24 fevereiro 2018

Fanfic: O Garoto Da Casa Ao Lado - Prólogo




Meu pai morreu há exatos seis meses, e há exatos seis meses que eu e minha mãe podemos dormir sem a presença daquela figura insignificante. Sem gritos, sem bebedeiras, sem ataques de fúrias... Apenas eu e minha mãe, só nós dois... Já passa das três da manhã e eu ouço vozes vindas do quarto da minha mãe.



Levanto-me e vou a passos curtos, meu corpo todo está banhado em puro suor, tento secar minhas mãos no meu calção, abro a porta do quarto e lá vejo minha mãe dormindo tranquilamente, era um anjo que teve suas asas quebradas. Aproximo-me dela, Deus, como ela é linda. Eu poderia ficar aqui admirando ela a noite toda. Eu sempre amei minha mãe, mesmo quando tudo aquilo acontecia. Ela é tão frágil, que tenho medo de toca-la e quebra-la. Deito-me ao seu lado, meus dedos tocam seu cabelo, mecha por mecha.


- Nick? - Minha mãe fala, virando-se para mim.


- Não quis te acordar - Eu falo ainda tocando nas mechas de seu cabelo.


- Oh meu bebe, você sabe que pode vir dormir comigo sempre que quiser. - Ela me diz fazendo carinho em minha bochecha. - agora me conta o que houve? Teve outro pesadelo?


Bufo, me colocando de barriga pra cima, levando meus olhos até o teto de seu quarto.


- Foi. Eu já estou cansado desses pesadelos, mãe. Eu tento focar na imagem, tento saber o que significa, mas nada da certo, é sempre um borrão, gritos... Eu acordo todo suado. Às vezes penso que são Eliza e Pietra querendo brincar comigo... - Mal termino de falar quando sinto meu rosto arder. Minha mãe me da uma tapa.


- Nunca mais repita esses nomes em minha casa. Nunca, você me ouviu, Nícolas? - Olho para minha mãe, seus olhos que antes brilhavam como duas safiras, agora parecem um vulcão preste a explodir de tanta raiva. Eu aceno com a cabeça concordando com ela. - Ok, agora venha aqui e me deixe te abraçar, meu filho. Você é a parte mais importante da minha vida, eu faço tudo, tudo por você. Sabe disso, não sabe?


- Sim, eu sei.


- Tá bom, agora vem, deita mais perto de mim. Eu vou cantar nossa velha canção que eu sei que você ama.


Não! Eu odeio.


" Não sei se tu tens um anjo.
eu tenho um anjo sim.
Meu anjo é um pequenino que agora vai dormir.
Dorme meu anjo lindo, meu menino Serafim.
Que o sono vem vindo pra levar você de mim.
Por que já esta na hora na hora de dormir.
Dorme meu pequenino, dorme meu querubim.
Dorme meu querubim".




***




Ela usava um vestido vermelho, deixava sua cintura como a de uma boneca. Ela corre pela floresta desesperadamente, é outono, o vento forte lapeia seu rosto, deixando que ela caísse algumas vezes no chão por onde passa. O sangue de seus pés descalços deixam rastros, em seus braços a várias marcas de cortes, sua mão também sangra. Ela lutou... Seja lá o que for, ela lutou. Ao longe enxerga luzes, vindo da estrada, ela corre o máximo que pode. Chegando até àquela estrada, o farol do carro é incapaz de ver o que está em sua frente. E mesmo antes que alguém possa vê-la, ou que ela possa gritar, algo a puxa de volta. Seus gritos são abafados, ela luta, mãos tentam a todo custo sufoca-la. Pouco a pouco ia perdendo seus sentidos, mas não muito para que pudesse ouvir os gritos daquele que tentava lhe tirar a vida.


Você é má... Você é má... Deus, eu te amo... Ame-me... Ame-me.


Eu acordo gritando seu nome. Por que ela é má? Deus!


O espelho do banheiro reflete a imagem de um cara. Seu rosto há respingos de sangue que se espalham por todo seu corpo. Ele vira-se e abre à porta, sua face fica paralisada com a imagem que lhe vem diante de seus olhos. O corpo de um homem estirado em cima da cama lhe causa repulsa, uma dor, misturado com uma estranha sensação de alivio e satisfação. Ele lambe os lábios, ah que sensação maravilhosa, Deus eu fiz isso, eu sou muito bom. Seus olhos se fecham tentando imaginar a cena dessa noite, mas algo atrapalha sua tortuosa imaginação. Seu nome vem com a intensidade que seus olhos flexionam para tentar imaginar quão gloriosa foi sua noite, flashes de uma luta, e depois, muito, muito sangue. Ele conseguiu vence-lo. O homem mal finalmente foi vencido. Ele se deliciava com esses flashes, porém eles foram cessados por um grito de desespero. Conhecia essa voz, ela chorava, ela gritava seu nome, várias e várias vezes.


Nick, Nick, Nick...


Ele abre os olhos e vê sua mãe debruçada sobre o corpo mutilado do seu pai. Seus olhos arregalam com a cena aterrorizante.


Quem fez isso? Quem matou seu pai? Sua mãe mais uma vez chama pelo seu nome.


- Nick, não foi sua culpa, a culpa foi minha. - Ela se dirigi até ele, seu olhar com ternura de uma mãe atenciosa lhe faz abaixar seus olhos o levando até o objeto que ele segurava em suas mãos.


Um machado!


Deus, ele fizera isso ao seu próprio pai, ao demônio asqueroso que por muitas vezes lhe surrou até desmaiar. Lágrimas brotam em seus olhos, ele já não sabe se são de tristeza ou de orgulho, sua cabeça da várias e várias voltas, ele sente tonturas ao lembrar-se de como matará seu pai, e junto a essas lembranças, veem o da garota de vestido vermelho. Os olhos da garota refletem nos seus por um curto período à medida que o chamado de sua mãe invade novamente sua cabeça, fazendo seu olhar ir de encontro ao dela, trazendo-lhe de volta a realidade. 


Sua mãe está em pé a sua frente, dentro do quarto dela, sem corpo, sem sangue espalhado pelo corpo... Apenas os dois.


- Nick. - Sua mãe o chama outra vez.


- Sim. - Seus olhos alarmados, olhando de um lado para o outro em busca de algum vestígio do horror que havia visto há minutos atrás.


- Nick, para com isso! 


Ela bate em seu braço com mais e mais força. 


- Para, para de lembrar, para agora!


Ele a vê transtornada, sua cabeça faz um estralo, e depois mais outro à medida que ela grita mandando esquecer. Ele se encolhe na porta do banheiro, seus gritos logo são abafados por um zumbido em seus ouvidos. Não a ouvi mais, não ouvi mais nada, apenas esse zumbido que da vontade de tirar sua cabeça fora.


Para, para de lembrar! Para, para! Essa voz invade seu cérebro. Abre lentamente os olhos e vê sua mãe em pé diante dele, ela sorri, mas é forçado. Por que ela está aqui? Por que está acordada uma hora dessas?


- Mãe? O que houve. - Pergunto-lhe me levantando do chão e já sentindo sua mão acariciando meu rosto.


- Nós iremos nos mudar.


E nada mais foi dito por aquela noite, nem por aquela semana de mudança. Saímos no nosso carro.



Última parada: LIMA - OHIO.

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