03 novembro 2015

Fanfiction: O MENTALISTA - Capítulo 10: Rewind


Capa: Jessica Keli |Texto\Fic: Val Barreto | Beta: Joyce Cruz.

Trilha sonora do capítulo:

“O que agora é comprovado, antigamente era só imaginado.” (William Blake)

Van Pelt estava em pânico, seu coração batia descompassado, não apenas por ter deixado alguém com quem queria muito de estar, mas, porque depois de meses sem notícias do Red John, Jane tinha uma pista e talvez pudesse evitar que mais alguém fosse vítima do serial killer.

Ela dirigia o mais rápido possível até a CBI, suas mãos tremiam e sua testa suava diante da ânsia que a consumia. Taylor, por sua vez, trocava olhares entre a rodovia e o livro “A culpa das estrelas” que estava sob o painel do carro.
       
As palmas de suas mãos suavam levemente, enquanto as mantinha no volante. Ele estava frustrado pelo encontro interrompido, mas, aliviado por ter a companhia do livro em mais uma noite que não conseguiria dormir, pensando nela.

Van Pelt nem estacionou o carro direito e subiu pelo elevador, passando pelo corredor sem notar o quanto caminhava velozmente parando ao ver Jane com os olhos vidrados no computador. Ele tinha verdadeira aversão à tecnologia! O que poderia estar atraindo tanto sua atenção?

— Ainda bem você chegou. – Disse Jane com enorme euforia.

— O que houve? – Ela indagou aproximando-se da tela do computador e vendo a marca de Red John.

— Recebemos esse vídeo e precisamos que descubra de onde ele foi enviado. Recebemos uma mensagem e o vídeo em anexo no nosso sistema há uns 40 minutos. – Disse Jane virando-se em direção a entrada do departamento ao avistar Lisbon que foi logo falar com Van Pelt.

— Oi Van Pelt, rastreie de onde Red John enviou esse vídeo! – Ordenou Lisbon, impetuosa.

— Okay, chefe. Deixe-me ver o IP de onde o vídeo foi enviado.

            Van Pelt lê a mensagem que estava postada junto com o vídeo:

"Estou me tornando o que sou predestinado a ser. Os filhos de seus filhos vão me idolatrar".

Um calafrio percorreu seu corpo, mas, Van Pelt apertou o play para ver o vídeo. As imagens mostravam o percurso desde a entrada em uma casa, até o quarto em que uma garota estava deitada dormindo.

O assassino se aproximou do corpo e quase tocou a garganta da vítima, mas, apenas simbolizou como se fosse o detentor da vida dela. Sua ação denotava seu complexo de poder e superioridade.

O vídeo terminava nessa parte, ninguém sabia se aquela mulher havia sido vítima do Red John, então, Van Pelt rastreou o IP do computador que levou até um endereço.

O local rastreado ficava muito longe da sede da CBI e poderia não dar tempo de chegar até lá. Lisbon, então, passou uma mensagem no rádio para pedir que a viatura mais próxima fosse para lá.

Jane e Lisbon saíram na frente para verificar a ocorrência e logo atrás foram Cho e Rigsby. Van Pelt permaneceu para investigar o vídeo e as informações de envios daquele IP.

Quando Jane e Lisbon chegaram à casa, a porta estava aberta e a polícia já havia isolado a área. Estava confirmado: era uma cena de crime e a garota do vídeo estava morta.

Jane e Lisbon reconheceram o corredor que havia sido filmado e ao se aproximarem do corpo sobre a cama, coberto por um plástico, Jane olhou as dilacerações no corpo da mulher e a marca de Red John na parede: a carinha sorrindo pintada com o sangue da vítima.

Lisbon estava tão preocupada que não tinha muito a dizer. Ela apenas observava o jeito cético de Jane, não apenas ao olhar a marca na parede, mas, o corpo. Lisbon saiu para falar com Cho e Rigsby para ver o próximo passo da investigação.

Jane ficou sozinho no quarto da garota junto ao seu cadáver e longe dos olhares especulativos de Lisbon, ele olhou ao redor e quando ia começar a fazer uma leitura do ambiente, notou a sombra de alguém por trás dele: era o perito criminal.

— Então, temos uma nova vítima do Red John. – Disse o perito com certa ironia vestindo as luvas.

— Brett Partridge? – Disse Jane, surpreso, ao ver o perito se aproximar com seu olhar crítico que já o havia incomodado em outro suposto caso do Red John, há dois anos.

— Patrick Jane, o prodígio. – Disse Partridge. Jane sequer apertou sua mão que ficou estendida por alguns segundos, até se conscientizar de que Jane não o cumprimentaria.

Diante da tensão, Partridge fez seu trabalho como perito criminal e enquanto Jane olhava ao redor, ambos ignoravam a presença um do outro e observavam o quarto e o cadáver em cima da cama com grande concentração. Partridge parecia admirar o trabalho do Red John e Jane achava estranha essa admiração.
           
Brett Partridge olhou o corpo da jovem por algum tempo e, então, deu a hora e causa da morte. Encarando Jane de forma grosseira, falou:

— Pela rigidez do corpo, ela foi morta há menos de meia hora. A causa da morte: degolação, ela teve sua garganta cortada e ao romper a artéria principal sangrando até morrer. Com certeza ela teve tempo de ver o Red John enquanto ele a matava. Sortuda.

— Você é brilhante. – Jane disse com um falso narcisismo apenas para irritar Brett Partridge.

— Eu tento não ser o centro das atenções, ao contrário de você – Disse Partridge.

— Que amável. – Disse Jane com certa ironia, mas Partridge apenas o encarou e fez a pergunta que tanto queria:

— E então Jane, o que descobriu com seu velho ectoplasma psíquico?

Jane abriu um riso discreto, mas, com grande deboche, encarou Partridge nos olhos e então interpretou os traços indicativos que tinha recolhido da vítima e do ambiente. Ele deu um longo suspiro e revelou:

— A vítima é de Iowa¹, tocava violão, gostava de chocolate, sudoku² e snowboarding³. Ela era tímida, porém, forte. Era honrada, modesta. Não bebia nem fumava. Os pais morreram quando era pequena. Depois da faculdade praticaria direito de família, ajudaria crianças adotivas como ela ou seria cantora, mas, ela ainda não tinha se decidido. – Disse Jane, com falsa modéstia.

— E onde está Red John nisso tudo? – Indagou o perito, espantado.

— Não foi o Red John que fez isso. – Disse Jane arrumando o colete que vestia e, virando-se, notou que Lisbon estava na porta do quarto, aguardando alguma resposta.

— E então? – Lisbon perguntou sem disfarçar a ansiedade.

— Estamos lidando com um imitador. – Disse Jane.

Lisbon franziu a testa e saiu do quarto.

— Você parece desapontado. – Disse Jane olhando para Partridge.

— Talvez seja por eu estar no mesmo ambiente que você. – Partridge respondeu.

— Mas eu sou tão agradável. – Disse Jane.

— Idiota! – Disse Partridge.

— Talvez você esteja nervoso por estar em mais uma cena de crime falsa do Red John. Não é intrigante que você sempre aparece quando há um imitador? – Jane disse aproximando-se de Partridge e olhando firmemente em seus olhos, aguardando suas reações gestuais e emocionais.

— Acho que você já pode se retirar e me deixar fazer meu trabalho, porque eu não tenho seu ectoplasma psíquico, com licença. – Disse Partridge quase o empurrando da sua frente.

Jane saiu do quarto observando tudo ao seu redor. O que o perito, Partridge não sabia é que Jane não usava um ectoplasma psíquico, e, sim, seus poderes de observação e raciocínio dedutivo que o tornava tão único. As pessoas e o ambiente se comunicavam com Jane de forma expressiva.

— O nome dela é Marley Sparrow. – Disse Lisbon ao ver Jane se aproximar.

— Eu sei. Era só uma jovem garota. – Disse Jane.

— Ela tinha todo um futuro pela frente. – Lisbon acrescentou.

— Você está bem? – Jane indagou vendo Lisbon pensativa.

— Estou, mas, essa não é a questão, é? Como se não bastasse todas as vítimas de Red John, agora ele tem admiradores?

— Eu entendo. – Disse Jane sem muitas palavras a dizer.

— Eu vou ligar para Van Pelt. Quero sigilo absoluto sobre esse vídeo. Ele não pode vazar! Se essa moda pega, nem sei o que faremos! Um Red John já é o bastante! – Disse Lisbon afastoando-se.

Jane saiu do quarto e olhando um mural de fotos de Marley Sparrow, notou que havia as iniciais “GS” dentro de um círculo. Ele ficou pensando naquilo enquanto olhava as fotos do mural e então saiu da cena do crime em direção ao carro. Lisbon o seguiu e ao ver o semblante dela, Jane sabia que ela tinha péssimas notícias.

— O que foi? – Jane indagou antecipado.

— O vídeo está na internet e já se tornou viral. – Lisbon respondeu.

— Péssima forma de usar essa ferramenta. – Disse Jane, entrando no carro.

Rigsby e Cho foram designados por Lisbon para fazer uma investigação paralela com as fotos, enquanto Jane e Lisbon foram interrogar pessoas próximas à vítima. Em seguida, foram até a Faculdade em que Marley Sparrow estudava para falar com a colega de quarto de Marley.

— Olá! Gostaríamos fazer algumas perguntas. – Disse Lisbon a Ruth, colega de quarto de Marley e seu namorado que estavam sentados em um banco no pátio da universidade.

— Eu não sei quem pode ter feito isso com ela! Isso é horrível. – Disse Ruth.

— E você? Sabe se Marley tinha problemas com alguém que poderia ter feito isso com ela? – Jane indagou Dylan, namorado de Ruth.

— Cara, eu não sei. Todo mundo gostava dela. A Marley era uma garota muito simpática, sempre alegre, nem acredito que a mataram. – Lamentou Dylan.

— Sabe dizer se ela tinha algum namorado? – Jane indagou.

— Ela tinha sim, mas, ela nunca o apresentou. Nós o vimos aqui há dois dias em um carro velho. – Disse Ruth.

— Você se lembra que cor era o carro, a marca ou o modelo? – Indagou Lisbon a Ruth.

— Era um carro bem antigo e preto. – Ruth respondeu.

— Era um impala 67, preto. – Acrescentou Dylan.

— Você nunca viu o namorado dela?

— Como eu disse, ela nunca o apresentou para nós, mas, ela disse que ele era um policial, se não me engano. O nome dele era GradyShipp. – Disse Ruth.  Jane guardou aquela informação consigo.

— Okay, por hora é só isso. Obrigada. – Disse Lisbon e saiu do local.

— O que foi? – Lisbon indagou ao ver Jane a encarando no banco do carona.

— O nome do namorado da Marley, GradyShipp pode significar as iniciais “GS’ - Respondeu Jane refletindo por todo o percurso de volta à CBI.


[...]

Cho e Rigsby voltaram a CBI para analisar as fotos que haviam tirado do mural da vítima e Van Pelt fazia uma busca para ver quantos Impalas 67 preto havia na cidade para que pudessem descobrir o paradeiro de GradyShipp, aquele que foi mencionado por Ruth, como o namorado da vítima.

Van Pelt conseguiu encontrar o Impala mencionado por Ruth e, descobriu que GS era na verdade, Wesley Blankfein. Em seguida, realizaram uma busca na casa dele. Ele não estava, contudo, durante a busca, Cho ficou intrigado com o que viu na casa de Wesley: ele tinha feito uma espécie de altar com um espelho com a marca de Red John no centro e com fotos de Marley Sparrow e dele próprias fixadas em um espelho.

Rigsby subiu as escadas que davam para o terraço e ficou um pouco aterrorizado com o que encontrou lá cima. Cho o seguiu e também ficou um tanto perplexo.
            
No terraço, havia inúmeras faces da marca registrado do Red John na parede, um balde cheio de sangue e um pincel jogado no chão. Aquele era o local onde Wesley Blankfein estava treinado a assinatura de Red John. Ele havia treinado por toda a parede, desenhando com sangue a fim de aperfeiçoar sua prática.
           
Cho e Rigsby se entreolharam e avistaram uma pequena sala ao longe. Eles se aproximaram e notaram que havia um porco suspenso em um gancho e ambos respiraram aliviados por saber que não era sangue humano no balde.
            
Rigsby relatou tudo a Lisbon e voltaram a CBI. Eles não haviam encontrado Wesley no local, então, tentaram obter algum progresso olhando as fotos do mural da vítima, porém, não acharam nada suspeito.
            
Lisbon pediu para que Jane analisasse as fotos para ver se ele conseguia encontrar alguma coisa útil para ajudar na investigação. Uma foto atraiu a atenção de Jane: a de Wesley próximo a um semáforo. Não havia nada que indicasse que local era aquele, senão as iniciais “KC” que apareciam ao longe.
            
Jane refletiu por alguns segundos e saiu da CBI com a foto em mãos. Ele a olhava tentando descobrir de onde ela era, até que teve um momento eureka4 ao associar as iniciais “KC” ao logo da Kenny´sChilli, uma cadeia de fastfood que ficava ao sul da Califórnia, uma pequena cidade chamada Salinger Mill5.
            
Jane sempre memorizava logomarcas e essa sua peculiaridade lhe foi favorável naquela ocasião. Jane analisou a posição da luz solar da foto, através da sombra de Wesley, e, pela incidência de luz, deduziu que era numa tarde, pois o sol estava no oeste.
            
Aflito e inquieto, Jane não voltou para a CBI e como Lisbon não atendeu ao telefone para avisar sobre o local em que o suspeito poderia estar, ele mesmo foi até Salinger Mill em busca da localização da foto.
            
Jane indicou a localização de onde estaria deixando um recado na caixa de mensagens de Lisbon, e, apesar de no início querer esperar por ela, a curiosidade de Jane acabou sendo maior e ele resolveu entrar para dar uma conferida.
            
Ao entrar pela porta do que parecia ter funcionado uma loja de antiguidades, Jane notou uma sombra por trás dele, mas, antes que seu reflexo o fizesse desviar, ele foi golpeado na cabeça, desmaiando.
            
Lisbon recebeu o recado de Jane poucos minutos depois de ter sido gravado. Ela, então, dirigiu-se até o local indicado por ele, porém, como era um pouco longe de Sacramento, levaria um tempo até que ela chagasse até ele.

[...]

            
Anoiteceu. Jane tentava abrir os olhos, mas tudo que ele via ao redor se tornou vertigem e, quando ele acordou alguns minutos depois, tentou se mexer, porém, estava preso a uma cadeira.

Duas figuras apareceram em sua frente e uma terceira pessoa filmava tudo. Ao olhar para a câmera, Jane reconheceu que o cinegrafista era Wesley Blankfein, suspeito de matar Marley, mas, ele não estava sozinho.

— Dá um close em mim, seu imbecil! Filme aqui, eu sou a estrela principal desse filme. – Disse uma voz feminina.

— Luz, câmera, ação! – Disse uma voz masculina acendendo uma lâmpada e permitindo que Jane pudesse visualizar os assassinos de Marley.

— Ruth, até onde eu sei existem duas estrelas principais nesse Snuff Movie6, afinal, eu sou o produtor. – Disse Dylan, friamente.

Ruth e Dylan, os amigos de Marley que Jane e Lisbon haviam interrogado na Universidade, faziam SnuffMovies, filmes ilegais aonde pessoas reais são filmadas sendo assassinadas ou estupradas e mortas de verdade no filme.
           
Jane era o novo personagem que seria assassinado no filme que eles estavam fazendo.  Wesley Blankfein se aproximou de Jane segurando uma faca e se apresentou como GradyShipp.
           
Jane observava a cena, estava chocado por estar diante de adolescentes tão cruéis, dispostos a tirar mais uma vida apenas por um passatempo fútil.

Wesley olhou para a face de Jane e começou a dizer o que parecia ser um texto:

— “Essa noite você terá a honra de morte”. – Disse ele, mas, gaguejou e pediu para repetir a fala da cena.

— Que droga, Wesley! Concentr-se no GradyShipp, por favor! Tenha mais foco nesse papel. – Disse Ruth de forma agressiva. Ele olhou para Jane, respirou fundo e continuou com a fala:

— “Essa noite você terá a honra de morte, como um sacrifício para o mestre sagrado, Red John" – Disse Wesley.

— Você não precisa fazer isso, Wesley. Eles dois são doentes, mas, você não é como eles. Você não matou ninguém, não faça parte disso – Disse Jane.

— Eu e o Dylan somos doentes? Por que tem tanta certeza que somos apenas nós dois? - Ruth indagou querendo saber como Jane sabia que era ela e Dylan que conduzia aquele show de horrores.

— Vocês dois foram os únicos que mencionaram o nome de GradyShipp, que era na verdade um personagem criado por vocês.

— O que te faz pensar que não foi o Wesley que matou a Marley? – Ruth indagou, interessada.

— Eu sei que ele nunca matou ninguém. Foi o Dylan que a matou. – Disse Jane arriscando um palpite de que Dylan havia matado Marley. Jane adorava ver o assassino confessar o crime, ele era mestre nisso. E era notável que Ruth era mais obcecada por reconhecimento do que Dylan.

— Fui eu que matei aquela vadia. – Revelou Ruth.

— Okay, chega de papo e vamos continuar com nosso filme! – Disse Dylan.

Wesley pegou uma faca nas mãos e se aproximou de Jane para empunhá-la em seu peito, mas, antes de conseguir esfaqueá-lo, um tiro foi ouvido e todos olharam ao redor. Jane viu o sangue jorrando da cabeça de Wesley que deixou a faca cair e debruçando, uniu-se à faca que estava ao chão.
          
Dylan e Ruth olharam pasmos para a direção de onde o tiro foi disparado e, antes de dizer qualquer palavra, Dylan foi abatido instantaneamente. Seu sangue respingou no monitor da câmera que ele segurava.
         
Jane olhou os dois corpos caídos e tentou se virar para olhar quando avistou apenas uma pistola com silenciador. Ele fechou os olhos esperando o tiro em sua cabeça, mas, após o disparo, o corpo de Ruth foi ao chão, formando uma poça de sangue. Ela ainda estava viva e agonizando...

         
O atirador se aproximou um pouco mais e caminhou tranquilamente pelo salão e disse:

— Se tem algo que não posso tolerar, são imitações baratas do meu trabalho. - Disse a voz delicada, calma e suave...

Jane ouvia a voz atenciosamente, ela o havia atraído, pois, representava o visual físico de Red John. Naquele momento, Jane associava a voz daquele ambiente, à voz do perito criminal Brett Partridge e, diante da tensão, tentou se livrar das amarras e acabou caindo com a cadeira no chão.

O homem que se dizia o Red John se aproximou de Ruth e a esfaqueou no chão. Jane viu apenas seus pés andando pela poça de sangue verificando que, após o golpe, sua imitadora estava finalmente morta.

Depois de ver o último fôlego de vida de Ruth se esvair de seu corpo, o assassino direcionou sua atenção completamente em Jane e disse um tom maquiavélico:

— Você sabe quem eu sou?

— Sim, eu sei. – Disse Jane.

— Red John. – Sussurrou enquanto levantava a cadeira na qual Jane estava amarrado.

— O que você quer... de mim? – Perguntou Jane, aterrorizado, mas, com uma grande quantidade de ódio e rancor em sua voz.

Jane havia imaginado inúmeras vezes seu encontro com Red John, mas, a fantasia que o mantinha vivo, o propósito pelo qual ele trabalhava na CBI, estava longe de como ele havia imaginado matar o assassino de sua esposa e filha com as próprias mãos.
        
O algoz enigmático aproximou-se de Jane e colocou a mão delicadamente em seu ombro. Aquele toque causou grande repulsa em Jane que, ao se virar, apenas viu que o assassino usava uma luva preta e, pelo movimento de seus dedos em seu ombro, ele estava se abaixando para falar ao ouvido de Jane. Ele, então, sussurrou:

— Tigre, tigre que flamejas nas florestas da noite. Que mão, que olho imortal, se atreveu a plasmar tua terrível simetria?

Jane ouviu cada palavra e decorou cada sílaba fechando os olhos esperando ser abatido, tal qual Ruth, Dylan e Wesley, Porém, ao repetir aquelas palavras em sua mente, sentiu outro toque em seu ombro e ouviu uma voz que não esperava ouvir.

— Graças a Deus que você está vivo! – Gritou Lisbon desamarrando Jane da cadeira.

— Lisbon? – Jane perguntou incrédulo.

— Sim, quem pensou que seria? – Ela perguntou, mas, já sabia a resposta, graças ao estado deplorável em que Jane estava. Ela nunca o havia visto assim.

Jane relatou o ocorrido e ficou obcecado em decifrar o que significava aquelas palavras, entretanto, não disse nada sobre o que o assassino havia dito. Lisbon era desconfiada demais para acreditar que nenhuma palavra havia sido trocada.
        
O caso da morte de Marley estava resolvido, e, embora fosse frustrante não pegar quem matou Ruth, Dylan e Wesley, a equipe de Lisbon se reuniu para comer a pizza dos casos resolvidos. Jane, contudo, não tinha nada para comemorar. Ele apenas repetia as palavras em sua mente e aquele enigma o corroía, avassaladoramente.

— Você não quis comer a pizza? Você está bem? – Lisbon perguntou encarando Jane.

— Eu não estou bem. – Jane admitiu.

— Eu nem posso imaginar. O Red John matou três pessoas na sua frente, sei que essa será uma imagem difícil de esquecer. – Disse Lisbon.

— Tem razão, Lisbon, eu nunca vou esquecer.

— O Red John te disse alguma coisa?

— Não. – Jane respondeu seco, desviando o olhar.

— Não minta para mim, Jane!

— Não estou mentindo.

Jane sempre escondia as melhores partes de Lisbon, mas, ele tinha dito a verdade dessa vez: ele não tinha dito nada, tinha recitado uma estrofe da poesia “The Tiger”7, um poema lírico de Willian Blake, que se concentra na natureza de Deus e sua criação.

— Depois de tudo que passamos, você ainda não confia em mim! – Protestou Lisbon, saindo.

Jane voltou para seu quarto que ficava no sótão a CBI. Ele não dormia em sua casa desde que encontrou sua mulher e filha morta por Red John, mas, naquela noite, Jane estava interessando em voltar ao quarto de sua filha.
            
Ele foi para sua casa, e, ao entrar no quarto de sua filha, deitou sobre o modesto colchão que havia no chão. A casa não tinha nenhum móvel e estava encoberta de poeira, mas, ele precisava estar lá.
            
Jane repetia o poema incansavelmente e pela primeira vez em anos, ele adormeceu em sua casa, ele ouvia a voz que havia recitado em sua cabeça e imaginava como seria quando ele o mataria, e aquilo se estendeu pela longa madrugada, enquanto ele repetia e repetia:

“Tigre, tigre que flamejas nas florestas da noite. Que mão, que olho imortal, se atreveu a plasmar tua terrível simetria?”


Continua...

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¹Iowa – Iowa é um dos 50 estados dos Estados Unidos, localizado na Região Centro-Oeste do país. Noventa e dois por cento da população do Estado são de brancos. O maior grupo étnico do Iowa são os alemães, que compõem 35,7% da população do Estado.

²Sudoku – O Sudoku é um jogo de lógica simples que pode ajudar a melhorar a sua habilidade mental.

³Snowboarding – É um desporto que, tal como o skate e o surfe, consiste em equilibrar-se sobre uma prancha. Este, porém, se faz na superfície onde há neve na encostas de montanhas - como o esqui.

4Eureka – Eureka é a primeira pessoa do singular do perfeito do indicativo do verbo heuriskein, (ερίσκω), que significa "encontrar". Significa, portanto, “encontrei”. A palavra "Eureka" usa-se hoje em dia como celebração de uma descoberta, um achado ou o fim de uma busca. O termo “momento Eureca”, portanto, significa: momento de descoberta.

5Salinger Mill – Pequena Cidade da Califórnia.

6Snuff Movie – Filmes ilegais aonde pessoas reais são filmadas sendo assassinadas ou estupradas e mortas de verdade no video.

7The Tiger - Poema lírico publicado em 1794 numa coleção intitulada "Songs of experience" por Willian Blake.


NOTAS DA AUTORA: E aí? Gostaram de ver o grande Patrick Jane em ação? Pois é, nada passa despercebido e nenhuma informação é irrelevante. Comente sobre que acharam. Usem a tag no Twitter #FanfictionOmentalista que quero conhecer e seguir meus leitores de volta! Até o próximo capítulo.

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