14 novembro 2015

Fanfiction: Diário Dos Que Já Se Foram - Capítulo 23



O frio erradia do meu corpo. Não era apenas uma mera sensação de que esse dia não seria bom, hoje é o dia em que a Isabelle morreu. E com certeza ela não deixaria que passasse em branco. Não gosto de ficar no mesmo ambiente de que Simon, ainda mais quando ele parece estar tão fora de si.

- Ela parecia ser uma boa garota, sabia? - Simon observa os todos os cantos do meu quarto, como se visse algo que o amedrontasse. Parecia estar tendo um surto psicótico.

- Sabia que ela me achava esquisito. Aliás, todos da cidade me acham - Ele ri nervoso.

- Ela era uma boa garota – Seu olhar fica, por um minuto, sem vida - Era sim, uma boa garota.

- Simon! - Grito para chamar sua atenção quando começa a murmurar coisas que não entendo.

Ele arregala os olhos na minha direção.

- Desculpe, não gosto de estar aqui - Ele suspira.

- No dia em que a encontrei, eu estava... Caminhando perto do lago. Mas eu nunca tinha feito isso antes, algo me fez ir naquela direção. Então eu a encontrei.

Ele balança a cabeça convulsivamente.

- Foi horrível, ela estava tão machucada, entretanto, ainda estava viva.
- O quê? - Pergunto sem fôlego - Ela não estava morta? Nos arquivos da polícia diziam que ela já estava morta. Quando você a encontrou?

Ele arruma os óculos.

- Eu menti.

- Por quê?

- Eu estava com medo! - Ele se exalta. Encosto-me ainda mais contra a porta, preparada para sair correndo. Simon se volta para a janela, seus ombros estão caídos e ele respira pesadamente.
- Eu sei que todo mundo da cidade pensa que eu fiz algo com a minha esposa, todos me olham esquisito quando eu passo. Eles falam e pensam que eu não sei. Mas eu sei. Sei que também pensam que fiz isso com Isabelle, mas não, eu não machucaria ninguém assim. Porém, agora, eu tenho vontade de ter feito.

- Por que você está dizendo isso, Simon?

- Ela está na minha cabeça! Aqui dentro - Ele bate contra o próprio peito violentamente, várias vezes - Ela está me punindo por não ter contado para ninguém - Ele se vira para mim - Eu sei o que está acontecendo com seus amigos. Ela sussurra isso dentro da minha cabeça todas as noites, me conta os detalhes. Você tem que fazer parar Lily, tem que fazer parar!

- O que você não contou para ninguém, Simon!? - Irrito-me com sua falta de atenção. Vou até ele e seguro seus braços, mesmo sabendo que Simon tem o dobro do meu tamanho, o suficiente para fazer o que quiser comigo, o Taylor nem ao menos perceberia.

Simon engole em seco e levanta seu olhar para meu rosto, mas parece olhar para além de mim.

- A boca dela estava tapada - Sua voz agora está tão fraca, que mal posso escutá-lo – Só que ainda estava respirando, eu conseguia ver isso. Eu fui até ela e tirei a fita de sua boca. Seus olhos abriram fracamente, seu corpo estava tremendo – Toma fôlego - Eu devia ter feito mais...

- Simon!

- Então ela falou... falou. Contudo, estava fraca demais. Eu estava assustado, com medo que quem tivesse feito aquilo voltasse. Eu pedi ajuda, mas ela não estava mais viva quando eles chegaram. Ela não conseguiu dizer para eles o que tinha dito para mim. E eu não contei para ninguém.

- O que ela disse, Simon? O que você não contou para ninguém? - Meu coração estava acelerado.

-Ela...ela disse...Logan... Foi o Logan - Simon começa a balançar-se para frente e para trás, cantarolando o nome de Logan. Sinto-me tonta, minhas mãos se afrouxam no braço de Simon e ele continua a se balançar cantarolando. Eu me afasto dele sem equilíbrio, tento encontrar algo dentro de mim que me mostre que tudo isso não passa de um erro. Mas...

- Lily? - A porta do meu quarto é aberta e Taylor aparece, sua expressão muda ao ver meu estado e quando seus olhos encontram Simon, ele me puxa e me coloca atrás dele. Simon saí do seu transe e corre escada a baixo ao ver o Taylor. O mesmo tenta ir atrás dele, mais eu o seguro.

- O que ele está fazendo aqui, Lily? Ele te machucou?

Balanço a cabeça negando, passando meus braços em volta do Taylor e o abraçando. Ele retribui o gesto, me apertando mais contra ele, mesmo confuso.

- O que está acontecendo, Lily? - Ele sussurra. Não o respondo, contínuo parada, junto a ele. Nenhuma pergunta é feita, até que somos surpreendidos pelo barulho da porta da frente batendo - Eles chegaram - Taylor diz.

- Eles quem?

- Os outros, liguei para eles. Precisamos contar o que aconteceu com a Elena.

Taylor diz tranquilamente. Ele segura meu rosto, mas, me afasto, saindo do quarto e indo até a beirada da escada. Só que não há como ver quem está lá embaixo.
- O que você está fazendo, Lily?

- Você também ligou para Logan?

Taylor parece confuso.

- Liguei, algum problema?

O observo, ele não precisava saber, ele estaria seguro enquanto não soubesse de nada. Os outros também. Enquanto isso pensaria no que fazer.

- Ei tem alguém ai em cima? - Escuto a voz de Shailene e outras vindo do andar de baixo.

- Não aconteceu nada - Respondo, me surpreendo por parecer tão verdadeira. O medo me fazia ser uma boa mentirosa - Vamos lá falar com eles.

Desci primeiro, sinto que minhas pernas são, na verdade, concreto. Sinto-as tão pesadas, que dou um passo de cada vez até o andar de baixo. Enfio as minhas mão nos bolsos para esconder os tremores.

Viro-me em direção a sala. Todos estão ali, até mesmo os que não acreditavam. Até ele estava ali. Sorrindo ao me ver, andando em minha direção.

Ele estava ao meu lado, como Isabelle tinha dito. Ele se aproxima como tem feito nos últimos meses e eu deixo, olho para seu rosto, parece que o vejo pela primeira vez, através da máscara de inocência que ele havia criado e que ninguém tinha percebido. O demônio que tinha se escondido atrás dela. Podia sentir o sangue de meus amigos em suas mãos. Meus olhos haviam sido abertos. Agora tinha que nos salvar.

- Oi, o que aconteceu? - Logan passa o braço em torno da minha cintura, me puxando para mais perto de si. Ele parece não gostar de ver Taylor atrás de mim, o que me faz estremecer - Você está com frio?

- Não - Respondo.

- O que foi? - Shailene vem até mim.

- Elena está morta - Respondo duramente, de propósito. Shailene congela no lugar enquanto as lágrimas começam a se acumular em seus olhos e logo elas já estavam descendo por seu rosto. Me solto de Logan e vou até ela e a abraço.

- Você tem que sair daqui - Sussuro em seu ouvido, posso sentir a sua surpresa sem ao menos ver seu rosto.

- O quê? - Ela pergunta tentando se soltar de mim. Seguro-a mais forte contra mim.
- Você tem que sair daqui, por favor, leve os outros. Pode fazer isso? - Shailene balança a cabeça.

Eu a soltei e vejo em seu rosto que ela entendeu o que está acontecendo. Pelo menos em parte, mas o resto não era importante, só tinha que deixá-los seguros, ficando sozinha com Logan.

Eu era a próxima e, pela primeira vez, contava que Isabelle mantivesse sua palavra e viesse me buscar. Eu cuidaria de levar Logan conosco, para onde quer que fossemos.

- Acho melhor nós irmos - Shailene diz aos outros, por mais que as lágrimas continuassem a cair de seus olhos. Ela faria o que lhe pedi.

- Não vou deixar a Lily sozinha - Taylor diz. Olho para ele.

- Eu vou ficar bem – Afirmo - Logan vai ficar comigo – Digo. Fito o Logan e ele assente concordando, como eu esperava. Mesmo assim Taylor não parece convencido.

- Por favor, Taylor eu preciso descansar - Tento buscar algum talento como atriz dentro de mim para convencê-lo.

- Deixem a garota - Justin diz indo em direção a porta. Pela primeira vez o fato dele ser um idiota, é útil.

- Obrigado, Justin.

- Sem problema - Ele faz sinal com a mão enquanto abre a porta. Antes que ele tenha a chance de sair, a porta se fecha, fazendo um grande barulho, tão forte que chego a pensar que as dobradiças cederam. Mas não é o que acontece. Justin insiste com a maçaneta por tanto tempo que começa a ficar vermelho - Não quer abrir! Não quer abrir!

- Como não quer abrir? - Taylor abre caminho entre os outros até a porta e também não parece haver nenhuma mudança - Olha a porta dos fundos - Ele diz a Ansel, o mesmo desaparece em direção a cozinha. Todos começam a tentar achar uma outra escapatória. Assisto o Logan que tenta abrir um das janelas. Logo Ansel volta da cozinha.

- Não quer abrir também.

Todos congelam quando o telefone começa a tocar. Não me assusto, eu estava esperando aquele telefone. Caminho até ele e espero mais um toque para atender.

- Alô.

- Vingue-me.

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