22 abril 2015

Fanfic: O Anjo - Cap. 3:''Sentimentos desconhecidos''

Texto/Fic: Carla Ferrari.
Capa: Jessica Keli.
Beta/correção: @ValzinhaBarreto.

Pov. Taylor:

Nós comemos e depois ficamos assistindo televisão, e então ela começou a tagarelar me perguntando mais sobre a minha vida.

─ Eu não gosto de falar de mim - Disse sem tirar os olhos da TV.
─ Mas eu quero saber, por favor fala vai! Onde você trabalha? - disse ela impaciente

─ Tá, eu trabalho em uma mecânica ─ disse novamente sem olhar para ela

─ E o que mais? - indagou curiosa

─ Mais o que, o que? - disse sem querer ser rude.
                                                                                               
─ O que você gosta de fazer? Quais são suas manias? Ei qual sua cor favorita? - ela me fitava com um brilho nos olhos, que me fizera questionar seu entusiasmo.

─ Ahh sei lá, eu não estou a fim de falar de mim. Você nunca dorme é?

─ Sim, mas só quando eu estou cansada. Agora eu não estou, e quero saber de tudo sobre você. Me fala.

Vai - disse ela com um sorriso enorme nos lábios.

Ela se sentou na poltrona ao meu lado, e cruzou as pernas apoiando o queixo nas mãos. Ali parada me encarando com tamanha admiração desconhecida, ela parecia apenas uma menina.
Respirei fundo e disse:

─ Ok. lá vai... Pelo jeito você não vai desistir mesmo né. Eu gosto... De ficar sozinho, de me isolar, de não ter que falar com ninguém, e... A minha cor favorita? Ah é... Preto! Pronto, está bom assim para você?

─ Nossa, mas que resposta mais triste. Você gosta mesmo de se isolar tanto assim? E... Nada contra o preto, mas... Você poderia gostar também de branco. - disse ela trazendo minha atenção novamente para seu semblante entusiasmado.

Ela não desistiria daquilo, então tive que intervir ou acabaria mal pelo visto.

─ Acho melhor você dormir! Boa noite - Disse  e me levantei, dando minha deixa.

─ Ah, mas já? - ela diz desanimada

Ao que parecia, mais uma vez ela ficara com a pose de menininha. Porém ela não fazia ideia de como era linda, e como isso me incomodava. Espere, eu disse isso mesmo?

Resolvi ir para cama e acabar com a noite de uma vez, isso já estava indo longe demais.

No dia seguinte eu daria um jeito de mandá-la para casa, ou sei lá. A essa altura da minha vida desajeitada, tudo o que eu menos precisava era de uma garota ''anjo'' para eu ter que me responsabilizar.

Eu daria um jeito, mas isso só no dia seguinte, porque aquele dia já tinha sido um dia muito cheio e estava exausto, sem falar na historia dela ter vindo de outro planeta, que até agora não me fazia sentido algum.

......

Acordei no dia seguinte sentindo cheiro de fumaça, e quando me dei conta de que tinha mais alguém na casa me levantei correndo já imaginando a desgraça que ela havia feito.

A encontrei parada no meio da cozinha usando um avental velho da minha mãe, suja de farinha até os cotovelos, e segurando um prato com uma pilha do que parecia uma tentativa de fazer panquecas.

─ O que é isso? - Perguntei apontando para o prato.

─ Seu café da manhã! - disse com um sorriso amável e continuou:

─ Fiz para você, para agradecer por me deixar ficar aqui ontem.

Passei a mão nos cabelos, tentando evitar o sorriso dela que por algum motivo me deixava sempre embaraçado. Agradeci a pequena pilha de carvão com um aceno de cabeça, e ofereci para que ela comesse também. Ah qual é? Até parece que eu ia mesmo comer aquilo sozinho.

Depois do café (que estranhamente não tinha ficada de todo ruim), eu fui para o meu galpão mexer na velha picape que estava toda amassada depois da noite passada.

Ela obviamente me seguiu até lá, mesmo depois de eu dizer que não queria que ela viesse.

─ No que eu posso te ajudar? - Disse enquanto eu me deitava sobre o carrinho e rolava para debaixo do carro.

─ Em nada, apenas não mecha em nada e isso já será o suficiente! - Falei enquanto tentava reparar os danos no automóvel.

Ela andava por todo o espaço, e mesmo por debaixo do carro eu podia observar seus pés passando ao meu lado examinando todo o lugar.

Ela ainda vestia a minha camisa azul de botões antiga, um presente de Grace, aliás. Coisa que agora nem me vinha mais a mente, desde que pusera os olhos nela vestindo a camisa ontem.

De repente me senti obrigado na condição de perguntar mais sobre a vida dela, ainda mais depois de ontem.

─ E você, porque não fala da sua vida... Lá em... Como é mesmo o nome? - Disse saindo debaixo do carro.

─ Axtrid, esse é o nome do nosso planeta. E não, não sei o que dizer... O que quer saber? - ela me encarava com aqueles olhos encantadores de novo, e tive que me concentrar para dizer:

─ Ah sei lá... Comece me dizendo por que fugiu de casa.

─ E porque acha que eu fugi? - disse ela se fazendo de desentendida.

─ Bom, porque se você não tivesse fugindo, já deveria querer estar em casa não é? – falei.

Ela sorriu pensativa, e respondeu:

 ─ Sim, eu fugi, mas eu tive um bom motivo para isso, e se quer saber, não estou pensando em voltar tão cedo. O que é isso? - ela pegava uma das minhas ferramentas.

─ um macaco, deixa aí... Mas porque fugiu? Qual o motivo? - disse voltando ao assunto.

─ Fugi porque meu pai queria me casar.

─ Casar?? - A resposta dela me deixou perplexo. Então pensei e perguntei de novo:

─ Mas pera aí? Quantos anos você tem?

─ 18. Faço aniversário hoje, aliás. ─ ela sorriu tímida.

Fiquei chocado. A garota que até hoje de manhã eu evitava contato visual porque achei que tivesse no máximo 15 anos, agora me dizia que tinha 18 e que estava prestes a se casar quando eu a conheci.

─ Hoje é seu aniversário? Sério? – Essa foi a única coisa coerente que consegui dizer.

─ sim. - ela sorria timidamente ainda para mim.

─ Feliz aniversário então. - disse tentando sorrir gentilmente.

Não senti necessidade de abraçá-la, mas ainda sim me levantei e o fiz, mesmo sem entender o porquê. E assim que a tive em meus braços, me peguei sentindo o cheiro dos seus cabelos, e de repente me afastei rapidamente voltando a meu estado normal de novo.

─ Por que eu havia feito aquilo?

Ela sorriu e olhou para mim com carinho, e tive a sensação de que aquilo que eu senti no momento em que a abracei, era só o início de um turbilhão de sentimentos confusos e desconhecidos.

............

Mais tarde eu decidi fazer algo legar para ela, afinal de contas era seu aniversário, e por mais que ela não quisesse passar com a família, também não merecia ficar sozinha na rua. Por isso então disse que ela poderia ficar por mais algumas noites.

─ Obrigada Taylor! Obrigada! - Dizia ela enquanto me abraçava pela cintura.

Afaguei seus ombros de leve, tentando evitar estender o contado ao mínimo tempo possível.

Eu ainda não sabia o que se passava na minha cabeça em relação a ela, e muito menos iria querer complicar isso com incertezas do meu pobre e iludido coração, mas a verdade era que, em menos de 24 horas, a garota já havia me deixado com a mente e a cozinha de ponta cabeças.

Observei atento sua mais nova tentativa de preparar o jantar, logo depois de eu deixá-la sozinha para ir ao mercado.

─ Ah, oi, você chegou! - ela me recebeu com um sorriso.

─ oi. O que esta fazendo? - Perguntei curioso, vendo suas mãos sujas de massa, e todos os objetos de culinária expostos em cima da mesa.

─ Estou fazendo um bolo! Aprendi vendo TV de manhã! - ela sorriu olhando os dedos sujos de massa.

─ Não precisava fazer seu próprio bolo, eu comprei um. ─ disse mostrando o pequeno bolo que comprei na confeitaria.

Na mesma hora ela limpou as mãos no avental, e abriu um sorriso ainda mais rico de brilho e felicidade do que o anterior.

─ Nossa Taylor! Obrigada, nem sei como agradecer. - ela disse com os olhos marejando.

Coloquei o bolo na mesa ainda suja de farinha, e disse:

 ─ O que foi? Porque ficou triste? - disse preocupado.

─ Ah nada. - disse afastando as lagrimas. ─ É que... Eu nunca tinha ganhado um bolo antes.  - ela sorriu meio chorosa e continuou.

─ No meu planeta nós comemoramos nosso aniversário de outro jeito.. É meio complicado de demonstrar, mas no fundo até que é legal. Só que eu sempre quis saber como era fazer assim. - Ela apontou pro meu bolo presente.

─ Hum... Entendi. Podemos comemorar então?

Ela assentiu com a cabeça, e depois de me ouvir cantar parabéns ridiculamente, ela sorri e me agradece mais uma vez.

Nós comemos o bolo, e depois lavamos a louça juntos. Na verdade ela insistiu em querer lavar comigo.

─ Tá, então pega um pano para secar, que eu lavo. - disse erguendo as mangas da camisa.

Enquanto nós lavávamos a louça, um silêncio predominou entre a gente, e de repente nossas mãos se chocaram quando fui pegar no mesmo copo que ela.

Ariel me olhou um tanto corada, e de repente me vi dentro dos olhos dela, sempre devolvendo seu olhar sem querer piscar. Era como se o momento nunca fosse acabar, até que ela diz algo e me tira do transe.

─ Ann?  - foi só o que respondi. E então ela repetiu:

─ Posso fazer uma coisa?

─ O que? - Eu a encarei com certo receio do que estava por vir, e uma curiosidade momentânea que estava me corroendo por dentro. Será que ela iria me beijar?

Ela apenas elevou uma de suas mãos e disse:

─ Quero muito fazer uma coisa, prometo que não vai doer... - e então me tocou no peito.

Ela me observava sem dizer nada, e então seus olhos focaram os meus com uma angústia que eu não entendi. Perguntei o que ela estava fazendo, e o que ela respondeu me fazendo perder totalmente o que me sobrava de sanidade:

─ Grace, já está tarde. – Falei E cedendo a minha natureza relutante.

Retirei sua mão de mim gentilmente, enquanto ela me observava com cautela, e disse:

─ Hora de ir para cama, boa noite. - disse e fui para o meu quarto onde tentava entender o que tinha acontecido naquela noite, e como ela descobrira o nome da minha falecida ex.

...

POV ARIEL.

Conforme eu o tocava, tudo mudava. Era como se eu estivesse lendo um livro sobre sua vida, e tudo o que ele havia demonstrado fizesse sentido para mim.

A moça na foto não havia o deixado, ela havia morrido, e ele se sentia culpado por isso. Eu podia ver todas as suas lembranças com ela, a maioria felizes e sempre sorrindo, mas ele não estava feliz.

Seu coração era transparente para mim nessa hora, e eu via sua dor. Ele jamais amou alguém depois de perdê-la. Taylor estava sofrendo por dentro, e eu não entendia essa dor.

Eu nunca tinha 'lido' um coração antes, e nunca tinha visto um amor tão grande assim. Fiquei ali só por um instante, mas naquele instante eu pude ver quanta dor ele já havia vivido na ausência dela.

Seu nome era Grace, e estava gravado em seu peito como se fosse uma estaca, o fazendo sangrar toda vez que ele pensava nela e eu sabia sua cor favorita de verdade, era azul, a cor mais linda nela. Taylor disse que preferia se isolar, mas na verdade eu pude ver em seu coração, que a sua família o rejeitava.

Eles não compreendiam sua dor, e se compreendiam, faziam pouco dele por o achar merecedor. Eu estava lendo tudo isso, quando Taylor me interrompeu e disse:

─ O que você esta fazendo? - Ele me olhava com uma sobrancelha erguida.

Observei seu rosto confuso e disse:

─ Grace, já está tarde. – E então seu rosto se contorceu com o que ouviu e ele retirou minha mão de sobre o peito dele, me dando um olhar gelado e dizendo:

─ Hora de ir para cama, boa noite.

Depois de sair ele se trancou no quarto, sem dizer mais nada, e sem falar sobre o que houve. Fiquei pensando nos sentimentos dele sem entender o que ele sentia. Eu finalmente tive a oportunidade de descobrir o que esse tal sentimento significava apenas lendo seu coração, mas mesmo após tantos anos de estudo, eu estava longe de descobrir do que se tratava.

......................................
Notas finais da autora:
E aí Taylorvers, mais um capítulo pronto e modéstia à parte acho que ficou bom... Estou amando escrever para o site TLM. Bjs Carla.

5 comentários:

  1. amei o capitulo como toda a fic até agora.como será que Taylor irá reagi aos poderes de Ariel? e ela coitadinha conhecer o amor logo assim.continua quero saber mais

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    1. Obrigada mesmo Veronica Gomes, apoio de leitoras como vc é q me motiva a continuar. Os poderes de Ariel ainda são um mistério ate mesmo pra ela, como os sentimentos confusos do próprio Taylor.
      Mas não se preocupe que ainda tem muito desenrolar dessa história linda entre os dois.

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    2. Este comentário foi removido pelo autor.

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