19 abril 2014

Fanfiction: Um Amor Maior Que Eu - Capítulo 38: New Year - Parte 2



Capa: Érica Rocha
Texto/Fic: @Rafaela_Vargaas
Beta: Letícia Monteiro
Música Tema: Velha Infância - Os Tribalistas


Meus passos eram lentos enquanto eu tentava me equilibrar no salto alto. Quando saí finalmente para fora do quarto, todos levaram seus olhares até mim, mas me concentrei em apenas um deles: Liam Evans.
Ele estava vestido com uma camisa branca de gola V e calça jeans escura. Parecia que ele tinha optado pela paz no novo ano, assim como eu.
- Você esta linda – Sussurrou ele assim que chegou perto de mim.

Dei um sorriso torto e sentei-me no sofá para esperar Emile ficar pronta. Érica me olhava de canto de olho de segundo a segundo, fiquei curiosa, mas quando fiz menção em me levantar, Liam segurou minha mão e olhou para mim, como se não quisesse que eu saísse de perto dele. O olhei por alguns segundos e me ajeitei no sofá novamente. A demora estava começando a me sufocar.
- Estou pronta – Disse Emile saindo do quarto.
Ela estava realmente linda. Fazia tempo que eu não a via mais daquele jeito. Seu corpo ficou perfeitamente definido no vestido roxo que fazia a volta em seu corpo. Os olhos de Luan brilharam para ela e eu sorri de canto, segurando-me para não provocar o casal.
Minha mãe abriu a porta para passarmos e ela desligou as luzes e trancou a porta assim que saímos. Quando estávamos na garagem, Emile e Luan se dirigiram até um local que certamente estaria o carro de Luan. A família Evans foi para o carro do senhor Will, meus pais pegaram carona no carro de Miguel juntamente com Val e somente eu e Liam ficamos parados no mesmo lugar.
- Nós não vamos ir? – Perguntei confusa.
Liam deu uma picadela e pegou minha mão. Franzi o cenho por alguns segundos, analisando-o e o seguindo enquanto ele me puxava para um canto afastado da imensa garagem do hotel. Paramos em frente de um carro Fusion preto, com vidros escuros. Impressionei-me ao ver Liam tirando a chave do bolso e dando um “bip” para abrir o carro com o alarme. Liam tinha um carro?
- De quem é esse carro? – Sussurrei boquiaberta.
- Meu – Disse Liam abrindo a porta do carro para eu entrar – Ganhei ele há um ano e felizmente meu pai me trouxe – Completou ele depois que fez a volta no carro e sentou-se no banco do motorista.
Eu nem se quer imaginava que Liam tinha um carro, ainda mais daquele tipo. Tentei manter meu pensamento focado na musica que eu cantaria hoje à noite, mas tudo o que eu ainda tinha de consciência evaporou assim que eu vi o violão no banco de trás do carro, e isso fez com que eu tivesse náuseas.
- Você esta bem? – Perguntou Liam depois de alguns minutos, sem tirar os olhos da estrada.
- Tenho que admitir que estou nervosa por hoje a noite – Passei a mão em minha barriga para tentar “aquecer” meu estomago – Você não esta nervoso?
- Estou indo fazer o que eu amo – Ele sorriu – Por que eu ficaria nervoso?
- Por que você pode desafinar? Ou perder a coragem? – Levantei as mãos, incrédula.
- Olha, você é a melhor cantora que eu já ouvi, e não estou brincando – Ele desviou os olhos da estrada por um segundo – Não fique nervosa, você é boa nisso – Disse ele, por fim olhando para a estrada novamente.
Tentei falar mais algo, mas a minha garganta fechou-se em um nó forte. Permaneci com as mãos firmes em meu estomago, forçando-o a controlar-se. Olhei pela janela e me perdi na escuridão da noite.
Depois de alguns minutos Liam parou o carro em um estacionamento que ficava em frente ao restaurante que tinha o nome “Ellen’s Stardust Diner” iluminado perfeitamente. Eu já ouvi falar desse restaurante antes em minhas pesquisas em casa antes de vir para Nova York. O que eu sabia era que os garçons e as garçonetes se revezavam e cantavam improvisando danças no meio do restaurante. Era uma ideia interessante, e eu fiquei feliz por estar ali, e poder cantar.
- Meu pai tem um privilégio nesse restaurante – Disse Liam enquanto abria a porta do carro para mim – Eles o deixam cantar sempre que vem aqui, e como é ano novo, os clientes podem cantar também...
Sorri mostrando estar um pouco nervosa ainda. Liam me olhou por alguns segundos e depois deu um sorriso de canto, me deixando um pouco mais calma.
Na porta do restaurante eu pude enxergar meus pais, a família Evans, Emile e Luan, Val e Miguel sentados em uma mesa perto do palco. Liam pegou minha mão antes de começarmos a caminhar no meio do restaurante, indo em direção a eles.
O jantar típico americano estava delicioso, e as performances dos garçons eram impressionantes. Eu sorria a cada vez que os via cantar e entrar em um mundo que certamente era somente deles, onde ninguém poderia intervir.
Depois de mais ou menos duas horas, alguns clientes deram inicio as musicas. Teve musicas de todo estilo: rock, country, pop, pop rock, eletrônica e todo o tipo de musica que se possa imaginar.
- O senhor Will falou de você – Escutei uma voz atrás de mim, fazendo-me virar-me para a pessoa.
Era uma garçonete que trabalhava no local. Os cabelos curtos e repicados eram incrivelmente negros, seus olhos cor de esmeralda e sua pele clara a deixavam realmente bonita. Olhei-a por alguns segundos buscando minha voz em meio a minha garganta trancada.
- Hã... Eu tenho uma musica – Falei num tom quase inaudível.
- Venha – Gesticulou a mulher, pedindo para que eu me dirigisse até o palco.
Respirei fundo, olhei para Liam, criei coragem e subi no palco. Ao ficar de frente para todos, senti um frio em minha barriga. Varri meus olhos por todo o local, olhando para cada rosto das pessoas presentes que me olhavam, e parei assim que encontrei o rosto de Liam, que por sua vez mantinha os olhos em mim, acompanhado com um sorriso largo de bochecha a bochecha.
A musica que eu havia pensando algum tempo era de uma banda brasileira, e que certamente seria uma coisa “diferente” para os americanos que se encontravam ali. A canção pertencia à banda Os Tribalistas e se chamava “Velha Infância”. Ela me lembrava perfeitamente de Liam, e era capaz de transmitir meus sentimentos em alguns minutos.
- Boa noite – Falei ao microfone, buscando forças para continuar falando – Vocês vão achar meio diferente, pois essa música é brasileira e ela parece ser escrita perfeitamente para mim e para a pessoa que eu amo.... – Puxei uma bufada de ar – Essa é pra você Liam Evans – Sorri e comecei a dedilhar as cordas do violão.
Não desviei meus olhos de Liam nem por um segundo. Era como se eu tivesse falando cada palavra que eu queria falar durante anos e não conseguira. A musica era perfeita para nós. No trecho “Meu riso é tão feliz contigo, o meu melhor amigo é o meu amor”, sorri para ele e abaixei o meu olhar intimidada pelo seu sorriso. A experiência foi perfeita, e eu não me senti insegura em frente a todos, muito pelo contrario, eu me senti confortável no meio de todos. Eu não precisei fechar meus olhos, pois eu fazia isso para não ver os rostos das pessoas e me assustar se tiver alguém demonstrando não gostar, mas eu estava olhando para Liam e isso me acalmou.
Quando eu dei o meu ultimo toque no violão, vi Liam se levantar e aplaudir, e pela primeira vez depois que comecei a cantar, olhei para os outros e os vi repetindo o ato de Liam. A boca de todos estava aberta em um sorriso imenso, alguns se emocionaram e outros olhavam para Liam e sorriam junto com ele. Agradeci a todos antes de descer do palco e encontrar Liam no ultimo degrau da pequena escada, com uma das mãos estendida para mim, afim de que eu a segurasse.
Segurei-a e senti a outra mão de Liam fazer a volta em minha cintura, firmando-me. Percebi que o pessoal da mesa em que eu estava sentada antes, acenaram para mim e Liam dirigiu-me para a porta do restaurante, o sorriso ainda estava estampado em seu rosto.
- Para onde estamos indo? – Perguntei ainda ofegante pelo momento nostálgico.
- Surpresa – Disse ele ainda sorrindo – Sabe essa musica que você acabou de cantar?
- Sei – Cochichei enquanto passávamos pelos pedestres no meio da calçada.
- Foi a melhor musica que já ouvi – Completou ele apertando ainda mais sua mão em minha cintura.
Meu coração bateu forte quando fiquei sabendo que ele gostou da canção, eu nunca fui tão sincera através de uma canção como fui hoje. Apesar da maioria das pessoas não entenderem a letra por ser em português, eu não hesitei, e continuei cantando, pois de alguma forma – mesmo sem olhar para os rostos – algo me dizia que eles estavam gostando.
Eu e Liam permanecemos em silencio enquanto entramos no carro. O transito estava lotado, então precisamos usar um pouco da nossa paciência. O ponteiro do relógio digital do carro de Liam marcavam exatamente 22h35min, então certamente chegaríamos ao local a tempo – pra onde quer que seja que ele esteja me levando.
- Você viu aquelas pessoas que estavam sentados no balcão do restaurante? – Perguntou-me Liam, quebrando o silencio.
- Acho que sei – Respondi confusa.
- Eles são olheiros da Big Machine – Explicou-me. – Eles ficam lá fingindo serem clientes para descobrir os talentos escondidos que se revelam durante as performances dos amadores... Eles sorriram quando viram você – Ele tirou os olhos da estrada por alguns segundos para me olhar.
- Isso é bom? – Questionei-o.
- Claro – Disse. – Eles ficam lá por que meu pai raramente vai até o restaurante, ele foi lá hoje somente para te levar...
Eu admito que fiquei em choque. Eu podia estar prestes a realizar meu sonho? Eu podia sentir o palpitar de meu coração batendo forte e a descrença transparecer em meu semblante. Joguei minha cabeça no banco do carro e fechei meus olhos, ainda desacreditada. Eu finalmente poderia fazer publicamente o que eu amava?
- Chegamos – Ouvi a voz de Liam, fazendo-me abrir os olhos.
Em questão de segundos a porta já estava sendo aberta por ele. Desci do carro tomando cuidado para deixar minhas pernas eretas e não deixa-las tremulas, já que a nostalgia ainda fazia parte de mim. Apertei minhas mãos machucando-as com minhas unhas enquanto eu caminhava pela calçada.
Eu não tinha me dado conta de onde eu estava até decidir levantar a cabeça e tentar mudar de pensamento. A luz da imensa estatua fez-me piscar algumas vezes. Tudo que eu conseguia enxergar eram pessoas aglomeradas e luzes vindas de perto. Liam me levara para estatua da Liberdade, um dos locais onde tinham um dos espetáculos mais belos do ano novo. Permaneci calada enquanto caminhava até a ponte que ficava de frente para o rio e que dava total visão à imensa estatua e o restante da cidade que ficava atrás dela, como um cenário de fundo.
Eu deixei que voassem os pensamentos que outrora me deixaram nervosa. Agora eu foquei apenas no que eu tinha no presente. Minhas mãos seguravam firmemente a mão de Liam enquanto aninhava meu rosto em seu peito e tentava me aquecer dos sopros de vento que batia constantemente.
Os olhares especulativos e com segundas intenções de algumas garotas sobre Liam reinavam no local. Liam apenas baixava o olhar e dava aquele sorriso torto que eu mais amava. Era provável que as meninas o olhassem, pois ele realmente era bonito. Eu as olhava e tentava conter o riso, mas ele escapava assim que eu levava meu olhar até Liam e via sua bochecha rosada. Balancei minha cabeça e prestei atenção no que os outros falavam: faltava exatamente dez segundos para a meia noite.
Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove, dez. Dez segundos foi o tempo que eu olhei para Liam e senti o amor ir além de mim. Dez segundos foi o suficiente para eu encostar meus lábios nos dele enquanto os fogos de artificio voavam ao fundo. Aquilo pareceu algo surreal, ou algo mágico, onde mais uma vez, somente Liam entrou em meu mundo. Foi uma boa atitude para começar o ano bem. Com Liam em meus braços, eu pude ter certeza que o novo ano que eu enfrentaria, seria o melhor.
- Eu te amo – Cochichei cobrindo seu pescoço com meus braços e puxando-o até mim – Você é o melhor!
- Te amo – Soprou ele em meu ouvido - Seus olhos meu clarão – Cantarolou a musica que eu acabara de cantar
- Me guião dentro da escuridão – Continuei cantarolando, gargalhando logo em seguida.
Senti os braços de Liam me apertar um pouco mais a minha cintura e fazerem meus pés saírem do chão. Tudo em minha volta virou um borrão enquanto ele me girava. Meus cabelos voavam loucamente em frente ao meu rosto. Eu podia ouvir a gargalhada alta e clara de Liam em minha orelha, fazendo-me rir. Ele era tão único, que chegava ao ponto de deixar-me boquiaberta a cada segundo. Ele era tão meu que ele conseguiu ultrapassar meus limites de amor. 


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