28 dezembro 2016

Fanfiction: Uma Noite - Capítulo 4



O PAI




No outro dia, é perto do meio dia, quando a campainha toca e sou surpreendida com uma caixa retangular achatada envolvida em um laço branco delicado, balões azuis e cor de rosas, e um grande buque de flores silvestres. Sorrio. Imagino que seja obra dos meus amigos.
Aqueles pilantras estão tentando comprar informação! Sem chocolate, sem chance de negociação. É a regra.
Deixo a caixa na mesa junto com os balões, e, em seguida, arrumo um vaso para as flores e coloco no aparador do lado da porta. É um belo arranjo. Vou para a caixa e agarro o cartão.

Parabéns para nós!
TL

Eu leio outra vez. Sem palavras.
Abro a caixa. Dentro, um minúsculo macacão branco e cinza de  toquinha.
Em algum nível, isso me agrada... muito.
Eu fico lá, olhando para a roupinha macia em minhas mãos, com ardor de lágrimas nos olhos. Estou emocionada. Essa é a primeira coisa oficial do bebê, e ele me deu.
Não sei bem o que pensar. Sua atitude me deixa sem ação. Penso em ligar para Taylor e agradecer, mas decido não fazer.
Boa parte da tarde eu passo escrevendo meu novo romance. Luigi me liga para saber como estou, e claro, tentar a sorte. Quem sabe eu não mudei de ideia? Ele diz. Bel e Greta pensam a mesma coisa. Eu nego sabendo que isso só atiça mais, porém não ligo. Sei que não há maneiras no inferno que eles descubram meu segredinho sujo.

É quase noite quando decido que não posso continuar escrevendo. Desligo o computador, tomo um banho quente e preparo minha comida.


Levo meu jantar para sala comigo e ligo a televisão em um programa qualquer. Uma hora depois, zapeio pelos canais e paro em um filme de terror. Possessão. Divido minha atenção entre a televisão e o Instagram. Respondo boa parte das mensagens do Direct e outras tantas das minhas postagens. Eu gosto desse link direto com meus leitores. Eles não são apenas um número. Eles são praticamente da família. Jogo uma olhada para a tela da televisão e de volta para  o celular. Decido bisbilhotar por nenhuma razão em especial...
Eu salto, a coluna ereta como uma tábua.
Não pelo filme, mas pela notícia medonha na tela do meu celular. Mortificada.
O coração na garganta.
Meu sangue corre para os ouvidos e meus olhos incham em choque.
A última foto recente postada por Taylor é do próprio, só metade do  rosto – muito bonito, mas ordinário que só Deus na causa –, com a minha foto que ele roubou ontem.
Leio a legenda com emojins, sem acreditar no que estou vendo.







Eu vou matá-lo!
Taylor postou não tem nem duas horas e a foto já ultrapassa de 500 mil curtidas. Outros tantos de milhares de comentários. Muitos emojins de choque. Parabéns e lamentações.
Eu quase tenho um treco! Eu vou ter um treco! Estou tendo um treco! Por que no inferno ele fez isso?


Ele disse que me daria alguns dias, droga!
Revoltada, eu salto em pé andando de um lado para o outro, a mão no quadril, bufando de raiva. Poderia causar terremotos. Ligo para o infeliz. Taylor atende no primeiro toque.
  Que merda é essa que você fez?
  Lana?
   Não, palhaço, o capeta — praticamente grito. — E, se não começar a me explicar direitinho aquela idiotice no Instagram, você vai falar diretamente com ele. Porque eu juro que te mato, Taylor. Onde merda você estava com a cabeça pra postar aquela foto, maldito?
  Lana, babe, se acalme, por favor. Sua calma me faz faiscar.
  Não sou seu babe, porra!
  Pense no bebê.
Golpe baixo, porém ele consegue.
Afasto o celular, agora, as duas mãos no quadril, abaixo a cabeça baixa e fecho os olhos, puxando um punhado de respirações profundas. É tudo inútil.
Mais controlada, mas não menos furiosa, eu discuto:
  Você não disse que me daria alguns dias? Vê? É por essas e outras que eu não consigo olhar pra esse seu tipinho com bons olhos. Falta palavra. Honra. Decência, caralho! Tudo pra vocês é sobre aparecer na porra da mídia, né?  Caguei, tiro foto e mostro. Porra!
  Eu estou indo aí.
  Faça isso. Mas deixe seu testamento assinado — ameaço.
Tensão ata meus músculos. Minha mandíbula tão apertada que chega dói enquanto faço um buraco no chão. Fico tão fula que não sei do que seria capaz se olhasse na cara dele.
Escuto Taylor respirar do outro lado.
  Tudo bem, Lana. Podemos conversar de boa? Respira. Respira. Respira.
  Fala.
    Eu não descumpri minha palavra. Não toquei em seu nome para ninguém, exceto para os meus pais. Eu tinha que dizer a eles, assim como suponho que fará com os seus.
Eu paro, contendo minha vontade de arrancar os cabelos.
  E o que isso tem a ver com você postando aquela foto?
   Foi acidental — ele ri. Eu xingo para sua piadinha interna. — Espere Lana ele se controla e esclarece. Mais cedo, quando estava saindo da loja


infantil, haviam alguns paparazzis... Não foi planejado. Estava passando, vi a loja, achei interessante e entrei. Sabia que surgiriam especulações no segundo que as imagens caíssem na rede. Eu só me adiantei.
  Você não pensou que meus amigos iriam ver?
  Sim.
  Sim?
  Não é relevante, Lana. — ele faz soar cansado. — Eu sou a celebridade com quem você nunca se envolveria. Seus amigos nunca te ligariam a mim, certo?
  Você só está sendo um chato, Lautner — ralho ainda mais brava.
  Muito honesto pra você?
Eu juro que posso sentir o sorriso dele na voz.
Tonto.
Irada, eu desligo na sua cara e, em seguida, chega uma mensagem.

Gostou do presente?

Espremo os olhos. Não respondo.
Fico tão brava que não sei o que pensar.
Taylor me envia mais duas mensagens. Eu não olho.
Espero meus amigos ligarem. Nada. Nenhuma ligação. Somente a mensagem corriqueira de Bel e Luigi para saberem como estou, e mais tarde de Greta. E, desta forma, seguem os próximos dois dias. Fazemos um jantar na casa de Bel e Luigi, Tarik participa, mas ninguém fala de Taylor e seu anúncio para o mundo. Com o cu na mão, eu meio que espero que eles façam uma ligação aqui. Uma suspeita. Coincidência. Qualquer coisa. E nada. E, enfim, eu tenho de dar o braço a torcer. Taylor tem razão. O que me alivia e preocupa ao mesmo tempo.
Com que cara vou contar pra eles?
Eu confesso que fiquei um pouquinho desapontada com a falta de suspeita deles com essa puta coincidência. Não sei se seria mais fácil assim.  Tenho a impressão que sim.
Isso é como uma bola de neve, quanto mais ela rola, mais ela cresce.
Não são apenas meus amigos que me preocupam, minha família também. Não quero que nenhum deles receba a notícia através dos sites de fofoca. As informações correndo na web me deixam no fio da navalha. Eu fico meio louca, paro o trabalho e gerencio o Google atrás de qualquer especulação que vincule Taylor e eu. A internet bomba com a novidade do chato – muitas especulações equivocadas, ex-namoradas e possíveis affairs –, ensandecida para saber quem é a “mãe-sortuda”, é assim que eles me chamam, como se isso fosse mais importante do que a descoberta da cura do câncer. Bando de desocupados! Rolo tanto os


olhos que é um milagre eles continuarem firmes em meu rosto. Mas não encontro nadinha nos ligando.
Eu deixo esses dilemas para depois e me concentro nos meus pais. Dois dias antes do Natal, eu vôo para o Brasil e me encontro com eles e minha nonna em seu sítio no interior de Minas Gerais. Resolvo abrir o bico no mesmo dia. E como premeditado, eles ficam chocados, bravos e, enfim, resignados e contentes. Bem, nonna Ana não vê qualquer problema. Ela está pra lá de feliz por estar viva para conhecer seu bisneto ou bisneta. Não que ela seja muito velha. Nonna tem somente 65 anos. Susana, minha mãe, é filha única. Eu sou filha única, também.
O tempo todo mamãe me oferta seus olhares encorajadores. Ela engravidou de mim em sua primeira vez, também. Nenhum pouco irônico, hein? De fato, a maçã não cai longe do pé.
Papai é único preocupado sobre o pai do bebê.
Antonio Bianchi é CEO da Notre Dame Enterprises, uma empresa de telecomunicações fundada na Itália, onde ele e mamãe moram. Papai é italiano e mamãe brasileira. Ele sempre preservou nossa intimidade. Seu rosto raramente é fotografado, e o mesmo se estende para o resto da família, sobretudo, comigo. Eu gosto da privacidade, também.
Taylor e seu estrelato são um problema.
Depois que as festividades terminam e eu atingi com êxito a missão de vida da nonna: engordar, eu vôo direto para as Ilhas Maldivas. Meu trabalho esteve em pausa devido aos últimos acontecimentos, quando antes eu não  passava um só dia sem escrever, nada mais justo que agora busque inspiração em um paraíso natural. Eu amo mar e sol, e amo escrever. Ser escritora é  maravilhoso. É tudo sobre sonhos e experimentações. Mas ser uma escritora de sucesso é melhor ainda. Eu posso escrever em qualquer parte do mundo que me inspire, conhecer um pouquinho de tudo, ter acesso a coisas que a maioria nem sonha como naquela vez que visitei a Mansão Lust, uma espécie de casa dos prazeres frequentada por pessoas super exclusivas. Um lance mega secreto. Carregado de luxo e prazeres de todos os tipos. Essas coisas não são divulgadas  no boca a boca, mas eu tenho meus meios secretos. E eu amo fazer laboratórios antes de entrar de cabeça em qualquer história que estou escrevendo. Já troquei ideias com uns foras da lei, aprendi a arte do strip tease e da lap dance, e nem estou falando sobre as manhas de golpes aplicados todos os dias por prostitutas nos cassinos de Las Vegas.
Eu tinha sido uma virgem, não uma boba.
Então Taylor, o chato bundinha de ouro, aconteceu.
Olhando para o meu reflexo no espelho do chalé, onde estou hospedada, com a blusa levantada, eu busco por alguma mudança. Nada de saliência, exceto por meus seios inchando.
Está muito cedo ainda.
Deixo o espelho e levo meu notebook comigo para a cama.


Hoje amanheceu nublado, a chuva esparsa não deu trégua. Não acho ruim. Na verdade, é até bom. E também não é como se fosse um grande sacrifício ficar presa em meu chalé.
Está fresquinho. Eu tenho bebida e comida. Está tudo bem!
Em minutos, começo a escrever dando continuidade a minha história e, como sempre, eu me perco mal vendo à hora passar. O barulho do celular tocando me traga de volta.
  Alô.
  Onde você está?
Eu paro, demorando dois segundos para reconhecer a voz.
  Não é da sua conta, chato.
  É da minha conta quando você carrega meu filho, Lana.
  Se te faz feliz pensar assim, siga em frente. Eu tenho que des...
  Lana — ele começa em tom adulador. — Não pode fazer isso.
Suspiro, colocando o notebook de lado e me encosto contra os travesseiros.
  O que você quer, Lautner?
  Onde está?
  Nas Ilhas Maldivas.
  Sozinha?
  Não.
A linha fica muda por um minuto inteiro.
   Certo. Você e o bebê — ele diz soando mais como uma pergunta do que qualquer outra coisa e espera que eu confirme, coisa que eu não faço. — Como vocês estão?
Eu faço uma pausa, enrubescendo com a pergunta trivial. Não sei por que raios estou encabulada com isso. É bem irritante. Rolo os olhos para minha estupidez.
  Estamos bem — respondo a contragosto.
  Bom... Eu também estou bem, obrigado. — Franzo a testa. Ele não soa irritado, senão divertido. E eu não posso me ajudar. Sorrio de leve. — Não que  isso faça diferença para você, mas eu sinto a sua falta, menina bonita. — Ele ri. — Agora, veja se isso não é loucura?
Taylor completa quando não falo:
  Suas festas foram boas?
  Uhum.
  Bom. Muito bom... Eu gostaria de tê-las passado com vocês.


Estreito os olhos.
  Lautner estamos tendo um bebê juntos, não um relacionamento.
  Quando vai voltar Lana?
Quando me der na telha.
Mordo a língua contendo o impulso.
  Em cinco dias.
   Não demore mais que isso, menina bonita. — A advertência está lá, tão sutil quanto o mais leve roçar de uma pena. — Cuide-se. E me encontre em seus sonhos quando dormir.
Taylor desliga antes que eu possa puxar uma respiração.
Fico olhando para o celular sem saber o que fazer. Em alguma parte, eu sinto um fio de entusiasmo e orgulho feminino. Porém, afasto a sensação com uma sacudida mental.
Taylor não ligou até este momento. Ele me mandou mensagens, ao invés. Textos simples de “Feliz Natal” e “Feliz Ano Novo”, que mexeram com meu humor. Não respondi.
Eu não sonho com ele, pelo menos, não todos os dias. Se isso não é macumba, eu não sei o que é.
Não ligo para ele quando aterrisso em LA e nem atendo seus telefonemas ou respondo suas mensagens. Eu sei o que Taylor quer – as duas coisas. Eu não estou disposta a dar nenhuma delas para ele. Com certeza, seria mais fácil se ele simplesmente ignorasse.
Os dias correm e eu faço o meu melhor para evitá-lo. Marco minha próxima consulta para daqui uma semana.
E, enfim, decido ir ao sítio, onde Luigi, Greta e Bel vivem, onde também vivem os meus cachorros. Eu amo esses bichos. O problema é que amo os grandes e não posso mantê-los no meu apartamento, assim, eles ficam no sítio, onde há espaço de sobra para eles.
São três: Duque, o Rottweiler. Ariel, a Labradora. Moreninha, a Vira-Lata.
Luigi vive me chamando para morar com eles. A casa é espaçosa o suficiente para quatro ou até mais pessoas viverem, e o lugar é nosso ponto de encontro perfeito para relaxar com os amigos. Eu adoro aquele espaço, o ar  puro,
o cheirinho da terra molhada quando chove. Mas também amo minha privacidade, ter meu próprio canto. Eu admito, sou individualista.
No momento em que desço do carro, eu sei que a escolha do dia para  uma visita foi péssima. Tenho uma leve sensação como um pressentimento quando pesco a imagem de Taylor sentado na varanda com meus amigos e os dele. Desde que Bel começou a namorar Tarik, o sítio é constantemente frequentado por seus amigos sem teto, também.
Respiro fundo, ergo a cabeça e caminho na direção deles.


Estarei morta antes que permita que ele me afete ou, pelo menos,  perceba isso.
Eu não olho diretamente para Taylor, mas não perco seu olhar duro. Ignoro, deliberadamente.
Meus cachorros me alcançam na metade do caminho, quase me derrubando na grama quando pulam sobre mim. Eu caio de joelhos e deixo eles me lamberem o quanto querem. Fico toda babada, mas não ligo. Essa é a forma deles demonstrarem amor. Eu levanto minutos depois dizendo que é suficiente, mas eles não entendem bem e não são muito obedientes.
Olho para mim mesma.
Minha regata branca está suja e com pelos, meus braços com baba e  terra. Meu cabelo castanho está uma bagunça na minha cabeça. Um banho é uma boa pedida.
Levanto o olhar para a varanda quando volto a caminhar com meus bagunceirinhos rodeando meus pés e faço uma breve pausa. Taylor está em pé me olhando bravo. Ele parece pronto para me dar uma bronca. Endureço e lhe lanço um olhar antes de voltar a andar.
     Deveria tomar mais cuidado — ele rosna quando estou perto o suficiente.
Bel, Luigi, Tarik e outro cara amigo do tonto estão bem atrás dele, ocupando os sofás e cadeiras. Pelo olhar deles, eu sei que escutaram Taylor me repreender.
Eu olho dissimulada, doida mesmo para mandá-lo se ferrar.
  Obrigada pela preocupação, Lautner.
   Estou falando sério Lana. — Lhe dou outro olhar de advertência. Ele não liga e eu gelo, com medo e raiva. — Eles são irracionais. Você está grávida e eles poderiam te machucar.
Fico puta por dois motivos.
Primeiro, por ele, na frente dos meus amigos, fazer parecer como se tivéssemos intimidade. Fodemos, mas não há intimidade aqui. Segundo, por falar mal dos meus cachorros.
Cerro os olhos, planto as mãos no quadril e me inclino para frente, querendo dar um tapa nele. Ou melhor, mandar meus bebês darem uma mordida no rabo dele.
   O único que pode se machucar aqui é você, Lautner, se não parar de dizer asneiras e ficar me chateando com isso.
  Okay, okay — Bel chega do nosso lado e me abraça. — Eles não vão te machucar, mas Taylor tem razão. Eles são irracionais e você está grávida. Eles podem te ferir sem querer.
Fito Taylor com ódio. É irracional, eu sei disso, porque eles têm razão.


Puxo para trás, olho de volta para Bel.
  Como está, mamãe?
  Bem.
   Estou vendo. Quando for novamente para as Ilhas Maldivas, irei com você. O bronzeado tá lindo — pisca e, em seguida, toca minha barriga. — Oh, será que temos algo aqui?
  Efeito nonna — resmungo com leve humor.
Da minha periférica, eu monitoro Taylor. Ele se senta ao lado do amigo baixinho que não posso recordar o nome. Tarik se inclina para ele e eles cochicham sob meu olhar.
Se esse chato soubesse o quanto quero dar nele agora.
Luigi joga uma bola longe e os cachorros saem correndo atrás, então ele me cumprimenta com um forte abraço, não se importando com minha sujeira. Seu braço continua ao redor da minha cintura. Taylor conversa com os outros, mas não para de me olhar de rabo de olho.
Dou um “oi” pra geral.
  Precisa de um banho, sujinha — Luigi zomba.
  E eu não sei? Parecem que não me vêem a vida toda!
  Você passou semanas sem vir — ele lembra.
  Eu sei, eu sei. Minha culpa. Vou tentar não me ausentar tanto.
  Ou poderia...?
  Não — corto-o. — Estou bem no meu apartamento. Eu estive ocupada com as festas e o lance da gravidez, mas vou me reorganizar para passar mais tempo com eles.
  Talvez — ele começa e eu lhe lanço um olhar, — só dizendo que talvez seja bom que agora que está grávida não fique sozinha lá. Você pode precisar de alguém.
  Gravidez não é doença, Luigi.
Ela balança sua sobrancelha para mim. — Você é nova nisso, Lana.
  Eu sou muito capaz de aprender — aponto. — E outra, se precisar, eu vou gritar. Não sou tão orgulhosa assim. — Ele me olha com dúvida. — Agora, onde está Greta?
  Cozinhando.
Minha expressão espelha a sua, doente.
Greta adora fazer experimentos na cozinha. Prática leva a perfeição. Isso, no entanto, não vale para ela. Não importa o quanto ela tente, nunca sai bom. Ninguém jamais disse algo, porque não queremos ferir seus sentimentos. Além do mais, ela toma isso como uma terapia.


  Jantar fora? — sugiro baixinho com um olhar esperançoso.
  Pode apostar sua vida.
     Ninguém vai jantar fora porque estou cozinhando — ela ralha, orgulhosa, da porta, uma jarra de chá gelado em uma mão e um prato com algum tipo de mini bombas na outra.
  Que maravilha!
É, isso não saiu tão bem.
Ela dá de ombros e se aproxima me dando um beijo, e, em seguida,  coloca as coisas sobre a mesa de centro dizendo um animado “sirvam-se”. E todos obedecem, exceto eu.
  O que é isso? — Bel pergunta com excitação.
É tudo mentira! Posso ver o medo em seus olhos a quilômetros de distância. Ela olha para o prato como se olhasse para um assassino. Tarik é o primeiro a comer e faz uma careta.
  Que porra... — ele para abruptamente com a cotovelada de Bel, Greta não vê, entretida com o veredicto de Luigi, e então, ela se virá para Tarik olhando ansiosa, e ele dá um sorriso dissimulado. — Que porra maravilhosa é  essa? Precisa me dar a receita, Greta.
Ele ganha um punhado de pontos, sobretudo, de Bel. Os outros comem com caretas felizes, recitando elogios politicamente corretos e bebendo uma porrada de chá por cima.
Greta quase morre de felicidade. Tadinha.
   É uma receita nova Tarik. Figo com queijo cremoso e presunto cru. É bom, né? Eu tenho mais lá dentro. Se não comerem tudo, eu vou fazer uma vasilha pra você levar.
Eu mordo o lábio para não rir da sua cara. Ela me olha animada.
  Experimente.
  Passo.
Sua expressão cai.
Os  outros  me  dão  uma  olhada  feia.  Eu  não  me  sinto  culpada.   Não
mesmo.
  Eu sei que não cozinho tão bem como você, mas juro que está bom  
ela diz de forma modesta. — Eu me dediquei bastante. Garanto que ficou igualzinho o da receita.
    Aposto que sim — sorrio confiante. — Eu gostaria de provar. Está muito bonita essa montagem, mas não posso comer presunto cru. Só o cheiro me deixa enjoada.
Ela me olha preocupada enquanto os outros me fuzilam com inveja.



está!

Bem, bem, ainda não tinha pensado nos benefícios da gravidez, mas  aqui

  Ai, coitadinha, são os enjôos, né? Faço a cara mais inocente.
  Desculpe.
Greta sorri largo, me passando um copo de chá gelado.
  Tudo bem para o chá?
  Sim — digo, bebendo um gole. Esse ela faz bem.
  Mais alguma restrição?
   Não que saiba dou de ombros. Acho que essas são descobertas


de momento. Infelizmente, eu vou passar o jantar. Estou morta para comer mexicano do The Red.
O despontamento dá lugar a curiosidade em seu olhar.
  Desejo? Assinto.
  Podemos ir todos — Bel comemora.
Greta olha feio. — E o que sugere que faça com a comida que estou preparando? Sabe o quanto detesto desperdiçar comida? Isso para não falar no quanto é errado.
Bel murcha, mas rapidamente sua face se ilumina.
  Você já começou a fazer?
  Bem, sim..., quero dizer, não — Greta diz.
Eu olho. — O que fez até agora, além das entradinhas?
  Deixei a carne de carneiro marinando no vinho branco e especiarias.
   Ela estará melhor temperada amanhã — pisco. — E eu posso vir e cozinhar com você. Enquanto assa a carne, eu posso fazer os acompanhamentos e talvez um mousse de sobremesa?
Greta fica radiante.
  Só se for de chocolate.
    E tem outro? — brinco, sabendo que terei de me esgueirar para a cozinha antes de ir embora para acertar o tempero do carneiro.
Greta sai dizendo que vai guardar os ingredientes, que tirou para o preparo da comida, e eu me volto para o pessoal. Todos me olham agradecidos, até mesmo Taylor.


   Você precisa vir morar aqui até o bebê nascer — Bel manipula, cheia de esperança, e eu dou uma risadinha. — Quem sabe até que ele ou ela faça um aninho? Ou dois?
  E privá-los da experiência Greta? Nah!
  Puta — xinga baixinho. — Você vai para o inferno. Lhe dou um olhar entediado.
  Não vejo Luigi reclamando. Bel chora.
   Isso é porque ele sempre consegue jogar tudo fora antes de mastigar. Eu não tenho tanta sorte. Enquanto ela não me vê mastigar e engolir tudo, não sossega.
Greta volta antes que possamos dizer mais.
  Marcou a consulta? — ela pergunta.
Droga. Eu não quero falar desse assunto na frente dele.
Taylor está me encarando. Sei disso. Não olho, mas sei. E isso me faz muito consciente da breve conversa que tivemos em meu apartamento. Ele quer ir e ele quer que eu conte.
Tensão rasteja sobre meus músculos, ainda assim respiro e ajo normalmente.
  Semana que vem. Segunda.
  Que horas?
  Duas horas.
Ela se senta em uma das cadeiras, pega uma de suas mini bombas mortais e come, aparentemente, seu paladar está regulado para uma satisfação própria.
  Eu não poderei ir com você, porque tenho essa reunião com o pessoal do escritório e não posso faltar, mas Bel pode te acompanhar, não pode Bel?
Bel enche o copo com chá enquanto fala:
  Claro. Sem problema.
  Não precisa.
  Claro que precisa! Não tem que ir sozinha — Bel ralha.
Eu demoro a responder, pensando em uma desculpa aplausível.
  Você irá com alguém, não é? — Greta especula. Meu coração bate na goela.
Não há como esconder meu desconforto.
  Eu preciso tomar banho.
As garotas começam a falar enquanto Luigi só me olha, mas é a voz de Taylor que faz meu intestino torcer com força. Eu gelo até a medula.


  Eu vou levá-la.
  Você...? — Bel diz.
  Por que você...? — Greta também diz.
Taylor corta ambas, com uma calma que me faz querer bater nele e depois morrer.

  É meu filho. Eu sou o pai.

2 comentários:

  1. Taylor seu safado, pq vc fez isso!?!?!?? MDS preciso do próximo capitulo pra ontem, ou vou morrer de tanta curiosidade sobre a reação dos amigos da Lana, e a dela né, aposto que vai explodir e tenntar matar ele kkkkkk, continuaaaaa...

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    Respostas
    1. Taylor gosta de fortes emoções hahahahaha

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