23 agosto 2014

Fanfiction: A musa - Capítulo 10


POV’  Taylor

Tudo era maravilhoso. Tudo era pavoroso. Mas eu não trocaria por nada aquele papel. Era desafio atrás de desafio. O roteiro era muito complexo e a direção – tanto a de Chris quanto a de Diana – exigia originalidade. Eles sugavam e nos exauriam a cada estudo de cenas, a cada leitura de texto, a cada ensaio.
As coisas estavam corridas pra nós, pois tínhamos alguns prazos bem apertados. A primeira semana passou como um flash, mal percebi os dias. E assim também foram a segunda e a terceira semana. Eu ficava no estúdio em torno de 12 horas, nem me dava ao trabalho de ir para o hotel para estudar os textos. Meu camarim virou uma segunda casa.
Não muito diferente de mim, Diana Moreno permanecia ali exercendo mil funções ao mesmo tempo. Muita gente achava que ela não ia aguentar muito. Ela era a roteirista principal e a primeira assistente de direção, ou seja, o braço direito de Chris.
Ela marcava e cuidava de TODOS os ensaios e, portanto, eu convivia constantemente com ela. O que era… insuportável.
_ Eu não sou aquele que pode depositar todas as esperanças. Esta marca, esta profecia… nada significa. – Eu disse, enquanto lia uma cena nova.
                Estávamos em mais uma leitura dos textos, mais uma cena minha e de Nádila. Eu estava curvado para o meu texto e Nádila estava a minha frente, sentada displicentemente enquanto encarava o seu próprio texto.  E como uma ave de rapina, Diana estava lá, andando ao nosso redor, os passos soando abafados pelo tapete, os olhos encaravam ora os próprios pés ora o rosto de quem falava. Coincidentemente (ou não), quando Nádila lia, ela olhava para os pés, já quando eu era o leitor, sentia seus olhos quase me perfurando.
_ Achas mesmo, que se fosse de minha escolha, tu seria minha opção? – Nádila deu uma pausa, mordendo os lábios e franzindo o cenho, decidindo a melhor entonação para dizer a próxima frase. – Você acabou com minha família, destruiu tudo o que tenho… o que tinha, de mais precioso.  – Ela murmurou aquilo em tom de raiva.
_ Tem que ter um tanto de lamento nesta frase Nádila, não só raiva. Perpétua sente ódio por tudo isto, por ter de ser ela, e mais ninguém, a salvar seu mundo, a se sujeitar a Axel. Mas ela sente algo por ele também, embora negue. Então ela lamenta… lamenta profundamente por ele ser como é, por ele ter feito tudo o que fizera com ela. – Diana explicou.
                Nádila respirou fundo, folheou o texto mais algumas vezes.
_ Okay. Estou entendendo.
_ E você Taylor… - Diana me encarou, me recusei a permanecer curvado sobre o texto, então levantei os olhos e a encarei também. – Te sinto ainda muito… - Ela colocou uma mão no queixo, como se estivesse em dúvida. – Te sinto muito… frouxo. – Eu travei a mandíbula para não bufar alto.
– Eu quero dizer, - ela continuou – Axel é mais rígido, ele ainda não está “amolecido” pelo sofrimento de Perpétua. Ele ainda é um ser… um ser arrogante e frio, extremamente frio.
_ Não acho que ele seja tão frio assim. Não acho que ele deva parecer tão frio assim, tão durão. – Antes que pudesse me conter, eu disse aquilo.
Ela elevou as sobrancelhas pra mim.
_ É mesmo? Por que não? – Sua voz era um claro desafio. Claro, ela era “a dona da história”, estava claro que sentia uma certa “possessão” pelos personagens.
_ Bem, é como você falou de Perpétua… a coisa toda dos sentimentos dele em relação a Perpétua e a seu povo não pode surgir do nada, não faz sentido! Eu não posso simplesmente fazer Axel parecer 100% demônio e, de uma cena pra outra, ele se torna um anjo redentor. As pessoas não vão acreditar nisto.
_ Concordo. –Nádila disse, me apoiando. Excelente!
                Diana pareceu hesitar.
_ Eu entendo sua opinião. Mas acho que você não entende.
_ Não entendo, por quê? Bom, que pena, porque faz meses que eu estou estudando este personagem. Então, eu ainda simplesmente não entendo nada.
                Nádila rolou os olhos. Ela previa o que iria acontecer.
_ Sim, parece ser algo preocupante. Porque Axel jamais tem que se tornar um anjo redentor. Jamais. Ele tem uma força suprema, uma personalidade intensa. O fato de ele ser bom, não deve fazer dele um “docinho”, de uma hora pra outra. Axel não vai abandonar a personalidade dele, só irá lutar de outro lado, mudar suas escolhas. – Ela respirou fundo. – Entendee??
                Ela cantarolou a ultima palavra como se estivesse falando com uma criança.
_ É claro. – O que ela dizia era bem óbvio. Eu suspeitava que era ela quem não entendia. – Não foi isto que eu quis dizer, eu apenas estou…
_ Então eu acho que você precisa aprender a se expressar melhor, Lautner. – Ela me interrompeu, brusca. – Urgentemente. E agora, vamos fazer um intervalo para o almoço.
                Dizendo isto, ela saiu. Eu me deitei no sofá e joguei meu texto longe.
_ Isto está virando rotina. – Nádila murmurou. – Vai, desabafa.
_ Ela é uma… vaca! – Eu vociferei.  Nádila gargalhou.
 ___________
               
                E assim era nossa rotina, realmente. Sempre, sempre havia algum tipo de discordância entre eu e Diana. É claro, ela sempre era impositiva demais com todo mundo. Eu não fui o único a discutir com ela, Jason Momoa também já havia perdido a paciência com ela algumas vezes e era até bonito de ver as respostas afiadas trocadas entre ela e Nádila.
Quase todo mundo da equipe técnica tinha criado o hábito de fazer careta pelas costas de Diana quando ela reclamava do figurino, da iluminação, da sonoplastia, do cenário… de tudo! Nada nunca parecia perfeito.
                Ela discutia também com o Chris, mas estas discussões eram mais pesadas e tensas, porque Chris era a única pessoa capaz de afetá-la. Então era ele que a repreendia, que a fazia se explicar. Mas tirando ele, ninguém nunca conseguia a fazer descer daquele pedestal. E o que piorava as coisas era que ela era boa. Ela era muito boa, apesar de tudo aquilo ser a sua estreia.
                Nós já tínhamos começado a gravar algumas cenas, mas eram coisas simples, a maioria nem tinha fala e provavelmente, algumas delas seriam descartadas.
Naquele dia, uma sexta feira, depois de uma cena que gravamos com uma pancada de figurantes, todos nós estávamos muito cansados, cada um largado em um canto da sala de reuniões aguardando Chris, que havia nos chamado ali.  Havia duas semanas que todos estavam trabalhando ininterruptamente… eu quase não dormi nos últimos dias.
_ Este é o problema de ter muitos figurantes em cena: a gente tem que regravar umas mil vezes. – Momoa reclamava, tirando alguns adereços de seu figurino. – Mas o que será que o Chris quer que não pode esperar pra amanhã? Porra, é sexta-feira! 
_ Não faço a mínima ideia, mas bem que podia ser uns dias de descanso. – Eu disse e todos pareceram concordar comigo. O ritmo de estudos e ensaios estava muito intenso desde o começo, todo mundo precisava de um “tempo”.
_ Nem começou e já quer parar, Lautner? – Ouvi a voz de Diana, arrastada e debochada. Quase pulei de susto, jurava que há dois segundos ela não estava ali. Mas quando fui procurar ela por perto, só encontrei Nádila, rindo da minha cara.
                É óbvio, ela tinha imitado a Moreno. Ultimamente ela tinha ficado profissional nisto.
                Mas antes que eu pudesse responder aquela gracinha, Chris chegou.
_ Ouvi alguém falar de descanso? – Chris entrou, como sempre, muito enérgico.
_ Simmmmm poderoso diretor. Queremos folga! Yeah! – Jason se levantou e ergueu o braço direito como se chamasse um exército a acompanhá-lo. Todos riram.
_ Bom, pois então o seu clamor será ouvido. – Chris nem tinha terminado de falar e todos explodiram em aplausos, assovios e vivas, rindo. – É, podem comemorar. Porque só estamos conseguindo este tempo de folga porque vocês estão fazendo um bom trabalho e conseguimos voltar a ficar “de bem” com o cronograma. Vocês terão quatro dias de folga, mas escutem bem: é folga, descanso. Nada de estripulias ou excessos, entendido?
_ Putz Chris, estávamos armando a maior festa! O que há de melhor pra todo este povo aqui descansar a cabeça do que uma festa?
_ O melhor pra cabeça e o pior pro corpo, Miranda! – Chris respondeu à nossa maquiadora. – Vocês se divertem em uma festa e todos voltam com olheiras e cara de ressaca. Pense bem: é um trabalho muito maior pra você e todos da equipe de maquiagem.
                Miranda fez uma careta.
_ Mas nós não vamos ter quatro dias? Vamos pra festa amanhã e descansamos os outros dias! – Johan, outro integrante da equipe de maquiagem falou. Com um gesto exagerado ele mexeu no seu topete. – Garanto pra você, Chris querido, que até nosso retorno todos estarão com pele de bebê!
                Chris ergueu as mãos, demonstrando rendição.
_ Meu Deus! Vocês querem tanto uma festa assim? – Perguntou, recebendo uma ovação de afirmação de todos nós. – Ok, ok! Já que insistem! Vocês se organizem! E estejam inteiros na volta!
_ Pode deixar, amor. Esta festa vai ser um arraso! Pode deixar tudo comigo! – Johan disse, dando uma piscadela para Chris, que balançou a cabeça.
_ Cuide também de manter a imprensa longe. Não quero alarde ao redor de nós por enquanto. – Chris deu aquele aviso bem sério, fazendo com que, subitamente, o clima da sala mudasse. Com aquilo nosso querido diretor quis dizer que todos nós deveríamos tomar cuidado com a imprensa. Estava no contrato: nada de escândalos flagrados pela mídia durante a produção.
_ Muito bem, mas agora precisamos discutir coisas mais sérias. – Ele continuou. – Como, por exemplo, as gravações externas. Nós as faremos depois da folga, e também é por isto que vocês terão este tempo: para se preparar para as nossas viagens e… - Chris olhou ao seu entorno, procurando alguém. – Cadê a Diana?
                Todo mundo pareceu esticar os pescoços a procura dela também, mas era inútil, ela não estava lá.
_ Da ultima vez que vi, ela estava na sala de fotografia, Chris. – Johan elevou a voz por cima do pequeno burburinho de conversas. 
_ Okay. Alguém pode chamá-la pra mim, enquanto vou começando a reunião? – Assim que Chris fez o pedido, todo mundo fez cara de paisagem, não querendo fazer aquilo. – Ou melhor, os atores podem ir tirar o figurino, quero falar com a equipe técnica primeiro. Então aproveitem e chamem Diana até aqui, sim? Obrigado. – Chris disse, em tom de ordem.
                Sem que fosse preciso ouvir mais, todos nós do elenco nos levantamos em silêncio e saímos da sala. Mas foi passar pela porta, que todo mundo começou a falar.
_ Eu não vou, sem chance. – Jason disse.
_ Meu figurino é o maior, se eu não for direto pro camarim, vou me atrasar. Fui! – Lewis se mandou, sem dar chance a ninguém.
_ Nada disto! – Sally disse. – Somos todos adultos, porque estamos fugindo desta mulher? - Sally pôs as mãos na cintura e nos encarou carrancuda.
                Mas todo mundo olhou pra ela e fez uma careta.
_ Que tal porque ela é uma esmagadora de bolas? – Jason disse. – Aquela lá tem o humor do cão! E é contagioso!
_ Tenho uma sugestão! Vamos fazer um sorteio! Quem tirar diferente vai chamá-la. De zero a cinco. – Nádila disse, mostrando o punho fechado para zero e todos os dedos da mão direita aberta para o cinco.
                Eu ri.
_ Isto é ridículo! – Disse.
_ Não é ridículo, você sabe. É um jogo pra saber quem de nós tem menos sorte. Vai, mexe esta bunda Lautner e vamos ver quem é o azarado do elenco!
                Dei de ombros e, como todos os meus colegas, parti pra aquela criancice. E como crianças bobas, entre risos e piadas, esperávamos Nádila contar “3” e jogávamos as mãos. Foi uma, duas e na terceira vez eu fui o único da roda a mostrar só dois dedos.
_ Merda! – Eu disse.
_ Se ferrou! Boa sorte, Lautner! – Lewis bateu no meu ombro, com ar de deboche.
_ Lewis, vai se f… - não pude terminar a frase.
_ Vamos lá querido, coragem de Axel pra ti! – Sally disse, rindo. – Enfrente o dragão com bravura!
                E em meio a risos e piadas eu fui em direção a caverna do “dragão”.  A sala de fotografia ficava do outro lado do prédio, no segundo andar e bem longe do meu camarim. Era o que Chris costumava chamar de centro de operações, onde ficavam sala de sonoplastia, de edição de vídeo e tudo mais. Naquele horário, tudo ali estava vazio, sendo que a maior parte da equipe técnica estava na sala de reunião com Chris.
                Ela estava lá mesmo, na sala de fotografia, curvada sobre a tela de um computador, parecendo imersa em outro mundo. Diana estava olhando fixamente para as imagens que passavam pela tela. Imagens dela mesma abraçada a um bebê… abraçada a um homem. Eu fiquei um tempo parado na porta, decidindo qual a melhor forma de chamar a atenção dela.
_ Eu não sabia que estas fotos existiam… jamais as vi. Mateo as guardou muito bem. – Ela murmurou com voz branda e eu não tive certeza se ela estava se dirigindo a mim. Por um momento, fiquei sem reação. – Eles pereciam tão felizes… - ela continuou, deslizando a mão sobre a tela quando uma nova foto dela com o bebê apareceu.
                Não respondi. Não sabia muito bem o que dizer. Eu sabia quem era aquele homem e quem era aquele bebê. Todos sabiam que ela já havia perdido o marido e o filho… mas parecia um tabu comentar sobre aquilo ali.
_ Venha aqui! Venha conhecer meus amores… - ela disse, com uma voz incrivelmente amorosa, como eu jamais ouvi. Naquele momento eu soube que ela sabia que eu estava ali, mesmo que os olhos dela continuassem fixos na tela.
                E na voz e postura dela… havia tantas coisas diferentes. Ela parecia mais serena, mais dócil. Hesitei por um momento, mas finalmente me mexi e andei até ela, imaginando que talvez ela estivesse pensando que eu era outra pessoa. Sei lá. Ela nunca tinha sido tão receptiva a mim… nem próxima a isto.
                Me sentei ao lado dela e percebi que ela sorria. Era um sorriso bonito, mas melancólico. Os olhos dela estavam ainda fixos na tela, de forma que eu só podia ver o seu perfil. Mas alguma coisa me dizia que se eu olhasse para os olhos dela naquele momento eu iria enxergar sentimentos muito fortes ali.
                 Ela mexeu no mouse e pausou a sucessão de imagens, deixando parado em uma foto da criança e dela, em uma cama. Na foto, Diana estava debruçada sobre o bebê, com a mão na barriga tão pequena. Ela sorria largamente, os olhos brilhando e a criança parecia gargalhar. Sorri diante daquilo.
_ Meu filho. Murilo. Ele era uma criança linda! Linda, saudável e alegre. A risada dele era coisa mais gostosa do mundo! – Diana suspirou, fechando os olhos. – Ainda me lembro do som. 
                E sim, eu estava certo. Eu jamais estive perto daquela Diana, que me parecia tão amorosa, tão delicada e frágil diante de uma dor que parecia esmagá-la. Senti um bolo se formar em minha garganta, lembrando das vezes que minha mãe me dizia:
_ Que Deus queira que eu morra antes dos meus filhos! – Dona Deborah vivia repetindo isto, e não importava o quanto eu e Makena pedíamos para que ela parasse ela continuava. – Vocês não sabem, queridos. Não pode existir coisa pior no mundo do que perder um filho. Não há quem mereça esta dor. Só de pensar meu peito espreme!
                Por vezes eu e Makena dizíamos que ela tinha uma tendência ao drama, porque vire e mexe dizia aquilo, principalmente quando eu ou minha irmã tínhamos um pouco mais que uma febre. Mas olhando pra Diana naquele momento, as palavras de minha mãe começaram a fazer sentido. Eu quase podia sentir a dor daquela mulher passando pra mim. E as próximas palavras dela pareciam deixar esta sensação cada vez mais forte:
_ Murilo gostava quando eu fazia cócegas nele, assim. – Ela apontou pra foto. – Às vezes ele chegava a agarrar minha mão com os dedinhos e puxar pra própria barriga. Era incrível. E quando eu fazia ele ria, ria muito! Foi em um destes dias que Mateo tirou esta foto.
                Diana mudou a fotografia na tela e na imagem seguinte eu senti um certo desconforto. Parecendo trajar só lingerie, ela estava encolhida no abraço de um homem, que tinha o rosto colado ao dela e a envolvia com os braços com um ar de possessão… ou talvez eu estivesse afetado demais com as estranhas emoções que vinham da mulher ao lado e estivesse vendo coisas além da realidade.
_ Meu Gustavo. – Ela disse. E havia tanto sentimento em sua voz, tanto carinho, uma quase devoção, que quando ela disse aquilo, senti um arrepio involuntário.
                Outra foto. Nesta estavam ele e ela sorrindo muito e uma das mãos dele estavam pousadas na barriga de Diana.
_ Eu estava com três meses de gestação aqui. Tá vendo? – Ela apontou o indicador em direção a própria barriga na foto. – Minha barriga ainda estava pequena, mas dá pra perceber, não é? – Ela me perguntou ansiosa e então voltou seu rosto para mim. Os olhos dela estavam iluminados, como se ela estivesse sentindo a sensação de estar grávida de novo.    
                Um novo bolo se formou em minha garganta e, um tanto engasgado, eu murmurei.
_ Sim, eu vejo.
Ela sorriu mais.
– Foi uma época mágica! Ter Murilo crescendo dentro de mim.
                Ela mudou de fotografia, nesta estava a família toda. Ela, Gustavo e o pequeno Murilo deitados em uma cama. Diana tinha os olhos voltados para o filho, os dois sorriam. Já seu marido, Gustavo, tinha os olhos voltados para ela, lhe dirigindo um olhar intenso. E não era necessário que me contassem nada para que eu pudesse perceber, que pelo jeito que o cara a olhava, ela a amava muito.
_ Vocês pareciam felizes. – Eu murmurei.
_ Sim. Eles eram minha maior felicidade. Eram… - Ela enfatizou o verbo passado. – Hoje eles são minha maior saudade.
                O sorriso dela foi se desfazendo então, enquanto ela encarava a fotografia. A expressão iluminada que ela me dera ainda a pouco foi se escurecendo, a melancolia voltando com força total. O queixo dela tremeu e eu previ uma avalanche de lágrimas. Mas veio só uma, que escorreu lentamente pela sua bochecha esquerda. Ela apertou as mãos no braço da cadeira em que estava sentada e soltou um suspiro entrecortado.
                Em um gesto involuntário eu agarrei a mão dela. Deve ter sido involuntário também, mas ela agarrou minha mão. Diana fechou os olhos e abaixou a cabeça, seus cabelos caindo na frente do rosto.
_ Eu sinto muito. – Eu disse, absolutamente sincero.
_ Eu também sinto… muito… muito! – A voz dela estava baixa, a dor soando nítida por trás das palavras.
                Com meu polegar eu lhe acariciei o dorso da mão, enquanto ela respirava fundo, tentando recuperar o controle. Mas quando isto aconteceu, quando ela recuperou o controle, eu percebi rápido. Ela abriu os olhos e encarou as nossos dedos entrelaçados, meu polegar desenhando círculos em sua mão. Também me peguei encarando nossas mãos. Parecia um gesto tão singelo, mas tão íntimo.
                Diana franziu o cenho e então deixei de sentir a pressão dos dedos dela agarrando minha mão antes que ela puxasse sua própria mão de forma abrupta e se levantasse. Ela enxugou os vestígios de lágrima que havia em seu rosto e voltou a me encarar. Os olhos dela estavam vermelhos, mas ainda assim, havia outra Diana na minha frente. Ela tinha colocado a mascara de “dragão” imponente e a sensibilidade que eu senti emanar dela pareceu se perder em algum lugar muito longe do rosto lindo e rígido que me encarava.
_ O que você veio fazer aqui? – Perguntou, já sem nenhum tom de doçura na voz.
                Impressionante! De água passou a ser vinho… ou vinagre?
                Mas quando eu consegui assimilar a pergunta e lembrei da resposta é que eu fui cair em mim. Merda, merda, merda! Quanto tempo tinha passado desde que saí da sala de reuniões? Será que foi muito?
_ Eu vim lhe chamar. – Eu disse, me levantando, de repente incomodado com os tecidos do meu figurino. – Chris pediu… pra reunião. Ele está lá em baixo, com a equipe técnica e…
                Conforme fui falando os olhos dela foram se arregalando.
_ Ele já começou? – Perguntou apressada, me cortando.
_ Bem… já.
_ E você ficou aqui e não me disse nada? Por que não fez o que tinha que fazer logo que chegou?? Não era esta a sua função? – Ela ficou furiosa, passou a andar pela sala pegando um papel dali e outro daqui.
_ Bom, eu pensei que falar naquele momento seria grosseiro. – Eu disse, indignado. O que havia com aquela mulher?
Ela parou, de costas pra mim, seus ombros caíram assim que eu disse a palavra “momento”.
_ Esquece. – Ela disse e passou feito um furacão por mim, evitando meus olhos.
                Eu fiquei ali, olhando para as fotos que voltaram a passar sucessivamente pela tela. Fui até lá e fiquei apenas observando, uma após a outra. A mulher que estava nela, que sorria em todas elas, não era aquela que eu convivia nos últimos meses, eu tinha certeza. O mais próximo que havia chego da Diana que estava nas fotos foi ali, naquele breve momento, quando nossas mãos permaneceram entrelaçadas, enquanto ela me permitiu compartilhar um pouco de sua dor.
                A Diana da foto exalava outra coisa que eu mal podia definir. Parei em outra foto em que os três estavam ali novamente, numa perfeita pose de família feliz. Ela tinha perdido muito…
Então talvez eu soubesse “o que havia com aquela mulher”…


Dor. 

Um comentário:

  1. Estou gostando muito da história por favor não para de postar ;)

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