até não ser flor que se cheire, mas ela me contou quando descobriu sua gravidez.

Taylor estava totalmente fora de si e isso me apavorava. Nunca o havia visto assim, tinha medo do que ele pudesse fazer.

Ele jogou a roupinha na cama e partiu para cima de mim como um troglodita, segurou meus braços com força e me sacudiu várias vezes. Tentei lhe dar um chute entre as pernas, mas o que eu tivera antes foi apenas sorte dele estar distraído, por isso consegui derrubá-lo, porém agora ele estava totalmente atento e conseguiu desviar meu joelho com a própria perna. O bom da minha tentativa foi que ele me soltou.

Afastei-me totalmente amedrontada com sua reação. Instintivamente, coloquei as mãos em meu ventre de forma protetora, com medo de que ele fizesse algo. Ele olhou para onde minhas mãos estavam, finalmente descobrindo a pequena protuberância naquele local, se aproximou com a mão estendida e eu corri para a porta.

-Você é um monstro. –falei dando pequenos passos para trás. –Meu filho nunca terá seu nome! Nunca, nunca mesmo imaginei que fosse me agredir dessa maneira... –de uma hora para outra, sua expressão passou de raiva e frustração para surpresa. –Nem que você quisesse eu o deixaria assumir essa criança. –ele se aproximou alguns passos. –Fique longe de mim! 

Saí apressadamente do quarto, com Aia em meu encalço. Não liguei para seus latidos, quando transpus a grade e comecei a descer rapidamente a escada. Não era o medo que me invadia naquele momento, mas sim a raiva por conta de sua reação idiota e a raiva por saber que ele estivera prestes a fazer mal ao meu filho.

Chegando à porta que dava para os jardins da frente, respirei fundo, me recompus e voltei para a minha festa, já não tão perfeita como antes.

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Depois do choque pelo acontecido ter passado, eu havia me animado e até estava aproveitando bem a festa, que ainda estava apenas no começo.

Minha mãe e minhas amigas até haviam tentando saber no que tinha dado a conversa, após me verem saindo completamente arrasada de dentro de casa, mas tudo que fiz foi balbuciar algumas palavras tranquilizadoras, antes de sair andando sem rumo pela festa.E foi exatamente isso que me fez bem. Conversar com pessoas que já não via há algum tempo, ouvir felicitações por meu aniversário, dentre outras coisas. Isso fez minha cabeça se desligar daquele problema e focar na festa, no que realmente deveria ser aproveitado. Neste momento estava tão entretida em uma conversa com uma ex-colega de classe, que quase não ouvi me chamarem.

-Serena? –chamou o rapaz loiro de olhos castanho mel.

A princípio não o reconheci, mas depois de analisar os traços tão estranhamente familiares, foi impossível não lembrar. Tive vontade de gritar de alegria ao vê-lo, porém me contive antes de fazê-lo e pedi licença à menina com que conversava, antes de correr para abraçar o tão mudado Dylan.

Soltei-me de nosso abraço e me coloquei a analisa-lo melhor. Estava um tanto mais encorpado, o rosto havia ganhado linhas pouco mais profundas e másculas, estava mais um tanto mais alto também, porém o cabelo extremamente liso ainda continuava a cair teimosamente em seus olhos.

-Wow! –disse eu estupidamente, após minha analise. –Você mudou, meu brownie.

Ele riu de minhas palavras e me abraçou mais uma vez, apenas para sussurrar em meu ouvido:

-Você também mudou muito, morango. Está mais bonita e aparentemente mais saborosa. –me afastei e bati em seu ombro. –Dá cada vez mais vontade de morder.

-Cuidado, cuidado, moço. –falei colocando as mãos na cintura e batendo um pé, igual a aqueles desenhos estranhos. –Sua vez acabou no momento em que saí de Downey. –ele riu, passou um braço pelo meu, antes de me conduzir pelo ambiente, exatamente como fazíamos no passado. –Falando em Downey, como estão as coisas por lá?

Ele deu de ombros. Avistou a mesa onde minha família se encontrava e se direcionou para lá, me levando junto consigo. Dylan engajou numa conversa animada com toda família, contando as aventuras que teve, após deixarmos a cidade. Nessa conversa, descobri que ele havia saído da cidade para ir morar com uma tia perdida em Nova York e que desde então nunca havia voltado para a casa dos pais. Disse que só soube da minha festa, pois os pais mantiveram o mesmo endereço e o avisaram quando o convite chegou.

Cansada de tanta conversa, levantei-me da mesa e corri para o canto onde minhas amigas estavam na pista de dança. Chegando lá, elas nem me deram tempo para respirar e já foram perguntando todas curiosas quem era o meu acompanhante da vez. Quando eu contei quem era, Amy abriu a boca tão enormemente, que me imaginei colocando um bolinho inteiro ali dentro.E quando as primas pediram mais explicações sobre a pessoa, foi minha amiga de infância quem contou a maior parte da história. Quando contei a elas que ele foi o meu primeiro... Aí que o estardalhaço foi feito e elas começaram a gritar feito um bando de doidas, enquanto dançavam. Quiseram saber tudo sobre ele, desde qual a cor preferida, ao tamanho do calçado. Respondi-lhes tudo o que podia, mas não pareceram satisfeitas até que ele apareceu ali na pista e me convidou para dançar.

Estranhei aquilo, pois sempre odiara dançar. Aceitei seu convite, totalmente desconfiada, porém esqueci a desconfiança no momento em que o vi se movimentando como uma lombriga descontrolada, sua frustrada tentativa de dança. Para não fazê-lo pagar tanto mico assim, comecei movimentar meu corpo estranhamente também, fingindo estar sensualizando e logo nós dois pagávamos o maior mico na pista. Fiquei de frente para suas costas, coloquei minhas mãos em seus ombros, desci-as por toda extensão do tronco, até chegar aos glúteos e dar-lhe o maior tapa na bunda de todos os tempos. Rindo incontrolavelmente, voltei a ficar de frente para ele e me requebrar loucamente. Me senti flutuar durante isso, totalmente liberta e feliz. Era bom rir e me divertir com algo tão maluco assim.

Ao final da música, ambos estávamos exaustos de nos sacudirmos como bonecos de posto de gasolina. Saímos da pista de dança rindo feito idiotas, um segurando o peso do outro, para não cairmos. Parecíamos uma bela dupla de bêbados. Paramos encostados numa das paredes da casa, olhei para Dylan e ele retribuiu meu olhar, porém de forma mais intensa. Foi baixando a cabeça até deixa-la na altura da minha, se aproximou lentamente, podia sentir seu hálito em meu rosto, sabia o que ele queria fazer. Virei o rosto para o lado abruptamente, o que ocasionou um olhar confuso da parte de meu ex.

-Eu nunca te esqueci, Serena. –disse, pegando meu queixo e me obrigando a olhá-lo. –Tentei várias vezes, mas foi impossível... Eu ainda te amo e quero começar de onde paramos.

Sacudi a cabeça e me livrei de sua mão. Como eu poderia explicar que não daria certo entre nós? Respirei profundamente, tomando coragem para falar.

-Não dá! Minha vida mudou, eu...

-Não me importo! –disse exasperado. –Não me importo com os boatos que soltarem sobre você estar com outro quanto estivermos juntos, não me importo com a imprensa nos perseguindo ou com o pouco tempo que terá para mim durante seus compromissos. Nós nem terminamos direito, ainda nos amávamos! Você só quis terminar porque...

-Porque eu iria embora para sempre. –completei sua frase. Ele abriu a boca para responder, mas o impedi. –Eu mudei, Dylan. Sabia que isso aconteceria, no momento em que a família decidiu se mudar para cá por... Você sabe qual motivo. Sei que você prometeu ser fiel em um namoro a distancia, sei que prometeu me visitar frequentemente, maseu sabia que mudaria completamente no momento em que pisasse nessa terra em que vivo hoje. Sei que também mudou e quero conhecer esse novo você, mas apenas como amiga.

-Eu não me importo que tenhamos mudado. Amaria você de qualquer jeito. –balancei a cabeça negativamente e pousei uma mão sobre seu rosto, mão que ele pegou de prontidão e levou aos lábios, mas soltou assim que viu meu novo anel. –Você tem outro? –perguntou, com olhos aflitos.

-Eu não tenho outro. –eu disse, vendo uma pequena chama de esperança se acender em seus olhos. Doeu pensar em acabar com aquela esperança ao contar a triste realidade. –Na verdade, estou grávida de outro.

O choque trespassou seu rosto, deixando-o paralisado. Olhava para mim fixamente, de boca escancarada e olhos arregalados, como duas pequenas bolas de gude. Estava completamente travado e aquilo começou a me preocupar de uma maneira grandiosa, pois apesar de fazer um grande tempo que não via esse garoto, sabia que esse tipo de reação não era normal nele. Poucas coisas assustavam esse meu ex.

Aflita, abanei as mãos em frente a seu rosto, gritei em seu ouvido, belisquei suas bochechas, empurrei-o, tentei tudo que podia, porém nada parecia fazer efeito. Estava prestes a chamar por ajuda, quando ele começou a piscar rapidamente, voltando a seu estado normal.

Totalmente aliviada pelo homem em choque ter se recuperado, desci a mão em sua face com a maior força que consegui reunir, fazendo com que o tapa estalasse e seu rosto virasse com tamanha força da batida.

-E nunca mais faça isso comigo! –gritei raivosa, assim que o desespero passou.

Ele piscou os olhos repetidas vezes e deu vários passos para trás, procurando o apoio na parede a suas costas. Depois encarou-me incrédulo, colocou a mão na bochecha que ainda estava vermelha e falou:

-Sua mão está mais pesada do que eu lembrava.

Indignada, dei-lhe as costas para voltar para a festa, mas ele me puxou para um abraço, antes que eu desse um passo sequer. Senti-me segura naqueles braços que recordavam minha infância.

-Desculpa,Serena. Eu só... Só fiquei surpreso com a notícia, principalmente sendo você, sempre tão cuidadosa... –fiquei em silêncio, enquanto ele me embalava em seus braços de forma reconfortante. –Você já contou a ele?

Respirei profundamente e me afastei de meu namorado de anos atrás.

-Já, mas...

-Ele não reagiu muito bem, não é?- ele deduziu antes que eu terminasse de falar e eu assenti, confirmando. –Escute, -disse ele colocando as mãos em meus ombros. De repente sua voz estava ansiosa e animada ao mesmo tempo. –se você aceitar namorar comigo, eu assumo a criança e cuido dela como se fosse minha. Podemos dizer que nasceu prematuro e...

-Dylan! –exclamei, tirando suas mãos de meus ombros. –Eu não vou ficar com você. Eu não posso ficar com você! Nem quero isso. –disse a última frase, quase sussurrando.

-Por quê? –perguntou, deixando transparecer em sua voz aquela criança que conheci anos atrás. –Eu te amo! O que mais é preciso?

-Seria injusto. Eu mudei, já não sou apaixonada por você e se começássemos a namorar, logo você perceberia que também não é mais apaixonado por mim, mas sim pela pessoa que eu era em Downey.

-Prove. –disse com voz forte. Seus olhos estavam em chamas e desafiadores. Aquilo me causou um frio intenso no estômago, que foi o impulso que me levou a empurrá-lo na parede e esmagar meus lábios contra os seus.

Não demorou muito para que correspondesse, movendo seus lábios junto aos meus de maneira suave. O beijo era familiar, mas parecia errado. Necessitava de lábios mais vorazes, braços mais quentes e fortes ao redor de meu corpo, eu precisava do Taylor!

Como se ouvisse meus pensamentos, aqueles braços envolveram meu corpo e me afastaram abruptamente de meu primeiro amor. Meio momento depois, vi Dylan gemendo com as mãos sobre a mandíbula e um Taylor tremendo de raiva, parado em sua frente.

-E lembre-se disso antes de beijar uma mulher que pertence a outro. –disse com voz ácida.

Não havia visto muito, mas tinha visto o suficiente para também ficar tremendo de raiva. Caminhei até Taylor e fiz a coisa que mais gostava de fazer quando estava com raiva de alguém, dei-lhe um tapa na cara. Com a mão na face em que eu havia batido, olhou-me atordoado.

-Você tem merda na cabeça? –perguntei, esticando o braço em direção ao que estava caído no chão.

-Ele estava te beijando!

Por um momento achei que, de alguma forma, estivesse brincando comigo, porém descartei essa hipótese assim que vi seus olhos sérios.

-Era exatamente isso que eu queria que fizesse! Do contrário, não o teria tomado a iniciativa! –vi a incredulidade trespassar seus olhos, mas não dei tempo para que expressasse uma reação, antes de prosseguir. –Só queria mostrar a ele que nossa história foi uma paixão de infância, que ele não me amava mais, ao contrário do que dizia. Queria mostrar que eu mudei e que amava outro. –gritei exasperada.

-E precisava beijar? –perguntou, fuzilando o pobre Dylan com os olhos.

-Palavras às vezes não adiantam, exatamente como aconteceu. Por vezes, é preciso do toque para entender os sentimentos. –revirei os olhos para mim mesma. –Como se você se importasse. –disse eu, dando de ombros e me virando para ajudar aquele que eu beijava anteriormente, mas Taylor me puxou para si.

-Você é a mãe do meu filho. –seu rosto cada vez mais próximo do meu.

-É mesmo? Você não pareceu se importar com isso quando fez menção de meu bater. E só para lembrar, Hannah também carrega um filho seu. –joguei. O nojo e a fascinação começavam a tomar conta de mim. Odiava Taylor por tudo que havia feito hoje, principalmente por me agredir, mas não conseguia deixar de amá-lo.

Ali, com os corpos quase fundidos através daquele abraço, queria confrontá-lo, queria perguntar o porquê de tanta hostilidade anteriormente e de tanta paixão e possessão agora. Mas tudo que conseguir pensar era em como desejava que ele me tomasse como sua. Com nossos lábios a milímetros de distancia, estávamos perdidos em um mundo totalmente nosso.

-A diferença é que eu te amo. E me arrependo muito do que quis fazer lá em cima. –rebateu, sem hesitar. –Sempre foi meu sonho ter um filho com a mulher que amo e você estava me privando disso, fiquei com raiva, não pensei direito. Peço mais do que desculpas, peço perdão, minha Ever, meu amor imortal.

Minha Ever... Amor imortal... Alyson certa vez havia nos contado que mesmo reencarnando diversas vezes, Damen e Ever sempre se encontrariam, pois estavam mais do que destinados a serem um do outro. Um amor que superava a morte, assim tinha dito a autora.

Ao ouvi-lo me chamar assim, derreti. Derreti como chocolate derrete em dia quente. Questionei tudo que ele havia dito em meu quarto. Como ele podia ter tanta certeza de que eu era sua Ever?

-Taylor?! –aquela voz chegou ao ouvidos, quebrando nosso momento.

Diferentemente de como acontece nos filmes e livros, não nos separamos como se tivéssemos levado um choque, mas sim lentamente, deixando nossas peles em contato pelo maior tempo possível. Era visível para qualquer um que não queríamos nos separar, eu podia ver isso refletido nos olhos dela.

-O que faz aqui, Hannah? –perguntei me aproximando dela. –Como conseguiu entrar sem convite?

-Vim aqui ver o pai do meu filho, vadia. –ela respondeu com desprezo. –Que você está tentando roubar de mim, por sinal.

-O que você está...? –Taylor começou a perguntar, mas o cortei:

-Não preciso tentar roubar ninguém. Taylor está aqui por livre e espontânea vontade. –respondi, já ficando irritada. –Ainda não me respondeu como entrou sem convite.

Me ignorando completamente, ela foi em direção à Taylor e se esticou ao máximo para sussurrar-lhe algo ao ouvido. Puxou a mão dele e a colocou em sua barriga. Aquilo me atingiu em cheio. Uma cena aparentemente tão linda e comum: uma mãe grávida e um pai admirando e amando um filho ainda por nascer. A verdade era que eu estava com inveja.

-Saia daqui. Agora. –falei por entredentes.

Ela simplesmente olhou para mim com desprazer e disse:

-Saia daqui você, querida. Deixe-me aqui com o pai do meu bebê e vá cuidar dessa porcaria de festa.

Por um milésimo de segundo, fiquei estarrecida com sua audácia. Era quase impossível acreditar que ela havia invadido minha festa apenas para me destratar. Vi tudo vermelho, pois não aguentava mais aqueles desaforos. Ela não falaria mais assim comigo, ao menos não hoje. Avancei lentamente para Hannah e, como um puxão, afastei-a daquele que a segurava com possessão. Minhas mãos voaram para a parte de trás de seu pescoço, os dedos posicionados sobre pontos de pressão que a fariam desmaiar ao mínimo aperto. Ela me encarou com os olhos arregalados, entendendo exatamente o que eu queria fazer. Senti-me poderosa com aquele controle que estabeleci sobre ela.

-Serena, não pode se exaltar. Isso faz mal para o nosso filho. Lembre-se do nosso bebê! –apelou meu colega de elenco, ao meu ouvido.

Fiquei ali, tremendo de raiva e respirando superficialmente pelo que me pareceu um longo tempo. Assim que a raiva abrandou um pouco, larguei a mulher e afastei-me dos dois.

-Você é convidado, Taylor. –falei, sem conseguir encará-lo. –Se quiser ficar, é bem-vindo, mas se for ficar com ela terá que ir. –um gosto ruim me subiu a boca depois de ter pronunciado aquelas palavras.

-Os seguranças estarão aqui em 10 minutos. –disse Dylan, se pronunciando pela primeira vez desde que fomos separados brutalmente.

Olhei-o, curiosa pela forma estranha que sua voz saíra. Meu coração apertou fortemente com a imagem que vi: estava com o nariz sangrando. Sangue que escorria pelo rosto e pescoço, se acumulando no colarinho da camisa, anteriormente branco. Quando o vi no canto, segurando a parte inferior do rosto, imaginei que estivesse o fazendo pela dor na mandíbula, em momento algum imaginei que um lugar tão sensível como o nariz tivesse sido atingido.

Corri para ele e fiz o máximo que pude em analisar seu rosto. Apesar de ser em pequena quantidade, não parava de escorrer sangue de seu nariz. Segurei seu braço com força e comecei a arrastá-lo dali, precisávamos ver Anthony, só ele saberia o que fazer.

-Finalmente alguma sensatez de sua parte! –disse Hannah sarcástica. Pelo jeito ela já tinha se recuperado do susto de quase ter apanhado. –Vá cuidar de seu concubino e nos deixe em paz!

Não parei de andar, apenas impregnei todo o desprezo que sentia por ela em minha voz e disse: “10 minutos”, assim que passei por ela, enquanto levava Dylan à meu irmão.

Desconhecido P.O.V.

A bebida explodiu em minha boca com o gosto da vitória. Hannah já estava na festa há algum tempo. Taylor, Serena e um garoto que a acompanhava estavam fora de vista. Conclui, portanto, que o trabalho de hoje estava feito, ou ao menos sendo concluído.

Vi o irmão da aniversariante passar correndo pela pista de dança em direção a casa. Extremamente preocupante... Disfarçadamente, pousei a taça numa mesa qualquer e o segui até a casa, escondendo-me atrás de uma porta de vidro, coberta por uma pesada cortina.

-O que aconteceu com ele? –perguntou o irmão, colocando toalhas no rosto daquele que sangrava.

A menina nadadisse, apenas os encarou raivosa e saiu dali o mais rápido que podia, em direção a porta abaixo da escada. Sem a irmã para responder, o futuro médico olhou para o outro garoto, aguardando respostas.

-Foi aquele namorado famoso dela... –começou a falar com uma voz anasalada.

-Eles não são namorados. –cortou o irmão.
-Tanto faz. –retrucou o outro antes de prosseguir. –Ela me beijou e o outro apareceu lá do nada, arrancou-a de mim e me bateu.

-Só isso? –perguntou Anthony.

O ensanguentado abriu a boca para falar mais alguma coisa, porém se calou quando a garota voltou carregando uma caixa de primeiros socorros. Ela sentou-se ao lado dele, embebeu uma toalha em uma vasilha de água que eu não a havia visto carregando e a colocou delicadamente sobre o nariz do rapaz, limpando o sangue seco. Repetiu o processo várias vezes, até ele ficar de rosto limpo.

Não consegui ver muito que acontecia, já que o irmão tapou parcialmente minha visão. Alguns minutos depois, ele saiu da minha frente e declarou:

-Ele não quebrou o nariz. O que ocorreu foi uma dilatação dos vasos sanguíneos devido ao calor. –pigarreou. –E outras coisas. Voltando, alguns desses vasos sanguíneos se romperam devido a colisão.

Serena olhou para ele com face extremamente confusa. Não sei se era burrice ou pelo estresse que provavelmente sentia, mas era óbvio que ela não havia entendido uma palavra sequer do que ele havia dito.

-Algumas veias do nariz dele estavam sensíveis e estouraram quando ele levou o soco. –explicou novamente, revirando os olhos. –Não é nada grave, tanto que o ar condicionado daqui da sala está ajudando as veias a se retraí... diminuírem.

-Eu sei o que é retrair! –exclamou a garota, parecendo ofendida.

O irmão apenas deu de ombros e riu.

-Ok! Tenho que voltar para a festa! –e saiu pisando duro.

O desespero me tomou conta por alguns segundos. Ela estava vindo em minha direção, eu seria descoberto!

Aprumei-me e alisei o terno, fiz pose e comecei a andar elegantemente para longe dali. Pouco tempo depois, vi uma Serena raivosa passar por mim, sem me dispensar a mínima atenção.

Sorri para mim mesmo. Tudo ocorrera melhor do que planejado, a sorte estava a meu favor.

(Continua...)


7 comentários:

  1. Oi,aq é a Becah! Adorei o capítulo! Simplismente perfeito!
    Seguinte,eu tenho umas coisas pra falar! Okay! Vamos começar!
    1°: Quem aquela vadia da Hannah pensa que é? Mas q puta! (desculpe a boca suja) Manda o Taylor dar um jeito nela uai! Como assim ele vai deixar essa biscate tratar a Serena assim? Nao! Nem vem! Tem que dar um "se ponha" nela! Hum! Mulherzinha à toa! Manda ela ir rodar bolçinha! Q raiva! Ela tem que perder esse bebê!
    2°:Mds! Oq houve com o Taylor? Kkk Bateu no pobre Dylan pq beijou a Serena! Adorei esse ataque de ciúmes dele! Kk Voltando de novo na vadia da Hannah... Essa mulher é o cão! Atrapalhou o momento dos pombinho! Ai! Vadiiiiaa! Espero que ela seja atrolelada! Okay! Para com isso Rebeca! Kkk Falando no moreno mais lindo do planeta,meu Taylor! Espero que ele abra os olhos! Ele ta mt bobinho! Tem que dar uma bronca na "mãe do seu filho",como ele diz, e por ela no seu devido lugar! Ai ai! Deus ajude Serena! Achi qhe vai vir mt coisa pela frente!
    3°: E esse DESCONHECIDO? Sei nao ein! Acho que deve ser alguém contratado pela Skeeter... Essa é outra vaca gorda! Outra filha da p*@#&$¥... Da pátria! Esse carinha ta.me irritando! To com vontade de entrar na estória pra ir dar uma surra nele e tirá-lo da festa! Kkkk Eeeee... Carinha! Fica esperto que qualquer hora dessas eu te pego! Onde vc mebos espera! Qnd vc estiver vendo TV ... Eu vou estar la! Qnd estiver comendo... Eu vou estar la! Qnd estiver tomando banho... Eu vou estar la! E vou estar ate em seus sonhos,se possível! Fica atento! Hum >:(
    Pseh... Ja da pra perceber meu intusiasmo ne? Kkk Ent! É q eu to mt ansiosa prara o próximo capítulo! Manda ele logo que to aq esperando! Vc escreve mt bem linda! Parabéns! Ótimo trabalho! Continue assim...
    Bjos da Becah

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  2. Alguns erros no meu texto ai! Sorry!
    Xau

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  3. Oi,aq é a Becah! Adorei o capítulo! Simplismente perfeito!
    Seguinte,eu tenho umas coisas pra falar! Okay! Vamos começar!
    1°: Quem aquela vadia da Hannah pensa que é? Mas q puta! (desculpe a boca suja) Manda o Taylor dar um jeito nela uai! Como assim ele vai deixar essa biscate tratar a Serena assim? Nao! Nem vem! Tem que dar um "se ponha" nela! Hum! Mulherzinha à toa! Manda ela ir rodar bolçinha! Q raiva! Ela tem que perder esse bebê!
    2°:Mds! Oq houve com o Taylor? Kkk Bateu no pobre Dylan pq beijou a Serena! Adorei esse ataque de ciúmes dele! Kk Voltando de novo na vadia da Hannah... Essa mulher é o cão! Atrapalhou o momento dos pombinho! Ai! Vadiiiiaa! Espero que ela seja atrolelada! Okay! Para com isso Rebeca! Kkk Falando no moreno mais lindo do planeta,meu Taylor! Espero que ele abra os olhos! Ele ta mt bobinho! Tem que dar uma bronca na "mãe do seu filho",como ele diz, e por ela no seu devido lugar! Ai ai! Deus ajude Serena! Achi qhe vai vir mt coisa pela frente!
    3°: E esse DESCONHECIDO? Sei nao ein! Acho que deve ser alguém contratado pela Skeeter... Essa é outra vaca gorda! Outra filha da p*@#&$¥... Da pátria! Esse carinha ta.me irritando! To com vontade de entrar na estória pra ir dar uma surra nele e tirá-lo da festa! Kkkk Eeeee... Carinha! Fica esperto que qualquer hora dessas eu te pego! Onde vc mebos espera! Qnd vc estiver vendo TV ... Eu vou estar la! Qnd estiver comendo... Eu vou estar la! Qnd estiver tomando banho... Eu vou estar la! E vou estar ate em seus sonhos,se possível! Fica atento! Hum >:(
    Pseh... Ja da pra perceber meu intusiasmo ne? Kkk Ent! É q eu to mt ansiosa prara o próximo capítulo! Manda ele logo que to aq esperando! Vc escreve mt bem linda! Parabéns! Ótimo trabalho! Continue assim...
    Bjos da Becah

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  4. Oi,aq é a Becah! Adorei o capítulo! Simplismente perfeito!
    Seguinte,eu tenho umas coisas pra falar! Okay! Vamos começar!
    1°: Quem aquela vadia da Hannah pensa que é? Mas q puta! (desculpe a boca suja) Manda o Taylor dar um jeito nela uai! Como assim ele vai deixar essa biscate tratar a Serena assim? Nao! Nem vem! Tem que dar um "se ponha" nela! Hum! Mulherzinha à toa! Manda ela ir rodar bolçinha! Q raiva! Ela tem que perder esse bebê!
    2°:Mds! Oq houve com o Taylor? Kkk Bateu no pobre Dylan pq beijou a Serena! Adorei esse ataque de ciúmes dele! Kk Voltando de novo na vadia da Hannah... Essa mulher é o cão! Atrapalhou o momento dos pombinho! Ai! Vadiiiiaa! Espero que ela seja atrolelada! Okay! Para com isso Rebeca! Kkk Falando no moreno mais lindo do planeta,meu Taylor! Espero que ele abra os olhos! Ele ta mt bobinho! Tem que dar uma bronca na "mãe do seu filho",como ele diz, e por ela no seu devido lugar! Ai ai! Deus ajude Serena! Achi qhe vai vir mt coisa pela frente!
    3°: E esse DESCONHECIDO? Sei nao ein! Acho que deve ser alguém contratado pela Skeeter... Essa é outra vaca gorda! Outra filha da p*@#&$¥... Da pátria! Esse carinha ta.me irritando! To com vontade de entrar na estória pra ir dar uma surra nele e tirá-lo da festa! Kkkk Eeeee... Carinha! Fica esperto que qualquer hora dessas eu te pego! Onde vc mebos espera! Qnd vc estiver vendo TV ... Eu vou estar la! Qnd estiver comendo... Eu vou estar la! Qnd estiver tomando banho... Eu vou estar la! E vou estar ate em seus sonhos,se possível! Fica atento! Hum >:(
    Pseh... Ja da pra perceber meu intusiasmo ne? Kkk Ent! É q eu to mt ansiosa prara o próximo capítulo! Manda ele logo que to aq esperando! Vc escreve mt bem linda! Parabéns! Ótimo trabalho! Continue assim...
    Bjos da Becah

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  5. Meu Deus quem é esse Desconhecido ? Será algum contratado da Skeeter ? Continua por favor

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  6. Eu não aguento mais esperar !!! Quem é esse desconhecido ? meeeeeu Deeeeus

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