30 agosto 2014

Fanfiction: A musa - Capítulo 11


Pov Diana
                
Eu não estava bem. Eu não estava nada bem!
                Meus pés pareciam se mover por conta própria em direção à sala de reunião, enquanto uma mistura de muitos tipos de emoções me atormentava. Eu sentia meu coração bater pesado, minha garganta travada com o peso do choro que segurei. Eu sentia minhas veias das têmporas pulsarem, meus olhos ardiam e minha mão esquerda queimava.
                Eu sempre ficava muito sensível quando lembranças de Gustavo e Murilo me vinham um pouco mais fortes… Mas, nos últimos tempos, sempre que eu passava por aquilo eu estava sozinha. E agora não sentia só o peso no coração, como das outras vezes. Eu sentia ainda o calor da mão dele na minha, a suavidade do polegar esfregando minha pele tentando me passar conforto.
                 Eu apertei meus dedos, fincando minhas unhas na carne da minha palma até começar a sentir dor. Um tanto alterada eu esqueci qualquer delicadeza e abri a porta da sala de reuniões com um soco um tanto barulhento demais.
                Quando dei por mim, ninguém parecia respirar, me encarando, todas as cabeças viradas em minha direção. Chris me deu uma olhada tensa.
_ Demonstrando o impacto que nosso filme terá para os espectadores, Diana? – Ele disse, me repreendendo na frente de todo mundo. Afinal Chris era inglês e tudo o que ele mais primava eram os bons modos, que eu acabava de não ter ali.
                Eu estava atrasada e entrei interrompendo tudo. Eu devia fazer alguma coisa em relação aquilo, mas minha cabeça ainda girava. O que eu devia fazer? Ah, sim:
_ Desculpem. – Eu disse, me virando pra fechar a porta. Mas antes que eu pudesse alguém a segurou.
                Era Mateo. Ele e Anne também estavam chegando agora. Mateo sorriu pra mim, mas logo franziu o cenho. Maldita percepção ele tinha!
                Antes que meu amigo intrometido pudesse me perguntar qualquer coisa eu fui em direção a Chris e me sentei ao lado dele. Chris continuou e eu me mantive a margem, somente entregando os papéis que ele me pedia e dando as informações necessárias. Estavam todos decidindo os detalhes para as gravações externas, que aconteceriam na Austrália.
_ Só vamos até lá com o elenco principal. Será necessário fazermos isto no máximo em duas semanas. Não podemos passar disto. Já tem um pessoal nosso lá, preparando as coisas, testando o clima, o que as luzes naturais de cada paisagem tem a nos oferecer. – Chris dizia e eu fazia um esforço enorme pra prestar a atenção. – Diana, o ultimo relatório da nossa equipe de lá, por favor.
                Eu me mexi subitamente quando ouvi Chris me chamar de novo. Procurei meio atrapalhada o que ele me pediu e o entreguei.
Ok, Diana, respire. Recupere seu controle já! Você está trabalhando!
                Mas nada daquilo estaria acontecendo se eu não tivesse descoberto aquelas fotos no pendrive de Mateo, que ele havia me passado pouco tempo antes para que eu escolhesse as fotos do elenco. Eu olhei na direção dele e ele me encarava com aquele olhar de “eu-sei-que-você-não-está-bem”.
_Muito bem… por enquanto eu acho que é só. Vamos decidir o resto quando voltarmos do breve recesso.  – Chris finalizou e todos se levantaram.
_ Divino recesso! – Jack disse.
_ Hey Chris, você vai na nossa festa amanhã? – Alguém, que eu não sei quem, perguntou.
_ Festa? Que festa? – Mateo finalmente desviou os olhos de mim pra perguntar. O desgraçado adorava festas.
_ Isto mesmo, que festa? – Eu perguntei. Quem me respondeu foi o maquiador, Johan.
_ É só uma distraçãosinha pra gente, poderosa Moreno. – Ele disse, com voz melosamente falsa. – Estive pensando em fechar uma boate pro pessoal do filme se reunir. Nada demais.
_ O que? Fechar uma boate? – Eu olhei pra Chris. – Mas isto é um absurdo! Este recesso é pra todos descansarem e se prepararem pra viagem longa e exaustiva que vamos fazer! Não pra ficar farreando em boate, francamente! E além do mais, fechar boate? Isto é um chamariz de imprensa e ainda não é hora de divulgar nada.
_ Olha, poderosa Moreno, o poderoso Chris já liberou. – Johan disse, colocando as mãos na cintura e apontando Chris com o queixo.
                Este deu de ombros.
_ É só um dia. Eles vão tomar cuidado. E todos precisam disto também. As coisas já começaram bem agitadas. – ele disse.
_ E quanto à imprensa, fique tranquila Diana. Johan conversou comigo, a boate que ele comentou é bem discreta. É claro, é impossível fugir de todo mundo, mas não vai ser nada que não possamos lidar. – Emma disse.
_ Tudo bem, já to vendo que as coisas já estão bem firmadas. – Cruzei os braços e afundei na cadeira.
_ Me avise onde vai ser depois, Johan! – Mateo gritou, enquanto todo mundo saia da sala.
                Acabou que ficamos só eu e ele ali. Chris havia dado uma pausa antes de começar a conversa com o elenco.
                Mateo se sentou onde Chris estivera antes, ao meu lado. Sem dizer nada ele pegou uma de minhas mãos e me fez esticá-la. Ela tremia, pouco, mas tremia. Mas antes elas estavam tremendo bem mais.
_ O que aconteceu?
                Eu bufei.
_ Eu encontrei fotos minha, do Gustavo e do meu filho que estavam no seu pendrive… Fotos que você nunca me mostrou.
_ Ah! – Ele falou. – É, eu também tinha esquecido delas. – Ele agarrou minha mão e começou a fazer um leve carinho. Involuntariamente eu me lembrei de outra mão junto da minha. – E então você as viu e ficou revivendo o passado?
                Não respondi, apenas puxei minha mão da dele.
_ Foi só isto mesmo? – Ele perguntou.
_ Como assim foi só isto? Cada vez que eu revejo algo novo, que eu recordo uma coisa mínima, é como se eu os ganhasse de volta e os perdesse novamente! Você sabe! E me pergunta se foi “só isto” que me deixou alterada? – Eu murmurei furiosa.
_ Sim. – Ele disse, com naturalidade, acostumado com todo o meu drama. – Te pergunto se foi só isto, porque eu acho que tem algo mais te perturbando.
                Enquanto ele dizia aquilo o elenco foi entrando pra sala de reuniões. Taylor foi o ultimo a entrar. E foi inevitável. Meus olhos se fixaram nele imediatamente. Ele me olhou de uma forma diferente, como se procurasse me desvendar, como se tivesse achado uma brecha pra invadir lugares só meus.
Sim, ele tinha encontrado esta brecha. Eu tinha dado isto a ele.
                Eu ainda não entendia o que me fez falar todas aquelas coisas do meu filho e marido pra ele assim, do nada. Mostrar a ele a parte mais intima de minha vida, a que eu procurava manter só pra mim nos últimos anos. E do nada eu simplesmente falei, sorri e chorei na frente dele… demonstrei minha dor, minha fraqueza.
                Por que?
_ Diana?… Dih? – Mateo murmurou muito perto do meu ouvido, me fazendo dar um pulo na cadeira.
_ O que? – Disse, ríspida.
_ Você não responde e… - Mateo parou de falar. Olhou para o Taylor e depois olhou pra mim. – Nada. Depois da reunião a gente conversa.
_ Não há nada pra conversar. Quero ficar sozinha hoje.
_ Tem certeza?
_ Absoluta.
_ Tudo bem.
                Sem dizer mais nada Mateo saiu da sala, nem me disse tchau. Não que isto fizesse a diferença. Chris e Emma voltaram e eu desviei meus olhos de Taylor e me concentrei nos papéis e nas falas dos dois.
                A reunião não foi muito longa, mas pra mim pareceu durar uma eternidade. Meu desconforto crescia a cada segundo e eu sentia que estava muito perto de desabar a qualquer momento. Havia muita coisa passando pela minha cabeça. Eu não devia ter visto aquelas fotos. Não naquele momento, quando estava tão perto do aniversário de morte de Gustavo e Murilo.
_ Então, é isto. Até breve pessoal. - Emma encerrou a reunião e eu quase louvei a Deus.
                Me levantei imediatamente.
_ Vocês vão precisar de mim, Chris, Emm?
_ Não, pode ir, querida. – Emma me avaliou por um momento. – Está se sentindo bem?
_ Só cansada mesmo. – Respondi, tentando esboçar um sorriso.
_ Ok. Se precisar é só nos chamar, entendeu? – Chris disse. – Bom descanso.
                 Mal murmurei um “obrigada” e peguei as minhas coisas pra sair. Na porta haviam algumas pessoas aglomeradas, mas eu nem sequer as enxergava. Eu queria passar em outro lugar antes de ir para o hotel. Furei o círculo de pessoas e esbarrei em duas ou três quando saía. Escutei reclamações, mas não parei. Não parei nem mesmo quando ouvi alguém me chamando.
                Será que Mateo já tinha pego o seu pendrive? Ele me daria aquelas fotos se eu pedisse?
_ Diana! – Alguém agarrou meu braço, me puxando.
                Como eu estava muito distraída, não esperando por aquilo, meu corpo se voltou imediatamente pra quem me puxou e eu me choquei com ele. Ergui os olhos para encarar quem era. Taylor.
_ Você está bem? – Ele perguntou, sério, olhos fixos nos meus.            
                Por que ele queria saber? Por que todas as pessoas queriam saber? Ninguém poderia fazer nada pra tirar aquilo de mim, então não fazia diferença se eles soubessem ou não. Puxei meu braço do aperto dele e cambaleei pra longe.
_ Não te interessa!
                Virei minhas costas e continuei andando.
_ As fotos não estão mais lá. – Ele disse. E eu estaquei. Como ele podia saber que eu estava atrás das fotos? Ele continuou. – Mateo chegou logo depois que você saiu e pegou o pendrive.
                E agora? Eu sabia que Mateo não me daria as fotos se eu pedisse. Ele achava que eu me torturava demais com aquilo, cavando lembranças do passado. Mas aquilo era importante! Muito importante! Eu precisava senti-los perto de mim… e ver as fotos, olhar os detalhes dos traços de cada um deles, fazia minhas memórias mais vivas, mais quentes.
                Eu suspirei e, desistindo, me dirigi a saída, pegando as chaves do meu carro na bolsa. Mas Taylor voltou a agarrar meu braço.
                 Eu me voltei pra ele furiosa, mas antes que eu pudesse abrir a boca ele disse:
_ Pegue um taxi. – Ele apertou minhas mãos, que estavam frias e trêmulas, ao contrário das suas, que me pareciam tão firmes e quentes. Novamente eu me vi desfazendo aquele contato, puxando minhas mãos com força demais, fazendo a chave que eu ainda segurava voar longe. Taylor apenas olhou aquilo e voltou seus olhos pra mim. – Pegue um taxi.
                Então virou as costas e saiu. Eu sorri amargamente para suas costas. E daí que eu não estivesse bem pra dirigir? E daí se eu sofresse um acidente? Eu não tinha muito a perder. Andei até a chave perdida no chão e a peguei de volta.
                Ainda trôpega, andei até meu carro, sentindo minha visão embaçar conforme caminhava, resultado das lágrimas que eu insistia em conter. Eu voltaria pra porra de um hotel vazio, sem ninguém a minha espera. Era só um apartamento vazio. E minha vida era assim: vazia. Meu marido e filho deixaram espaços dentro de mim que ninguém jamais poderia preencher.
                Tentei colocar acionar o botão do alarme, mas acabei derrubando a chave três vezes e em nenhuma delas fui capaz sequer de apertar um botão! Suspirando eu desisti. Andei lentamente até a frente do estúdio e acenei para o primeiro taxi.
Eu só precisava ir embora e dormir. Chorar e dormir.
OooOooOooOOooOO
POV Taylor
                Do lugar onde eu estava, pude ver Diana do lado de fora do Studio, entrando em um taxi. Sorri brevemente, pensando que talvez aquela fosse a única vez em que ela seguiria um conselho meu. Sinal de que ela, realmente, não estava bem.
                Não que isto não estivesse claro em seus olhos e em sua postura. Todo mundo havia percebido que ela estava estranha durante a reunião, com o olhar distante, os ombros encolhidos, sempre quieta.
                Diana Moreno sempre tinha algo importante a dizer, era assim em todas as nossas reuniões, mas naquele dia ela se manteve quieta do início ao fim.
_ Que bicho mordeu ela? – Sally tinha perguntado, antes que a própria Diana furasse nosso circulo de conversa esbarrando em Sally e em mim.
                E antes que eu pudesse pensar eu corri atrás dela. Só não me pergunte o que me levou a fazer isto. Eu simplesmente fui atrás dela. O fato era que eu preferia muito mais a versão “vaca”, do que ver Diana em um estado “a beira do precipício”.
_ Muito bem… algo me diz que você sabe qual é o mal dela.
                Quase pulei de susto quando ouvi Nádila conversando comigo. Estava tão distraído que esqueci que ela estava do meu lado. Ela também olhava pela janela em que eu estava encostado, observando Diana ir embora.
                Eu apenas balancei a cabeça.
_ Eu não sei. – disse.
                Nádila apertou os olhos e me encarou, claramente não convencida. Mas logo deu de ombros.
_ Tudo bem. Vou fingir que você não levou mais tempo que o necessário para chamá-la pra reunião. E vou fingir que não vi você correr atrás dela e depois voltar com um letreiro piscando na sua testa com a palavra “preocupação”. Tudo bem, eu finjo. Fingir faz parte do meu ofício.
                Ela disse aquilo com aquela sutileza tão intrínseca a ela, com a meiguice nada forçada que ela tinha. Eu ri, jogando a cabeça pra traz.
_ Muito bem dona espertinha! – Eu apertei a bochecha dela, como se falasse com uma criança travessa. Ela emburrou e me deu um tapa no ombro. Eu ri mais. – Eu sei o que ela tem, mas não acho que eu deva sair falando isto por aí.
_ Certo. Com esta resposta eu posso lidar. – Ela enfiou seu braço no meu. – Agora vamos. Você me prometeu uma carona até o hotel naquele seu “super-carro”.
                Nádila tinha se revelado uma excelente amiga nos últimos tempos. Ela parecia ser o oposto de Diana: enquanto todos odiavam uma, todos se encantavam por outra. Ela tinha um jeito meigo, mas esperto. Raramente alteava o tom de voz, mas sempre tinha uma resposta afiada pra tudo que lhe dissessem. E era uma profissional espetacular. Quando Chris ou Diana gritavam “ação”, ela se transformava. Era impressionante.
                Chris e os demais produtores estavam investindo pesado nela, e todos nós suspeitavam o porquê: eles almejavam o Oscar de melhor atriz. E eu, vendo-a atuar a todo momento, achava bem possível que ela conquistasse a estatueta na sua grande estreia nas telonas.
                E talvez por ser uma excelente atriz, Nádila tinha uma qualidade perigosa pra quem queria manter algum sigilo: ela era observadora. Muito observadora. Ás vezes eu tinha até medo quando eu pegava ela me encarando, porque parecia que ela estava invadindo minha mente ou coisa parecida. Isto era maravilhoso quando estávamos em cena, porque ela parecia prever o que eu ia fazer e o feeling entre nós ficava perfeito.
                Assim, quando ela me perguntou o que Diana tinha, eu suspeitava que ela já estava muito perto de descobrir o que era. Eu só não sabia o que tinha passado pela cabeça dela quando eu simplesmente corri atrás de Diana um pouco mais cedo. Quando eu voltei ela estava me encarando, seus olhos espertos pareciam querer decifrar algo que estava além da minha capacidade entender. E vez ou outra, enquanto estávamos a caminho do hotel, ela me olhou da mesma forma.
_ O que foi? – perguntei.
_ O que foi o que? – Ela disse, fazendo cara de inocente. Aquela mulher era um perigo.
_ Você está fazendo “aquilo” de novo. – eu disse.
                Ela simplesmente riu.
_ Quando você diz “aquilo” quer dizer que eu estou…
_… me encarando como quem quer descobrir meu segredos mais íntimos. Anda, fala o que é.
_ Bem… - Ela hesitou um pouco, enquanto saíamos do meu carro e entravamos no hotel. Pra variar vimos uns paparazzi há alguns metros dali, tirando fotos e mais fotos. Antes que pudéssemos entrar, encontramos uma pequena comoção de fãs, pedindo autógrafos.
Nádila ainda não era muito conhecida, então ela se afastou enquanto eu atendia aos fãs. Quando estávamos razoavelmente protegidos no hall do hotel, ela voltou a falar:
 – Então… eu estava só pensando que Diana parece agir de uma forma estranha, como se ela se esforçasse pra ser intragável, só pra afastar os outros dela.
                Pera aí… fiquei confuso.
_ E o que olhar pra mim te faz pensar nisto?? – Expressei minha confusão e ela riu da minha cara.
_ Digamos que… você é a pessoa que ela mais repele. De todo mundo, ela é mais agressiva com você. Como se você representasse algum perigo para algo que ela quer manter.  – Ela disse séria, como se aquilo que ela estivesse falando fosse bem plausível.
_ Eu acho… - falei com cuidado. - … que você está maluca.
                Ela me direcionou um sorriso travesso e não disse mais nada, apenas me deu um beijo no rosto e saiu do elevador em que estávamos, indo pro seu quarto. Eu sacudi a cabeça, tentando esquecer aquilo que Nádila havia me dito. Com certeza, havia um outro motivo pra Diana ser tão mais intragável comigo.
                A porta do elevador abriu com um “ding” no meu andar. Saí, já vislumbrando o número do meu apartamento, mal olhando para os lados, ansioso para simplesmente entrar e tomar um bom banho relaxante. Então nem me dei conta que alguém me esperava por ali.
_ Taylor, posso falar com você um minuto? – Era Mateo. Ele parecia sério.
                Eu estava muito cansado, por isto hesitei um pouco.
_ Claro… agora? – Perguntei.
                Ele sorriu pra mim, me avaliando por um momento.
_ Só queria saber sobre a Dih.
                Eu franzi o cenho.
_ Diana? – Ele afirmou com a cabeça. Eu abri a porta do flat. – Entra.
                Mateo entrou atrás de mim sem cerimônia.
_ Quer alguma coisa? Tem suco, água, refrigerante… - Ofereci.
_ Não, não. Obrigado, estou bem. – Ele suspirou. – É só que mais cedo, quando eu passei na sala de fotografia a gente não pode conversar direito. Você disse que Diana estava olhando aquelas fotos que estavam na tela, certo?
_ Sim. – Respondi, sem saber ao certo onde ele queria chegar.
_ Ela lhe pareceu muito mal com isto? – Os olhos dele estavam preocupados.
_ Bom… por um momento pensei que não. Ela me parecia apenas saudosa. Mas depois… ela ficou… um pouco triste.
                Mateo fez uma careta quando eu disse aquilo.
_ Triste como? Pouco ou muito?
                Eu dei de ombros.
_ Não sei explicar muito bem… o suficiente pra me afetar também. Entende?
_ Acho que sim. Ela desabafou com você? Disse algo?
_ Sim. Ela falou um pouco sobre o marido e o filho… e depois disse que sentia muito. Mas, desculpa… por que tanto interrogatório?
                Mateo sorriu amargamente e se levantou. Passando os dedos entre os cabelos.
_ Bom, Diana nunca soube lidar muito bem com esta perca. Ela costuma agir impulsivamente às vezes. Então, desde que tudo aconteceu nós temos que “vigiá-la” quando ela demonstra… alguns sinais. Eu só precisava saber se ela está sob controle. – Ele parecia desconfortável ao dizer aquilo. – Ela precisa desabafar em alguns momentos, não ficar remoendo as coisas sozinha. E hoje ela me dispensou… enfim…
                Ele parecia tenso, como se estivesse com medo de algo. Hoje, definitivamente, as pessoas me pareciam fora dos eixos. Primeiro Diana, depois Nádila e agora Mateo. Qual é?
_ Calma, cara. – Eu disse, tocando nos ombros dele. – Eu acho que ela está bem. Ela até me deu uma bronca depois.
                Ele riu.
_ Diana não está bem há muito tempo.  Há cinco anos, pra ser mais exato. – Ele suspirou. – Não leve muito em conta os rompantes que ela tem, o histerismo. Ela é uma pessoa maravilhosa, pode acreditar. Só está ferida e como um animal ferido, ela tende a “rosnar” para todos que se aproximam, mesmo que a intenção seja ajudar.
_ Entendo. 
_ Eu acho que você descobriu o mal que ela sofre hoje. Mas tente não olhar pra ela com pena ou compaixão. Ela não suporta isto… E, por favor, não comente muito por aí o quanto ela ainda sofre. Não ia pegar bem. – Ele fez outra careta.
_ Claro. Pode confiar. Vou ser discreto.
_ Obrigado! – Ele disse, dando um aperto forte na minha mão.
                Depois que Mateo se despediu, eu fiquei pensando e repensando a atitude dele. Não me pareceu uma preocupação banal que o tinha trazido até aqui. Eu sabia muito bem avaliar as emoções nos rostos das pessoas e o que eu vi em Mateo foi medo. Medo por Diana… mas por que?
                Poderia parecer exagero ele ter vindo até mim somente para perguntar aquelas coisas, mas algo me dizia que ele tinha uma razão bem forte pra isto, algo que ele não me disse. Ele havia dito que precisava “vigiar” Diana, que ela agia impulsivamente... O que isto significava?
                De qualquer forma, eu sabia que Diana realmente estava mal, o jeito que ela saiu do estúdio, a forma como suas mãos não paravam de tremer. Eu suspirei, encarando o nada. Tava pra nascer mulher mais complicada!


                Desistindo de encucar sobre isto, eu fui para o banheiro, já tirando a roupa no meio do caminho. Eu realmente merecia descanso.

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