14 janeiro 2017

Fanfiction: Uma Noite - Capítulo 5





ENFRENTAMENTOS
Maldita janela duma figa!
Meu rabo é muito grande para passar pela minúscula janela do banheiro. Eu só queria saber quem foi o burro que escolheu um trem tão pequeno como esse. E se precisássemos de rotas de fuga? E se o banheiro fosse o único lugar pelo qual pudéssemos passar?
Deveria ter a porra de uma saída de emergência aqui!
Um ralo maior. Um buraco escondido debaixo da droga do tapete.
Cristo do céu, estou presa com a vergonha!
Depois que Taylor jogou a minha merda no ventilador, eu pensei que ia morrer. Pude sentir meu coração se despedindo de mim quando minhas batidas diminuíram e meu sangue congelou nas veias. Enquanto o chato ficava lá me desafiando a desmentir. E quando consegui reagir, eu não falei, caminhei para o banheiro e liguei a ducha. Devo ter passado uma vida aqui, até raspei pelos imaginários, e ninguém ousou me chamar.
Ainda perplexa demais para sentir além do choque.

Humilhada.
Morta de vergonha.
Mas a raiva também está à margem esperando seu grande momento.
Não posso morar no banheiro, decido por fim, obrigando-me a colocar os pés para fora. Não me surpreendo ao dar de cara com meus amigos. Os sussurros entre eles param e um silêncio constrangedor se arrasta pelo quarto trazendo as paredes mais próximas.
Eu posso passar por isso com o resto de dignidade que me sobra ou estender essa situação embaraçosa. Sou valente. Ou, pelo menos, tento. Minha voz não colabora.
Luigi faz as honras:
— Lautner, hein?
Gesticulo minha mão nervosa num movimento de exasperação.
— Foi só uma vez... Nós... Não é como se ele fosse importante pra mim, quero dizer, ele é o pai do bebê, mas nós dois não tem nada a ver... Taylor, ele... Não importa.  
— Não sabia que andavam flertando — Bel diz.
Greta olha pensativa.
— Agora dá pra entender porque ele começou a aparecer com mais frequência.
— Eu disse uma vez que ele estava de olho comprido pra ela — pontua Luigi, como se eu não estivesse ouvindo a conversa entre eles.
— Isso não é novidade. Muitos olham assim pra Lana — Bel discute, zombando. — O que não esperava era que ela devolvesse o olho comprido.
— Não é assim — desdenho, me voltando para o espelho, passando a escova no meu cabelo negro grosso mais para ter o que fazer do que por necessidade mesmo.
Bel olha. — Não estavam flertando?
— Então foi realmente um lance de uma noite?
Giro de novo, encarando Luigi, olhando-me de volta de perto da porta fechada, com os braços cruzados na frente do peito. Desvio o olhar para Greta sentada em silêncio, depois para Bel ainda sorrindo de canto e de volta em Luigi. Eu gostaria de um buraco, mas como não tenho um, suspiro deixando meus ombros caírem em desistência.
— Nós flertamos antes daquela noite. Nada de mais. Bobagem. Não tinha pretensão de levar isso além. Naquela noite... bem, aconteceu. Foi só uma noite.
— Só uma? — Luigi quer saber.
Não tenho a menor vontade de dizer a verdade, porém, quando Luigi segura meu olhar desse jeito, seus olhos dentro dos meus, eu não posso mentir.
— Transamos outra vez — murmuro baixinho, completamente sem jeito, e no outro segundo, endureço com a encarada de todos. — Não é nada disso. Aconteceu.
— Vocês dois têm muito desse lance de “aconteceu”, né?
— O que quer dizer, Bel? Lautner e eu tivemos química de foda e acon... rolou. Não estou apaixonada pelo tonto e não pretendo levar isso adiante.
— Vocês terão um bebê — Greta murmura, como se eu pudesse me esquecer disso.
— Isso não significa que ele representa algo pra mim ou que tem que representar.
— Claro. Ele é o pai do seu bebê.
Faço uma careta pra ela.
— O que não entendo é porque não contou pra gente antes?
Sinto meu rosto queimar junto com a raiva por Taylor por me colocar nessa posição.
— Eu estava com vergonha. Caramba! Ele é...
— Ator. E você sempre maldisse os caras como ele — Greta completa. — E agora, bem, querendo ou não, tá ligada com um hollywoodiano. 
Bel arqueia a sobrancelha para mim, zombando.
— Bem que achei estranho ele postar aquela foto com um ultrassom um dia depois de você contar para nós que estava grávida. Coincidência demais.
— Verdade!
— Mas, então, era Lana. E ela não se envolveria com um ator. Nãããããããããão.
— Caralho — Greta ri.
— Obrigada, vacas.
— Desculpe Lana, mas que é engraçado é.
— Não há nada de engraçado nisso, Greta — resmungo.
— Não mesmo — Luigi ralha. — Não há nada de engraçado quando se é irresponsável e atropela as coisas. Menos engraçado é não ter confiança em seus amigos.
Bato o pé. — Mas eu confio!
Sua sobrancelha ergue em desafio.
Planto as mãos no quadril. — O que queria que eu fizesse Luigi?
— Confiar em nós seria um bom começo.
— Eu confio Luigi, mas também não pode dizer que estava de todo errada. Greta e Bel não me deixa mentir — lanço um olhar para elas, que fazem pouco para esconder os sorrisos. — Eu estava morta de vergonha. Sinto muito. Mas... Droga! Isso é humilhante.
— Sabe que nem todos são escrotos, né?
Alguém bate na porta e, em seguida, Taylor põe a cara pra dentro.
— Podemos falar, Lana?
Esse bundinha de ouro sem honra...
Me sobe um ódio mortal. Eu ajo sem pensar. A escova em minha mão voa na direção dele seguida de outras coisas que encontro pelo caminho. Taylor fecha a porta antes que tenha a chance de acertá-lo. Eu bufo, respirando forte. Olho para os meus amigos, olhando-me de volta espantados. Eles relaxam e aderem expressões de pena.
— Ele é um escroto — ralho para Luigi, chateada.
— Mas fodeu com ele. Duas vezes.
Encolho os ombros. — Ele não parecia tão escroto nessas vezes.
— Não acho bacana chamar o pai do seu bebê assim — Bel repreende.
Eles não estão me acusando, sei disso, eles estão curiosos. E admito, se não fosse eu no meu lugar, isso seria engraçado. Eu checo, e todos têm essa sombra de diversão.
Bufo pela milionésima vez e me deixo cair na cadeira.
— Espero que quando o neném nascer sua relação com Taylor seja melhor.
— Não tenho nenhuma relação com ele, Greta.
— Amorosa, né? Porque vocês já têm uma relação... — gesticula com a cabeça, — o baby aí cuidou disso, agora cabe a você decidir se ela será amistosa ou um inferno.
Mais argumentações sobre como Lautner e eu já estamos conectados pelo bebê e blá, blá, blá enchem o quarto, e dentre elas, uma insana me deixa espinhosa.
— Poderia dar uma chance a ele.
Olho para Bel, mortificada.
— Não.
— Só estou dizendo...
— Não.
— Eu...
— Porra nenhuma — exaspero. — Isso não é Ligeiramente Grávidos.
— Eu não tenho tanta certeza — Greta retorqui. — Taylor só não é um vagabundo maconheiro sem causa, o que já é um super bônus. Mas de resto, é tudo igualzinho.
Qual o problema de dar uma chance a ele?
Ele é artista, Bel.
E daí? Ele também é um cara legal e tá caidinho por você.
E namora tudo que trabalha — devolvo. Eu posso ter fodido ele e gostado, não nego, mas não mudei minha opinião quanto à classe dele.
Bel suspira, e eu não gosto de como isso parece.
Todo mundo se diverte antes de achar a pessoa certa.
E ele pode muito bem achar sua princesa sem a ajuda dessa sapa aqui.
Você é louca, Lana. Sabe disso, né? — Greta diz.
Não quero ser listada pelos sites de fofoca quando resolvem que não há mais nada importante no mundo do que a ordem cronológica da vida amorosa de um astro — ralho com forte desdém. Me recuso a esse papel. Nem morta serei mais uma na vida dele.
Então seja a única.
— Você quis dizer a última, né? — Luigi ri.
Bel balança a mão. — É a mesma coisa.
— Não importa. Não estou dando uma chance pro tonto.
Greta me dá um olhar.
— Sabe o que dizem, né, quando duas pessoas brigam como vocês?
Elas riem.
— Putas.
— Admita, você tem uma coisa por ele — Greta zomba.
— Ódio.
— Amanda também tinha ódio pelo Johnny. Lembra deles? — Bel diz.
— Eu lembro — Greta ri. — A gente apelidou eles de Sr. e Sra. Pirraça porque eles viviam se engalfinhando. Eles nem precisavam estar no mesmo espaço, bastava se verem de longe e pronto. Quando não estavam gritando um com o outro, eles estavam fodendo.
— Pois é! E hoje estão casados e com dois bebês.
Olhei para as duas pilantras querendo matá-las.
— O que Bel e Greta estão tentando dizer...
— Eu não tenho que ter nada com esse palhaço — rosno, cortando Luigi e piso para a porta então adiciono. — Estamos tendo um bebê e é só!
Bato a porta atrás de mim, pau da vida.
Não há jeitos no inferno que darei uma chance a ele. Não quero conhecê-lo mais do que já fiz. O tonto passou por cima da sua palavra e me colocou em uma saia-justa.
Taylor não é confiável. Ponto final.
Me concentro em arrumar o tempero do carneiro e faço um lanche. Isso me acalma um pouquinho. O fato de ninguém ter ido me perturbar na cozinha ajuda, também.
Vou para a varanda decidida a não deixar que este episódio estrague mais do meu dia e ignorar o fulano. Eu paro, tensa, quando vejo Taylor se levantar e caminhar para mim.
Esse tonto não tem noção de perigo ou é besta mesmo.
— Podemos conversar agora? — pergunta baixinho.
Desvio dele andando para o conjunto de sofás de vime, onde o pessoal está. E é aí que Taylor comete o grande erro. Sua mão fecha em meu cotovelo...
— Lana, babe, eu sin... — meu punho se conectando com o nariz dele o faz engolir de volta as palavras. Ele xinga, me soltando, e exclamações soam atrás de mim.
— Não toque em mim — grunho cada palavra.
— Sua louca da porra! Você quebrou meu nariz. Puta que pariu. — ele rosna com dor, curvado, as duas mãos na frente do nariz. Tem sangue escorrendo.
Olho com desgosto.
— E vou quebrar outras partes, se me tocar sem permissão, tonto.
Nossos amigos correm para ajudá-lo.
— Não quebrou — alguém está dizendo.
Que peninha!
Me sento em um dos sofás e encho um copo vazio de chá. Taylor xinga palavrões que fazem o diabo se encolher de vergonha quando Tarik coloca seu nariz no lugar.
— É bom que passe no hospital para que dêem uma olhada — outro diz, acho que é Luigi. — Lana te levará já que ela fez essa bagunça.
— Nem morta. — O pensamento de sermos fotografados juntos é aterrorizante.
— É o mínimo que você pode fazer depois de quase quebrar o nariz de Taylor.
— Ele não deveria ter me tocado sem permissão — resmungo para Bel.
— Não fiz porra nenhuma para merecer que me atacasse, sua louca.
— Ah, não seja um bebê chorão! Nem quebrou. E, se não queria que te batesse, não deveria me tocar quando minha postura para que fique longe é bem clara, né?
— Engraçado, cadela, já toquei em outras partes e não lembro de você me bater...
— Continue e vai morar no hospital — ameaço entredentes.
— Chega os dois! — Bel grita para nós. — Taylor não deveria te tocar sem permissão, nem você deveria sair batendo nas pessoas desse jeito.
— Pobre bebê. Nesse ritmo não conhecerá um dos pais — Greta fala com pesar.
Quero bater nela também então me levanto e vou embora sob os protestos.
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Guardo as compras do supermercado e, em seguida, me jogo no sofá com um potão de sorvete e ligo a televisão. Não tenho vontade de fazer nada. Só quero vegetar.
Cavo o sorvete e enfio uma colher cheia na boca.
Meus olhos queimam por nenhuma razão aparente.
O tempo que gastei do sítio até o supermercado e depois para o meu apartamento me ajudou a espairecer e acalmar os ânimos. Não estou mais com raiva de Taylor, ainda assim estou irritada com ele. Mas também me sinto triste, chateada e vulnerável. Um lixo! Essa vontade do cacete de chorar se agarrou em minha garganta e não vai embora. Eu penso sobre o que aconteceu. Não quero, na verdade. Mas praga quando pega não larga. Depois que me acalmei o suficiente para pensar com clareza, bem, eu posso ter me sentindo um pouco louca, levemente desequilibrada, e talvez, muito talvez, admita que peguei pesado.
Taylor pediu pela minha fúria e ganhou exatamente isso.
Penso no nariz dele, no sangue, no meu punho dolorido...
Eu apenas não estou feliz.
Ele não tinha o direito de soltar a notícia assim, do nada.
Eu errei, ele errou mais.
Enfio mais uma generosa colherada de sorvete na boca.
Meu celular bipa pela zilionésima vez e, desta vez, eu pego a mensagem de Luigi.


Onde está? Você tá bem?


Casa. Melhor do que bem.


Não deveria ter saído daquele jeito Lana. E não pode ficar atacando Taylor quando algo não sai ao seu gosto. Não foi legal. Ele tinha fotos para tirar essa semana, mas não poderá porque você o deixou com um olho roxo.


Reviro meus olhos. Não gosto nenhum pouco de como me sinto.


Eu vou pedir desculpas.


Quer que vá aí? As garotas estão preocupadas.


Não, tudo bem. Diga a elas que estou bem.
Eu ligo mais tarde.


Certo. Quando me quiser aí, ligue e eu vou. E se Taylor aparecer, dê uma chance dele falar. Tenho certeza que ele não fez por mal, você sabe disso.


Tudo bem, tudo bem...
Exagerei um pouquinho de nada.
Começo a digitar uma resposta para Luigi, mas apago.
Afinal de contas, o que devo dizer?


Me prometa.


Não sujarei as mãos com o tonto.


Mesmo porque não há nada para ser feito, a não ser que eu pudesse voltar no tempo e recuperar aquela noite. Não que eu me arrependa dela, longe disso. Eu ainda teria furado meu lacre com ele, mas, desta vez, teria me certificado que ele encapasse o Batman.
Luigi não me chama mais, e eu abandono o celular pensando no que falamos agora e mais cedo, e claro, em Taylor. Nós tínhamos um acordo ou assim eu pensava.
Todos que importam já sabem da minha... situação.
Também não é como se fosse andar por aí saltitando ao lado do tonto. Nada disso tem que ser noticiado. Nossa vida é privada e continuará assim.
Não há como mudar certas coisas, mas podemos moldá-la a nosso favor.
Feliz com essa resolução, eu me dedico ao sorvete até que a campainha soa.
Olho para a porta...
Taylor se atreveria mesmo?
Deixo tocar mais um pouco e, por fim, limpo os olhos marejados e vou até a porta segurando o pote de sorvete numa mão e a colher na outra. É mais seguro tê-las ocupadas.
Taylor está na porta, olhando-me com precaução. Ele é corajoso, dou isso a ele. Culpa pulsa fraquinho em mim quando fito seu olho direito meio arroxeado. Não falo.
— Eu sinto muito, Lana — ele diz, parece muito sincero, e eu acredito. — Não tive a intenção de te colocar numa fria. Eu estava irritado com você porque voltou e não me deu as horas, nem atendeu minhas chamadas e depois com aquela declaração. Não tenho direito de te impor qualquer coisa, mas carrega meu filho, Lana. Temos de falar sobre ele, sobre nós. Não sou um mero doador de esperma, sou o pai, e tenho tanto direito de opinar sobre onde ele deve nascer quanto você tem. Essa é nossa decisão, não apenas sua.
— Não quis dizer que não tem direito — digo a contragosto.
— Mas foi o que pareceu.
— Bem, desculpe. E você não deveria mesmo contar pra eles daquele jeito.
Ele ri para o meu espanto e, em seguida, aponta para o rosto.
— Creio que isso paga o vacilo.
Tá certo...
Minha irritação se foi, e agora o quê?
Ficamos os dois bobocas na porta olhando um para o outro.
Faço de tudo para evitar meu arrependimento, mas o danado dá um oi.
Segundos se passam...
Minutos...
Horas...
Bufo e passo para o lado abrindo mais a porta.
— Quer entrar?
Taylor me olha surpreso. Bem, somos dois então.
— Não vai me bater, não é?
— Não seja ridículo.
— Meu nariz e meu olho não acham nada ridículo — diz, passando por mim.
Fecho a porta e dou a volta para encará-lo.
Mais horas se passam...
— Sinto muito por... enfim.
Taylor sorri, e eu aprecio isso por dois segundos.
— Isso doeu, não foi?
Rolo os olhos indo até minha minúscula cozinha, guardo o pote de sorvete no congelador e lavo a colher na pia. Encho o copo de água e bebo.
— Muito orgulho?
Baixo o copo para pia, giro e me aproximo da bancada, que faz a divisa da minha cozinha com a sala, apoio as duas mãos no mármore branco e deixo meus ombros caírem.
— Escuta, não é isso... Sério. É só que... — pauso e coço a testa. — Não é orgulho nem você, pessoa, mas toda essa situação que não me agrada nenhum pouco. Minha vida é boa Taylor. Eu gosto dela como é. Você... Você é bagunça. Não gosto de bagunça. — Paro, respiro e decido ser completamente sincera. — Não confio em você. Eu te olho e a única coisa que posso enxergar é um cara instável e previsível que irá se envolver com o próximo rabo de saia com quem trabalhar até que outro novo surja para continuar o rodízio.
Ele ingere uma dura respiração. Eu vejo a irritação que ele tenta disfarçar.
— Isso é muito duro, hein? Não deve acreditar em tudo que lê ou vê por aí. Amigas não vendem revistas, namoros sim... Aliás, não sabia que andava pesquisando sobre mim...
— Eu não faço.
Taylor se aproxima e alcança minhas mãos através do balcão.
— Me conheça.
— O quê?
— Me conheça.
— Taylor, você não está dizendo coisa com coisa. 
— Não estou não.
Balanço a cabeça.
— Não temos que ter um relacionamento só porque estou grávida.
— Podemos nos dar a opção de tentar algo que pode dar muito certo e de quebra nos fazer felizes. Já sabemos que temos química e o quão bem funcionamos na cama. Quem sabe o quão melhor podemos ser fora dela? Então me conheça e me deixe conhecê-la.
— Não há muito o quê conhecer.
— Então me conhece bem assim, hein?
Percebo o equivoco das minhas palavras e, em seguida, puxo minhas mãos das dele.
Taylor se debruça sobre o balcão e me dá um olhar sedutor.
— O que sabemos um do outro, além de que você me acha um inútil bom de foda?
Enrubesço, me irritando, sem jeito.
— E você, o que sabe de mim? — desafio, não negando suas palavras.
Taylor faz uma careta pensativa, que nele é muito charmosa.
— Quando está brava é um perigo para o planeta, então, se estiver em silêncio, é melhor deixá-la quieta ou estar pronto para arcar com as consequências — aponta para o rosto machucado, sorrindo. Jogo uma sobrancelha. Ele continua. — Você não gosta de ser contrariada. É mandona, muito dona de si, honesta, espontânea e bastante protetora com os seus amigos. Tem opinião e atitude de sobra, mas não tem muito filtro e não dá a mínima.
Olho fixa para ele por uns dois minutos e bufo um riso frouxo.
— Quanta novidade! — manobro ao redor do balcão indo para o sofá, Taylor vem atrás. — Nossa, tô chocada que tenha captado minha alma com tantos detalhes.
— Também é sarcástica quando está aborrecida e finge desinteresse quando se sente embaraçada. É muito doce, mas não gosta de demonstrar esse lado... E eu sei de algo que os outros não saberiam, a não ser que sejam íntimos — pausa e eu olho com interesse. — Você não é tímida com o sexo, mas enrubesce se falamos de sentimentos mais profundos.
Meu humor negro escorrega um pouco e eu presto atenção nele enquanto ele se aproxima de mim no sofá o suficiente para seu joelho encostar no meu.
Eu quero que outras coisas se encostem, também.
Não quer não.
— Embora seja muito dominadora fora da cama, nela, você prefere ser dominada e a todo o momento desafia o controle do seu homem a fim de que ele se prove bom o bastante para estar contigo. Eu gosto disso, se interessa saber. Esse brilho de rendição em seus olhos me deixa duro pra caralho. — Eu respiro fundo. Ele enrola uma mecha do meu cabelo em seu dedo e continua falando de forma baixa e preguiçosa, que faz minha pele se aquecer e meu coração bater um pouquinho mais rápido. Taylor se inclina colocando a boca em minha orelha e mordisca o lóbulo de leve. Estremeço. — Você gosta quando faço assim..., mas não gosta que enfie a língua nela. E também é preguiçosa, mas faz parte da sua veia submissa, não? Eu gosto de dobrá-la sobre o meu domínio e fazê-la chorar no meu mim.
Não movo um mísero centímetro, mas por dentro entro em combustão.
Sim, sim, sim!
Minha puta interior vibra com emoção.
Sua voz ao pé do meu ouvido faz coisas dentro de mim, enviando calafrios por toda parte, criando cenas combinadas as memórias quentes que tenho dos nossos dois encontros.
Um pulso de desejo me deixa molhada entre as pernas e eu quero apertá-las.
Taylor desliza a boca pela lateral do meu rosto, lentamente.
Minha respiração fica cadenciada, e antes que possa me deter ou pensar no que estou fazendo, parto meus lábios e fecho os olhos esperando um beijo que não vem.
Com as bochechas quentes e um tanto quanto embaraçada por cair nessa cilada, levanto as pálpebras quando sinto seu polegar esfregar meu lábio inferior.
Taylor me olha daquele jeito penetrante. Prende meu olhar ao dele. É como um super imã, que fica me chamando para perto dele... mais perto... mais perto... mais perto...
— Me conheça — ele repete.
Por alguma razão lembro-me de Bel.
Há algo em especial no desafio de fisgá-lo. Não por ser quem é, mas, você sabe, ser a única e última. Admito que a ideia de tentar não é repugnante, embora...
Sua carreira sim.
Não me atrai nenhum pouco a ideia de ser fotografada, ter minha intimidade sufocada, e Deus me livre, estar na lista de suas peguetes no E!News e TMZ entre outros canais de fofoca. Isso para não falar dos haters disfarçados de fãs.
Sua fama é minha inimiga.
É por isso que uso um pseudo em meus livros e nunca relacionei minha cara com minhas obras. Ninguém me conhece. No início da minha carreira, quando as editoras começaram a me procurar, elas queriam que eu me mostrasse e tentaram me convencer até com chantagem, mas este foi meu limite rígido. Nada de fotos ou nome verdadeiro.
Se quer, amém, se não, adeus.
Elas pegaram.
Uma porque meus livros rendem milhares de dólares.
E outra, porque meus livros rendem milhares de dólares.
O mistério não atrapalha, na verdade, ajuda muito no marketing.
Eu dou autógrafos. Em lançamentos, deixo os livros previamente encomendados autografados com dedicatória e tudo mais. Até mesmo vou aos eventos, porém sempre sou a assistente privilegiada de Lola Heinz, aquela que consegue mais um autografo. Assisto a euforia dos leitores, de leitores amigos que se tornaram próximos nas redes sociais.
Morro para abraçá-los. Porém, me contenho. Este é o preço e é justo.
Eu tenho o melhor dos dois mundos e nenhuma disposição para perder isso.
Não confio em Taylor. Nada sobre ele me estimula a seu favor, mas...
— Você ronca?
— O quê?
— Você ronca? — pergunto devagar.
Taylor faz uma careta e sorri zombeteiro.
— Isso é um convite?
É? Minha puta começa abrir as pernas, mas as fecha com meu olhar.
— É só uma pergunta.
— Nós dormimos juntos, Lana.
— Nós fodemos juntos — corrijo, afastando-me de seu toque.
— Ah! Esqueci que você fugiu na calada da noite.
— Então?
— Não, eu não ronco.
Bom.
— E você?
— Eu o quê?
— Ronca?
— Não.
— Como sabe?
Encolho os ombros. — Ninguém nunca reclamou.
— Teve alguém para reclamar então?
— Sim.
Ele me poupa um olhar que não posso compreender.
— Pensei que nunca tivesse namorado.
— Não foi um namorado.
Taylor segue me olhando. Eu bufo.
— Meus amigos. Tivemos que compartilhar a cama algumas vezes, Luigi e eu, e outra vez com Greta, em uma viagem. Não é algo que goste, se quer saber.
— Agora sei outra coisa de você. É individualista.
Ri. — Pode apostar que sou.
— Manterei isso em mente.
Continuamos com o jogo de perguntas e respostas. Descubro coisas interessantes sobre ele como, por exemplo, que temos em comum os gostos musicais e por filmes, exceto seriados. Aprecio saber que ele gosta de ler, e claro, seu gosto literário, além de sua fissura por esportes. Me surpreendo com uma e outra descoberta que faço. E me interessa ouvir alguém de dentro da indústria hollywoodiana falar sua versão de como são as coisas por lá. É peculiar, para dizer o mínimo. E, oh-oh, nem tudo são flores e confetes!
Em algum momento, estou relaxada na presença dele e ele também parece confortável comigo. Bem, isso é meio estranho. Estamos confortáveis e rindo um com o outro. Em algum ponto, percebo o quão próximos estamos, mas não me afasto.
Em um papo trivial sobre qual flor é minha preferida, o presente ideal, predileção por cores e musica do momento, eu descubro que meu soco não foi tão grave e em poucos dias seu rosto estará novinho em folha. Isso me dá certo alívio. Taylor não parece bravo por isso.
Eu gosto de olhar para ele, não admitirei isso em voz alta nem demonstrarei mais do que considero saudável, gosto de assistir seus variados sorrisos e ouvir sua risada.
Taylor é bem atraente.
Divertido.
Charmoso.
Ele parece ser bem... normal.
Não é ruim. Eu gosto do normal. Bem, talvez isso seja ruim, afinal.
Enfim, eu apenas o assisto em admiração sabendo que outra parte, profunda, está mesmo buscando falhas nele, qualquer deslize falso em suas palavras, qualquer coisa.
Eu vou ficando encantada... encantada... E em algum ponto, deslumbrada com suas expressões charmosas. Ele é sexy. Parece bom para uma mordida.
São os hormônios.
Minha desconfiança segura as pontas, mas meus hormônios cobiçam a boca dele.
Sua boca... hummm... é cheia e tão vermelhinha...
Seu pescoço parece um tronco forte. Gosto também. E também daquele pedaço de pele com alguns poucos pelos, que o decote em V de sua camisa, mostra. É instigante.
Eu olho e posso me ver dando uma dentada lá e depois lambendo.
Retorno o olhar para cima, movendo-me mais perto dele inconscientemente.
Assisto, uma e outra vez, sua língua correr, molhando os lábios, que são bons em mim, enquanto ele segue falando coisas que não me preocupo em entender. E as mãos... ah, eu gosto delas, também. Elas têm o aperto certo na minha carne, o toque gostoso.
Engulo e lambo meus próprios lábios.
— Lana?
— Sim?
Taylor me olha estranho, e eu percebo que passei muito tempo comendo ele.
— Qual o problema?
— Nenhum. O que estava dizendo mesmo?
— Que você ainda não me disse no que trabalha.
Oh, isso.
— Você sabe, um pouco disso e daquilo. — Tento não dar tanta atenção.
Meu trabalho é confidencial, apenas quem eu confio sabe o que faço. E por mais bonito, sexy e divertido, que eu o ache, Taylor ainda é um desconhecido inconfiável.
— E um dia me mostrará o que é “um pouco disso e daquilo”?
Eu olho para ele, realmente olho... olho... olho...
Estou comendo-o, novamente.
— Talvez.
Dou um sacudi mental espantando os maus pensamentos e me ponho de pé.
— Bem, bem... você quer comer?
Forço um sorriso sem dentes e, em seguida, franzo a testa quando me dou conta de como aquilo sai. Sopro, irritada comigo. Rapidamente concerto minhas palavras.
— Quis dizer, comida. Não eu.
Ele se levanta na minha frente e dá um sorriso devastador quando seu olhar esfomeado percorre meu corpo, fixando em meus olhos, mais quentes que o inferno. 
— Sim, menina bonita, eu quero comer.
Ele então beija.

2 comentários:

  1. Incrível como o Taylor tem o dom de quebrar as barreiras q Lana cria ao redor de si mesma. Continua

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  2. Incrível como o Taylor tem o dom de quebrar as barreiras q Lana cria ao redor de si mesma. Continua

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