09 agosto 2014

Fanfiction: A musa - Capítulo 8



POV Diana
       
     Nádila ainda olhou para porta onde Lautner havia saído com uma ruga na testa. Mas logo depois caminhou em nossa direção, muito tranquilamente. Já acostumada, ela se sentou em uma cadeira entre eu, Chris e Collin, o diretor assistente. Houve uma breve troca de olhares entre ela e Jack, o principal responsável por termos a conhecido. Como sempre ela ruborizou sutilmente ao encará-lo.
_ Muito bem Nádila. Pode respirar aliviada. Acabamos esta etapa. – Collin disse disse, enquanto se levantava e se alongava.
_ Algo me diz que esta foi a etapa mais fácil. – Ela disse, sorrindo.
_ Pode ter certeza que sim. – Eu disse. – Mas bem, o que você tem a nos dizer sobre ele? – Perguntei logo, não queria enrolações.         
Ela se voltou pra mim, ainda sorrindo.
_ Bom. Quer dizer, ele estava nervoso e tal… mas achei que ele teve boas ideias para a cena.
_ É mesmo? – Eu disse, quase não conseguindo disfarçar um cinismo em minha voz. – Como a ideia de te amordaçar? Realmente, muito… teatral.
            Nádila desmanchou o sorriso, me encarando avaliadora. Sustentei o olhar.
_ Eu realmente gostei do momento em que você o agrediu cuspindo nele. Uma grande afronta. Mas acontece que me pareceu que aquilo foi ideia sua, Nádila. – Chris rebateu, a encarando também. Nádila se virou para ele…
_ Bom… não foi uma ideia, ideia… – Ela disse, voz trêmula.   – Eu agi por impulso.
_ Um impulso que ajudou bastante, diga-se de passagem. Um impulso que provocou nele exatamente aquilo que comentava com você outro dia: espanto e descrença diante de uma afronta. Eu acho que este impulso foi muito bem pensado Nádila. – Disse tudo a ela, enquanto ela permanecia me encarando. – Aliás, nós pudemos perceber bem o quanto você se dedicou neste teste, em particular. 
_ O que quer dizer? – Ela perguntou, sem desviar os olhos. Para alguém que ruborizava facilmente, ela conseguia me enfrentar muito bem.
_ O combinado era que o ator agisse independentemente Nádila. Sem interferência e nem ajudas. Você cumpriu a tabela muito bem nos outros testes, tanto que pudemos ver a tomada de decisões de cada ator durante eles. Mas não foi este o caso. Você ajudou bastante, embora de forma sutil. No entanto, eu fui altamente treinada para perceber coisas sutis.
            Afrontei Nádila abertamente, a colocando contra parede. Tanto eu quanto Chris, ou Collin, percebemos que ela havia, claramente, elegido Lautner como seu predileto.
_ Eu não diria que o ajudei… isto é desconsiderar o que ele fez. E sim, ele realmente fez coisas Diana… admita. - Nádila maneou o tom de voz, parecia tão suave como algodão quando ela me disse aquilo. – Eu prefiro dizer que com ele, mais do que com os outros, me senti mais aberta para interagir. Ele me oportunizou isto melhor do que os outros, aliás. – Eu percebia a certeza em cada palavra que ela dizia.
            Algo em Nádila se assemelhava muito a mim mesma. Exceto o fato de ela tentar ser sempre mais sutil.
_ Você gostou de contracenar com ele… é isto? – Chris perguntou. Era quase uma pergunta retórica, pois estava óbvia a resposta.
_ Isto. – Ela disse, calmamente. Mas apesar disto, eu novamente distingui muito bem a determinação de Nádila ao deixar claro sua predileção.
_ Muito bem… mas você certamente sabe que a decisão final compete a muitas coisas mais além dos seus gostos e caprichos. Não entende? – Também deixei claro a posição dela ali.
Ninguém estava ali para seguir ordens de atores, tampouco se submeter a ataques de estrelismos, como se eles fossem o centro de tudo. Talvez, poderíamos deixar que a mídia e consequentemente os fãs entendessem assim, mas aquela não seria a realidade.
Nádila permaneceu com expressão inalterada, mas eu sabia, eu sentia, que a havia incomodado profundamente com aquele comentário.
_ Eu sei. Na verdade eu acredito que aqui não é lugar para gostos ou caprichos… de ninguém. – Ela enfatizou o “ninguém” olhando diretamente em meus olhos. Eu sorri, aquilo foi pra mim. Talvez ela pudesse reformular a frase e dizer abertamente: “aqui não é lugar nem para os meus caprichos e muito menos para os seus, Diana”. – Mas eu também sei que minha opinião não é carta fora do baralho, do contrário vocês não me chamariam pra conversas como estas após cada teste. Assim como vocês devem saber e ver, meus gostos e caprichos podem influenciar no resultado final.
            E ali ela virou a mesa. Eu ergui as sobrancelhas para ela, um sorriso debochado aflorando em meu rosto. Então aquela era a força de Nádila Krow? Chris soltou um assobio baixo diante do claro enfrentamento dela para comigo, coisa que nem mesmo ele havia feito até então.
            E ela fez aquilo só pra deixar claro que a predileção dela por Lautner iria influenciar em sua atuação? Era isto? Ela queria deixar o peso do seu voto ali?
            Estreitei os olhos. Sim, era isto.
_ Muito bem, vamos considerar isto Nádila. Pode ir agora. – Chris anunciou, fazendo com que ela se levantasse quase imediatamente.
_ Também vamos considerar ainda mais, Nádila, sua capacidade de ser profissional e excepcional com as condições de trabalho que lhe forem oferecidas e com os parceiros que estiverem a disposição. Independente de gostos ou caprichos. Não se esqueça disto. – Eu disse antes dela sair.
            Nádila se voltou para mim e sorriu, parecendo divertir-se com algo. Talvez por saber que, certamente, eu não iria permitir que a última palavra fosse a dela. Ela não me respondeu, simplesmente se virou e seguiu seu caminho.
            Eu me voltei para as minhas anotações, passando os olhos por cima de todos os meus rabiscos de avaliação.
_ Okay, okay. Falta agora decidir quem será o tal, meus caros. – Chris novamente se fez ouvir, desta vez envolvendo o resto do pessoal que assistia os testes com a gente e que, durante a nossa conversa com Nádila, não se intrometeram.
_ Falamos dos pontos positivos e negativos de cada ator por vez? Podemos fazer na ordem que se realizou o teste? – Jack, nosso preparador de elenco, perguntou.
            Eu fiz uma careta, pra mim aquilo tudo era enrolação. Já estava cansada daquilo. Rapidamente rabisquei um nome em caneta vermelha, em cima de todas as minhas anotações, com letras enormes. Sublinhei o nome com raiva, causando um ruído nervoso no papel que não passou despercebido pelos outros. Emma me encarou com a sobrancelha erguida.
            Dei, quase jogando, o papel para Chris.
_ Esta é minha opinião. Decidam como quiser. – Enquanto eu juntava minhas coisas para sair, eu vi, pela minha visão lateral, Chris ler o nome e sorrir, balançando a cabeça.
            Não dei muita atenção.
_ Quando você marcar a reunião de elenco, depois de definir o candidato, me avise. To precisando de descanso por um tempinho. Mas acho bom que faça isto logo… temos prazos. – Falei baixinho para Chris antes de ir.
            Ele se empertigou todo e bateu continência pra mim, fazendo todos rirem. Eu bufei alto e finalmente saí dali. Tudo o que eu precisava naquele momento era de… um pote de sorvete de chocolate!
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Dois dias foi o tempo que Chris levou para finalmente marcar a reunião de elenco e me chamar. Eu dirigia pelo centro de Los Angeles tranquilamente, a caminho do Studio, ouvindo minha mãe tagarelar no viva-voz do meu celular.
_ … e o seu pai simplesmente não entende que eu preciso fazer esta reforma na escola! As salas de balé, principalmente, eu tenho que trocar todo o piso, aquele chão está em péssimas condições, como os alunos não sofreram algum acidente eu não sei! Só por um milagre.
_ Mãe, você sabe como o pai é. Ele é regulado com os gastos… e se não fosse por isto, você já teria fechado a escola de artes faz tempo. É só entrarem em um acordo com esta coisa toda, deixe ele regular os gastos da reforma, ele vai ficar mais tranquilo assim. – Eu falei a esmo, tentando mostrar o óbvio para minha mãe e prestar a atenção no sinal ao mesmo tempo.
_ O que? Seu pai vai ficar me podando em tudo se ele ficar a frente dos gastos! – Ela chiou, teimosa.
            Eu rolei os olhos.
_ Mãe, você sabe que às vezes, na maior parte delas, te podar é a melhor atitude a se fazer.
_ Diana! Como me diz isto garota?! Mas o que eu estou falando com você?! Você e seu pai sempre se juntam contra mim!
_ Sua teimosia às vezes levam as coisas por água abaixo dona Amanda, sabe disto.
_ Olha quem fala! Você é igualsinha a mim então! Você é até mais teimosa e intransigente do que eu… - Ela deu uma pausa, suspirando. - Agora me diz, anda menos estressada?
            Eu fiz uma careta quando minha mãe mudou o foco da conversa para mim. Se eu deixasse ela ia vir de novo com todo aquele papo de que eu ainda estava presa ao luto e que precisava viver, ela não ia parar mais. 
_ Estou perfeitamente “zen”. Mas agora é hora de dar tchau, to chegando no trabalho, mãe.
_ Não, não, não! Nem falamos direito! Prometa que vai me ligar! – Ela ordenou, enquanto eu estacionava o carro.
_ Sim, mãe, quando der eu ligo.
_ Hoje a noite! – Ela disse categórica.
_ Vou ver…
_ Diana! Você não conversa comigo e nem me ligar quer… onde já se viu?
_ Beijo mãe, tchau! – Desliguei o celular, tirando o fone do ouvido, antes que minha mãe me irritasse logo de manhã. 
            Saltei do carro e sorri ao dar de cara com Mateo me esperando. Ele havia chegado de viagem ontem e ainda não tínhamos nos visto.
_ Hey, deusa!!! Saudades desta mulher po-de-ro-sa!! – Ele disse, com todos os jeitos de uma bicha afetada - coisa que ele não era - só porque sabia que me irritava assim.
_ Menos Mateo… bem menos!
            Ele me agarrou, tirando meus pés do chão, me fazendo rugir e socá-lo logo que ele voltou a me por no chão.
_ Idiota como sempre!
_ E você, amorosa como sempre. – Ele respondeu, enquanto seguia meus passos apressados para a sala onde a reunião estava marcada.
            Eu fiz uma careta pra ele antes de abrir a porta impetuosamente e entrar na sala, seguindo a passos firmes em direção ao lugar onde meus colegas de equipe estavam. Assim que eu cheguei percebi o burburinho de vozes diminuir drasticamente.
_ Nem fala bom dia… - Ouvi alguém resmungar. Respirei fundo para deixar aquilo passar. Eu estava ali pra trabalhar, não pra ser simpática.
_ Que bom que chegou, Diana. Chris avisou que vai se atrasar, está com problemas... bem, uns problemas sérios.
_ Algo a ver com Collin? – Perguntei, em um sussurro. Ultimamente Chris e seu diretor assistente vinham tenho sérias discussões a respeito de ideias. Muitas vezes o ambiente não ficava nada agradável com tudo aqui.
_ Bem, parece que sim. Mas, enfim… - Jack deu de ombros. - Você pode ir tocando a reunião? – Ele perguntou. Acenei afirmando que sim e logo ergui a voz. Eu sabia a pauta daquela reunião de cor, e boa parte do que seria discutido dizia eu poderia levar numa boa.
_ Se sentem e se silenciem senhores. Vamos começar sem o Chris.
            Silenciosos todos já estavam, só esperei que eles se acomodassem pelas cadeiras dispostas pela grande sala. Olhei para cada rosto ali, estavam quase todos da equipe técnica e todos os atores. Ou seja, tinha muita gente. Todos, inclusive o casal principal: Nadila Krow e… Taylor Lautner. 
            É, tinha sido ele o eleito. Foi o nome dele que eu rabisquei naquele papel que entreguei para Chris há dois dias atrás. Eu o encarei por um breve momento, ele acenou a cabeça em um comprimento mudo e sorriu. Desviei os olhos dele imediatamente. Por que ele sorriu pra mim, aliás? Achou que eu escolhi o nome dele por que motivo?
            Sacudi a cabeça discretamente, para voltar ao meu foco.
_ Primeiramente, em nome do Chris e de todos os produtores, eu gostaria de dar às boas vindas a todos nesta empreitada. Todos nós esperamos que juntos possamos fazer um trabalho excelente… e nada menos que isto. – Eu disse tudo àquilo sem sorrisos, mas com uma voz mais branda. Todos riram quando terminei a frase… eu não. Na verdade, nem sei porquê riram.
             Eu continuei encarando todos com a expressão séria, talvez um pouco impaciente pela interrupção de risos sem sentido, mas logo todos se acalmaram, as expressões novamente centradas. Respirei fundo e prossegui com o discurso.

********************
POV Taylor
            Eu ainda não acreditava que estava ali, que havia passado naquele teste que, pra mim, havia sido um fiasco. Mas eu estava sonhando. Me lembrava bem de quando Julie esmurrou a porta do meu apartamento, um dia antes, me xingando por não atender o telefone ou responder seus recados.
_ Inferno homem! Tire esta cara de enterro e se mexa! Temos um contrato pra assinar agora!
            E foi assim, bem sutilmente, que eu recebi a notícia que havia passado no teste. Eu confesso que até agora, não sabia calcular muito bem o que me fez ganhar o papel. Quando Julie me contou e depois, quando assinei o contrato, eu estava em um estágio meio letárgico.
            Mas eu realmente estava ali, tendo a incumbência de interpretar um dos mais difíceis personagens da minha vida. Não era algo fácil. Foi só quando eu entrei naquela sala de reunião, me deparando com Russel Crow, Jason Momoa, Diane Kruger, Sally Field, Day-Lewis.... Foi somente ali que eu senti o impacto do que iria fazer. Havia tantas estatuetas de Oscar nas mãos de boa parte daquele elenco, que eu tinha dúvida se poderia contá-las usando somente com os dedos das mãos.
            De uma forma completamente estranha, me senti amador, como se aquele fosse, na verdade, o meu primeiro filme. E talvez, de certa forma, aquele seria meu primeiro trabalho.
Assim que cheguei no estúdio a adrenalina começou a correr pelas minhas veias imediatamente, mas, inacreditavelmente, eu não me sentia nervoso como estive no dia do teste. Eu estava na verdade… extasiado? Não sei se esta seria a melhor palavra. 
            Antes que o diretor chegasse e a reunião começasse, propriamente dizendo, o elenco foi sendo apresentado uns aos outros pelo nosso preparador, Jack Low. É claro, eu já conhecia boa parte deles, mas não era intimo de nenhum, a pra meu completo desalento, eu nunca tinha trabalhado com ninguém ali.
_ Então vocês serão o casal principal? Terão uma missão e tanto, até onde li do roteiro. – Momoa disse, se voltando para mim e Nádila.
_ Pois é… eu tive um gostinho da dificuldade durante os testes. Realmente é um personagem um tanto complexo. – Eu disse, sorrindo.
_ Testes… até agora não entendo porque eles fizeram testes com atores que já tinham um considerável currículo de atuação. Por que simplesmente não escolheram?
            Dei de ombros diante da pergunta de Sally Field, que no filme faria a mãe da personagem principal, Perpétua.
_ Bom pessoal, não é tão simples assim. Não sei se vocês perceberam, mas a sinopse pode parecer carregada de clichês, mas é só avaliar o roteiro pra perceber que tudo aqui é explorado ao máximo. – Jack tentava nos explicar. – Nós precisávamos ter algumas certezas em relação aos personagens principais, porque o peso da história está sobre eles… o diferencial de tudo estará na atuação deles… então…
_ Resumindo: eles vão arrancar o coro de vocês dois! – Russel disse, soltando uma gargalhada grave logo depois.
            Nadila fez uma expressão de absoluto terror, para logo em seguida sorrir sutilmente. Eu balancei a cabeça.
_ É, estamos ferrados. – Eu disse, inacreditavelmente contente com toda aquela responsabilidade jogada sobre meus ombros.
_ Ferrados… - Momoa disse com deboche. – Vocês estão fudi…
            Mas antes que Jason pudesse terminar sua frase delicada, a porta principal se abriu em um quase estrondo, uma morena séria entrou pisando duro, seu salto (nem tão alto), quase perfurava o chão.
_ Me digam, vocês que já conhecem um pouco mais o pessoal… esta daí é a dona da história? – Russel perguntou, os olhos grudados em Diana.
_ Sim. A roteirista. – Nádila murmurou.
            Jack desapareceu do nosso lado e correu para ela. A equipe técnica, que parecia relaxada e contando piadas enquanto a reunião não começava, silenciou rapidamente, alguns fazendo caretas. E contra toda a minha vontade, senti um arrepio dolorido na espinha quando olhei diretamente pra ela.
            Jack sussurrou algo para ela e recebeu uma resposta que pareceu curta. Logo em seguida ela arrastou uma cadeira na frente de todos, no ponto mais alto do grande salão e anunciou o início da reunião. As pessoas, inclusive eu e meus colegas de elenco, fomos nos sentando calmamente, todos os olhos grudados nela, que discursava como se fosse dona de tudo e não somente da história. Parecia agir como se o filme fosse dela e representava muito bem este papel. Com um alto grau de pedância, eu diria. 
            Por um breve momento ela me olhou nos olhos, a cumprimentei com um aceno mudo e não fui respondido. Muito pelo contrário: ela virou o rosto para o outro lado de forma brusca, claramente me ignorando. Franzi o cenho, o princípio de uma irritação nascendo dentro de mim. Porra! Quem aquela mulher pensava que era pra agir assim?
            Era louca. Como se pudesse – talvez pudesse, intimidar todo mundo. Ela começou a explicar a pauta da reunião, dizendo que seria longa, com duas grandes partes e um intervalo de meia hora.
_ Ela chama isto de recepção? Vai nos matar nesta reunião! – Day-Lewis resmungou ao meu lado esquerdo.
_ Só pra dar um gostinho do que vai ser o restante do filme. – Momoa respondeu, se curvando um pouco sobre Nadila e eu pra sussurrar para Lewis. – Ela parece ser boa, mas parece que tem excesso de hormônio acumulado… por Deus, Nadila, você que está há mais tempo com ela, diz que isto é TPM ou algo assim.
            Nadila sorriu enviesado.
_ Antes fosse. – Respondeu.
_ Tenho a impressão de que ela é louca. – Murmurei também. Talvez Diana Moreno fosse a parte ruim daquele filme.
_ … inclusive os atores. – Ouvimos a voz de Diana se sobressair de repente. Viramos as cabeças pra ela, quase que imediatamente. Ela nos encarava, os olhos azuis cintilando. – Alguma dúvida? – Ela perguntou, diretamente pra nós, que por um momento, só por um momento, nos distraímos da sua fala. Como o salão estava muito silencioso, nossa conversa baixa não passou despercebida.
            Como atores experientes que éramos, ninguém fez cara de espanto ou nervosismo… ou qualquer outro sentimento. Jason mantinha a expressão neutra assim como todos os outros.
_ Sim, alguns de nós temos algumas dúvidas sim. – Nádila foi rápida na resposta.
_ Quais seriam? – Diana perguntou, elevando as sobrancelhas.
_ Na verdade, alguns de nós ainda não lhe conhecem, então estavam apenas tentando esclarecer esta dúvida. – Nádila disse aquilo de forma calma, quase tímida, mas os olhos dela estavam grudados nos de Diana, que haviam se tornado fendas. Com todo o seu jeito meigo, Nádila havia pego uma gafe da toda-poderosa-roteirista.   
Ela simplesmente chegou botando banca, parecendo se esquecer que não era tão conhecida no mundo do cinema e não tinha tido contato com a maior parte do elenco. Pareceu também, que com aquilo, Nádila sutilmente a lembrou que ela devia descer um pouco do seu pedestal.
Eu tentei evitar sorrir, mas não pude evitar de olhar Nádila pelo canto do olho. Eu, definitivamente, tinha um motivo a mais para admirá-la.
_ É verdade! Acabei me esquecendo deste detalhe. Que falta a minha. – Ela respondeu, com um sorriso, mas com os olhos ainda postos em Nádila. – Pois bem, pra quem ainda não me conhece, eu sou Diana Moreno. Sou roteirista e criadora do enredo. Eu…
            Mas antes que ela pudesse terminar, uma nova entrada tempestiva a interrompeu. Dessa vez com o próprio diretor, Christopher Nolan.
_ Ela é também a nova diretora assistente. – Ele entrou assim, com esta notícia que fez toda a equipe e a própria Diana o encarar espantados. Chris parecia visivelmente alterado, o rosto vermelho. Sem mais nenhuma palavra ele se sentou ao lado da mais nova diretora assistente que ainda o encarava boquiaberta. – Pode continuar, Diana.
            Ele disse, com um gesto impaciente das mãos. Ela ficou um momento sem fala, abrindo e fechando a boca pensando no que responder. Só depois de um tempo conseguiu recuperar o fôlego e voltar a sua atenção para nós.
_ Bom, parece que ainda estamos definindo alguns postos, mas nada que atrase ou atrapalhe o resultado final, eu garanto. – Ela voltou olhar na direção onde o elenco estava sentado. – Acredito que não faltarão oportunidades pra nos apresentarmos melhor, mas por enquanto iremos focar a reunião em… outros aspectos. E nos concentrar nisto.
            Ela sorriu, quase afável.
            Ok, talvez ela fosse bipolar. Ou então emoções fortes a deixassem mais maleável. Mas logo ela recuperou o controle, voltando a discursar como antes, só que desta vez Chris dividia as falas com ela. Nos falaram sobre os prazos, os planos de filmagens, as expectativas da Warner Bros. Ainda antes do intervalo fomos apresentados ao restante da equipe técnica e só depois fomos liberados.
            Havia um elegante e delicioso coffe break a nossa espera quando saímos da sala. Todos nós do elenco ficamos em uma sala, enquanto o restante da equipe foi para outro lugar. Quando já estávamos bem a vontade, Diana e Chris se juntaram a nós. O clima mudou. Diana tinha uma expressão tensa e Chris ainda parecia um pouco nervoso.
_ Então esta é a nossa equipe rumo ao Oscar? – Chris nos disse, ostentando um sorriso nervoso. 
_ Vamos trabalhar duro pra isto! – Jason respondeu, erguendo a taça de champagne na direção de Chris.
            Diana apenas deu um sorriso cordato, ficando a margem da conversa, logo agarrando uma taça de champagne pra si.
_ Contamos com isto. – Ele suspirou. - Nos perdoem a confusão no início da reunião… houve alguns problemas técnicos. – Chris continuou a nos explicar, penteando os cabelos com os dedos. – Mas gostaria que soubessem que é uma honra ter cada um de vocês aqui. Com alguns de vocês eu já trabalhei. – Ele sorriu para Lewis e Sally. – Mas tenho boas expectativas em relação a todos vocês, e já tive a oportunidade de conhecer pelo menos um pouco das características de cada um.
            E foi ali que Chris acabou por fazer a devida recepção, com os desejos de bom início de trabalho e tudo mais.
A primeira interação minha com o elenco já foi boa. Depois de pouco tempo, eu e Jason engatamos em uma conversa empolgada sobre nossas experiências antigas e os planos para os nossos personagens, que seriam pai e filho. Acabei me intertendo na conversa e só depois de um bom tempo fui perceber minha fome e ir comer algo.
            Tarde demais… foi eu colocar um croquete na boca que anunciaram que a reunião ia recomeçar. Bufei alto, me perguntando se pegaria mal eu levar alguns salgados pra comer lá dentro. Estava nesta dúvida cruel quando uma voz um tanto sarcástica se dirigiu a mim.
_ Ainda não tive a oportunidade de te parabenizar pela conquista.
            Me virei lentamente na direção de Diana, ainda mastigando o maldito croquete. Engoli o bolo de massa, que passou raspando pelo meu esôfago.
_ Obrigado. – Disse, ainda engasgado.
_ Imagine. Foi o seu dia… - Ela sorriu. – Teve sorte.
_ Sorte? – Eu disse, tentando disfarçar minha indignação. O que ela queria dizer com “teve sorte”?
_ Sim. – Ela deu de ombros. – Espero que você saiba repetir algo do que fez lá no teste… Exceto, é claro, o nervosismo absurdo.
            Mas que merda era aquilo? Por que ela estava me atacando, afinal? Eu estava quieto com meus croquetes e a mulher me surge dizendo que deve me parabenizar não pelo meu talento, interpretação… mas pela minha sorte? Sorte?
_ Vou trabalhar nisto. – Respondi, me concentrando para não esmagar os salgadinhos que estavam nas minhas mãos.
_ Sim, você vai. – Ela disse, imperiosa, como se me desse uma ordem. Eu de repente tive uma vontade esmagadora de tirar dela aquela pose de rainha do mundo.
Tão bonita e tão intragável.
            Fiquei a encarando, imaginando a melhor forma de fazer fazê-la cair do pedestal de arrogância. E foi aí que minha mente traidora me pregou uma peça.
Eu pensei sim em uma forma de subjugá-la, mas foi uma forma muito prazerosa pra mim. Eu queria arrancar dela aquela expressão de cinismo agarrando seus cabelos com as mãos, curvando seu pescoço pra trás e beijando-a. Beijando-a de uma forma bruta, sem nenhum cuidado, com a intenção de sufocá-la, até que ela se rendesse e gemesse pra mim.
Imediatamente uma memória antiga me veio, do dia em que nos atracamos naquele tatame. Me lembrei nitidamente da sensação de ter o corpo dela preso entre meus braços, um corpo com curvas demais para o bem da minha sanidade, firme demais…
            Respirei fundo e fechei os olhos, tentando desesperadamente lutar contra as imagens que se formavam na minha cabeça.
_ Eu espero que você seja profissional em relação… a tudo. – Ela me disse, enquanto eu ainda tentava recuperar o controle. A voz dela estava diferente… rouca, baixa. 
            Abri os olhos, olhando no fundo das orbes azuis. Seu olhar também estava diferente, ela parecia incomodada com algo.
_ Serei. – Disse a ela, só então percebendo o que poderia ter a deixado incomodada: talvez eu não estivesse deixando transparecer o que eu estava pensando sobre ela.
            E quando eu a respondi minha voz também estava um pouco rouca, mais grave.
Ela engoliu em seco, observei o movimento de sua garganta, desviando meus olhos para o seu pescoço. Voltei a encará-la, imagens impróprias invadindo minha mente sem que eu pudesse controlar…
Eu desejei jogar o corpo dela naquela parede e prensá-lo com o meu…
             Ela não desviou o olhar do meu nem por um segundo, como se estivéssemos presos um ao outro. Reparei que não havia mais nenhum resquício de cinismo em sua expressão. Lá no fundo daqueles olhos, sempre tão frios e sérios, parecia haver uma chama. E de alguma forma incompreensível, aquilo me atraia… demais.
_ Hey! Vamos pessoal, já começou! – Jack gritou da porta e aquilo foi o suficiente pra quebrar a espécie de bolha em que estávamos.
            Diana olhou pra porta de repente, sugando o ar com força, como se tomasse fôlego após um longo período de imersão. Eu me mexi, percebendo que eu realmente havia esmagado os salgadinhos que estavam em minhas mãos.
_ Anda logo! – Ela disse pra mim, a voz raivosa, a postura tensa. Ela não me olhou mais, virou as costas e seguiu na direção da saída. – O tempo pra comer já acabou. – Ralhou.
            Mas o que foi aquilo?
Joguei os salgadinhos no lixo e quando fui limpar minhas mãos, percebi que elas tremiam levemente.
            Droga! Ela não fez nada, eu não fiz nada e no entanto… eu senti… eu quis tantas coisas…
            Não! Não, não e não Taylor!
            Eu não senti nada! Eu só preciso sair e ficar com alguém! Tudo isto deve ser falta de uma boa noite com uma boa mulher!
            Talvez eu pudesse resolver isto, se eu fosse do tipo de cara que sai por aí só pra aliviar a tensão sexual com qualquer uma a qualquer hora.
Bufando eu rumei para a saída, minha fome esquecida.
Meu sexto sentido, se é que eu tinha um, me dizia que Diana Moreno ainda ia me dar muito trabalho. Com ou sem tesão acumulado.
Merda!

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