14 dezembro 2016

Fanfiction: Uma Noite - Capítulo 2



CONTAR OU NÃO CONTAR, EIS A QUESTÃO




Pego o telefone, disco e desligo. Uma. Duas... e lá vai vezes. Sempre me acovardando.
Faço isso já tem um tempo depois que cheguei do consultório, e, desde então, entrei num dilema brabo. Rodando a mesinha central, onde deixei a foto do ultrassom, com a minha mão no quadril, olhos apertados, os lábios inchados de  tanto  morder,  cabelos  bagunçados  de  puxar.  Provavelmente,  pareço  uma louca. Não posso me conter. Estou muito ansiosa. Uma pilha de nervos!


Preciso contar para algm. Preciso falar sobre isso.

Não falar é uma opção agradável porque evita minha humilhação, mas, infelizmente, não adianta esconder. Não tem como esconder uma gravidez!

Planto a bunda no sofá, bufando em frustração.

Eu faço uma lista mental para quem eu preciso contar. Família. Amigos. Ele (?).
Me decido por meus amigos primeiro. Será mais fácil (?) começar por eles. Em seguida, entro em outro dilema porque preciso refinar essa escolha.

Para qual deles contar primeiro? Bela. Greta. Luigi.
E, por último, o quê contar? Tudo? Só a gravidez? Pego o telefone outra vez.




— Você parece diferente Luigi fala enquanto sirvo a sobremesa. Só balanço a cabeça e me sento, também.
Eu chamei minha tropa para jantar e cozinhei pra um batalhão. Eu gosto de cozinhar. Quando fico muito ansiosa ou estou muito chateada, eu cozinho.

Eles sabem disso. Eles sabem que algo vai mal.

Optei por trazer todos juntos e dar a notícia de uma vez, ao ins, de repetir o processo mais duas vezes. Será como tirar um band-aid.

Já quero chorar, mas não faço.

A melhor forma de lidar com isso é aceitando o inevivel, certo?

Eu amo seu mousse de chocolate, Lana — Greta geme com a boca cheia e pega outra generosa colherada do meu doce preferido. Derrete na boca... e esse gostinho de café no final, meu Deus?! Mmmm... Delícia!

Esboço  um  sorrisamarelo,  assistindo-a  lamber  a  colher  com  uma expressão de verdadeiro prazer.

Na verdade, não posso olhar muito para o mousse porque toda essa situação es me deixando muito enjoada. Não quero vomitar na frente deles.

Não falo muito, só sorrio consciente de como isso parece forçado.

Na sala, todos os olhos estão apontados em minha direção, como águias famintas querendo arrancar a bicadas a informação, que de antemão eu sei que eles, definitivamente, não esperam. Depois do Halloween nós mal nos falamos porque estive muito ocupada com meus trabalhos. Também não vi Taylor. Se disser que tive contato com extraterrestres, eles não irão estranhar tanto quanto eu disser que terei um bebê em menos oito meses. Bel é bem capaz de querer

detalhes sobre o tamanho, cor e circunferência, do pênis alienígena.  Por um momento até cogito o lance da abdução, mas logo a opção é descartada.

— E eno, Lana, qual o problema? Olho para Bel.
Esse é o mal da intimidade. Essa vaca me conhece bem até demais.

Por que tem que ter um problema? refuto, sentando-me com uma postura dissimulada, que nem o mais bobo acreditaria na despreocupação que tento passar. — Eu queria cozinhar e vocês gostam da minha comida.

Pelo olhar deles, nenhum compra minha desculpa.

Infelizmente, sou aquele tipo: o que a boca não diz, minha cara grita. Merda!
Eles não dizem nada, apenas me olham, sabendo que isso me deixa mais
nervosa a ponto não conseguir me segurar. É intimidante. Em outra situação, eu só daria o dedo para eles e os ignoraria indo fazer minhas coisas.

Começo a ter uma coceira imaginária por todos os membros. Salto do sofá, com um bufo pesado, que faz meu peito pular.
Certo. Eu tenho algo para falar digo, com as mãos nos quadris e, em seguida, começo a andar de um lado para o outro, a cabeça baixa. Pouso uma mão na testa e faço uma careta. — Na verdade, é mais um... anúncio.

Dou uma breve risada nervosa, sabendo que não há saída mais. Não sou tímida. Nunca. Não enrolo. Nunca.
Você tá namorando? Luigi pergunta, desconfiado. O mais leve brilho do que penso ser acusação cruza seu olhar.

— Não.

— Es saindo com algm?

— Não, Greta.

Aceitou vender os direitos de seu livro para Lionsgate?

— Claro que não, Bel!

tempos a produtora Lionsgate quer adquirir os direitos de um dos meus romances para dar vida a ele nas telonas. O que não vai acontecer nem em um milhão de anos. Não acho que existam atores bons o suficientes para fazerem jus aos meus personagens, Lola e Sebastian de Rosas&Espinhos. E também me recuso que transformem minha, linda, profunda e sexy, história em contos da Disney. Os fãs foram a loucura com a especulação bombando na web e tentam levar minha sanidade fazendo pressão para que aceite.  Não vai rolar. Never!

Certo Greta começa, curvando-se para frente. Isso é algum jogo de adivinhação? Ou vosó es tentando nos matar com o suspense?

Demoro a responder e eles saltam anos luz na minha frente.

— Conheceu alguém? — sonda Greta.

— Não.

— Es apaixonada?

— Não, Bel.

— É de cunho pessoal ou profissional? Luigi vai direto ao ponto.

— Pessoal.

— Não me diga que não é mais virgem? Greta es brincando, como sempre faz.
Eu não reviro os olhos, falo um palavrão ou mostro o dedo para eles como costumo fazer. Tenho a impressão que minhas bochechas até coram.

Os sorrisos morrem devagar e as expressões mudam no compasso.

Olhando para eles olhando de volta para mim, como se eu fosse de outro mundo, eu começo a ficar mais ansiosa. O jantar retorce em meu estômago.

A tensão cresce quando o silêncio perpetua. Meu estômago faz mais cambalhotas.
Antes que alguém diga algo mais, eu peço tempo e corro para o banheiro. Abraçada ao sanitário, eu vomito até as tripas.

Tomo  um  momento  para  mim,  respirando,  e,  de  repente,  estou  muito cansada.

Duas batidas na porta seguidas pela voz preocupada de Bel soam do outro

lado.



Lana es tudo bem? Dou descarga.
— Es tudo bem — garanto. — Eu já vou sair.

Ouço ela se distanciar e, em seguida, escovo os dentes e lavo o rosto.

De volta à sala, eu não me sento. Meu estômago ainda não es legal, mas

não há nada mais nele, nem mesmo água, para sair. Tudo ficou no banheiro.

— Você estava vomitando? — especula Bel. Greta se endireita.
— O que foi? Es doen...?

— Estou grávida solto de uma vez. E o mundo para de girar.
Essa é a sensação que tenho com o absoluto silêncio que se segue nos rostos mais pálidos que o meu, olhando para mim como se eu tivesse falado em árabe.

Para mim também foi um choque então dou o tempo deles.

Sorrio, apenas a comissura dos meus lábios, completamente sem jeito.

Luigi é o primeiro a reagir, claro!

Ele se move para frente, os braços apoiados nos joelhos, olhos inexpressivos em mim, as mãos juntas. Ele parece meio paralisado, para dizer o mínimo.

— Repete — ele diz em tom pausado. Eu suo.
— Estou grávida.

Eles riem, assim, do nada. Riem mesmo.

Eu fico lá com a maior cara de tacho, entendendo nada vezes nada. Num instante, estou chateada. Cruzo os braços e olho para eles com cara feia.

Okay, okay Luigi diz quando se controla. Isso é porque sempre pegamos no seu com as brincadeiras? E agora vo quer pregar uma peça em nós?

Tirar o lacre, okay. Mas grávida? Nah! Bel refuta com um balanço jocoso de mão, e eu não posso culpá-la. Ela sabe que não sou irresponsável. Se bem que agora talvez seja um bom momento para repensar o significado de ser responsável. Boba. Onde estava com a cabeça ao achar que acreditaríamos nisso? ... Grávida! Humpf! Ela ri. Aliás, precisa nos dar detalhes da sua primeira vez, se é que isso também não faz parte da brincadeira.

— É, boa tentativa, garota — Greta diz, rindo. Esses filhos da puta...
Piso até a cômoda, pego a foto do meu brotinho e esfrego na cara deles. Am! Quem es rindo agora, hein?
Silêncio. Mais e mais. Um caminhão. Posso ouvir os grilos na cabeça.

Todos  os  três  estão  paralisados,  exceto  pelos  olhos  oscilando  entre  a imagem e eu, mais precisamente minha barriga ainda plana.

Séculos se passam.

Bato as mãos juntas e tento acabar com aquele desconforto. Talvez eles precisem dessa noite para digerirem a notícia. Eu darei isso a eles.

— Bom... É isso! Obrigada pela presença de todos...

Espere aí! exalta Bel, erguendo o dedo. Como assim, grávida? Isso... isso é realmente o que estou pensando que é? — ela aponta para a imagem.

— Isso significa que não é mais virgem mesmo — medita Greta. Faço uma careta. Ela realmente parece espantada.
Quando isso aconteceu?

Pego a foto de Bel. Achei um pau digno e rolou. Simples assim.

— Isto ainda não explica como e quando isso aconteceu.

Eu abro a boca para responder, porém mais perguntas soam. Uma atrás da outra. Fico até sem fôlego. Minha voz é engolida por elas.

Afundo a bunda no sofá antes que minhas pernas moles cedam. Luigi es calado, olhos fixos em mim, me deixando roxa.
Não aguento mais e pulo em pé.

— Eu fodi. Adeus virgindade. Glória Deus! Engravidei. Foi um vacilo gigantesco e estou bem consciente disso. Não sou a primeira e tenho a maldita certeza que não serei a última a cometer um erro besta desses. É isso.

— Nossa! — Greta e Bel dizem juntas, chocadas.

Preciso de água. Vou até a cozinha e pego um pouco para mim.

Não sabíamos que estava saindo com alguém Bel diz com acusação quando retorno. Achei que falássemos tudo um para outros. Essa é a regra.

Sério? Não lembro de vo anunciar suas escapulidas com Tarik até que estavam namorando a sério. Ou será que disse e eu perdi isso?

Ela se cala, cruzando os braços e me fuzilando.  Ela sabe que tenho razão.

— Então foi de uma noite — Greta conclui.

— É.

Quem é?

— Ninguém.

Oh, não me diga que seu dedo libera esperma? Fuzilo Bel.
Quem é ele? — Greta pergunta.

— Eu... prefiro não dizer — falo, realmente, desconfortável. Bel salta, com as mãos na cintura.
Como assim, prefere não dizer, cacete? Você nos joga uma notícia dessas e não quer contar quem é o pai? Ela para, eu vejo as engrenagens de seu cérebro girarem buscando os possíveis doadores de esperma naquela noite. Oh, meu Deus, vo fez um trio? Na sua fodida primeira vez vo fez um trio? É por isso que não quer contar? Não sabe quem é...?

— Você foi abusada? — Greta pergunta baixinho. É minha vez de ficar chocada.
Foi muito consensual. Olho para Bel. Não foi um trio e eu sei muito
bem que é o pai, palhaça. Só não quero falar... ainda.

— Por quê?

— Porque não quero.

— Porque não quer não é resposta, vaca — Bel retruca.

— É sim! E é a única que vou dar.

Bel abre a boca, mas é a voz de Luigi que soa.

— Você teve sua primeira vez com um cara qualquer? E sem proteção? Me encolho um pouquinho, rubra da cabeça ao dedão do pé.
Eu juro que entendo o espanto de todos.

Não foi algo planejado. Reviro os olhos em mente.
Quem planeja um descuido desses?

Uma alpinista social?

Eu não sou uma. E, definitivamente, não preciso de homem para nada. Sobretudo, quando se trata de dinheiro. Eu ganho muito bem mesmo.

Lana — Luigi chama minha atenção, a voz um pouco mais forte.

Penso em Taylor, nas minhas considerações sobre ele. Ele não tem grandes representações para mim, mas também não é um completo desconhecido.

— É complicado.

No momento em que as palavras saem, eu sei que fiz um uso mal.

— Puta! Então você estava vendo alguém? acusa Bel.

— Não.

— Como não? Você acabou de dizer...? Luigi a corta.
— Explique.

Suspiro rendida e rolo os olhos.

A coisa sobre Luigi é que não posso mentir para ele. Nunca consegui. Mas sei que ele vai respeitar minha decisão de não contar sobre quem é o pai.

— Eu o conheço, mas não estou saindo com ele. Foi uma única vez.

— Premiada, hein?

Olho para Greta. Ela es sorrindo, só sorrindo. Eu me espelho nela.

— Espero que a foda tenha sido muito boa.

— Tão boa que engravidei — brinco, disfarçando meu embaraço. Greta se levanta e me abraça.
 Parabéns!   Ela  puxa  pra  trás.   Queria  dizer  que  sua  pele  es
brilhando e tals, mas, se não dissesse que es grávida, eu nunca adivinharia.

— Eu sei. Também é um choque pra mim resmungo.

Imagine pra nós ela zomba, rindo. Sempre iremos apoiar um ao outro, e agora não será diferente. No que depender de mim, pode contar comigo para cuidar desse lindinho ou dessa lindinha da tia — ela acaricia minha barriga.

Eu sorrio, mas fico séria no minuto seguinte quando Bel se aproxima.

Esperem aí! ela chega já empurrando Greta de lado, me abraça forte, delicada como uma égua, como sempre. Parabéns pelo bebê. Eu vou amar mimá-lo e estragá-lo muito. E sim, vamos te apoiar, comprar fraldas, trocar e levar pra passear. Mas tem de combinar comigo, garota, essa notícia é pra dar pau em qualquer cérebro. Acho que vou precisar de todos os meses para ele ou ela nascer para digerir isso. Quanto tempo?

Eu quase morro de alívio.

Oito meses. Talvez menos.

Ela para por um segundo, os olhos apertados.

Quando?

— Finalzinho de Julho.

— Estou falando da foda premiada.

Ah!

— Eno?

Três pares de olhos estão em mim.

— Halloween.

— Naquela festa que fomos?

— É — digo a contragosto.

— Com alguém da festa?

Bel tem essa veia investigativa, que em outros momentos, é fanstica.

— Sim. — E acrescento. — Chega. Não vou dizer mais nada.

Expressões contrariadas me enfrentam, mas eles vão me respeitar. Eles sempre fazem. Isso não os impedem de tentar puxar os detalhes mentais, no entanto.

Luigi se levanta com um sorriso e me tranquiliza de imediato. Dentro do seu abraço, eu relaxo de verdade. Toda a carga de tensão deixa meu corpo.

Ele deixa um beijo em minha testa, mas não me solta.

Eu não sei se parabenizo ou te coloco em meus joelhos. Eu começo a contrariar, porém, ele põe o dedo em minha boca. Mas, uma vez que deixar seu rabo gordo vermelho não desfará seu erro, meus parabéns.

Obrigada.

Não vou dizer que estou feliz, também não estou triste. Só... Precisa nos dar um tempo para digerir a notícia. Ele olha para as meninas e de volta para mim. — Eu sei que eu preciso.

— Estamos no mesmo barco — brinco, consciente da verdade nisso.

Sempre iremos nos apoiar e nos respeitar mutuamente, assim como sempre iremos puxar a orelha um do outro quando fizermos merda. E eu espero que suas futuras fodas sejam mais responsáveis e prazerosas.

Oh, foi prazeroso pisco, safada. Ele faz uma careta.
— Você entendeu o que eu quis dizer. Eu aceno que sim.
Quanto ao pai, se quiser me ligar em privado para contar...

Teu cu, viado! Greta e Bel xingam, fuzilando Luigi. Se contar para ele e não dizer para nós, mana, acredite, nossa relação acaba. Não tem volta.

Todos os três me olham, esperançosos.

Eu não estou pronta ainda, mas quando estiver se é que algum dia estarei pronta, penso em segredo —, os três saberão ao mesmo tempo.

Eles parecem derrotados, doidos para brigarem por isso, mas impotentes.

Bel colocará sua mente maquiavélica para funcionar, pensando na noite daquela festa. Eu sei. Entretanto, este é um risco que estou disposta a correr.

Depois que eles vão embora, eu me sinto mais leve que há três dias. Estou indo para cama quando tenho um insight.
Bel é namorada de Tarik.

Ela é bocuda e, muito provavelmente, neste exato minuto, ela está no telefone com ele.

Tarik é amigo e assistente de Taylor. Meu Deus!
Levo um minuto inteiro para pensar...

Tiro uma foto e envio para Taylor (tenho o contato do tonto porque, de alguma maneira, ele conseguiu meu contato). Só a imagem. E desligo o celular.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Deixe seu comentário! A sua opinião sobre as fanfics é muito importante para que os autores continuem escrevendo. Fale sobre o mais gostou, sobre o que espera ler nos capítulos seguintes. Comente sobre seus personagens favoritos e os que mais detesta. Não deixe de comentar, seja mais ativo e evite que as fanfics entrem em hiatos por desmotivação da autora em escrever. Não seja um leitores fantasma. Comente agora mesmo!

DEIXE SEU RECADO!

SITE DE NOTICIAS - TAYLOR LAUTNER MANIA