06 setembro 2014

Fanfiction: A musa - Capítulo 12


POV Diana
                
Eu tinha chego ao flat por volta das três horas da tarde. Meu corpo parecia ter vontade própria, me arrastando até ali sem que eu quisesse. Eu sentia novamente o conhecido cansaço, sentia as mãos gélidas do desespero me agarrando.
                O apartamento vazio parecia gritar angustia para mim, eu não suportava mais uma vida assim. Fria, gelada, um buraco. Alguns diziam que o tempo era curador, mas não parecia ser este o meu caso. Anos se passaram e volta e meia eu era devastada pela sensação de perca recente. Eu sentia que não podia suportar mais nenhum segundo vivendo sem eles… minha vida era eles, então o que eu estava fazendo ali? Respirando? E o dia de amanhã seria uma tortura ainda maior para mim. Não seriam mais cinco anos. Seriam seis. Seis anos.
                O pior da dor era ter que senti-la e tudo o que eu queria era um anestésico definitivo, algo que me poupasse daquela autocomiseração eterna. Eu era fraca, sempre soube disto e durante todo aquele tempo, minha maior luta foi me manter viva, buscando um motivo para isto. Frequentei terapia por quatro anos, tomei remédios controlados por dois anos, me afundei nos estudos e depois no trabalho. Mas tudo me parecia vazio demais.
                Eu me arrastei até o banheiro, tirei a roupa sem ao menos me dar conta do que fazia, e entrei no chuveiro quente aos cacos. Eu só teria que sobreviver a mais uma crise… sozinha.
“Evite ficar sozinha em momentos assim, Diana. Procure conversar, falar tudo o que sente para as pessoas que confia.”
Eu me lembrava bem dos conselhos do meu terapeuta, assim como meu subconsciente sabia por que tipo de “momento” eu estava passando. A beira de um precipício, com uma imensa vontade de dar mais um passo e cair naquele abismo negro que me chamava. Mas todos que eu confiava já estavam fartos daquilo, dos meus desabafos.
“Você está viva, minha filha! Há um motivo, um bom motivo de você ter sobrevivido. Encontre isto! Se agarre a isto e se permita viver! Realmente viver!” – Era o que minha mãe dizia sempre. Mas acontece que eu nunca fui capaz de compreender porque eu tinha sobrevivido, muito menos achado algo bom pelo qual viver. Tudo me parecia um castigo. Viver, conviver com a ausência dos meus amores todos os dias e noites me parecia uma penitência.
                Eu só queria ter morrido! Morrido naquele dia. Eu tinha a estranha certeza que se eu tivesse partido junto deles eu poderia ser feliz em algum lugar longe dali. A morte, ás vezes, era a melhor saída… a melhor escolha.
                Eu saí do banheiro, me sequei e vesti um robe mecanicamente. Meus pés descalços vagaram pelo pequeno apartamento, em busca de conforto. No fundo do armário do quarto eu encontrei minha inseparável caixa. Era grande, retangular. A peguei e a abracei, ouvindo um suspiro doloroso escapar de mim. Caminhei com ela para minha cama vazia e fria.
                Abri a caixa e distribui o conteúdo pelo colchão de forma cuidadosa. O primeiro sapatinho de Murilo. Era amarelinho, feito de tricô, foi a primeira coisa que Gustavo comprou, assim que soube que eu estava grávida. Cheirei... o perfume de bebê desaparecendo. Remexi na caixa e encontrei o frasquinho verde que eu fazia questão de continuar comprando sempre: o perfume que eu usava em Murilo. Borrifei um pouco na lã do sapatinho e voltei a cheirar, meu coração se aquecendo no ato. Sorri debilmente.
                Havia outras coisas na caixa: bilhetes e cartas que Gustavo me dava, a roupa de batizado do Murilo, um brinquedinho, um livro de poesia que Gustavo me deu com um ramo de lavanda seco entre as páginas. Li um pedaço do poema que ele recitava pra mim, minha voz embargada: “nega-me o pão, o ar, a luz, a primavera, mas nunca o teu riso, porque então morreria.”
                E então eu retirei fotos, fotos e mais fotos. Olhando demoradamente para cada uma delas, como se meu olhar fosse capaz de fazer viver aqueles que estavam no papel. Os restos do meu coração se estilhaçaram.
Fui até o frigobar, peguei a primeira bebida que achei… um suco, um chá, um vinho.… eu não sabia. Derrubei um pouco do conteúdo em  um copo. No fundo da gaveta haviam os comprimidos que poucos sabiam que eu ainda mantinha. Eu havia parado de tomar a maior parte dos antidepressivos que meu psiquiatra receitava, mas não aqueles que me faziam dormir. Eu precisava daqueles. 
                Abri o frasco de comprimidos, virei na mão, fechei o frasco, virei a mão na boca, tomei o líquido. Não me pergunte quantos eu tomei, não me pergunte que gosto tinha. Eu não senti nada. Eu já estava dopada antes de entorná-los garganta abaixo, entorpecida pela minha melancolia, pelo meu melodrama contínuo.
                E assim eu simplesmente me deitei em cima das coisas espalhadas na cama, como se elas pudessem me dar o abraço de aconchego que minha alma implorava. Nada. Senti meu rosto cada vez mais úmido, mas não tinha consciência das lágrimas. Meus olhos pesaram aos poucos, não antes de eu colocar pra tocar uma música, uma que eu vivia cantarolando ao longo dos anos.
                A voz de Lana Del Rey encheu o ambiente, soando pelos alto-falantes do meu celular, que estava no ultimo volume. Ela dizia exatamente as coisas que eu sentia. Meus olhos pesaram, se fechando aos poucos, eu murmurava algumas frases da música em minha sonolência forçada.
                Sonhei, ou delirei... não sei ao certo. Em meu delírio eu sentia um pouco de conforto, um conforto mínimo, mas parecia o suficiente. Uma mão sobre a minha, um carinho sutil, que aquecia meu corpo e espírito. Me concentrei na sensação da mão junto da minha. Algo, um vulto chamou minha atenção. Havia uma porta e encostado nela estava Gustavo, ele estava com nosso filho nos braços, seus olhos fixos em minha mão, entrelaçada a outra mão.    
                Eu não podia ver a quem pertencia a outra mão, mas meu primeiro impulso foi desentrelaçar meus dedos daqueles outros. Mas eu não tinha força pra isto, parecia que com aquilo eu iria perder uma importante fonte de calor… vida.
“Está tudo bem, Diana. Tem que ser assim. Você só precisa dizer adeus a nós dois agora. Só isto” -  Gustavo disse, sua voz parecia etérea demais, distante demais.
“Não!”  - Eu ecoei, em um desespero fraco. Eu vi Gustavo sorrir.
“Sim. Você sabe que deve. Você quer. Só é teimosa demais” – A voz dele saiu divertida, suave.
“Não…” Eu disse novamente, mas senti um aperto mais forte da outra mão na minha, quase como se me puxasse pra outro rumo. Eu não havia soltado, meus dedos firmemente entrelaçados aos de quem quer que fosse.
                Pesarosa eu olhei em direção a Gustavo e Murilo, meu bebê lindo, que acenava as mãosinhas gordinhas pra mim, com um sorriso largo.
“Diga tchau pra mamãe, ela vai nos deixar ir agora.”
                Eu senti as lágrimas inundando meus olhos, Murilo juntou as mãosinhas na frente dos lábios e soprou um beijo infantil para mim.
“Não posso deixá-los… não posso!” Eu disse. Gustavo ainda sorria.
“Não vai  nos deixar. Mas devemos ficar somente em seu passado. Estamos nos despedindo do seu presente, meu amor… Adeus…”
                A voz do Gustavo foi abafada pelo som estridente da realidade. Meu celular tocava. Olhei para o aparelho, mole, sem força para mover um músculo sequer. Eu tinha minha mão esquerda no campo de visão, onde minha aliança e a do Gustavo ocupava o dedo anelar. Não liguei para o celular até que ele parou de tocar, sempre encarando as duas alianças em meu dedo. Parecia ter um peso enorme.
                O “adeus” de Gustavo ainda parecia retumbar no meu ouvido. Não tinha sido ele a me dizer aquilo, não é? Era o meu subconsciente, confuso. Ou será que o sonho era realmente uma mensagem?
                Não sei exatamente em que momento, mas voltei a dormir. Acordei um tempo depois, desta vez o telefone do quarto tocava insistentemente. Ignorei. Meu celular voltou a tocar. Arrastei minha mão pelo colchão e só tive força para pegá-lo debilmente e jogá-lo o mais longe de pude. Continuou tocando, minha força parecia insuficiente para quebrá-lo.
                Apertei os olhos e voltei a mergulhar na escuridão. Algum tempo depois, eu não sei dizer o quanto, acordei novamente, desta vez com os sons da campainha do flat, que tocava incessantemente. Bem lá no fundo da minha consciência, eu parecia ouvir alguém me chamar. Mas poderia ser só impressão. Continuei imóvel apenas ouvindo o som da campainha, e depois o som abafado de batidas graves.
_ Diana! Diana! Abra! – Alguém dizia, perecia estar desesperado.
                Mas eu não queria me mover. Não queria ou não conseguia?? Tanto faz.
                Depois de um tempo as batidas pararam, mas logo eu ouvi uma voz. Não, não era só uma. Eram duas... ou três.
_ DIANA!
_ Calma, senhor. Deve estar tudo bem.
_ Você tem certeza que ela está aqui? Tem certeza que ela não saiu?
_ Eu não saí da recepção, senhor. Desde que ela chegou pela tarde. Não a vi sair depois disto.
_ Santo Deus! DIANA!
                Eu escutava o diálogo, as vozes pareciam estar dentro do flat. Logo escutei passos apressados, cada vez mais próximos.
                Eu deveria me levantar, acalmar quem quer que seja que estava me chamando, que parecia agoniado. Movi minhas mãos lentamente pra me levantar, minha cabeça pesada, minha visão embaçada.
_ Diana! Diana! – Alguém chegou perto de mim, me agarrou pelos ombros, me sacudiu. Eu gemi. – O que você fez!? O que você fez!?
_ Mateo… - Finalmente reconheci a voz, minha língua enrolava na boca quando eu tentei falar, parecia dormente. – Não… não… - Eu queria dizer que não tinha feito nada. Só estava dormindo. Mas me parecia muito complicado falar, então desisti.
_ O que você tomou? O que tomou? – Mateo parecia muito, muito nervoso. Falava com desespero e um tanto de raiva. Ele me soltou, eu caí na cama feito uma geleia.
_ Aqui, senhor. Ela pode ter tomado isto. Acho que é um calmante.… – Alguém, não fazia ideia de quem, disse.
_ Me dê aqui. – Mateo disse, brusco. Depois de um momento me senti agarrada de novo. – Abra os olhos, Diana. Abra! – Mateo me ordenou, ríspido. – O quanto disto você tomou? Quanto?
_ Hummm… - respondi.
_ Fale comigo, merda! Pelo amor de Deus! – Mateo implorou. Eu abri os olhos, piscando algumas vezes. Mas só enxergava borrões indistintos.
_ Senhor, acho melhor chamar um médico. Tem um que está hospedado aqui do lado, talvez ele possa… – Outra pessoa disse. Virei minha cabeça na direção da voz e enxerguei outro borrão.
_ Sim! Eu preciso de um médico! Rápido! Agora! Chame-o, por favor. – Mateo disse. Depois se virou pra mim. – Diana, fala comigo! Fala comigo!
_ Estou bem… - consegui dizer. Minha voz não mais que um murmúrio.
                Mas depois me senti muito zonza. Voltei a fechar os olhos. Eu estava morrendo de sono. Eu só precisava dormir… dormir bastante…
                E foi o que fiz, voltando pra escuridão.
My dark paradise.


POV Taylor
               
_ E aí, já jantou? – Nádila perguntou ao telefone. 
_ Hhummmm… não. Preferi dormir. – Eu bocejei, me esticando na cama. – Que horas são?
_ Nove horas da noite, Bela Adormecida. – Esta foi a resposta que eu tive, mas não de Nádila.
_ Jason?
_ Eu mesmo.
_ Ah, é: você está no viva-voz. – Nádila deu a informação tão vital, como se eu não tivesse percebido.
_ Obrigado por avisar.  – Eu disse e escutei algumas risadas.
_ Por nada.
_ Então, Bela Adormecida, a gente acabou de fazer o pedido aqui no restaurante do hotel, se você correr consegue jantar com a gente. ­– Desta vez foi Jack, eu acho, que falou.
_ Mas anda logo! Levante! – Jason disse, impaciente.
_ Isto é um convite? – Perguntei, mas já estava de pé, sacudindo o cabelo e indo atrás de uma roupa.
_ Deixa de frescura e desce logo!
                Eu ri. Jason era um idiota.
_ Ok. Como eu sei que minha presença é vital, chego aí em dez minutos. – Eu disse.
_ Que declaração mais gay, Taylor!
_ Deixa de graça, já demorou pra tá aqui.
_ Dez minutos? Seu lerdo! Não precisa se embonecar não, tá limpo de câmeras por aqui.
                Eu desliguei o telefone em meio a um monte de piadinhas e fui me vestir. Em menos de dez minutos eu estava entrando no restaurante do hotel. A maior parte dos hóspedes já estava acostumada com a movimentação do elenco, então a gente já se sentia mais a vontade em se movimentar por ali sem ser parado a todo momento pra dar um autografo, tirar foto, ser sufocado por um abraço, ou coisas assim.
                Uma parte do pessoal do filme, umas quinze pessoas, entre elenco e equipe técnica, estavam sentados em uma mesa enorme no fundo do restaurante, fazendo uma algazarra. Todo mundo se dava muito bem e a intensidade e continuidade dos trabalhos aproximou todo mundo ainda mais.
                Quando cheguei os pedidos de alguns já tinham saído, mas outros ainda aguardavam.
_ Então, a festa vai ser na Greenhouse… Eu consegui fechar só pro pessoal do elenco mesmo, então espero que todo mundo vá. – Johan discursava, animadíssimo.
_ Mas qual o sentido de eu ir em uma boate se eu não quero dançar? – Nádila disse, fazendo uma careta.
_ Ô meu amor, vá pra beber então. – Johan respondeu, como se fosse óbvio.
_ Não bebo.
_ Genteeeee, que bafo, ela é santa! 
                Todo mundo riu e Nádila ameaçou jogar a faça que segurava em Johan. Ele, por sua vez, agarrou a sua faca e apontou pra ela.
_ Olha aqui, quiridinha, você vai  de todo o jeito.
_ Nada de briga crianças, daqui a pouco vocês fazem a segurança do hotel vir até aqui. – Sally disse, toda cordata.
_ Ou então o próprio Chris sai de seus aposentos e vem botar ordem nisto aqui com aquele jeito dele de dizer: CORTAAA! – Jack disse, fazendo todos rirem novamente.
_ Ou pior, sai de seus aposentos a poderosa Diana Moreno com aquela cara esnobe e diz: “O que a equipe do meu filme está fazendo se comportando desta forma, como um bando de hienas infantis!?” – Miranda nossa chefe de maquiagem disse, até se levantando para imitar Diana.
                Todo mundo riu mais, mas de repente Jason engoliu a risada e olhou sério para a entrada do restaurante.
_ Disfarça pessoal, porque a Diana em carne osso vem vindo ali.
                Miranda ficou pálida e se sentou no ato, só então se virando pra olhar a porta e vendo que era mentira de Jason.
_ Seu idiota! – Ela disse, fazendo todo mundo rir ainda mais, feito um bando de hienas, realmente.
                Porém eu não ri tanto. Quando Jason disse aquilo, eu também olhei pra porta, esperando ver ela ali. No fundo, eu queria ver se ela já estava um pouco mais normal. A conversa com o Mateo ainda me incomodava.
                Mas ela não desceu e logo eu esqueci daquilo, me envolvendo na conversa do pessoal. O jantar durou um bom tempo e nós, entre besteiras e conversa inútil, falamos sobre o filme, sobre nossas expectativas com a viagem para gravação das cenas externas, sobre os planos de filmagem, divulgação, contratos e tudo mais.             
                A mesa foi se esvaziando aos poucos, ao ponto que por volta das onze e meia da noite só estávamos eu e mais cinco: Nádila, Jason, Sally, Miranda e Jack. Quando os garçons deram sinais de que queriam fechar o restaurante. Pedimos a conta e Jason acabou por bancar todo o resto que ainda não tinha sido pago, já que o pessoal que foi saindo tinha pago alguma coisa.
_ Então, o clima lá é bem seco, vai ser difícil se acostumar, mas por um lado, eu acho que pode ajudar na veracidade da cena. O corpo sentindo tudo, o calor, a falta de umidade… ajuda a entrar no personagem melhor. Eu prefiro gravar as externas por causa disto. – Jason continuava o assunto conforme o nosso grupo ia andando pelo hotel, chegando à recepção.
_ Eu também penso assim. – Eu completei. - É mais difícil entrar no clima da cena quando tudo o que temos ao nosso redor são paredes verdes e câmeras. É mais cansativo ir pra fora, mas…
                Minha fala foi interrompida por uma sirene de ambulância que estacionou na frente do hotel. Paramédicos saíram apressados carregando uma maca, um rapaz com uniforme do hotel saiu do elevador e os recebeu.
_ Vixe, o que será que aconteceu?  - Sally disse.
_ Coisa boa não deve ser. – Eu disse.
                Por um momento nos esquecemos daquilo, voltando a nossa conversa. Por um momento continuamos com o tom leve, risos aqui e ali. Mas só até o elevador a nossa esquerda abrir novamente e por ele sair quem precisou de cuidados médicos.
                A primeira pessoa que eu vi foi Chris, que saiu do elevador com expressão transtornada, falando ao celular. A conversa morreu naquele momento, todo mundo do nosso grupinho ficou mudo, gelado.
                Depois de Chris veio Mateo, os olhos vermelhos, era nítido o seu desespero. Então meu sangue gelou ainda mais. Eu me lembrei da nossa conversa mais cedo.
“Diana nunca soube lidar muito bem com esta perca. Ela costuma agir impulsivamente às vezes.”
                 E antes mesmo que eu pudesse distinguir quem era a pessoa que vinha na maca atrás dele, eu já sabia: Diana.
                Sally e Nádila deram um suspiro quando a maca chegou perto o suficiente pra que pudéssemos vê-la. Diana estava pálida, imóvel, olhos fechados, ela tinha no rosto uma mascara ligada a uma espécie de bolsa, eu não sei. Um dos paramédicos não parava de bombear aquilo nela, empurrando ar pra dentro.
_ Gente, aquela é a Diana! – Ouvi Jason falar o óbvio, enquanto todos nós continuávamos imóveis.
                Mas antes que eu pudesse me conter eu corri pra perto de Mateo, que neste momento estava quase debruçado na maca que corria pelo saguão do hotel a toda velocidade. Agarrei seu braço. Ele se levantou e virou pra mim.
_ Mateo? – Foi a única coisa que eu pude dizer. Mas eu queria perguntar muito mais. Pela minha cabeça muitas peças começavam a se encaixar e a conclusão que elas me empurravam era aterrorizante demais.
                O medo que eu vi em Mateo antes e agora só pareciam me empurrar para uma única conclusão, a qual eu tentava evitar a todo custo. E a única resposta que eu tive de Mateo não aliviou em nada a minha apreensão.
_ Não fale nada daquilo a ninguém. – Ele me disse, como se eu já soubesse de tudo o que acontecia, como se eu tivesse deixado transparecer minhas suspeitas.
                Ele se afastou e correu atrás da maca que já tinha saído do hotel. Eu fiquei parado, só assistindo. Logo Nádila, Sally, Miranda, Jason e Jack estavam em volta de mim.
_ O que ele disse? O que aconteceu? – Eles me perguntavam, mas eu só sacudi a cabeça, negando. Minha garganta fechada.
                Eu só podia estar enganado. Claro que eu estava enganado.
_ Cara! Cara! Meu Deus! – Jason disse, passando as mãos no cabelo. – Será que o que ela teve foi grave?
_ Acho que sim. Você viu a cara do Chris? E o Mateo, amigo dela? – Sally comentou.
_ Realmente ela não me pareceu bem todo o dia de hoje. Vocês viram ela na reunião? Ela estava estranha. – Todos concordaram quando Miranda disse aquilo. – E depois ela saiu tão louca do Studio que até deixou o carro lá.
_ Taylor, você sabe o que ela tem? – Nádila perguntou, direta. Todos os pescoços se viraram para mim.
                Eu pisquei e encarei Nádila, que tinha o cenho franzido e me observada atentamente.
_ Eu? Eu não. Por que eu saberia? – Rebati, minha voz trêmula.
                Nádila deu de ombros.
_ Bom, seja lá o que for, espero que ela fique bem. De qualquer forma não podemos continuar aqui, com esta ambulância e movimentação toda, já deve ter algum paparazzi a espreita aí fora. – Ela disse.
_ Sim, você tem razão Nádila. O melhor que temos a fazer é subir e, bom, rezar por ela.  – Sally completou.
                Todo mundo caminhou para o elevador, mas eu não podia simplesmente ir para o quarto. Eu precisava tirar aquela dúvida da minha cabeça. Eu me despedi de todos, mas não subi. Eu fui direto pra recepção, para o rapaz que recebeu os paramédicos. Eu já o conhecia dali do hotel, embora não soubesse o seu nome.
_ Por favor… será que você sabe informar pra que hospital levaram ela? – Eu apontei vagamente para a saída do hotel.
_ Não, senhor. Eu sinto muito.
_ Não mesmo? – Insisti.
_ Bom, tem um hospital bem grande aqui perto. Ela pode ter sido levada para lá.
_ Qual? – Perguntei, imediatamente.
                Ele hesitou por um momento.
_ Não se preocupe, você sabe que nos conhecemos. Estamos trabalhando juntos e hospedados bastante tempo aqui. – Falei, tentando acabar com qualquer hesitação que ele pudesse ter.
_ Tudo bem. – Ele se curvou e rabiscou o endereço do provável hospital que levaram Diana.
                Eu agarrei o papel e me virei pra saída... mas então me lembrei: imprensa. Não podia arriscar tanto alarde depois que uma ambulância saiu do hotel em que o elenco inteiro de uma produção tão grande estava hospedado. Voltei para a recepção e pedi ajuda pra sair por uma “saída mais discreta”. Demorou mais do que o previsto até eu conseguir sair. Antes eu tive que subir e pegar blusa de capuz e boné.
                Eu preferi não sair com meu carro, que era conhecido, então pedi um taxi. Fui pego na saída da lavanderia do hotel e só depois de meia hora eu consegui chegar ao bendito hospital. Mas quando eu entrei na recepção do hospital, tudo muito branco, eu não sabia, exatamente, o que eu ia fazer ali.
_ Posso ajudá-lo? – a recepcionista disse, os olhos arregalados pra mim, que estava parado na frente dela sem saber o que fazer.
_ Bem, sim. Será que você pode me dizer se uma paciente, Diana Moreno, deu entrada aqui? Ela deve ter acabado de chegar.
_ Um minuto, por favor. – Eu assenti enquanto ela digitava no computador. Volte e meia ela voltava a me encarar, tal como a outra recepcionista sentada ao seu lado. Provavelmente me reconhecendo. Ignorei.
_ Olha, senhor, até o momento não chegou nada pra mim. Mas normalmente demora um pouco pra efetuar o registro. O senhor sabe se ela foi atendida por emergência?
_ Sim, emergência. – Eu disse.
_ Bom, então o registro só é feito quando um dos familiares vem até aqui fornecer os dados do paciente.
_ Ok. Muito obrigado.
                Eu me virei para sair, começando a achar ridículo meu impulso de ir até ali, quando eu vi Mateo sair por uma das portas, acompanhado de um médico e de Chris. Ele não me viu imediatamente, falava ao telefone, mas eu não entendia uma vírgula. Ele falava em outra língua.
_ Taylor? O que está fazendo aqui? – Chris me perguntou.
_ Bom, eu vi quando vocês saíram com Diana e… vim ver se está tudo bem. O pessoal que estava comigo ficou assustado e… bem. Estou aqui. – Eu parei de falar porque eu não sabia muito bem o que dizer.
_ Hummm… - ele disse, me encarando.
_ Taylor? – Mateo veio pra mim, depois de desligar o telefone, me fazendo a mesma pergunta. Mas nem me dei o trabalho de explicar. Fui logo perguntando:
_ Ela está bem?
_ Vai ficar. Está sendo bem cuidada. – Mateo disse.
_ Bom, Mateo, eu tenho que ir. Tenho que falar com a Emma e tentar adiar um pouco nossa viagem, ou pelo menos a de Diana. Quanto antes eu fizer, melhor. – Chris disse, se dirigindo a Mateo.
_ Tudo bem, Chris. Obrigado pelo apoio.
                Chris deu um tapa no ombro de Mateo.
_ Imagine. Fique bem também rapaz. Ela vai precisar de você.
                Mateo deu um sorriso cansado.
_ Eu sei.
                Chris passou por mim com um aceno, enquanto Mateo foi até a recepção passar os dados de Diana. Eu esperei. Sem saber muito o porque, mas eu esperei.
Depois que ele terminou andou até mim hesitante, olhando para baixo, mas passou direto, indo em direção de uma capela que ficava à direita da recepção. Ele não disse nada, mas eu o segui. Nos sentamos em um dos bancos, lado a lado. Mateo se curvou e soltou um suspiro.
_ Eu sabia que ela não estava bem. Eu te disse. Eu devia ter ficado do lado dela o tempo todo. O tempo todo!
                Sem saber o que fazer – eu não sabia de nada com nada aquela altura – eu toquei o ombro dele, apertei, tentando passar conforto.
_ O que aconteceu? – Criei coragem pra perguntar. Mateo ficou mudo por um tempo, e quando falou, não me deu uma resposta.
_ Amanhã. Amanhã é o aniversário de morte deles. Vai fazer seis anos.
                Ele não precisava me esclarecer nada, porque eu sabia exatamente do que ele estava falando. Do marido e do filho de Diana. Daquela vez, eu é que fiquei mudo.
_ Mas eu também canso, sabe? – Mateo disse de repente, se erguendo da posição curvada e quase me dando um susto. – Diana é uma mulher espetacular, mas ela suga a gente.  Eu a amo, de uma forma que você não vai entender. Conheço-a desde criança, ela já fez muito, muito mesmo por mim. Mas desde que ela perdeu os dois tem sido difícil não só pra ela, mas pra todo mundo que está perto dela. Eu tomei a decisão de estar sempre junto, de protegê-la de si mesma até, mas com a esperança que ela se recuperaria algum dia. Mas agora, quando eu pensava que ela estava quase lá…
                Ele soltou um suspiro.
_ Eu não devia falar nada disto com você.
_ Mas você precisa falar isto com alguém, não é? – Ele ficou quieto. – Pode confiar em mim. Eu já disse, sei ser discreto.
                Mateo soltou o ar novamente, parecendo aliviado por poder falar com a consciência mais leve.
_ Eu fiquei com raiva dela hoje, lá no Studio ainda, quando eu vi nela aquele olhar de novo, de luto, de depressão. Eu não aguento mais! Não aguento mais ver aquela mulher tão magnífica se afundando em uma cova como ela vem fazendo. Porra, Taylor! – Ele parou abruptamente quando soltou o palavrão, olhando para a cruz no pequeno altar com cara de culpa. – Bom, eu já perdi um grande amor. O grande amor da minha vida. Eu fiquei do lado dela, durante todos estes anos, justamente por saber exatamente o que ela  sentia. Mas eu dei a volta por cima, eu jamais cheguei tão fundo como ela chegou… eu não entendo como ela pode, pode tentar…
_ Tirar a própria vida? – Eu sussurrei minha suspeita. Isto o fez se calar, estremecendo. Mateo voltou a se curvar e agarrar os cabelos.
_ Ela tomou uma dose grande de calmante. Um bem forte. Estava completamente dopada. – Ele disse, depois de um tempo.               
                Eu engoli em seco, horrorizado. Meu Deus! Meu Deus! De um dia para o outro eu descobri que a intragável Diana carregava uma dor imensa... e depois descobria que ela era... uma ex-suicída? Eu podia chamar assim? Era inconcebível. Ela sempre parecia tão autossuficiente, tão dona do mundo, tão segura de si. Mesmo que eu já suspeitasse daquilo, eu fiquei embasbacado ao ter tudo confirmado.
                Tal como Mateo, eu jamais conseguiria compreender como alguém poderia chegar ao ponto de tentar se matar. Claro, os motivos dela pareciam bem fortes. Não era como aqueles adolescentes que se matavam porque brigaram com os pais ou terminaram um namoro de dois meses. Mas ainda assim…
_ Por favor, ninguém pode saber disto! Você sabe mais até do que o Chris, que ficou muito assustado quando soube. Ele não sabe o que fazer com ela agora. Não sabe como lidar e… ninguém mais pode saber sobre isto.
_ Mateo, calma. Eu já disse que pode confiar em mim. Não vou dizer nada a ninguém. Nem a minha própria sombra. Eu sei a seriedade disto, imagino as consequências se esta história se espalhar.  – Eu disse, tentando tranquilizá-lo. – E pode contar comigo. Para o que precisar. Diana não precisa saber, ninguém precisa saber. Mas eu acho que ela não é a única que vem sofrendo muito durante estes anos, não é a única que precisa de apoio.
                Os ombros dele caíram ainda mais.
_ Obrigado.  Eu… eu… Ah! Obrigado. – Ele disse, sorrindo sem jeito.
                Mateo ainda ficou conversando comigo durante um tempo, simplesmente desabafando. Contou como a encontrou no apartamento, deitada na cama, em cima de um monte de fotografias antigas e objetos do marido e do filho que ela tinha escondido e ninguém sabia que carregava. Falou que ela já tinha feito aquilo antes, dias depois da grande perca. Contou que foi a mãe dela que a encontrou, literalmente com uma corda no pescoço, uma cena horrível.
                Eu tremi só de imaginar aquilo. Parecia bizarro demais. Eu ainda me recusava acreditar que a Diana que eu conhecia seria capaz daquilo. Depois disto ela ficou anos fazendo terapia com psiquiatra, tomando remédios e tudo. Aos poucos voltou a estudar e trabalhar, mas nunca mais foi a mesma de antes do acidente.
_ Esta que vocês conhecem agora, a intragável Diana, é até bem legalsinha em comparação com as outras fases que ela teve. Teve um tempo que ela tinha uma presença pesada, ela carregava um mar de tristeza com ela que parecia afogar todo mundo. – Ele contava.
                Eu o ouvi, tentando reter a menor quantidade de informações possíveis, já pensando que não seria saudável pra mim saber de tanto e ter que trabalhar com ela depois. Se é que ela voltasse ao trabalho tão cedo. Mas a história era tão densa, que isto era quase impossível. Aquilo entrava na minha cabeça e dava voltas e voltas. Minhas emoções eram despertadas cada vez mais conforme o Mateo me contava detalhes.
                No meio da conversa ele parou para atender mais dois telefonemas dos pais de Diana. Eles estavam a caminho de Nova York, ao que parecia. Mas depois, ele voltava a se sentar no banco ao meu lado e falava, falava e falava.  Mateo falou muito, bastante, parecia realmente despejar o que guardava em anos. E eu, ouvi, raramente falando algo. Só paramos de conversar quando um médico o chamou para dar as ultimas informações sobre Diana. Ele voltou alguns minutos depois, quando eu já pensava em voltar para o hotel. Parecia mais aliviado.
_ O médico acha que ela não tentou se matar. Disse que o que ela tomou foi o suficiente para dopá-la bastante, uns quatro comprimidos, foi perigoso, mas não lhe pareceu a quantidade que um suicida tomaria. Em casos assim, a ingestão costuma ser muito maior… A cartela inteira ou um frasco inteiro. Ele acha que foi um pouco de descuido dela, talvez.
_ Isto é bom, não é? Significa que ela não teve uma recaída tão grande. – Eu disse, tentando animá-lo.
_ Bem, se ela realmente não tentou se matar, se só tomou esta quantidade por desespero em dormir… isto é uma grande coisa, realmente.
                Eu assenti. Mateo olhou para o relógio.
_ Taylor! Já está tão tarde! Eu fiquei aqui te alugando com problemas de terceiros até estas horas! Me desculpe!
                Eu sorri.
_ Imagine, cara. Isto foi coisa séria, não qualquer bobagem. Já disse e repito: pode contar comigo.
                Mateo balançou a cabeça, dando um riso frouxo, parecendo incrédulo.
_ Não existem mais no mundo muitas pessoas como você, sabia? Eu nem sei como te agradecer! Eu acho que você não tem a mínima ideia do quanto me ajudou hoje.
                Eu fiquei sem jeito quando ele disse aquilo.
_ Que isso! Era o mínimo que eu podia fazer.
_ Sei. – Ele disse, desconfiado. - O médico liberou visita. Ela está dormindo, vai ficar assim por um bom tempo. Você vem comigo?
                Meu coração disparou.
_ O que? Ir ver Diana?
_ Isso. Você veio até aqui não pra saber os meus sentimentos. Isto foi consequência. Você veio aqui por causa dela.  Então, vamos ir vê-la. – Nada do que ele disse foi uma pergunta. Só afirmações. 
_ Bom, eu não sei. Já está tarde, talvez seja melhor eu voltar outra hora e…
_ E você voltaria outra hora? Quando ela estivesse acordada?
                Não, eu não voltaria. Mas fiquei quieto.
_ Olha, vamos lá. Me acompanhe. Eu também vou voltar pro hotel, trocar de roupa e voltar pra cá, esperar os pais dela. Nós vamos até o quarto dela, vemos como ela está e depois voltamos juntos pro hotel. Pode ser?
                Eu dei de ombros.
_ Tudo bem.
                Subimos um lance de escadas, o cheiro forte de remédios e álcool infestando minhas narinas. No primeiro andar viramos à direita e percorremos um longo corredor  branco. Estava tudo silencioso, mas o ambiente era opressor para mim. Mateo, ao meu lado, parecia cada vez mais cansado, mais tenso. E depois de tanta conversa, eu sabia que seu cansaço e exaustão não era um problema físico. Mais que isto.
                Minha cabeça tentava formular toda a situação pela qual Diana Moreno passou aqueles anos todos e o quanto deveria ter sido difícil permanecer ao lado dela, vendo-a sofrer daquela forma. Mateo parecia ser muito mais que um amigo para ela. Ele havia me digo que ela era filha única, mas do jeito que ele falava dela, parecia que tinha um sentimento de irmão por ela. Reconheci nele o mesmo carinho e preocupação que eu dedicava a Makena, minha irmã. Tentei imaginar como eu me sentiria se fosse Makena no lugar de Diana, sofrendo tanto ao ponto de tentar contra a própria vida.
                Isto me pareceu doloroso demais pra pensar. Eu não sei se eu teria a mesma força que Mateo teve para se manter ao lado dela e sustentá-la. Quando chegamos ao quarto que nos foi indicado pelo médico, Mateo parou, apertando o maxilar. Então eu fui no lugar dele e abri a porta.
                Diana estava estendida na cama, parecendo dormir pacificamente, serena, inofensiva e bela… absurdamente bela. Vestia uma espécie de robe azul, não parecia roupa de hospital. Seus cabelos, lisos, volumosos e negros emolduravam seu rosto ainda pálido. Ela tinha no dedo um aparelho de monitoramente cardíaco e no braço o soro injetado na veia.
                Ela não parecia em nada um suicida, não parecia aquela mulher sofrida que eu tinha vislumbrado mais cedo, na sala de fotografia. Também não chegava nem de perto demonstrar a arrogância e prepotência que tinha a Diana Moreno, roteirista e assistente de direção que me infernizava no trabalho.
                Ela parecia tão somente uma bela mulher, frágil e delicada, que precisava de aconchego e muitos cuidados. Fiquei apenas observando a respiração calma dela fazer seu tórax subir e descer em um ritmo lento. Não me dei conta da aproximação de Mateo até o ver se debruçar sobre ela, agarrar-lhe a mão e colar a testa em seu dorso. E ele chorou, sem receio ou vergonha por eu estar assistindo tudo.
_ Por que você tem que fazer isto consigo mesma, baby? Por quê? – Ele murmurou.
                Comecei a me sentir mal, um intruso assistindo uma cena intima entre dois amigos irmãos antigos. Pé ante pé eu me afastei até sair do quarto e fechar a portar procurando fazer o menor ruído possível.
                Subitamente me senti cansado, sentindo sobre meus ombros todo o peso da história de Diana. Me encostei na parede e fechei meus olhos. Ela roubava todos os meus pensamentos, seu choro, sua lágrima, seus desespero contido, suas lágrimas – as poucas que vi e aquelas muitas que eu imaginava.
                Abri os olhos. Definitivamente não foi bom pra mim saber de tudo aquilo, não foi. Eu estava sentindo coisas demais que eu não sabia como ordenar. Comecei a sentir sufocado com tudo isto, minha vontade era correr pra longe dela, o mais longe possível.


                Naquele momento eu descobri que Diana Moreno era uma presença forte demais na vida de alguém. Não podia ser saudável. Não podia. 

3 comentários:

  1. Essa fic é maravilhosa, amo muito, mas tá precisando da continuação né!

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  2. Cadê a continuação dessa fic?Ela é demais!Please ,contt hein?????😢😢😢😢😢😢

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  3. Cadê a continuação dessa fic?Ela é demais!Please ,contt hein?????😢😢😢😢😢😢

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