16 agosto 2014

Fanfiction: A musa - Capítulo 9


Pov Diana
                
Ele me olhava daquele jeito hipnótico, sedicioso. E só com o olhar parecia me devorar em todos os sentidos possíveis. Sentia minha pele quente, minha boca seca, o meio das minhas coxas tremia.
                Me avaliava minuciosamente e era como se eu o sentisse me tocar em cada ponto que seu olhar se fixava. Ele me acariciava com os olhos. Acariciava minha boca, meu pescoço, meu colo e seios, minha barriga, minhas pernas. Tudo. Seus olhar me incomodava tanto, porque eu queria estar mais perto, só um pouco mais perto dele. Mas o moreno de olhar sedutor parecia estar tão longe!        
Mas meu corpo insistia em querer ir pra ele, porém ao invés de caminhar para mais perto, eu caminhava para longe. E cada vez que eu desejava que ele realmente me tocasse, eu me afastava. Era como se a cada passo que eu quisesse dar em sua direção, minha mente entendia o contrário e retrocedia dois passos para trás.
                Então ele sorria, apertava seus olhos de traços indígenas e lambia os lábios finos e bem feitos com a língua vermelha. Lentamente. Loucamente.
_ Você não vai conseguir fugir por muito tempo. – Ele disse, a voz baixa e sensual. Um som luxurioso aos meus ouvidos. Ouvir a voz dele quase me fazia entrar em combustão instantânea.
_ Vou sim! – Esta frase pareceu sair de mim contra minha vontade, as palavras pareciam ferir minha garganta enquanto percorriam seu percurso para fora de meus lábios.
_ Não, não vai.
                E de repente ele não estava mais na minha frente. Soltei o ar, uma parte de mim parecia aliviada por aquela tentação em forma de homem ter desaparecido. Mas outra parte, parte considerável, ficou desesperada por não poder vê-lo mais, nem sentir o peso do seu olhar sobre mim.
Senti frio.
                Mas de repente eu sabia exatamente onde ele estava: bem atrás de mim. Meu ventre se contorceu, gritei quando os braços dele se enrolaram ao redor da minha cintura.
_ Não vai. – Ele soprou no meu ouvido, me fazendo derreter…
                Acordei em um salto, minha respiração acelerada, tal como meu coração.
                Não! De novo não!
                Voltei a me jogar na cama, abafando um grito no travesseiro.
_ NÃO!
                Soquei o colchão uma, duas, três vezes. Senti minha garganta quase fechada ante ao desespero de me dar conta que, mais uma vez naquela semana, eu tinha tido aquele sonho com ele!
                Não, não era sonho, era pesadelo! Pesadelo! Minha vontade era chorar de agonia. Eu não sabia o que era aquilo, mas o fato era que, desde o dia em que Taylor havia me encarado de uma forma bem absurda e indiscreta, naquela primeira reunião geral do filme, eu não tive mais paz.
                Contra todas as minhas vontades e entendimento, ele passou a invadir meu sono durante quase todas as sete noites que se seguiram aquele fatídico dia. Era raro o dia, ou melhor, noite, em que eu tinha paz. E eu sempre acordava do mesmo jeito: com muito calor, meu corpo suado – não importava a temperatura do ar condicionado -, minha respiração e coração acelerados e… bem…
                Eu nunca queria confessar, mas sim. Eu acordava com o corpo ardendo, uma frustração sem tamanho tomando conta de mim, sem contar a raiva e o desespero sem fim! Eu não suportava aquilo, aquela peça macabra que meu subconsciente preparava pra mim.  E eu tinha vontade de chorar, sempre. Já não suportava.
                Me levantei da cama, rugindo, meu peito tremendo de raiva tanto quanto o ponto no meio das minhas pernas.
                Inferno!
                A única coisa que me vinha à mente naquelas situações era recorrer a um clichê bem típico: banho frio. Regulei a temperatura, abri o jato no máximo, arranquei a camisola e entrei no chuveiro, com calcinha e tudo. O choque térmico do meu corpo literalmente quente com a água fria me fez soltar um soluço. Por um instante pensei que fosse ouvir minha pele frigindo.  Mas nada disto aconteceu e o banho não me acalmava. Meu corpo parecia se recusar a se acalmar. Comecei a tremer por inteiro.
                Um soluço saiu da minha garganta imediatamente. Eu estava ainda ardendo de desejo. Era isto que estava acontecendo. E eu mal podia acreditar naquilo. As lágrimas desciam do meu rosto, se misturando com a água fria, as lembranças dos sonhos me perturbando.
_ Não… - Voltei a negar o que sentia.
Não era possível. Não depois de tanto tempo, quando já me sentia frígida, morta desde o dia em que acordei do acidente que matou meu marido e filho. Meu corpo se tornou um iceberg.
Gustavo!
O ultimo homem que havia tocado em mim. Na primeira manhã de primavera, na cidade de Parati, no Brasil, no nosso ultimo dia de férias. Há cinco anos. Horas antes de pegarmos estrada e seguirmos para uma viagem fatal.
Meu filho dormia e Gustavo me amou loucamente na cama daquele hotel de frente pra praia. A sacada aberta, a brisa com cheiro de maresia invadia o quarto.
Naquele momento fiz de tudo para evocar a imagem daquele dia, tentando afastar as lembranças do meu sonho. Era doloroso lembrar do Gustavo, mas isso também me dava conforto. Eu me sentia mais em paz, tinha mais controle sobre o que sentia com aquelas lembranças do que com as imagens que se formavam em meus últimos sonhos.
“Diz que é minha! Diz que será só minha pra sempre, amor!”
                Gustavo me dizia, enquanto me penetrava, nós dois muito perto do clímax. Eu havia dito o que ele queria ouvir e me senti feliz em dizê-lo no momento.
“Sua! Sua pra sempre!”
                Ele havia sorrido pra mim… um sorriso lindo. O sorriso que havia feito me apaixonar por ele. Um sorriso largo, aberto. Sua boca… eu buscava em minha memória detalhes da sua boca, mas o que me veio não foi, nem de longe, os traços da boca que eu queria evocar.
                Era outra boca. Menos cheia, com contornos mais finos… lábios vermelhos. Céus! Era a boca de outro homem! Outro homem!
                Era a boca do homem do meu pesadelo.
                Me senti suja naquele momento, porque pensar em outro homem fez o meu corpo e meus desejos sepultados junto com meu marido ressuscitar, de forma avassaladora. Me consumindo. Me sentia traindo Gustavo, que por tanto tempo permaneceu imaculado na minha mente e coração.
                Mas eu não tinha controle sobre mim, não tinha! E era durante a noite, alta madrugada, que aquela coisa aterradora me assombrava. Por todos aqueles dias eu apenas me encolhia em baixo do chuveiro frio, assustada demais com a forma como meu corpo, de um dia para o outro, passou a reagir, até que eu me sentia cansada demais até pra sonhar.
                Deixava que o jato forte me chicoteasse as costas, como se me castigasse por agir daquela forma insana. Eu prometi ao Gustavo que seria pra sempre dele e sempre pensei que assim seria, durante aquela meia década. Mas nada daquilo surtia efeito. Porque todos os dias eu tinha que passar doze horas, pelo menos, vendo o maldito Lautner no estúdio. Eu tinha que checar sua prova de figurino, tinha que checar sua preparação para o papel, tinha que acompanhar as leituras dos textos de cada cena… e tinha que suportar o olhar dele para mim. Por vezes raivoso, por vezes enigmático, outras vezes confuso. Mas ele sempre me olhava. SEMPRE!
                E só a presença dele me incomodava, de uma forma que eu mal sabia explicar. Talvez tudo aquilo fosse resultado da antiga admiração que senti pelo seu personagem Jacob, já no fim da minha juventude, antes de conhecer Gustavo. Enfim, eu não sabia explicar.
                O que eu sabia era que eu odiava, eu o odiava com todas as minhas forças, cada vez que ele me olhava e mais ainda: cada vez que invadia meus sonhos. E odiava porque ele parecia ter sido o estopim pra acordar em mim o monstro chamado desejo. Um monstro pavoroso demais para uma mulher que havia decidido passar o resto da vida sozinha. Para uma mulher que fez esta promessa em um momento em que seu coração sangrava, aos pés de um túmulo.
Talvez Lautner não tivesse ideia, mas eu preferia pensar que ele era um agente do demônio que nasceu com o dom de me tentar. E era por isto que eu o odiava.
Mas parecia que não importava a intensidade do sentimento que eu cultivava por ele: o desejo crescia, os sonhos persistiam. E aquela noite estava sendo uma tortura. Meu corpo tão tenso implorava por alívio e minha mente cruel ajudava-o se excitar com imagens dele. E o que mais me aterrorizava era que o que mais me deixava sem controle era apenas o seu olhar.
Eu já não suportava mais. Me encostei na parede de azulejos, novamente sentindo certo choque térmico com a temperatura fria. Fechei os olhos, chorando. Mas eu precisava de alívio.
Não conseguiria dormir sem aquilo. Desci minha mão direita pelo meu ventre, deslizei meus dedos para dentro da calcinha molhada até sentir o calor de meu próprio sexo. Tentei controlar as imagens que minha vinham à cabeça. Tentei pensar em Gustavo, na sua beleza e só. Tentei recuperar as nossas lembranças mais quentes e passei a mover meus dedos, primeiro devagar, até que meu corpo, impaciente, me fizesse acelerar os movimentos. Minha mão não dando conta, comecei a mexer os quadris, ansiando por alcançar logo o alívio que buscava.
Mas ele não vinha, parecia não querer vir…
“Você não vai conseguir fugir por muito tempo”
                Eu podia jurar que passei a ouvir a voz de Lautner no meu ouvido, repetindo a mesma frase que atormentava minhas noites de sono. Senti raiva, ao mesmo tempo que sentia uma carga de hormônios que me fazia estremecer mais. Gemi baixo. O prazer ansiado chegando. Eu precisava… precisava tanto!
“Você não é só dele… você me quer.”
                Outra frase dos sonhos, outra vez era como se ele sussurrasse ao pé do meu ouvido, outro arrepio me descia pelo ventre. Soltei um ofego, olhos castanhos invadindo todos os meus pensamentos primitivos. Eu parecia apenas uma fêmea, só instinto, me agarrando ao macho que me dava prazer, fosse ele quem fosse. E que fosse o mais forte deles, aquele que vencesse a batalha que travavam em minha mente. 
                Para meu desespero os olhos castanhos apagaram os olhos azulados do meu marido morto, deixando-o a um canto obscuro em minha mente, tão escuro quanto o interior de um tumulo.
“Me nega porque sentiu atração por mim desde o primeiro instante.”
                A voz luxuriosa continuava a murmurar. Nova lembrança me veio a mente, há dois anos, quando Lautner se levantou da plateia numerosa do teatro Kodaly e me olhando daquele jeito insano, sorriu pra mim. Me lembrei quando os seus dedos quentes apertaram os meus em um singelo aperto de mão, que foi como um choque elétrico pra mim. Há muito tempo ignorado.
                Mas minha mente cruel lembrava. Soltei novo gemido, meu ventre se contorcendo por dentro, meus músculos se tencionando mais. Suguei o ar e o prendi em meu peito, me recusando a respirar.
                Me lembrei dos braços dele me prensando contra seu corpo, enquanto nos atracávamos em um tatame. Me lembrei do momento em que vi os olhos dele arderem por um beijo, enquanto eu fazia um jogo de sedução ridículo na academia.
“Não pode fugir do seu desejo. Ele nunca esteve morto… Diana”
                Alucinação maldita! Maldita! Mas parecia suficiente pra me enlouquecer. Soltei um gritinho apertado quando finalmente um orgasmo me atingiu, meus dedos manipulando meu clitóris tremiam, mas eu me recusei a parar, querendo prolongar a sensação ao máximo. Uma sensação que há muito, muito tempo não sentia.
                Continuei e outro orgasmo me veio, mais forte e profundo. E parei, escorregando as costas pelo azulejo até cair sentada no chão, o jato de água fria castigando minhas pernas, meus braços trêmulos e a respiração curta.
Abri os olhos, encarando meu reflexo no vidro espelhado do Box. Meus lábios estavam vermelhos, sinal de que eu os havia mordido fortemente durante a masturbação. Meus olhos estavam brilhantes e úmidos, sinais do meu orgasmo e de minhas lágrimas. Meu coração parecia em frangalhos.
                Eu me sentia traidora. Pela primeira vez depois de mais de anos, eu havia sentido prazer pensando em outro homem.
                Encarnado meu rosto no reflexo, recomecei a chorar.
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                O despertador soou estridente demais aos meus ouvidos pela manhã, me levantei com o corpo pesado, exausto, como se estivesse de ressaca. Havia conseguido dormir muito pouco durante a noite, me recusei a me lembrar do motivo.
                Mal encarei o espelho, me arrumando com pressa para me dirigir ao estúdio. Eu tinha que chegar lá antes de todos, porque Chris estava me ensinando tudo sobre a minha nova função: diretora assistente. No dia em que Chris me promoveu a este cargo, eu disse que não podia aceitar, não tinha experiência nenhuma em dirigir algo, muito menos algo tão grande. Eu podia me garantir no que se referia ao roteiro e enredo, mas não na direção.
                Mas Chris foi irredutível, tão teimoso quanto eu, e naquele dia ele estava intragável. Nunca havia gritado comigo, mas o fez.
_ Perdemos a merda do diretor assistente nas vésperas das filmagens e você quer perder a porra de mais tempo procurando outro porque esta com medo? Eu tenho experiência por nós dois e se estou dizendo que você é a pessoa indicada pra substituir o idiota do Collin, é porque você é! Se não sabe, aprenda. Ponto final!
                Foi o que ele disse durante nossa breve conversa durante o intervalo da primeira reunião de elenco. Chris tinha a personalidade forte e há muito tempo vinha discutindo com Collin, que foi indicado pela Warner pra assumir aquele cargo. O problema era que eles nunca falavam a mesma língua. Era previsível que as coisas não iam dar certo.
                Desde então eu me revirava em duas pra assumir uma posição inteiramente nova pra mim, ao mesmo tempo  que disfarçava minha insegurança para o elenco e para equipe em geral. O resultado era que todos me achavam pedante e arrogante, a mulher que nunca assumia suas falhas ou inexperiências. Mas era melhor assim. Eles tinham que sentir firmeza na minha direção, isto era o mais importante.
                Fechei os olhos e um olhar castanho irritado me surgiu na mente. Sem permissão. Foi assim que Lautner me olhou ontem, quando eu critiquei toda a leitura que ele e Nádila fizeram do texto.
Suspirei. Balancei a cabeça pra afastar aquela imagem da cabeça.
                Mais um dia. Só mais um dia. Eu dizia durante as ultimas manhãs, como um mantra de um viciado em recuperação. Eu era dona de mim, das minhas vontades e decisões. E assim eu ia permanecer.
                Tive trabalho com meu cabelo, já que dormi com ele molhado e sem pentear. Arranquei uma boa quantidade de fios na escova, enquanto desembaraçava a juba. Acabei fazendo um coque, incapaz de domá-lo de outra forma.
                A campanhia tocou e eu já sabia quem era. Abri a porta para o Mateo entrar, ele sempre me acompanhava na curta viagem até o estúdio, já que quase todo mundo da equipe e do elenco passou a se hospedar num hotel bem próximo.
_ Santo Deus da misericórdia! Você está horrenda! – E este foi o bom dia dele pra mim.
                Fiz uma careta.
_ Não dormi bem. – Respondi, virando o rosto para o outro lado, fingindo mexer no celular.
                Mas meu amigo insistente pegou meu queixo e virou meu rosto em sua direção. Seu olhar estava tenso.
_ Passou a noite chorando. – Disse com uma voz grave, que raramente usava. Não foi uma pergunta. Ele sabia. 
_ Vamos logo, compramos um café no caminho.
_ Pensei que você tinha parado com estas crises. Mas elas voltaram, não é? Há dias estou percebendo que você está se acabando de novo. – Ele continuava a falar comigo com ar de repreensão, sua voz grave e séria. Eu preferia mil vezes mais quando ele fazia a versão bicha afetada.
_ Só estou nervosa com esta coisa de dividir a direção com o Chris. O trabalho aumentou, estou me dedicando o dobro e…
_ Você não precisa mentir pra mim! – Ele rosnou. – Não pra mim. – Disse, sentido.
                Eu me afastei dele, indo pra porta.
_ Deixe de bobagem. Da minha vida cuido eu. Vamos! Se não quer ir agora, tudo bem. Fique. Mas eu não vou perder a hora.
Mas eu devia saber que quando Mateo usava sua voz grave era sinal que ele tinha chego a um limite. Ele correu na minha frente e bateu a porta aberta com força.
_ Você não vai a lugar algum! – Disse firme. Suspirei, impaciente. Não era fácil dobrar Mateo Vasconcellos. E só alguém de personalidade muito forte poderia me suportar por tanto tempo.
_ Sai da minha frente! – Disse com raiva, sentido minha voz tremer. Eu sabia o que ele queria fazer e ele era bom nisto. Mateo queria que eu falasse. Mas eu não queria e não ia falar.
                 Mas ele também estava irritado, pegou meu braço sem o mínimo de cuidado, tentei dar um golpe pra me desfazer do aperto, mas ele também era bom nisto. Torceu meu outro braço, me fez perder o equilíbrio e me jogou no sofá.
_ Fala! – Ordenou.
_ Não tenho nada pra falar! – Eu gritava com ele, que me encarava imperturbável. Eu tinha medo quando ele fazia aquilo, porque significava que eu não poderia vencê-lo.
_ Quando você abriu aquela porta pra mim Diana, eu vi em seus olhos o que eu tinha visto há cinco anos atrás! Eu vi que algo morreu em você. De novo. Vi em seus olhos algo corrosivo e grande demais. E você faz loucuras imensas diante de um sentimento assim. Eu e sua mãe sabemos que sim. Porque você tenta negar tudo e quando não consegue… Deus, eu tenho até medo do que você é capaz.
                Eu sabia a que ele se referia. A maldita vez em que tentei me matar. Desviei o olhar. Por que Mateo tinha que me conhecer tanto?
Talvez porque ele é seu amigo de infância, idiota!
­_ Não pira! Não torne as coisas mais sérias do que são. Só vamos logo pra aquele estúdio. – Murmurei. 
                Ele suspirou, fechando os olhos. Sacou o celular, discando um número.
_ Alô, Chris! Eu só to ligando pra avisar que Diana não vai poder ir esta manhã, pode segurar as coisas sem ela?
                Soltei um esgar e corri pras mãos do Mateo pra lhe arrancar o celular. Mas ele me deu outro golpe covarde, uma rasteira que me fez cair de novo no sofá.
_ É, ela não me parece nada bem. Vou cuidar dela, acredito que até o meio da tarde tudo vai estar bem… Sim, avise a Annie que vou mais tarde. Obrigado. Tchau.
                Ele desligou o celular enquanto eu o encarava com uma expressão patética.
_ Por que fez isto?
_ Você sabe porque, Diana. Não vou sair daqui enquanto não descobrir o que está acontecendo com você.
_ Não tem nada! NADA! – Gritei.
_ Tem sim. E você vai ter que confessar. Já que parou de ir a terapeuta, eu não confio em você lidando com qualquer sentimento forte demais sozinha.
                E este era o preço eterno que eu iria pagar por ser uma ex-suicida.
_ Mas eu posso fazer isto! Eu posso! Já passei por coisas piores, o que está acontecendo agora não é nada comparado ao que foi… é só uma fase, alguma coisa louca que… - Eu parei, observando o meio sorriso de Mateo. Ele tinha conseguindo. Eu estava falando, estava confessando que havia algo errado. – Eu te odeio!
                Ele suspirou, sentando-se no meu sofá, ao meu lado. Ele tinha baixado a guarda, talvez eu pudesse sair correndo daquele flat naquele instante. Mas eu sabia que não podia. Admitindo ou não, eu precisava dos cuidados do meu amigo.
_ Mas eu te amo, Diana. Já te amei de todas as formas possíveis. Jamais seria capaz de te deixar, mesmo você sendo esta cadela arrogante e insuportável que vem sendo nos últimos anos.
                A declaração de Mateo me derrubou. O que ele dizia era verdade. Eu sabia porque ele era a única pessoa, além da minha família, que jamais me abandonaria. Era verdade que ele tinha me amado de todas as formas possíveis, assim como eu já o tinha amado de todas as formas possíveis. Conhecia Mateo e sua família desde sempre. Estudamos juntos desde o berçário.
                E na adolescência, foi Mateo que me roubou o primeiro beijo, querendo fazer um “experimento”, como ele me disse. Tínhamos 12 anos.
Com 14 anos ele estava confuso em relação as suas preferências sexuais e sem ninguém pra confessar suas dúvidas, sendo sua família completamente conservadora. O pai dele era diácono da igreja, sua mãe uma irmã da caridade, seu avô pastor, suas irmãs beatas.  Era pra mim que ele confessava que comprava escondido revistas masculinas e sentia algo inusitado ao observar um corpo semelhante ao seu. Foi no meu ombro que ele chorou copiosamente depois de ter levado uma surra quando seu pai descobriu as tais revistas.
Foi eu que o vi negar sua preferência sexual, quase convencendo a mim e a todos com isto. Ele negou tanto, que com 16 anos, nos beijamos novamente, de um jeito muito mais ousado, porém. Havia línguas naquele experimento. E nós pensávamos que estávamos apaixonados. Ele foi minha primeira paixonite.
E foi com ele que eu perdi a virgindade, no sofá da minha casa, num domingo à tarde. Sim, eu provavelmente fui à única mulher que transou com ele na vida.
Mas isto tudo não durou nem seis meses e tudo acabou quando ele conheceu Tiago. Foi Tiago que fez tanto ele, quanto eu mesma entender que nunca havíamos nos apaixonado daquela forma, foi Tiago que fez Mateo entender que sua atração por homens não era uma doença passageira como seu pai havia o feito pensar. E eu estive ao seu lado quando nosso namorico acabou, com lagrimas e a promessa de que ainda seriamos amigos.
E assim como Mateo esteve firmemente presente no momento mais negro da minha vida, eu também estive na dele. Eu estava lá quando Mateo foi expulso de casa, com 17 anos, depois de ter contado que amava outro homem. Eu que dava parte da minha mesada pra ajudá-lo a pagar o aluguel de uma quitinete, levava almoço e janta todos os dias, fazendo uma marmita especial pra ele em todas as minhas refeições.
E foi eu que o ajudei a superar a morte de Tiago depois de um espancamento, resultado de um ataque homofóbico.
Não. Por mais que eu fosse uma cadela arrogante nos últimos tempos, eu jamais teria coragem de negar Mateo.
_ Vem aqui. – Ele disse, a voz novamente mansa ao perceber que minha muralha de proteção estava ruindo. Não resisti quando ele abriu os braços, me chamando.
                Me joguei em seu colo, soltando um suspiro cansado. Ele me apertou como se juntasse meus cacos e beijou os meus cabelos.
_ O que anda acontecendo com a minha Dih? – Ele murmurou.
_ Não é nada. – Disse, já sentindo minha voz manhosa demais, de uma forma que eu só me permitia ficar com Mateo. Nem meu pai e minha mãe tinham o poder de me deixar daquela forma. Talvez Gustavo um dia pode.
                Uma lagrima escapou de mim. A enxuguei com raiva, não aguentava mais chorar, passei dois terços da noite assim.
_ Mas é inacreditável que ainda negue! – Ele riu. – Você é incorrigível mesmo! O problema é que eu não acredito nisto. Mas sou paciente, qualquer coisa eu ligo e digo pro Chris que você, na verdade, vai precisar do dia todo de folga.
                Bufei. Ele era bem capaz disto mesmo. Me recusei a responder, me permitindo ficar tranquila nos braços dele, me permitindo ser mimada um pouquinho só. Ficamos ali durante um tempo, até que a vontade de chorar me assaltou de novo, assim que eu mirei uma foto minha e do Gustavo na mesinha perto do sofá. Era como se Gustavo me encarasse e me acusasse de mentir pra ele, de descumprir a promessa de ser pra sempre sua.
                Eu chorei, e não suportando aquilo, me levantei e abaixei o retrado, deixando-o virado para baixo. Mateo observou minha atitude sem dizer nada, apenas abriu os braços quando eu voltei pra ele, chorando mais. Me sentia tão cansada.
_ Ele está morto, Diana. E tenho certeza que, ao contrário do que você pensa, tudo o que ele gostaria é que você seguisse a vida feliz. Sem ele. – Mateo sussurrou em meu ouvido, me fazendo parar de chorar abruptamente. Fiquei paralisada em seu abraço. – É isto não é? Você manteve Gustavo intacto na sua mente e coração por todo este tempo, mas está percebendo que não pode ser assim.
                Estremeci.
_ Não! – Eu disse, apavorada. – Não! Eu amo Gustavo. Amo com todas as minhas forças. Amo demais! – Eu disse, desesperada, como se eu precisasse fazer que Mateo acreditasse em mim.
_ Não Diana. Você o amou. Você o amava. Isto nunca vai mudar, nunca vai perder a força e a beleza. Mas é passado. Passado, meu anjo.
_ Não! – Grasnei. – Não!
_ Então porque está chorando tanto agora? Chorando como se Gustavo tivesse morrido novamente? Por que, quando você abriu aquela porta, eu vi em seus olhos a mesma coisa que vi quando a terra cobriu o caixão dele?
                Fiquei muda. Mateo suspirou.
_ Eu sempre te disse isto. Que um dia você tinha que, realmente, sepultar o Gustavo e deixar o amor de vocês descansar e se conservar no passado. Isto não é traição. Não é desonroso. É claro que você nunca poderá substituir o que ele foi pra você, claro que você nunca poderá substituir o seu filho. Mas tem que entender a morte, Diana. Como eu entendi a de Tiago. E segui adiante, sem medo. Você não precisa sofrer tanto pra manter seu amor intacto, como estava quando eles estavam vivos. Porque não é mais assim.
                As palavras de Mateo me machucavam. Ele já havia dito coisas parecidas outras vezes, mas naquele dia tudo parecia fazer um sentido absurdo.
_ Não! Eu não sou capaz! Jamais seria capaz disto! – Minha voz estava fraca… fraca demais. Como se eu não tivesse mais força de acreditar no que dizia.
                Me lembrei do que aconteceu no chuveiro, quando os olhos castanhos venceram os azulados. Quando eu deixei a lembrança de Gustavo longe… no fundo de um túmulo. Por Deus! Não! Eu não podia!
                Me senti pior. Gustavo tinha sido tudo pra mim, eu nunca tinha amado tanto na vida, nem mesmo Mateo me fazia brilhar tanto e ser tão feliz quanto Gustavo me fez. Nada podia substituí-lo, nada podia afastar a lembrança dele de mim. Muito menos um galã fajuto de cinema, um moreno metido a sedutor e com peitoral definido. Não! Não fazia sentido.
                Senti raiva de mim.
_ Não aperte tanto o meu braço, dói sabia? – Mateo murmurou, me fazendo soltar o braço dele imediatamente, vendo as marcas dos meus dedos em sua pele.
                Meu amigo voltou a beijar o topo da minha cabeça.
_ Você é capaz disto sim, Diana. É capaz de seguir em frente. E aposto que esta nova crise é porque, de alguma forma, você está tomando consciência disto.
_ Não! Não é nada disto. – me levantei, encarando-o de frente. – É só que eu tenho… que eu sinto muita falta. Dele. Eu ando sentindo falta do Gustavo de uma forma diferente. De um jeito que eu pensei que eu não fosse sentir mais.  – Disse, envergonhada. Senti minhas bochechas esquentarem.
_ Falta? De que jeito?
                Engoli em seco, apertando os olhos. Eu não queria confessar aquilo, mas não podia negar.
_ Meu corpo sente a falta dele. Demais.
                Não tive coragem de encarar Mateo depois de dizer isto. E ele ficou quieto por um instante. Quieto demais. Eu tinha medo quando ele ficava muito quieto perto de mim… porque indicava que ele estava me avaliando muito atentamente. E geralmente ele descobria o que não devia.
_ E o que despertou o seu corpo pra esta… falta? – Bingo! Ele fez justamente a pergunta que eu não sabia ou não queria responder.
_ Nada.
                Ele riu.
_ Nada? – Perguntou.
_ Nada.
                Ele suspirou.
_ Eu sinto te dizer amiga, mas você e eu sabemos que esta falta o Gustavo nunca mais poderá satisfazer. E você e eu sabemos que ela simplesmente não vai passar. Não importa quantas vezes você se masturbe, a tendência é piorar.
                Me senti corar mais. De vergonha e de raiva. Porque eu sabia que Mateo estava certo.
_ Vem comigo.
                Ele levantou do sofá e me puxou junto, me levando em direção ao grande espelho que havia no quarto do flat. Me virou de frente pra ele, agarrou a barra da camiseta que me cobria e puxou, me fazendo tirá-la. Se abaixou na minha frente e arrancou os meus jeans, sem a menos cerimônia. E eu, feito uma boneca inanimada.
_ Olhe! Olhe no espelho! Olhe pra este corpo. Lindo! Perfeito! Jovem. No auge da vida. No ápice do fulgor. Você acha mesmo que pôde sepultar junto com o Gustavo tudo aquilo que seu corpo precisa? Você pode controlar sua mente de uma forma macabra, meu anjo. Pode até ludibriar seu coração pela vida inteira. Mas vai chegar o momento em que seu corpo vai exigir de você o que quer. Você não é uma viúva seca. Tem vida, muita vida em você. Não se sinta culpada por estar viva, por ter um corpo saudável. Você não pode mais negar, Dih. Precisa viver!
                Mateo deslizou o dedo do meio dos meus seios, pela minha barriga até a borda da minha calcinha. Me arrepiei inteira. Ele riu atrás de mim.
_ Definitivamente não pode mais negar.
                 Cobri o rosto com as mãos.
_ O que eu faço? – Perguntei, de novo com vontade de chorar.
_ Quer mesmo que eu te diga? Pois bem. Arrume um macho. Tire o luto. Siga em frente. Você é jovem demais!
                Eu ergui os olhos para Mateo, uma ideia louca passando pela minha mente. Ele deve ter percebido.
_ Não. Eu não sou o macho que você precisa. Eu não sou mais um garoto com dúvidas sobre sexualidade. Tenho tudo muito resolvido, obrigado. Não ficaria mais com uma mulher, nem pra te fazer esta caridade, amor. – Ele disse, com um sorriso zombeteiro no rosto.
                 Eu rugi, meu rosto pegando fogo. Comecei a catar minhas roupas que Mateo tinha jogado no chão.
_ Você está maluco! Não é como se eu fosse escrava de qualquer hormônio. Não é como se eu fosse escrava do meu corpo jovem. – Disse, com ironia. – Se tem gente que vive bem com a castidade, é porque eu também posso me controlar.
_ Talvez. Talvez você possa. Mas vejamos: você se masturbou ultimamente?
                Eu parei de me vestir abruptamente. Encarando-o de boca aberta. Como eu tinha permitido que a conversa chegasse aquele ponto? De algo tão delicado para algo tão… tão, tão… frívolo!
_ Porque se você se masturbou, significa que não. Você não vai conseguir sossegar seu fogo sozinha. Além do mais, ninguém vive bem com a castidade. As freiras e os padres sempre acabam virando uns velhotes rabugentos demais e os que não viram, dão uma burlada legal nesta coisa de castidade. Você sabe.
                Revirei os olhos. Mateo já tinha recuperado o seu humor, sua voz fanhosa e seu incrível talento de ser irritante e absurdo. Voltei a me vestir, bufando cada vez mais alto. Tudo aquilo era um… absurdo. Não pude pensar em palavra melhor.
_ E tenho que confessar que, realmente, você virou uma velha rabugenta apesar de nem ter trinta ainda. – Ele continuou a tagarelar. - Sabe por quê? Porque você sempre foi uma mulher ativa sexualmente. Gustavo me contava sobre seu fogo inacabável. E você acha mesmo que eu não sei que você não sossegou a periquita nem quando estava com um barrigão de quase nove meses? Gustavo me contou. Ele disse que tinha medo de transar naquela altura da gestação, mas que você o tentava até conseguir.
_ Isto não é brincadeira, Mateo. Não trate tudo com tanta leviandade! Pare de dizer asneiras!
_ Ei, mas eu estou falando sério. Você até que suportou demais, dado o fogo que você tinha. Esqueceu que eu falo isto por experiência própria? Mas atribuo sua resistência inacreditável, por cinco anos, ao amor monumental que você sentiu por Gustavo.
_ Sinto! – Insisti, entre dentes.
                 Mateo revirou os olhos. Depois me encarou.
_ Você está com vontade de dar. Admita. Isto não é tão grave.
_ MATEO! – Eu realmente estava furiosa agora. Mateo era insuportável às vezes.
_ Eu fico feliz por isto sabe. Eu tava quase perdendo a esperança que você um dia fosse capaz de superar a morte do Gustavo. Porque você sempre teve esta dificuldade em se apegar, mas quando gruda em algo, aí você não larga mesmo. Mas esta sua vontade de dar é sinal de que você ainda tem esperança. – Ele sorriu, como se tivesse descoberto outro planeta.
                Desisti de ter raiva dele, fui pro banheiro lavar meu rosto. Mateo quando colocava uma ideia na cabeça era impossível.
                Bem feito Diana! Bem feito! Devia ter ficado de bico calado. Mas o fato é que, mesmo estando puta com Mateo naquele momento, eu me sentia mais leve. Muito mais leve depois daquela sessão tresloucada de terapia do que após a minha masturbação de hoje à noite.
_ Eu daria um braço pra saber o que te arrancou da pose de viúva casta. Deve ter sido algo muito considerável… ou então alguém muito considerável.
                Naquele momento, tive ganas homicidas e empurrei Mateo da porta do banheiro e a bati com força na cara dele, antes que desse uma chave de pescoço e o fizesse morrer sufocado.
                Tudo ficou silencioso por um tempo e voltei a respirar. Talvez Mateo tivesse percebido que estava passando dos limites. Ele nunca tinha ousado falar aquelas coisas sobre minha viuvez, até porque ele sempre respeitou a memória de Gustavo. Os dois eram muito amigos. Depois de alguns minutos, enquanto eu fazia uma maquiagem pra tentar cobrir minha cara horrível de choro e noites mal dormidas, Mateo bateu na porta.
_ Pedi nosso café, Dih. A copeira já trouxe. Sai logo daí.
                É, ele tinha deixado o assunto irritante de lado.
_ Ah, e nem pense que eu vou desistir de descobrir quem é o ser que acendeu seu fogo. Porque estou me convencendo de que foi alguém mesmo.
                Catei o que vi pela frente – minha escova de cabelo – e joguei na porta.
_ Suma da minha vida! Sua bicha irritante! – Praguejei.
                Escutei a risada escandalosa dele do outro lado. Dei um rugido e sapateei como uma criança. Depois, inevitavelmente, sorri. Só o Mateo pra fazer aquilo comigo.
                Eu saí do banheiro dez minutos depois. Mateo assoviou pra mim, dizendo que a maquiagem tinha feito milagre com meu rosto.
_ Até disfarçou este seu cabelo de palha. – Ele avaliou, pensando que estava me fazendo um elogio.
                Eu comi, melhor do que comia há tempos e depois arrastei o Mateo para o estúdio, me recusando a esperar até depois do almoço. Ele me xingou de Caxias e disse que ninguém ia se incomodar se eu me demorasse um pouco mais.
_ Eles iam até ficar aliviados com a sua falta. Tá todo mundo de saco cheio deste seu humor negro. E agora você pode ver que, se você desse uma transadinha, ia ficar bem mais maleável. Acho que vou inaugurar um movimento: “hashtag Dianafaçasexo”. Sério, seria para o bem geral da nação!
                Eu ignorei aquilo. Sabia que o insuportável do Mateo não ia me deixar em paz por um bom tempo. A melhor maneira de fazer ele esquecer o assunto era ignorando. Puxei ele porta afora e entrei no elevador. Já eram dez da manhã aquela altura. Eu devia estar no estúdio há três horas. TRÊS HORAS!
                 Mas quando o elevador parou no décimo andar e abriu as portas, meu estomago deu uma volta completa. Dei de cara com o Taylor. Ele ficou paralisado por um instante e só entrou quando a porta estava quase fechando de novo.
_ Bom dia. – Ele disse, muito perto de mim. O cheiro do perfume irritante dele tomou conta do lugar, quase me sufocando. Ele estava com os cabelos molhados, parecendo ter acabado de sair do banho.
                Eu não respondi nada. Meu humor piorando consideravelmente.
_ Bom dia gato! – Mateo, atrevido como sempre, respondeu, piscando para ele como se flertasse. Olhei pra ele de cara feia, mas fui ignorada. Taylor apenas riu. – Preparado pra nossa primeira sessão de fotos amanhã?
_ Pode apostar que sim. Esta é a parte fácil de tudo. – Ele respondeu Mateo com voz gentil.
                 Não resisti e dei uma alfinetada.
_ Então talvez você devesse investir na carreira de modelo fotográfico, talvez se desse melhor. – Eu disse, ácida.
                Taylor bufou, não disfarçando a impaciência.
_ Estou bem onde estou.
_ Que bom que acredita nisto. – Disse, sorrindo. Péssima ideia. Porque ele me encarou, os olhos sempre gentis para os outros me olharam com raiva. Uma emoção muito forte pra ser ignorada, mas me recusei a desviar o olhar.
_ Diana, não seja mal criada menina! – Mateo me repreendeu como se fosse minha mãe. Um absurdo!
                Taylor riu de novo. Então, pela primeira vez, ele retribuiu minha alfinetada. De forma indireta, mas o fez.
_ Sua menina realmente precisa de mais educação Mateo. – Ele se dirigiu somente ao Mateo quando disse aquilo. Logo em seguida a porta do elevador abriu e ele disparou pra fora. 
                Mas que idiota! Como ele ousou? E fugiu depois! Covarde.
_ Olha, que abuso! Ele te enfrentou! – Mateo disse, divertido, enquanto me acompanhava pra fora.  – Adorei!
                O infeliz riu feito criança na frente de um pote de doce. Nem pensei ao dar uma bolsada no meu querido melhor amigo.
_ Aí! Mas o que eu fiz?!  Taylor tem razão. Você precisa ser reeducada.
                Ele ficou quieto, mas eu devia saber que Mateo, ao contrário de Taylor, realmente tinha armas e argumentos muito melhores pra me atingir.
_ Ou talvez, sua má educação se resolvesse com orgasmos múltiplos. Talvez o próprio Taylor pudesse te reeducar, neste caso. Ele é uma boa opção de macho, aliás. Um belo espécime.
                Ali ele passou dos limites. Me virei pra ele quase tendo um infarto, de tanta raiva.
_ Vá a pé pra merda do estúdio! E não apareça na minha frente pelos próximos séculos!


                Saí pisando duro, mas sorri com um prazer medonho ao me lembrar que as duas da tarde seria só eu, Taylor e Nádila, na leitura para a primeira cena que eles iriam filmar em estúdio.

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