16 outubro 2018

Fanfiction: Todo Esse Tempo by DayMarques - Capítulo Único



Nome da autora: DayMarques
Nome da Fanfiction: Todo Esse Tempo
Personagens principais: Taylor Lautner...
Gênero: Romance, Drama
Censura: + 16
Status: Finalizada - OneShot
Beta: Dayany Marques


SINOPSE:


    Chloe é uma menina orfã que perdeu seu amigo para uma doença terrível. Um ano após a morte do Gregory, ela recebe uma encomenda em sua casa. Agora ela terá que sair do seu conforto e remexer em seu passado para fazer o que aquela encomenda a pediu. Descobertas, revelações e muito mais serão feitas ao desenrolar da história. E só lendo até o final para saber o que acontece. 

    OBS: Fic OneShot













    Essa é uma fanfiction oneshot. Espero que vocês gostem. Não tenho andado nos meus melhores dias para criar boas histórias, ter um bom desenvolvimento, porém não consigo ficar sem escrever. Fiz um pouco do melhor que eu poderia no momento.

    Se vocês gostarem, nem que seja um pouco, eu já vou ficar muito feliz.

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    - Chloe, não se preocupe. Nós vamos passar por isso, eu vou ficar bem.


    Foi isso que o meu único e melhor amigo disse seis meses antes de morrer.

    Hoje faz exatamente um ano que o Gregory morreu, um maldito câncer o tirou de mim sem sequer pedir permissão.

    Estou em frente a seu túmulo, vim lhe fazer um pouco de companhia e lhe trazer novas flores.

    É um dia chuvoso numa tarde de verão na cidade de Lincoln, estou toda molhada, mas não me importo. Desde que ele morreu, esse passou a ser o lugar que mais frequento. Meu mais novo lugar favorito.

    Maldita vida desgraçada. Não bastava tirar os meus pais, teve que tirar a única pessoa que me restava.

    - Não culpe a vida por isso, CC. Todo mundo morre um dia, não seria diferente comigo – Sorri para mim, como se sua vida não estivesse por um fio.


    Como eu gostaria de ser forte como ele foi. Sua doença o abalava, mas ele estava tão mais preocupado comigo que não demonstrava uma vez sequer.

    A única vez em que ele chorou foi quando os médicos falaram que o melhor para ele parar de sofrer, era o sedando. Eu fui contra, mas, em meu intimo, eu sabia que era o certo a ser feito. Naquele dia passamos a noite chorando, abraçados. O mantive em meus braços o tempo todo até ele dormir para sempre.

    Enxugo as lágrimas que rolam por meu rosto e fungo.

    - Eu te amo, Gregory. A cada dia que passa, eu sinto mais a sua falta.

    Agacho-me e toco em sua foto na lápide.

    Endireito as flores que o vento bagunçou e, com uma última olhada, me despeço e caminho para meu carro.

    - Quer ir para casa? – Finn pergunta.

    Finn é um amigo que fiz na faculdade. O único que realmente fiz questão de manter por perto após o fim do meu curso.

    O Greg sempre me pedia para fazer novos amigos, que eu não me isolasse do mundo mais uma vez. Ele sempre temeu isso...

    Bom, acho que ele está orgulhoso de mim. Eu meio que cumpri com minha palavra.

    - Sim, por favor – Ele dá partida no carro sem falar mais nada.

    Eu explico o porquê o Greg me pediu para não me isolar do mundo mais uma vez.

    Eu sou órfã desde os meus oito anos de idade. Meus pais morreram em um naufrágio. Ninguém nunca me contou os detalhes por eu ser pequena demais e, depois que eu cresci, nunca procurei saber. Só me machucaria ainda mais.

    Eu morava em Dakota do Sul, mas fui mandada para o orfanato em Lincoln, Nebraska. Foi lá que conheci o Gregory. Ele se tornou meu amigo inseparável e, mais tarde, minha única família.

    Quando completamos dezoito anos, duas coisas aconteceram em nossas vidas: enquanto eu recebia a notícia de que tinha uma herança gorda dos meus avós me esperando, ele recebeu a notícia de que seu pai, agora viúvo, o procurava arrependido. E pasme, não bastando isso, ele ainda teve mais uma bomba jogada encima dele: Gregory tinha um irmão gêmeo.

    O que o matou foi saber que ele foi o escolhido para ser mandado ao orfanato enquanto seu irmão permanecia com a família, tendo tudo do bom e do melhor.

    Foi um ano duro para ele, Gregory teve que ter acompanhamento psicológico para não chegar ao fim do poço. Eu sempre estive ao seu lado, adiei meus planos de ir à faculdade para poder ficar com ele.

    Passamos por muita coisa juntos e sempre vencemos juntos.

    Por essa razão, mesmo descobrindo que tinha uma família, ele nunca teve muito contato com os mesmos. O mais próximo que ele chegou de ter uma boa relação foi com seu irmão. Mas eles brigavam muito.

    Mais da parte do Gregory do que do Garrett, o que eu nunca entendi muito bem o porquê, o Greg era o cara mais doce e gentil que já conheci em toda minha vida.

    - Pronto, chegamos – Sou arrancada dos meus pensamentos pela voz do Finn.

    - Obrigada – Digo com um fraco sorriso.

    - Quer que eu entre com você?

    - Não precisa, eu estou bem.

    - Mesmo? Eu posso ficar.

    - Obrigada, Finn. Pode ficar com o carro, amanhã você me devolve.

    - Tudo bem – Lhe dou um beijo no rosto e saiu do carro.

    Entro em casa e me jogo no sofá. Essa casa é um dos frutos da minha herança. Eu a comprei assim que pude pôr as mãos no dinheiro. O Gregory me ajudou a decorá-la e mobiliá-la.

    Foi a realização do sonho dele, que sempre quis ter uma casa toda clássica.

    Quando decidimos ir para faculdade, ele escolheu fazer design de interiores e eu administração.

    Formamo-nos e eu fui a sua primeira cliente. Abri uma loja de bolos e doces e deixei que ele me surpreendesse.

    Ele sempre foi motivo de orgulho para mim.

    Escuto minha campainha tocar e me arrasto relutante até lá.

    - Boa tarde.

    Um homem de uniforme branco está parado em minha porta.

    - Senhorita, McQuigg?

    - Pois não?

    - Entrega para a senhorita – Ele me entrega uma caixa média, não tão pesada quanto aparenta – Assine aqui, por favor.

    Assino onde ele me indica e lhe entrego a prancheta de volta.

    - Obrigado, tenha uma boa tarde – Pego a caixa que tinha depositado no chão e fecho a porta atrás de mim.

    Sento no sofá e fico encarando a caixa sem entender o que pode ser.

    - Eu não me lembro de ter pedido nada – Falo para mim mesma.

    Vou até a cozinha para pegar uma faca e de volta a sala, começo a abrir a caixa.

    Dentro dela tem três caixas retangulares, de um material de madeira escura.

    - Oh meu Deus – Falo levando a mão à boca. Automaticamente eu sei de quem são.

    Vasculho mais adentro e encontro uma carta.

    Rasgo o envelope sem delicadeza alguma, morrendo de curiosidade do que pode ter nela.



    Oi, CC. Nunca achei que diria isso, porém se você estiver com essa carta em mãos e a lendo é porque eu sou um soldado abatido. É minha amiga, faz um ano que eu morri. Eu sei, é uma droga, entretanto não é sobre isso que eu quero falar.

    Estou escrevendo essa carta para dizer que preciso de você, mas especificamente da sua ajuda.

    Bom, você sempre esteve do meu lado e sabe que desde que descobri que não estava exatamente órfão, não soube lidar bem com isso.

    Enquanto meu pai e meu irmão tentavam se aproximar de mim, eu os afastava ainda mais. Não foi fácil, você sabe.

    Eu não quis me despedir deles, fui covarde demais para isso. Por isso quero sua ajuda, meu bem. Nessa caixa que você recebeu tem mais três dentro, deve ter percebido. Duas delas tem um destino: quero que entregue uma ao meu pai e uma ao Garrett.

    E bom, claro que uma pertence a você. Espero que esteja viva e bem, e que possa fazer isso por mim. Você sabe, eu meio que estou morto, não posso fazer isso.

    Eu te amo, CC. E que uma espada em chamas atravesse meu coração se um dia eu deixar de te amar.

    Seu, Gregory.



    Estou banhada em lágrimas ao terminar de ler a carta, mas com um sorriso no rosto. Essa é a marca registrada do Gregory, sempre fazendo piadas, mesmo quando tudo está ruindo.

    - Que uma espada em chamas atravesse meu coração se um dia eu deixar de te amar – Repito o juramento que fizemos quando éramos crianças.

    Cada caixa tem um nome entalhado na madeira. Pego a minha, minhas mãos tremiam mais que tudo, e a examino. Ao seu lado tem um saquinho vermelho de veludo. É uma chave. Derrubo em minha mão e fico a encarando.

    Não acho que tenho coragem de abrir e ver o que tem lá dentro.

    - Eu não consigo – Pego a caixa junto com a chave e a ponho na mesa de centro.

    As demais caixas só vou poder entregar amanhã já que o Finn tem o meu carro.

    Espero que o senhor Maxwell ainda more no mesmo lugar, senão eu vou ter grandes problemas.




    ********


    Eu não consegui dormir a noite toda. Estava nervosa, emocionada, agitada demais para isso.

    Eu estava me roendo por dentro para saber o que tinha dentro das caixas, mas eu não tinha coragem de abrir a minha e nem podia abrir as demais. Seria muita falta de ética na minha parte.

    Às 10hr00min da manhã, o Finn bate a minha porta.

    - Hei – Diz – Chloe, me diz que você não ficou acordada a noite toda.

    - Tenho uma boa razão para isso – O puxo pelo braço e o levo até a sala.

    Depois de lhe mostrar tudo e contar os detalhes, ele fica tão chocado quanto eu.

    - Caramba – Passa a mão pelo cabelo – E você já abriu a sua?

    - Não tenho coragem – Suspiro – Tenho medo.

    - Não tem que ter medo, tenho certeza que o que tem ali dentro é bom.

    - Eu sei! Eu só tenho medo de não aguentar. Já tem sido difícil demais sem isso.

    - Eu entendo – Segura minhas mãos – Tudo no seu tempo, ok. A caixa não vai a lugar algum.

    - Obrigada.

    - Quer que eu vá com você.

    - É melhor eu fazer isso sozinha.

    - Chloe, você não está me afastando, não é?

    - Claro que não, Finn. Eu juro! Eu sinto que preciso fazer isso sozinha, vai ser melhor assim.

    - Eu estou aqui se precisar.

    - Tenho isso em mente, não se preocupe – Ele me puxa para um abraço.

    - Ligue-me se precisar. Boa sorte – Fala antes de fechar a porta.

    Tomo um banho frio para despertar e visto uma roupa confortável. Meu estômago está tão embrulhado que não consigo tomar sequer água.

    Pego o meu carro e ponho no GPS o endereço que tenho.

    Coloco uma música animada para me distrair, mas é quase impossível não ficar pensando em como o senhor Maxwell vai reagir.

    Dirigi por 1hr00min, o que pareceu uma eternidade. Mas finalmente cheguei ao meu destino.

    Observei a casa sem sair do carro, tomando coragem para ir até lá e fazer o que eu tinha de fazer.

    Tomei uma grande e profunda respiração e sai do carro.

    Toquei a campainha antes que perdesse a coragem e pouco tempo depois a porta se abre.

    - Pois não?

    - Oi, eu sou a Chloe. O senhor Maxwell está em casa?

    - Sim, ele está. Entra – Dá passagem para mim.

    - Ahm... Ok, obrigada – Fico receosa, mas acabo aceitando.

    A casa não mudou muito desde o ano em que vim aqui com o Gregory. Só viemos aqui duas vezes. E da última vez, Greg e Garrett brigaram feio.

    - Senhorita, McQuigg – Sinto um frio na barriga ao ouvi-lo me saudar.

    - Olá, senhor Maxwell. Como vai? – Tento ser gentil.

    - Bem e você? A que devo a honra da sua visita?

    - Eu estou bem – Minha vida não é muito de sua conta, então não alongo muito a conversa – Estou aqui porque vim fazer um favor.

    - Que favor?

    - Eu já volto – Saiu porta a fora e pego a caixa que deixei no carro, indo a seu encontro em seguida.

    - O que é isso? – Pergunta quando a entrego a ele.

    - É algo que o Gregory mandou entregar ao senhor – Sua fisionomia muda de imediato.

    - Como assim?

    - Hoje faz um ano de sua morte e recebi uma entrega em minha casa, onde continha três caixas como essa. Havia um bilhete me dando ordens para entregar uma ao senhor e outra ao Garrett.

    Ele me encara, ainda perplexo, sem saber o que fazer.

    - Você a abriu? – Pergunta para mim, mas não tira os olhos da caixa.

    - Jamais faria isso, ela está endereçada exclusivamente a você.

    - Nossa! Eu esperaria tudo dessa vida, menos isso. Ele me odiava, nem achei que se lembrasse de mim.

    - Ele não o odiava – Digo.

    O senhor Maxwell senta no sofá e põe a caixa em seu colo. Fica a analisando por um tempo, sem falar nada.

    - Bom, obrigado por me entregar, então – Faz menção de abri-la.

    - Não! – Digo de imediato e ele se assusta.

    - Algum problema?

    - Acho melhor o senhor abrir quando estiver sozinho – Murmuro.

    - Sim, claro. Desculpe.

    - Aliás, o senhor pode entregar a do Garrett? Ele ainda mora aqui, não?

    Ele solta uma risada fraca.

    - Receio que não vou poder te ajudar com isso, senhorita McQuigg. O Garrett se mudou para uma fazenda faz uns três meses e não aparece aqui em casa desde então.

    Droga! Como vou fazer para entregar a ele agora?

    - Posso te dar o endereço e você faz isso. Volto em um minuto – Sai sem sequer esperar por uma resposta minha.

    Ele volta com um papel na mão e algo rabiscado nele.

    - Aqui – Me entrega – E quando vê-lo, peça que venha visitar o seu velhote.

    Sorriu para ele sem saber o que dizer.

    - Até mais, senhor Maxwell. Cuide-se.

    - Você também, querida – Aceno com a mão e vou para meu carro.

    Já lá dentro, abro o papel e leio o endereço.

    - Mas que merda! Isso fica em Dallas! – Resmungo sozinha.



    *******


    - Isso mesmo, Sebastian. Eu vou precisar me ausentar do trabalho e quero que cuide de tudo para mim.
    - Tudo bem, senhora Chloe. Pode ficar despreocupada, prometo que vai estar tudo em pé quando voltar – Brinca e solto uma pequena risada.


    - Assim espero – Digo – Obrigada, Sebastian. Até mais.

    Abro o site da companhia aérea e confirmo minhas passagens.

    Encosto-me a cabeceira da cama e fico encarando minha pequena mala pronta. Espero poder voltar no mesmo dia, mas, por via das dúvidas, estou levando algumas coisas.

    Eu não tenho certeza de como me sinto sobre isso, mas sei que preciso fazer.

    É pelo Gregory, não importa o que aconteceu no passado.

    - É isso ai, Chloe. Você está indo para Dallas.




    *****



    Depois de meia hora de espera, finalmente avisto minha pequena mala vindo na esteira.

    Eu odeio aquela mulher por me fazer despachar uma malinha dessas.

    Saiu do aeroporto e aceno para um taxi, que milagrosamente está vazio.

    - Me leve a esse endereço, por favor – Passo o papel para ele.

    - Uou, a corrida vai dar um pouco cara.

    - É tão longe assim?

    - Mais ou menos. É que é uma estrada de difícil acesso.

    - Ah, que ótimo – Digo ironicamente.

    - Eu vou te levar, não se preocupe.

    Recosto minha cabeça no banco e solto uma longa lufada de ar.

    Paciência, paciência, paciência! – Mentalizo várias vezes.

    ******

    - Senhora – Acordo com um pequeno cutucão no joelho – Chegamos.

    Endireito-me no banco e me espreguiço, logo olhando ao redor.

    - É essa fazenda aqui?

    - Essa mesma. A corrida deu R$100,00.

    - Jesus amado!

    - Eu disse que ia ser um pouco cara.

    Abro minha carteira contra gosto e lhe entrego o dinheiro.

    - Tenha um bom dia – Ele diz.

    - Você também – Mas a vontade que tenho é de manda-lo para o inferno.

    Ele sai com o carro, deixando uma pequena nuvem de poeira encima de mim. Tusso e abano com a minha mão a poeira para longe.

    A fazenda com faixada vermelha está a minha frente e só agora minha ficha cai.

    Deus amado! Eu estou mesmo prestes a ver o Garrett depois de tanto tempo. Certamente ele deve me odiar, capaz de me receber a tiros se puder.

    Bom, faz muito tempo, talvez ele não me odeie tanto assim.

    Assim como na casa do senhor Maxwell, tomei uma boa lufada de ar antes de tomar coragem e sair puxando minha mala pela estrada de barro até a porta.

    Não há campainha, apenas um sino médio perto da porta. Seguro a cordinha e começo a fazer barulho. Espero um pouco, mas ninguém aparece.

    Toco mais duas vezes e nada. Estou prestes a desistir e tentar dar meia volta na casa, quando a porta se abre atrás de mim.

    - Sim? – Viro-me totalmente tensa ao ouvir sua voz – Chloe?

    - Olá, Garrett – Sua testa se enruga ainda mais.

    - O que está fazendo aqui?

    - É uma longa história. Será que posso entrar? Não vou tomar muito do seu tempo.

    - Tudo bem, entra – Ele faz sinal para que eu passe a sua frente.

    Olha só, até que não foi tão ruim assim.

    Fico um pouco sem jeito de estar ali com ele, mas me concentro em minha tarefa.

    Não é fácil para eu estar aqui, não é fácil estar aqui com ele, falando com ele. Tentando agir normalmente.

    - Senta – Aponta para o sofá vermelho no meio da sala – Aceita beber alguma coisa?

    - Água, por favor – Ele sai sem falar nada e volta poucos segundos, segurando uma jarra com água e gelo e um copo.

    - Obrigada – Sirvo-me e dou um bom gole, percebendo o quanto eu estava com sede.

    - Então, o que posso fazer por você? – É tão estranho vê-lo falando assim comigo. Como se não nos conhecêssemos nem um pouco.

    - Eu não sei se você sabe – Tento ser cuidadosa com as palavras – Mas ontem fez um ano que o Gregory morreu.

    Garrett automaticamente ajeita sua postura, ficando mais ereto.

    - Eu recebi uma encomenda com três caixas. Duas delas era endereçada a seu pai e uma a você.

    - A mim? – Me olha confuso.

    - Sim.

    - E de quem era?

    - Do seu irmão, Garrett – Seus olhos se arregalam um pouco.

    - E o que ele poderia ter deixado para mim? – Sua voz soa um pouco debochada. O que me irrita.

    - Não faço a menor ideia, ela está endereçada a você e não a mim.

    - Por que a tem, então?

    - Porque ele pediu que eu mesma a entregasse, não é como se eu estivesse aqui por livre e espontânea vontade – Falo um pouco seca.

    Ele encara suas mãos e fica por um tempo em silêncio.

    - Ok, e onde está?

    - Está...

    Olho de um lado e de outro do sofá, mas ela não está ali.

    - Ah não! – Solto um pequeno grito.

    - O que foi?

    - A caixa ficou no banco do táxi! – Meus olhos arregalam ainda mais ao perceber a merda que acabou de acontecer.

    - Tem certeza? Não está dentro da sua mala?

    - Sim, tenho certeza! Ela não cabe na mala. Que merda! – Praguejo.

    Corro até minha bolsa de mão e pego meu celular, só para constatar que está sem área.

    - Não tem área aqui – Ele diz o óbvio para mim.

    - Você tem um telefone? – Faz que sim com a cabeça – Sabe o nome das companhias de táxi daqui?

    - Só existe uma aqui em Dallas. E sim, eu sei o número – Sai sem falar nada e eu o sigo.

    Ele entra na cozinha e pega o telefone que está na parede, perto da geladeira. Disca rapidamente um número e espera.

    - Está chamando – Meu coração parece que vai parar de bater a qualquer momento.

    - E então?

    - Chama, mas ninguém atende.

    - Meu Deus, me ajuda – Choramingo – Isso não pode estar acontecendo.

    Ele fica mais um tempo com o telefone no ouvido e o devolve ao gancho.

    - Nada, ninguém atendeu.

    - E agora? Vamos abrir um B.O.

    - Calma – Ele segura meu braço quando faço menção de sair – Você não pode ir a delegacia desse jeito, eles não vão fazer nada.

    - E o que a gente faz? – Pergunto já aflita.

    - Iremos até a cidade, eu sei onde fica a agência.

    - Então vamos – Eu o sigo até o lado de fora e entramos em sua picape.

    A estrada é um pouco esburacada, entretanto o seu carro é alto, o que nos ajuda a chegar mais rápido no centro da cidade.

    - É aqui – Estaciona em frente a um prédio de quatro andares.

    Saímos do carro e entro correndo.

    - Oi, boa tarde – Falo ofegante e a atendente me olha entediada – Você precisa acionar todos os seus táxis imediatamente.

    - O quê? – Ela me olha como se eu fosse louca.

    Abro a boca para falar novamente, mas o Garrett me empurra para o lado.

    - Deixa que eu falo – Ele sorri educadamente para a atendente, que presta mais atenção nele do que quando eu falei com ela – A minha amiga aqui pegou um táxi mais cedo no aeroporto. Quando ele a deixou em minha casa, ela se deu conta que esqueceu algo muito valioso no banco do carro.

    - O que era?

    - Uma caixa – Digo – Uma caixa muito importante. Então, por favor, você pode ligar para os taxistas?

    - Por favor – Garrett reforça.

    - Eu até posso ligar – Ela diz e eu respiro aliviada – Mas...

    - Sem "mas" – Falo desesperada.

    - Mas – Ela volta a repetir e enfatizar – Eu só posso te dar uma resposta na segunda.

    - Na segunda? – Quase grito – Eu não posso esperar isso tudo, isso é daqui dois dias.

    - Hoje e sexta-feira, querida. Não abrimos em final de semana, então vai ter que esperar.

    - Olha aqui... – Tento avançar sob o balcão, porém o Garrett me segura pelos ombros e me afasta.

    - Você precisa se acalmar. Me espera lá fora, eu já saiu.

    - Eu não...

    - Chloe! – Usa sua voz autoritária. Fico o encarando por um tempo, mas acabo obedecendo. Abro a porta com todo força e a escuto batendo quando passo.

    Alguns minutos depois o Garrett passa pela porta e eu avanço nele.

    - E ai?

    - Ela me garantiu que ligaria para mim sem falta na segunda.

    - Para garantir uma trepada com você ou para falar algo importante?

    Ele me encara assustado com o que falo.

    - Você está estressada, ok. Vou fingir que não ouvi isso.

    Bufo ao me dar conta do que falei.

    - Desculpe – Falo enfim.

    - Tudo bem – Começo a andar de um lado para o outro, com a mão na cabeça – Dá pra parar – Me segura no lugar.

    - Garrett, eu acho que você não está entendendo a gravidade da situação! Eu não posso perder aquela caixa, ela é importante demais. O Gregory confiou em mim.

    - Hei, hei, hei – Tenta me acalmar – Eu sei que ela é importante, ok? Mas surtar não vai trazê-la mais rápido. Você precisa se acalmar e começar a pensar mais claro.

    Fecho os olhos e começo a respirar fundo, várias e várias vezes.

    Garrett tira suas mãos de mim devagar, mas continua me encarando de perto.

    - Você tem razão – Digo por fim – Vai dar tudo certo, tem que dar.

    - Isso mesmo.

    - Tudo bem - Ajeito o cabelo e o encaro – Você pode me deixar no hotel e voltar pra sua casa. É bom eu ficar por perto caso eles achem a caixa mais cedo.

    - Só uma coisa: você não trouxe sua mala.

    - Merda! – Xingo ao perceber a burrada que fiz. Bom, mais uma!

    - Vamos pegar suas coisas e eu te trago de volta.

    - Tudo bem, obrigada. – Me defendo.

    Entro na picape contra gosto, porque só queria sair daqui com minha caia, e ele segue de volta pra casa.


    ****


    - Posso usar seu banheiro antes de sairmos? – Peço assim que passamos pela porta.
    Ele aponta lá para cima e me diz onde fica.
    Pego minha bolsa de mão e subo quase correndo. O caminho é longo e eu estava tão apertada que se demorasse mais um pouco eu faria xixi na calça.
    Lavo minhas mãos ao terminar e me encaro no espelho.
    - Jesus – Assusto-me – Eu estou a cara do desespero – Acabo soltando uma risada baixa.
    Um baixo grito de susto é abafado pelo forte estrondo de trovão que vem lá de fora. Recolho minhas coisas e desço.
    - Podemos ir – Fala para ele.
    - Não vai dar, não – Garrett está encarando a forte chuva.
    - E por que não?
    - Quando chove desse jeito por aqui, a estrada fica praticamente impossível de passar por ela. Se eu te levar até a cidade, não conseguirei voltar a tempo. E tenho certeza que táxi nenhum vai querer vir até aqui.
    - Você está me dizendo que estou presa aqui? – Ele dá de ombros.
    - Pode ficar com o quarto de hospedes.
    - Mas daqui para segunda já vai dar pra gente passar, não é? – Estou mais que preocupada agora.
    - Não sei, Chloe. Vai depender da chuva, e até onde sei, não tenho bola de cristal – Grosso!
    - E TV, você tem? – Falo irônica.
    - Moro em uma fazenda e não em uma caverna – Levo mais uma patada.
    Respiro fundo e tento não me estressar.
    Garrett aproveita meu silêncio e aproveita para me levar até o quarto.
    - Ele é bem confortável e a Madalena o limpou essa semana – Adentro o mesmo e sinto o delicioso cheiro de limpeza.
    - Obrigada – Educada é uma coisa que sempre fui.
    - Tem toalhas e lençóis limpos no armário do banheiro. Pode descansar um pouco se quiser, eu vou preparar o jantar.
    Ele sai sem falar mais nada e o silêncio reina.
    Coloco a mala encima da cama a abrindo em seguida. Tiro uma roupa e o necessário e depois ponho no chão de volta.
    Penso em dispensar a banheira, mas de repente me sinto cansada demais para ficar em pé. Abro a torneira e deixo a banheira encher.
    Pego uma toalha no armário e penduro no gancho que tem na parede.
    Amarro meu cabelo alto e entro na banheira. A água está tão boa que me vejo soltando um pequeno gemido de satisfação.
    Sinto meu corpo relaxar, ele esteve tenso o dia todo. Afundo um pouco mais e recosto minha cabeça.
    Eu vou só fechar os meus olhos por um momento...
    Acordo assustada com batidas fortes na porta.
    Deus! Eu peguei no sono enquanto tomava banho.
    - Chloe, eu vou entrar – Garrett grita do outro lado.
    - Não! – Digo finalmente – Eu estou saindo.
    - Caramba, custava nada responder. Estou a um tempão te chamando, já estava achando que...
    - Já estou saindo, ok. Me espera lá embaixo.
    Escuto seus passos no chão de madeira, ele está indo. Levanto-me devagar e me enrolo na toalha.
    Pego a roupa encima da cama e a visto. Estendo a toalha no pé da cama e sigo para a cozinha. De onde está vindo um cheiro muito bom, a propósito.
    - O jantar está pronto – Ele aponta para uma pequena mesa – Vamos comer aqui mesmo, tudo bem?
    - Claro – Sento na cadeira onde já tem um prato servido e minha barriga ronca instantaneamente com o cheiro.
    Ele senta de frente pra mim e começamos a comer.
    - Por que demorou tanto a responder?
    - Eu meio que peguei no sono.
    - Pegou no sono na banheira? Você poderia ter se afogado, sabia?
    - Mas não me afoguei, então fim de papo – Ele bufa e revira os olhos.
    - Você não mudou nada.
    - O que quer dizer?
    - Continua a mesma pessoa difícil de lidar.
    - Me poupe, Garrett.
    - Nos poupe, Chloe – Fala e dá o assunto por encerrado.
    Se a comida não estivesse tão boa, eu levantaria daqui e iria pra bem longe dele.
    - Eu lavo a louça – Falo – Você já fez demais.
    - Não precisa...
    - Eu insisto – O interrompo.
    Ele balança a cabeça, como quem diz "que menina teimosa", mas juro que vejo um pequeno sorriso no canto da sua boca.
    - Se isso vai te fazer dormir melhor – Brinca – É toda sua.
    Solto um suspiro de impaciência e falo.
    - Olha Garrett, eu também não estou nada feliz de ter que ficar aqui mais que o necessário. Ainda mais aqui na sua casa. Mas imprevistos acontecem e eu estou presa aqui com você até que Deus resolva parar com a chuva e nos ajudar. Então, vamos esquecer qualquer coisa e tentar ficar bem pelo menos até segunda?
    - Eu posso fazer isso tranquilamente. Será que você pode?
    Bufo e faço menção de levantar.
    - Ok, ok. Tudo bem – Diz – Eu vou me comportar.
    Terminamos de comer em silêncio e recolho nossas coisas e levo até a pia. Quando termino tudo, enxugo minhas mãos e vou até a sala por ouvir o barulho da TV.
    - Vai cair uma tempestade e tanto essa noite e madrugada – Ele comenta ao me ver.
    - É muito grave?
    - Não acho que seja para tanto. Contudo se chover, estamos presos aqui.
    - Por quanto tempo? – Tenho até medo de ouvir a respostas.
    - A estrada fica uma porcaria quando chove. Temos que esperar pelo menos dois dias para conseguir andar por ela de novo.
    Dois dias?!
    - Vamos torcer para não chover, então – Digo.
    - É.
    E um silêncio constrangedor toma conta do ambiente.
    - Bom – Pigarreio – Se não se importa, eu vou deitar.
    - Claro, vai lá. Boa noite.
    - Boa noite – Digo e subo devagar pela escada.
    Acordo no meio da noite com o barulho de chuva sob o teto. As cortinas estavam abertas, então dava para ver a escuridão. Os relâmpagos iluminavam por alguns segundos as árvores que chacoalhavam de um lado para o outro com a violência do vento.
    Sempre gostei de chuva, porém ver esse cenário me deixa um pouco assustada.
    Como sei que não vou conseguir dormir, decido ir lá para baixo.
    O corredor está dominado pelo escuro, a não ser a luz do banheiro. Meu quarto fica no fim do corredor, então eu tenho que andar um pouco até chegar às escadas.
    Já perto de descer, um estrondoso e assustador trovão ecoa, me fazendo soltar um pequeno grito de susto. Tapo minha boca imediatamente, pedindo a Deus que eu não tenho acordado o Garrett.
    Olho para o meu lado direito e percebo que estou de frente ao quarto dele. Sei disso porque a porta está aberta e eu o vejo deitado, totalmente alheio ao que está acontecendo, em um sono profundo.
    A luz fraca de um poste lá fora entra por sua janela e ilumina o seu corpo adormecido. Vejo que ele está sem camisa, coberto com o fino lençol até a cintura.
    É impossível não parar e admirá-lo. Garrett agora usa uma barba rala, mas antes ele não era assim. Tanto ele quanto o Greg mantinham a barba sempre feita.
    Como se parecem. Gêmeos idênticos, quase impossível diferenciá-los.
    Mas eu sabia, eu sabia quem era quem sem nem precisar olhar de perto. Eu conhecia até mesmo o jeito do Greg andar, não tinha como me enganar.
    Em uma época de paz, eles até tentaram, foi engraçado. Entretanto é claro que não conseguiram.
    Garrett se remexe na cama e respira fundo.
    - Chloe? – Sua voz rouca me faz saltar para o lado, saindo de seu campo de visão.
    Corro escada abaixo, fazendo de tudo para meus passos não fazerem nenhum barulho.
    Chego a cozinha ofegante e me recosto na pia, esperando que o Garrett passe pela porta a qualquer momento.
    Porém isso não aconteceu, o que me deixou aliviada.
    Abro a geladeira e pego uma caixa de suco. Me sirvo e vou para sala e me aconchego no sofá com o controle da TV em mãos.
    Baixo o volume para não fazer nenhum barulho e encontro um documentário sobre alienígenas. Não me dou muito o trabalho de procurar por outra coisa.
    Termino de tomar o suco e me deito, puxando sob meu corpo a manta que tem no encosto do sofá. Largo o controle no chão e fico assistindo os homens metidos a sabidos falarem sobre suas teorias.
    *****
    Espreguiço-me e ao abrir meus olhos, me dou conta de que não estou mais na sala.
    - Como vim parar aqui? – Vejo pela janela que não chove mais, entretanto o céu está cinza. O que indica que muita chuva está por vir.
    São 09hr00min da manhã. Faz um tempo que não me acordo tão tarde assim, é meu novo recorde.
    Calço meu chinelo e desço. Olho na cozinha, na sala... Não encontro o Garrett.
    Será que ele foi até a cidade sem mim?
    Estou prestes a subir para pegar meu celular, e o Garrett passa pela porta da cozinha com uma cesta em mãos.
    - Oh – Fica surpreso a me ver ali – Bom dia.
    Passa por mim e põe a cesta encima da mesa.
    - Por um momento eu achei que você tinha saído.
    - Mesmo se eu quisesse, não poderia. Eu te disse, a estrada fica terrível em dias de chuva. Se continuar chovendo assim, vamos ter problemas para ir à cidade.
    - Está brincando, não é? E se acharem a caixa? Como vamos fazer para pegar?
    - Vamos ter que esperar mais um pouco.
    - Isso só pode ser castigo – Resmungo e sento na cadeira.
    - Relaxa, vai dar tudo certo. Café? – Faço que sim e ele me entrega uma caneca fumegante.
    - Obrigada – Dou um gole e me sinto nas nuvens – Que café delicioso.
    - Obrigado. Eu mesmo mui hoje pela manhã.
    - Você mora aqui sozinho? Quer dizer, essa fazenda é um pouco grande, você quem cuida de tudo?
    - Sim, eu moro sozinho. E na época de plantação e colheita, eu tenho ajuda de algumas pessoas. Mas não gosto de manter ninguém aqui, trabalhando para mim.
    - Hum... Entendo. E por que se mudou para cá?
    - Acordou falante – Vejo um pequeno sorriso em seus lábios.
    - Preciso me distrair, portanto você precisa continuar falando para que minha mente não vague para outra coisa.
    - Você não pode simplesmente ler um livro ou coisa assim?
    - Não é o suficiente.
    Sorri e dá as costas a mim.
    - Digamos que eu estava cansado da cidade grande.
    - E seu trabalho?
    - Continuo trabalhando daqui, só vou para cidade quando é necessário.
    - Hum...
    Minha barriga ronca.
    - Se importa? – Aponto para umas torradas e frutas.
    - Coma o que quiser.
    Passo a manteiga caseira na torrada e me delicio com seu sabor.
    Termino de comer e vou para pia, lavar o que sujei.
    - Sem mais perguntas? – Encosta ao meu lado. Sua proximidade me deixa um pouco sem jeito.
    - Por enquanto – Digo sem olhar para ele.
    - Como vão as coisas na sua loja? – Dá uma mordida em sua pera.
    - Melhor impossível, tudo tem ido muito bem.
    - Que bom. Confesso que sinto falta dos seus doces.
    Tento não demonstrar o que suas palavras causaram em mim.
    - É mesmo?
    - Sim, são ótimos.
    - Obrigada – Afasto-me dele e pego o pano para enxugar minhas mãos.
    - Bom – Joga o resto da fruta fora – Vou tentar consertar o cortador de gramas.
    - Você sabe consertar essas coisas?
    - Agora sei. Se precisar de algo, estarei lá fora.
    - Ok. Obrigada por me carregar até o quarto, aliás – Ele me lança uma piscadela e sai.
    Está sendo mais fácil do que eu pensava. Eu e o Garrett tivemos um passado complicado, então eu esperava farpas e palavras de ódio quando ele me visse.
    Achei que seria difícil me encontrar com ele, quem dirá ficar a sós por tanto tempo. Contudo, está tudo bem, tudo tranquilo. Até agora.
    Subo para tomar banho e trocar essa roupa de dormir. Uso o chuveiro mesmo e tomo um banho rápido.
    Está fazendo um pouco de frio por conta do tempo fechado. Visto uma legging, a blusa mais quente que tenho, o que não é muita coisa e deixo o cabelo solto para me esquentar mais.
    Sento no sofá e me cubro com a manta. Olho meu celular e continua sem área, se alguém tentou entrar em contato comigo, certamente não conseguiu.
    Devem achar que não quero atende-los. Bem que eu queria, mas não tenho muita escolha.
    Acho melhor eu ligar pelo menos para o Finn e o Sebastian para contar o que aconteceu.
    Vou para cozinha e pego o telefone do gancho, discando primeiro o número da loja.
    - Loja Chlogory, Sebastian falando. Em que posso ajudar?
    - Sebastian, é a Chloe.
    - Hei, como está?
    - Bem. Só estou ligando para avisar que aconteceu um imprevisto e vou ter que passar mais uns dias fora. Não ligue para meu celular, não tem área aqui.
    - Você fugiu para o deserto?
    - Bem que você gostaria – Rimos – Ligue para esse número se precisar, ele vai ficar gravado ai no identificador. Preciso ir, até mais.
    - Cuide-se, Chloe.
    - Você também – Puxo o ganchinho do telefone e agora disco o número do Finn.
    - Alô?
    - É a Chloe.
    - Oi, você sumiu. Liguei para seu celular, mas só dava desligado.
    - Eu sei, estou em um lugar que não pega área.
    - E onde você está?
    - Na casa do Garrett.
    - Oh! – Ele sabe de toda nossa história – E como está indo?
    - Bom... – Conto-lhe toda a história desde que cheguei aqui.
    - Não se preocupe, Chloe. Vai achar a caixa, ok. Tente aproveitar o tempo que está ai, pare de pensar demais.
    - Eu não estou pensando em nada.
    - Você sabe muito bem o que eu quero dizer.
    - Finn, você sabe que não posso, é complicado.
    - Não tem mais nada complicando as coisas, Chloe. Só você que não percebeu ainda.
    - Olha, eu preciso desligar. A gente se fala.
    - Isso, foge mesmo de uma conversa madura... – Desligo o telefone na sua cara.
    Eu não quero mais ficar remoendo essas coisas, ficou tudo no passado.
    Para clarear a mente, resolvo ir lá para fora, aproveitar que não está chovendo.
    Ao abrir a porta dou de cara com um quintal lindo. A grama é verdíssima e brilha com as gotas da chuva da noite passada.
    Avisto o Garrett ao longe, ele está levando dois cavalos para o celeiro. Caminho até lá, desviando de algumas poças de lama.
    - Eles são lindos – Comento ao chegar perto.
    Garrett sorri e alisa o preto ao seu lado.
    - Sabe montar?
    - Faz um tempo que não monto, mas acho que sim.
    - Se o tempo continuar bom amanhã, a gente pode sair para cavalgar.
    - Seria legal – Me aproximo do cavalo preto e ele baixa sua cabeça para que eu alise.
    - Ela gostou de você.
    Abro um sorriso, emocionada. Eu sempre me emociono com os animais.
    - Eu também gostei de você.

    ****


    - Você quer ajuda com o jantar?
    - Você sabe cozinhar?
    - Não – Sorriu – Mas eu sei cortar – Dou de ombros.
    - Já está tudo no fogo. Se quiser pode pôr a mesa.
    - Claro. Só me dizer onde ficam as coisas.
    - Ali fica os pratos, ali os talheres, ali os copos – Aponta para os lugares – E ali fica a mesa.
    - Rá! Engraçadinho – Ele ri.
    Pego as coisas e começo a levar para mesa.
    Vinte minutos depois estávamos comendo.
    - Isso aqui está muito bom – Pego um pedaço de pão e raspo o restante do molho – Não sabia que você cozinhava tão bem.
    - Você não sabe de muita coisa sobre mim, Chloe – O olho sorrindo, mas ele não está fazendo o mesmo. Está sério, com seus olhos em mim.
    Pigarreio e me levanto.
    - Vou deitar mais cedo hoje. Deixa a louça ai que eu lavo amanhã pela manhã.
    Escovo meus dentes e me deito na cama. Pego meu celular e fico jogando por um bom tempo até me sentir entediada e levantar.
    Sento numa poltrona que tem perto da janela e fico olhando o céu. Não é possível ver nenhuma estrela, está tudo coberto por nuvens carregadas de água.
    Lá fora existe pouca iluminação, poucos postes espalhados pela estrada de barro.
    É um lugar muito bonito, entretanto eu jamais me acostumaria em morar aqui. O Greg muito menos. Ele gostava da vida badalada da cidade grande.
    Assusto-me com o barulho de um raio. Lá vamos nós de novo, mas uma noite de chuva. Estou começando a ficar preocupada.
    - Chloe – Garrett chama e bate na porta.
    - Sim?
    - O noticiário avisou que está vindo uma tempestade feia por ai. Disseram que é melhor a gente passar a noite no porão.
    - Por quê?
    - Em caso de árvores saírem voando por ai, por exemplo.
    - Misericórdia.
    - O porão é reformado, não se preocupe. Tem um quarto e um banheiro. Também tem dois sofás-camas na sala, dá pra gente passar bem a noite.
    - Ok – Vou até a cama e pego meu lençol e travesseiro – Aliás, você pode me emprestar um moletom? Está bem frio.
    - Vou pegar – Entra em seu quarto e vasculha sua cômoda – Aqui.
    Visto o moletom azul-bebê e ele fica parecendo um vestido em mim.
    - Ficou ótimo em você – Ele comenta.
    Pegamos algumas garrafas de água, um pouco de comida e descemos para o porão.
    - Uau, é lindo aqui embaixo.
    - Gostou? Eu mesmo decorei – Deixo minhas coisas encima do meu sofá-cama e ando pelo espaço, observando os detalhes.
    - Você e o Gregory são muito parecidos nessa parte. Ele também amava uma boa decoração.
    Olho para ele e o mesmo está bem sério.
    Dou o assunto por encerrado e começo a abrir o sofá para arrumar minha "cama".
    - Quer ajuda? – Pergunta.
    - Tudo bem, eu me viro – Puxo com força e o sofá abre de uma vez só, me fazendo cair de bunda.
    Garrett faz cara de alarde e eu logo começo a rir.
    - Como sou desastrada – Falo entre risos. Ele solta uma risadinha e balança a cabeça.
    Ele me entrega um lençol extra e estendo sob o sofá, jogo meu travesseiro e me deito.
    Que coisa mais confortável! Acho que não quero voltar mais para o meu quarto.
    - Ainda está com frio?
    - Um pouco – Confesso.
    - Vou aumentar o aquecedor, então – Vai até um botão, que esqueci o nome, na parede e o gira um pouco para cima – Pronto.
    Só que no mesmo instante que ele deita em sua "cama", as luzes se apagam.
    - Ah não! – Falamos os dois ao mesmo tempo.
    - Vou buscar lenha para acender a lareira.
    - Ir lá fora? Ficou maluco? Esquece isso, eu posso sobreviver.
    - Tem certeza?
    - Só fica quieto, ok? – Escuto uma risada baixa.
    - Ok!
    Ficamos em silêncio e eu respiro fundo, tentando não pensar muito no quanto está ficando esquisito nós dois naquele escuro... Sozinhos!
    Como eu gostaria de ter trago meus fones de ouvido.
    Pego meu celular e abro meu aplicativo de música, fico passando pelos nomes, parando nas músicas que eu gostaria de ouvir agora.
    Até que um nome me chama atenção... Eu não sabia que ainda tinha essa música no meu celular. Há quanto tempo não atualizo minha playlist?
    - Eu sempre gostei dessa música – A voz do Garrett soa entre o barulho da chuva lá fora.
    - É falta de educação ficar xeretando as pessoas mexendo no celular, sabia? – Ergo a cabeça um pouco para trás e o vejo rindo.
    Os sofás estão em uma posição de L, mesmo que separado, e estamos deitados ambos de cabeça "para cima", o que nos deixa um pouco próximos.
    - Não tenho nada melhor para fazer, então...
    Volto a minha posição de antes e desligo o celular.
    Fico em silêncio, com medo de onde essa conversa pode dar.
    Garrett não parece querer o mesmo que eu.
    - Põe ela para tocar.
    - Meu celular está quase descarregando – Minto.
    Penso que ele finalmente se deu por vencido, entretanto lá está ele cutucando a ferida.
    - Você se lembra daquela noite em que a escutamos pela primeira vez?
    Eu não respondo.
    - Foi a noite em que tudo aconteceu – Continua - A melhor noite da minha vida... E então você me deixou.
    Remexo-me no sofá, me sentindo incomodada.
    - Acho melhor a gente ir dormir.
    - É sempre assim... – Ele comenta com um suspiro pesado, mas não acho que seja algo para mim.
    Prefiro fingir que não escutei e me viro para o outro lado, pedindo a Deus que o sono me nocauteie logo.
    ******
    Remexo-me ao despertar e acabo indo de encontro ao chão. Solto um gemido de dor e aliso minhas costas.
    - Esqueci que tinha dormi aqui – Falo sozinha.
    Levanto a cabeça e vejo um raio de sol entrar pela pequena janela do basement.
    A chuva foi embora. Espreguiço-me e arrumo o sofá antes de subir.
    - Oh, oi! – Garrett passa pela porta do quintal assim que adentro a cozinha.
    - O que é isso? – Aponto para a cesta em sua mão.
    - Está um sol muito bom, então achei que a gente podia andar a cavalo.
    - Mesmo? – Sinto-me tão indisposta.
    - Sim. E... Bem, se você quiser podemos fazer um piquenique. Conheço um campo lindo aqui perto, tenho certeza que você vai gostar.
    - Você já planejou tudo mesmo, não é? – Ele me lança um pequeno sorriso.
    - Vou te esperar lá na cocheira.
    - Tudo bem – Pego uma maçã e subo para meu quarto.
    Vasculho minha mala e a única peça que posso usar é a calça legging. Separo-a junto com uma blusa de manga e deixo meu tênis no pé da cama.
    Observo o relógio e são 10hr30min. Caramba, eu dormi demais!
    Corro para o banheiro em busca de tomar um rápido banho.
    Passo na frente do espelho e percebo que ainda estou usando o moletom do Garrett. O tiro e não posso evitar coloca-lo embaixo do meu nariz e sentir o seu cheiro.
    Fecho meus olhos e minha mente vaga para a noite de ontem. Garrett estava mesmo disposto a falar sobre o nosso passado, mas eu sequer quero me lembrar dele.
    Em algum momento da noite, quando me certifiquei que ele já dormia, sentei-me no sofá e me peguei o assistindo dormir.
    Como ele é lindo, mesmo dormindo seus lábios ficam um pouco repuxados no canto. É como se ele sorrisse em seus sonhos.
    Algo em mim estava estranho em relação a ele. Eu apenas não sei o que é. E prefiro que continue assim. Daqui a pouco estarei indo embora e tudo isso vai ficar para trás. Vou entregar-lhe a caixa e nunca mais nos veremos.
    Termino o banho e me arrumo, andando a passos largos para ir ao seu encontro.
    Eu só quero que esse dia termine logo e eu possa voltar para casa, com minha missão cumprida.
    - Ai está você – Fala a me ver – Eu vi que vocês se deram bem, então vou deixar que fique com a Sasha.
    - Oi Sasha – Aliso seu focinho. Seus pelos negros são macios e brilhantes, quase tenho vontade de me deitar sobre ela.
    Vou para seu lado e coloco meu pé esquerdo no apoiador para subir.
    - Você consegue... – Pego impulso e monto com facilidade -... Subir.
    Eu sorrio para ele e o mesmo dá de ombros.
    Garrett monta no seu cavalo e pega a cesta que deixou pendurada.
    - É só me seguir. Dependendo dos nossos passos, chegamos em meia hora lá.
    - É tão longe assim?
    - Só se você for muito lenta – Brinca.
    - Vai sonhando – Bato levemente na barriga da Sasha e começamos a galopar.
    Ele logo me alcança e passamos a andar lado a lado.
    Por onde passávamos, ele me mostrava tudo e contava algo sobre o lugar. Era um canto mais bonito que o outro. Ainda bem que trouxe meu celular.
    Tivemos que atravessar um pequeno rio, suas águas estavam baixas, dava para ver tudo. Demos um tempo para que os cavalos bebessem água, até nós dois também, e seguimos.
    Por causa disso, chegamos ao campo que o Garrett falou um pouco mais do que meia hora.
    O que importa é que chegamos.
    - Que lugar lindo – Comento. Nós descemos dos cavalos e os amarramos umas três árvores longe de nós.
    Ponho a mão na cintura e observo ao meu redor, ficando ainda mais admirada com a beleza desse lugar. É tão lindo que parece aquelas fotos de Photoshop, um lugar que você nunca acha que vai ver de verdade alguma vez na vida.
    Estamos rodeados de árvores e flores e existe apenas o espaço onde estamos, coberto de uma grama verde sem igual. Como a natureza é perfeita!
    - Gostou, ahm?
    - Adorei – Sorriu para ele – Obrigada por me mostrar esses lugares tão bacanas.
    - Não há de que – Seu sorriso aumenta.
    Ele vai até seu cavalo e desamarra a cesta, a trazendo para nós. Tira de lá uma grande e grossa toalha azul.
    - Senta aqui – Ele senta e bate do espaço ao seu lado.
    Fico um pouco relutante, mas vou. Só então me dou conta de minhas pernas trêmulas.
    - Acho que faz um bom tempo que alguém não monta, em – Ele encara minhas pernas que não param de tremer.
    - Odeio isso.
    - Tudo bem. Vem cá – Ele puxa minhas pernas para seu colo – Me deixa fazer uma massagem. Vai ficar novinha em folha.
    - Não precisa – Tento tirar minhas pernas, mas ele as segura.
    - Para com isso. Eu não vou fazer nada demais – Solta uma piscadela.
    Garrett faz sinal que eu deite e ele fica em pé. Pega a minha perna direita e sem tirar meu tênis, ele começa a empurrar meu pé para trás e para frente, flexionando-o delicadamente.
    Logo ele apoiou minha perna em seu ombro e passou a massagear minha panturrilha.
    Deus, isso é bom! Isso é muito bom.
    Fecho os meus olhos e mordo meus lábios para não soltar um gemido e tornar aquele momento mais embaraçoso. Pelo menos para mim.
    Eu não queria, mas sentir suas mãos em mim, estava me fazendo sentir coisas que eu não gostaria de sentir. Meu coração estava acelerado, minha respiração estava pesada e minhas mãos suando.
    Desde que cheguei, nunca ficamos tão perto assim. Algo estava despertando dentro de mim, e isso está assustando o inferno em mim.
    Abro os meus olhos devagar e o vejo me encarando. Seu olhar é intenso e sua testa está um pouco enrugada.
    - Como se sente? – Pergunta depois de um tempo.
    - Eu não sei – Respondo sem saber se estou respondendo sua pergunta ou à minha.
    - Sente-se e cruze as pernas como borboleta – Respiro fundo e faço o que ele manda.
    - Hei, minhas pernas estão curadas. Não estão tremendo mais.
    Ele ri fraco.
    - Já está pronta para outra.
    - Obrigada – Ele dá de ombros e senta ao meu lado.
    - Quer almoçar?
    - Sim, por favor.
    Ele abre a cesta e tira alguns sanduíches, frutas, suco e até uma torta de caramelo.
    - Você fez tudo isso?
    - Menos a torta. A vizinha não tão vizinha assim, passou lá hoje cedo e comprei uma. Ela está tendo problemas em levar para a cidade por causa da chuva.
    - Ah. Que legal da sua parte.
    Pego um sanduíche, desembrulho e dou uma grande dentada. Sinto o gosto do molho branco e só falto cair para trás.
    - Perfeito – Comento com a boca cheia.
    Eu nem quis saber mais de sanduíche ou frutas, estava de olho mesmo era na torta. Peguei a faca e cortei um pedaço generoso.
    Dessa vez não faço a mínima questão de esconder meu agrado. Solto um gemido longo e alto, o que o faz gargalhar.
    - Você quer um pouco de privacidade? – Brinca.
    - Meu Deus, que coisa deliciosa! Nunca comi uma torta de caramelo tão gostosa em toda minha vida. E que o Sebastian não me ouça falando isso.
    - A senhora Joyce tem uma mão de fada mesmo. Você precisa provar o pão caseiro dela, é simplesmente fantástico.
    Olho para ele e sorriu. Ficamos em silêncio e eu voltei a "transar" com meu pedaço de torta. É tão bom que não quero que acabe.
    - Chloe... – Garrett me chama. Seu olhar é sério para mim.
    - Hum?
    - O que... O que você estava pensando?
    - Como assim?
    - Enquanto eu estava te massageando, eu juro que até podia ver uma fumacinha saindo de sua cabeça.
    - Não estava pensando em nada – Tento me sair.
    - Você acha mesmo que consegue mentir para mim?
    - Esquece isso, ok. Não é bom a gente falar sobre esse assunto, melhor deixar as coisas como estão.
    Ele se ajeita de modo que fica de frente para mim.
    - Você estava pensando em mim? Em nós?
    - Garrett...
    - Chloe, eu preciso saber. Isso está me matando.
    - Por que quer saber? Isso não vai fazer nenhuma diferença. Nada vai mudar.
    - Vai fazer diferença para mim! – Se aproxima mais – Por favor.
    - Ok – Me levanto – Tudo bem, eu falo.
    Afasto-me um pouco dele e respiro fundo, ficando de costas.
    Falar tudo que vou falar, vai complicar tudo. Deus, isso não vai acabar bem.
    - Sim, Garrett. Eu estava pensando em você, em como eu me sentia com você me tocando.
    Um silêncio cai sobre nós, eu até posso escutar meu coração competindo com uma escola de samba.
    Sinto a mão do Garrett em meu ombro, me obrigando a virar para ele. Fecho os olhos e começo a respirar mais rápido. Eu não tenho coragem de encará-lo.
    - E... E como você se sentiu? – Ele quase sussurra.
    - Garrett, por favor...
    - Abre os olhos. Eu quero ver em seus olhos que é verdade o que você vai me dizer.
    Abaixo a cabeça e abro os olhos, encarando o chão. Garrett põe as duas mãos no meu rosto e finalmente tomo coragem de olhá-lo.
    Seus olhos brilham ao me encararem, existe um brilho de expectativa, medo, angústia e muitos outros sentimentos. Tenho certeza que se pudesse me ver no espelho, eu estaria refletindo as mesmas coisas.
    Sinto-me nervosa. Muito nervosa. Ele se aproxima um pouco mais e eu seguro em seus pulsos, querendo tirar suas mãos de mim e me afastar. Contudo eu simplesmente não era capaz. Garrett sabe o efeito que está causando em mim.
    Não sei o que está acontecendo, não sei o que estou sentindo. Porém é nítido que está rolando algo entre nós dois. Pelas suas palavras, em querer saber o que eu estava pensando, ele já devia se sentir assim há algum tempo. Eu fui a única a não perceber nada.
    Nós estamos pisando em um território perigoso. Mas é como se eu não me importasse com as placas gritantes, alertando do perigo.
    - Chloe?
    - Sim? – Ele está perto que já não consigo mais raciocinar direito.
    - Talvez o que eu faça agora acabe com tudo de vez, porém eu preciso saber. Eu preciso ter certeza do que está acontecendo. Portanto eu vou te beijar.
    Engulo seco.
    - Então... – Umedeço os lábios – Então me beije de uma vez.
    Eu não precisei falar uma segunda vez e nem ele sequer hesitou.
    Seus dedos desceram lentamente por minha bochecha em direção a meus lábios, que automaticamente se entreabriram com seu singelo toque. E então sua mão vai fazendo um lento caminho por meu pescoço até que sua mão se encontra em minha nuca.
    Sentir o seu toque, faz os pelos dos meus braços se arrepiarem e uma agonia em meu estômago surgir.
    Quando dei por mim, seus lábios já estavam nos meus.
    Prontamente eu agarro sua nuca, o puxando para mais perto. Nossa proximidade nunca parecia o suficiente.
    Começamos a andar para trás até que me peguei presa entre ele e uma árvore.
    Garrett agarrou minhas pernas, me fazendo pular e me encaixar em sua cintura.
    Mas no momento em que nossos lábios se separaram, um lampejo de sobriedade me tomou e recuperei minha sanidade.
    - Não, para! – O empurro com tanta força que quase caímos.
    Ele me põe no chão e me olha confuso.
    - O que foi?
    - Eu não posso fazer isso, ok? Vamos para casa, por favor.
    - Chloe, me diz o que está acontecendo.
    - Para casa, por favor.
    Ele balança a cabeça como quem não acredita no que acabou de acontecer.
    Guardamos as coisas em silêncio e montamos em nossos cavalos.
    E o caminho de volta foi assim, um completo e constrangedor silêncio. O que foi um tremendo inferno, parecia que não íamos chegar mais nunca.
    Quando finalmente avistei a fazenda, cavalguei mais rápido e praticamente pulei do cavalo para me ver logo livre.
    Se eu passasse mais um segundo perto dele, estaria tudo perdido. Eu não resistiria mais, me entregaria em seus braços sem sequer me importar com as consequências.
    E eu sei que não posso fazer isso, eu seria uma miserável se traísse meu amigo.
    Entro no meu quarto e tranco a porta.
    - Droga! – Encosto-me à parede – O que eu estou fazendo? Isso está errado, eu não posso seguir com essa loucura.
    Deus, isso não pode estar acontecendo. Não tem como ainda existir algo entre nós dois, já faz muito tempo.
    Eu prometi naquele dia que não iria gostar dele, não depois de tudo. E agora aqui estou, querendo me jogar nos braços do homem que prometi não amar.
    Sento no chão e coloco minha cabeça entre as pernas e respiro fundo várias vezes.
    - Droga, o que eu faço? Volto lá e continuo de onde paramos ou dou um basta?
    Sento na cama e tiro meu tênis e a blusa de manga, ficando só de blusa de alcinha. Prendo o cabelo e deito. Não consigo parar de pensar no seu beijo, em suas mãos em mim, do seu aperto... Droga, eu não vou conseguir dormir sabendo que aquele homem está sob o mesmo teto que eu.
    Levanto da cama e começo a andar de um lado para o outro, minhas unhas praticamente estavam entrando em extinção.
    - O que eu faço? O que eu faço?
    Nesse momento, escuto fortes batidas na porta.
    - Ai não! – Começo a tremer de imediato.

    - Chloe, abre!
    Ando lentamente até lá e tento me encher de coragem antes de abrir a porta.
    Mal abri e ele já foi me bombardeando com palavras.
    - Você pode dizer que não sente nada, agir como se não pudesse ficar comigo. Mas eu sei que não é verdade. Chloe, eu te beijei e lembro muito bem que você me correspondeu positivamente.
    Para pra respirar.
    - Então, me dê um bom motivo, mas um bom mesmo, para eu não entrar no seu quarto, te derrubar naquela cama e mostrar a você tudo que quis fazer desde o dia em que você pisou nessa casa.
    Fico sem ação. Eu tenho um motivo, mas ele é bom o suficiente? Ou melhor, eu quero usá-lo?
    Abro e fecho a boca várias vezes, sem saber o que dizer?
    - Há um bom motivo para me impedir, Chloe?
    - Eu não tenho um motivo agora – Digo por fim.
    - Tudo resolvido, então.
    Se eu tinha algum fio de sanidade, acabei de perder tudo. Esta noite eu vou aproveitar e fazer tudo que eu bem quiser.
    Garret adentra o quarto e fecha a porta atrás dele.
    Ele não me toca, apenas vai se aproximando de uma forma predadora, me fazendo recuar vagarosamente até esbarrar na cama.
    - Acho melhor você deitar, Chloe.
    Subo na cama, nunca perdendo o contato visual, e me deito.
    Faço menção em tirar a blusa, mas ele balança o dedo para mim.
    - Você fica quietinha, eu mesmo quero fazer isso.
    Ele fica sob mim e beija meu pescoço. Eu arquei minha cabeça para trás, lhe dando mais acesso a mim.
    Garrett desce seus lábios por meu corpo, parando em cada parte para dar um pouco de atenção. 
    Não faço a mínima questão de esconder o quanto aquilo está sendo prazeroso para mim. Ponho minha mão entre seus cabelos e os aperto, fazendo com que ele dê uma leve mordida em minha barriga.
    Com sua boca, ele chega a minha área favorita e começa a tirar minha calcinha.
    Sem me conter, eu aperto um pouco mais minha mão em seu cabelo e faço com que ele fique um pouco ali. E ele entende muito bem o recado.
    Já estou prestes a explodir, mas ele para e volta a subir com beijos.
    Quando minha blusa e sutiã já eram, ele se aproxima do meu ouvido e sussurra:
    - Hoje você é minha e eu vou te fazer lembrar um dos motivos pelo qual você se apaixonou por mim.
    ******
    Estou em um sono profundo e estou sonhando que estou sendo esmagada por uma rocha. Quanto mais eu me movo, mas a rocha me pressiona.
    Já está ficando difícil de respirar, por isso começo a me mexer para tentar escapar. Quando sinto que já estou me livrando, volto a me sentir esmagada.
    Acordo assustada e sinto algo ainda me espremer. Mas agora não é mais a rocha e sim os fortes braços do Garrett.
    Ele está me assistindo dormir.
    - Hei, tudo bem?
    - O quê?
    - Você estava se debatendo enquanto dormia.
    - Ah, isso – Tento sentar e ele tira os braços de mim – Não foi nada.
    Eu prendo meu cabelo e esfrego meu rosto, tentando afastar a sensação sufocante do sonho.
    Levo um pequeno susto ao sentir os lábios quentes do Garrett em meu ombro.
    - Bom dia – Olho um pouco para o lado e ele sorri.
    - Desculpa, eu preciso ir ao banheiro – Levanto, sem me importar se estou completamente pelada, e praticamente saiu correndo.
    Pego um copo e encho de água. Sento na beirada da banheira e puxo profundas inspirações, procurando um jeito de me acalmar.
    Eu sei que foi só um sonho, mas me sinto tão angustiada que não consigo tirar da minha cabeça.
    - Chloe, você está bem? – Garrett fala do outro lado.
    - Ahm, claro. Eu já estou saindo.
    Pego o roupão e me enrolo nele.
    Garrett está de volta à cama e sorri a me ver.
    - Vou preparar o café da manhã. Quer algo especial?
    - Não estou com fome – De fato estou me sentindo enjoada.
    Ele suspira e balança a cabeça.
    - Você está agindo estranho.
    - Não estou não.
    - Chloe, não vamos começar com isso de novo. Tivemos uma noite tão especial. Senta aqui e vamos conversar...
    Sento na cama de frente para ele e ele me puxa pelas pernas, fazendo com que eu me encaixe nele.
    - Oi – Fala depois de me dar um selinho.
    - Oi – Seu sorriso bobo acaba amolecendo meu coração.
    - Tudo bem? – Solto uma risada baixa.
    - Acho que sim.
    - Eu estou ótimo – Me abraça e depois distribui alguns beijos por meu rosto e ombro – Você pode não estar com fome, mas eu estou faminto. Vou descer e preparar alguma coisa.
    Tira o lençol e levanta.
    - Garrett – O chamo.
    - Sim?
    - Você vai ficar andando por ai pelado?
    - Isso te incomoda? – Faz cara de travesso.
    - Não – Ele ri e sai andando.
    Me jogo de costas na cama e me dou conta que não tiro o sorriso do rosto.
    Não posso negar que não me sentia tão bem assim há tanto tempo. É verdade o que Garrett disse, tivemos mesmo uma noite especial.
    Foi incrível. Parte de mim grita por mais, mas a outra parte, a parte que me domina, grita para eu sair correndo daqui imediatamente.
    Eu poderia seguir com isso, aproveitar o tempo que nós temos até ir embora. Entretanto eu estaria sendo muito egoísta, e estaria brincando com os sentimentos dele.
    - Você não pode fazer isso com ele, Chloe – Brigo comigo mesma – Tem que dar um basta nisso agora mesmo.
    E é isso mesmo que vou fazer.
    Pego uma muda de roupa e tomo um banho.
    Escuto o barulho da TV e sigo para lá.
    - Senta aqui – Garrett fala ao me ver – Estou pensando em fazer essa receita para o almoço – Ele está todo empolgado.
    Sento ao seu lado, tentando manter um pouco de distância, mas ele põe seu braço sob mim e me puxa para perto.
    Quero falar para ele que não podemos continuar com isso, que é melhor pararmos enquanto está tudo bem. Contudo não consigo.
    Só em olhar para ele e o ver sorrindo o tempo todo, minha coragem se esvai.
    E eu também estou gostando de ficar assim com ele.
    Quão filha da mãe eu estou sendo por fazer isso? Mesmo sabendo que assim que o telefone tocar, eu terei que quebrar seu coração mais uma vez?
    - O que achou? – Ele chama minha atenção.
    - Bom – Sorriu para ele. Espero que esteja falando apenas da nova receita que ele pretende fazer.
    Durante todo o dia de domingo, eu tentei conversar com ele e abrir o jogo. Porém tudo que consegui foi sua atenção, carinho e muito mimo.
    Tivemos um dia só para nós dois e me dói saber que logo isso vai acabar.
    Não choveu mais durante todo o tempo, então a noite fomos para fora e estendemos uma grossa manta na grama e ficamos lá deitados, admirando o lindo céu que havia se revelado sem as nuvens de chuva.
    - Não é lindo? – Ele pergunta.
    - Demais.
    - Eu estou muito feliz de ter você aqui, Chloe – Ele sussurra com seus olhos pregados em mim.
    - Eu também, Garrett. Eu também – Falo com toda sinceridade que há em mim.
    Ele se curva sob mim e me beija.
    Logo uma coisa leva a outra e fazemos amor ali mesmo, no meio da rua sob a luz do luar.

    ****


    Penso que vou acordar ainda fora de casa, mas me vejo enrolada nos lençóis da cama do Garrett.
    Enrolo-me no lençol para levantar, porém ele entra no quarto segurando uma bandeja cheia de comida.
    - Bom dia – Dá-me um beijo no rosto e põe meu cabelo atrás da orelha.
    - Bom dia.
    - Dormiu bem?
    - Sim – Sorriu – Achei que ainda estaríamos dormindo lá na grama.
    - Hum... Seria um show e tanto para meus vizinhos – Ele ri.
    - Deus, não!
    - Azar o deles não poder contemplar uma beleza dessas – Baixa um pouco o lençol e começa a me beijar.
    Contudo o ronco vindo da minha barriga faz com que ele pare.
    - Vamos comer – Diz e me serve um pouco de suco.
    Tomo primeiro um gole de água e logo começo a comer.
    Eu nunca tinha conhecido esse lado do Garrett, o lado do homem prendado, que cozinha e tudo.
    Tudo que ele faz é maravilhoso!
    - Você se daria muito bem se abrisse um restaurante – Comento depois de engolir o pedaço de bolo.
    - Você acha?
    - Uhum – Afirmo com a cabeça.
    - Eu poderia trabalhar na sua loja – Brinca.
    - Não acho que tenha lugar lá para você e o Sebastian – Tento desconversar. Ele ri, mas volta a me olhar sério.
    - Acha que poderia se acostumar com a vida aqui? – Sinto um frio na boca do estômago com sua pergunta.
    Começo a martelar meus neurônios, tentando pensar em algo para falar.
    Solto um suspiro de alívio ao sermos interrompidos pelo toque do telefone na cozinha.
    Saiu correndo escada a baixo e invado a cozinha, atendendo telefone no último minuto.
    - Alô? – Atendo toda afobada.
    - Olá, é a senhorita Chloe?
    - Sim, é ela mesma.
    - Sou a Lady, da agência de táxi.
    - Oh meu Deus, vocês acharam minha caixa?
    - Sim, estamos ligando exatamente por isso. Na sexta-feira mesmo o taxista a devolveu, mas não conseguimos entrar em contato.
    - Tudo bem. Oh Deus, estou tão feliz com essa ligação. Vou agora mesmo para aí.
    - Claro, estamos aguardando. Tenha um bom dia.
    Ponho o telefone no gancho e o Garrett pede que eu fale de uma vez.
    - Acharam a bendita caixa! Vou me trocar agora mesmo para a gente buscar.
    Subo correndo e visto a primeira roupa que veja em minha frente. Desço e encontro o Garrett na porta da frente.
    - Vamos logo – Entro no carro e ponho o cinto.
    - A estrada não está cem por cento, mas acredito que já dê para passar.
    - Tem que dar.
    Damos partida e me concentro em manter a calma.
    Obrigada, meu Deus! Muito, muito obrigada!
    A estrada está mesmo com um pouco de lama, mas nada que nos impedisse de continuar com a passagem.
    Finalmente eu poderia cumprir com a minha missão, entregar a caixa ao Garrett.
    Solto um suspiro e me pego pensando na noite de ontem. Foi tudo tão bom o que passamos, o que tivemos. Só agora eu percebo o quanto eu senti falta dele, de nós.
    E admitir isso para mim mesma só me mata um pouco mais por dentro.
    Mas não pode passar disso. O sonho que tive foi um aviso de que o que eu fiz foi errado e que isso não pode se repetir.
    - Chloe?
    - Sim? – Viro para olhá-lo.
    - Eu acho que precisamos conversar.
    - Não é o melhor momento, Garrett. É sério.
    - Por que não?
    - Só não vamos falar sobre isso agora, por favor.
    Ele não fala mais nada, mas posso sentir seus olhos em mim durante nossa pequena viagem, digamos assim.
    Foi reconfortante quando chegamos à cidade e paramos em frente à agência.
    Saltei do carro e passei correndo pela porta, deixando algumas pessoas me olhando com cara feia.
    - Oi, eu sou a Chloe. Falamo-nos mais cedo.
    - Olá.
    - Então, eu quero minha caixa – A atendendo, que não era mais a sebosa da outra vez, sorri achando graça do meu comportamento.
    - Só um momento – Ela passa por uma porta escrito "Apenas funcionários", e eu me sinto muito ansiosa.
    - Vai ter um derrame se continuar assim.
    - Só vou me acalmar quando vê-la.
    E se passaram os segundos, um minuto, cinco, dez minutos e nada.
    Já estava prestes a invadir a sala, quando ela passa pela porta.
    - Aqui está – Fico tão feliz de ver que ela realmente está a salvo que travo.
    - Chloe, a senhora está falando com você – Eu não me mexo.
    - Ela está bem?
    - Só emocionada – Garrett comenta.
    Aos poucos recupero meus movimentos e me aproximo da caixa. Agarro-a como se minha vida dependesse disso e me pego derramando algumas lágrimas.
    - É importante para ela – Acho que as pessoas estão me olhando estranho, entretanto eu apenas não ligo.
    - Precisamos assinar alguma coisa? – Garrett pergunta.
    - Não, tudo bem.
    - Obrigado, somos muito gratos pelo serviço e atenção de vocês.
    - Só tomem mais cuidado da próxima vez.
    Sequer me despeço, vou para o carro agarrada a caixa como se fosse meu bebê há muito tempo perdido.
    - Ah, espera um segundo – Desço e volto lá para dentro – Vocês podem mandar um táxi para esse endereço daqui 1hr00min no máximo?
    - Sim, claro – Ela pega o papel e guarda.
    - Obrigada.
    O caminho de volta foi ainda mais silencioso. Eu só conseguia pensar que era isso. Eu ia chegar à fazenda, entregar a caixa ao Garrett, pegar minhas coisas e partir.
    Tudo voltará a ser como era antes.
    Eu quero que tudo volte a ser como antes?
    A resposta é que mais uma vez eu não sei.
    Um tempo depois, chegamos à fazenda e descemos em silêncio, caminhando para a sala assim que passamos pela porta.
    - Bom – Falo por fim – Garrett, acho que isso te pertence.
    Aproximo-me dele e a entrego em suas mãos.
    - Eu vou te dar privacidade. Vou subir e arrumar minhas coisas. Volto hoje mesmo para casa.
    Entro no quarto e pego minha pequena mala. Recolho algumas coisas que estavam espalhadas pelo quarto e banheiro e termino de guardar.
    Não me incomodo de trocar de roupa, mas me preocupo em arrumar a cama antes de sair.
    Deixo dobrado encima da cama o moletom do Garrett que usei.
    Fecho a porta atrás de mim e dou uma última olhada no andar de cima antes de ir.
    - Você vai mesmo embora desse jeito? Como se nada tivesse acontecido?
    Garrett encara minha mala.
    - Por favor, não complique mais as coisas. O que tivemos foi ótimo, mas não pode passar disso.
    Ele olha para a caixa e depois para mim.
    - Fica. Pelo menos até eu ver o que tem aqui dentro – Garrett me conhece e sabe que não vale a pena discutir. Ele sabe quando já tomei uma decisão e bati o martelo.
    - Garrett, eu não posso. Eu sequer abri a minha, não tenho coragem de ver o que tem dentro de nenhuma delas.
    - Por que não abriu a sua?
    - Porque no momento em que eu fizer, eu sei que vou desmoronar. E não sei se estou pronta para isso.
    - Então fica... Por mim – Seus olhos são suplicantes.
    - Não posso – Sinto um nó em minha garganta.
    - Nós sequer conversamos sobre o que aconteceu nesses dias.
    - Não há nada a ser conversado.
    Ele se afasta, estressado e passa as mãos no cabelo.
    - É assim? Vai fugir de novo assim como da outra vez?
    - Eu não estou fugindo de nada.
    - Não é o que parece.
    - Você não entende – Quase sussurro.
    - Então me ajuda a entender, caramba! – Grita.
    Ando até a janela, puxo um pouco a cortina e vejo que o táxi não está ali ainda.
    Encosto-me a parede e fico de cabeça baixa.
    Garrett se movimenta pela sala, está inquieto. Eu também estou e era isso que eu queria evitar.
    Eu sabia que me entregando ao que eu queria, causaria algum estrago de certa forma.
    - No dia em que você chegou aqui – Garrett fala de repente – Quando eu abri a porta e vi que era você, eu fiquei muito confuso. Perturbado, sabe.
    - Não pareceu – Falo ainda de cabeça baixa.
    - Com o tempo, me tornei bom em esconder meus sentimentos.
    A tensão cresce a cada segundo que passa.
    - Mas depois tudo que eu conseguia pensar era em como a vida estava sendo generosa comigo.
    - Como é? Não entendo – O fito.
    - Chloe, eu nunca deixei de te amar – Fala e eu quase sinto minha alma sair de mim.
    - Ficou maluco?
    - Ver você, parada bem na minha porta, foi como se a vida estivesse me dando uma segunda chance de ter você de novo.
    - Isso é loucura – Fico trocando de pé, inquieta.
    Onde está esse maldito táxi?
    - Loucura é o que você faz! Fica fugindo, negando que também me ama.
    - Eu não te amo!
    - Ah, eu tenho certeza que alguma coisa você sente. Você nunca foi de ficar com um cara só por ficar.
    O fuzilo com os olhos, totalmente chocada com sua ousadia.
    - Eu só quero entender porque faz isso. Porque se nega a viver a vida, com a pessoa que te ama. Você está me rejeitando mais uma vez e eu nem sei o porquê.
    - A gente só ficou algumas vezes, Garrett. E só transamos uma única noite e foi há quase dois anos atrás.
    - Sabíamos o que estávamos fazendo, sabíamos o que sentíamos um pelo outro. Só que você tinha medo de assumir, tinha medo de ficar.
    - Você não pode simplesmente me odiar como qualquer pessoa normal?
    - Por que eu te odiaria?
    - Porque eu te dispensei, Garrett. Eu te disse palavras duras e te deixei para trás, para ficar no meu passado. Isso é motivo o suficiente.
    - É mesmo um bom motivo. Mas a gente não manda no coração, Chloe. Não é tão simples assim esquecer o amor da sua vida.
    Ele suspira pesado.
    - Você esqueceu de mim assim tão fácil?
    - Para, por favor – Quanto mais ele fala, mais dói em meu peito.
    É como se alguém estivesse com as mãos cruas, cravadas em meu peito, quanto mais eu nego, mais a pessoa me rasgava.
    Eu não estou mais suportando ouvir suas palavras.
    - Você me pediu para ir embora! Eu fui, mesmo querendo uma explicação. Mas eu não vou aceitar isso de novo, Chloe. Eu preciso que você me diga o porquê não podemos ficar juntos.
    Continuo calada.
    - O Gregory te fez escolher entre mim e ele, é isso?
    - Não! – Falo de imediato.
    - E o que foi então, Chloe? Me fala!
    - Eu escolhi o Gregory, é isso.
    - Eu não te pedi para escolher, eu não faria isso.
    - Você não pediu, mas eu o fiz.
    - Por quê?
    - Eu descobri que o Gregory era apaixonado por mim – Falo de uma vez.
    - O quê? – Ele é pego de surpresa – Vocês ficaram juntos? É isso que está querendo dizer? – Dá um passo para trás.
    - Não, Garrett. Apesar dele se sentir assim sobre mim, ele nunca me contou. Nem mesmo em seu leito de morte.
    - E como você sabe disso?
    - Eu o ouvi contanto tudo para o Finn no dia em que chegamos da nossa formatura da faculdade.
    - Deus do céu! – Garrett pragueja – E você se sentia da mesma forma?
    - Eu o amava, mas não da mesma forma.
    - Então por que isso foi um empecilho para ficarmos juntos?
    - Você nunca entendeu o motivo de eu não querer contar a ele sobre nós. É que eu tinha medo da reação dele. Tinha medo que ele me odiasse e não quisesse mais falar comigo. Que no momento que eu contasse tudo a ele, ele iria me abandonar. E eu não suportaria isso – Seguro o choro.
    - Isso não é justo – Murmura.
    - Naquele dia você praticamente exigiu que eu contasse a ele sobre nós dois. E eu ia mesmo fazer. Porém no dia que cheguei em casa para contar tudo, Greg me contou que estava com câncer. Meu mundo ruiu e eu não tive coragem de falar mais nada. Para mim, tudo que importava agora era ele.
    Eu sei que minhas palavras podem estar o machucando ainda mais.
    - Foi por isso que terminou comigo?
    - Fiquei com medo de que se ele descobrisse sobre nós dois, sua saúde poderia piorar. Eu só queria fazer o possível para vê-lo bem, Garrett. Eu só queria que meu amigo, minha família, ficasse bem.
    - Eu sempre estive em segundo lugar na sua vida, hoje eu vejo isso.
    - Me desculpe, mas eu sempre o escolheria. Ele foi a pessoa que me manteve viva desde o momento em que entrei naquele orfanato. Eu devia minha vida a ele. Eu não espero que você entenda a ligação que tínhamos.
    Ele se aproxima tão rápido que sou incapaz de reagir. Suas mãos seguram meu rosto, me obrigando a olhá-lo.
    - Eu te perdoou, Chloe – Sussurra. Eu sinto a dor em sua voz – Por mais que você tenha feito isso comigo, eu não quero te perder de novo. Eu te amo.
    Garrett se curva e me dá três longos selinhos, entretanto não sou capaz de retribuir.
    Nesse momento o táxi para na entrada da fazenda e buzina.
    - Não vai, por favor.
    Tiro suas mãos de mim e me afasto.
    - Garrett, eu não posso.
    - Por que não, em? Eu já disse que te perdoou.
    - Agora não é mais apenas por isso. Muita coisa aconteceu.
    Afasto-me dele e pego minhas coisas.
    - Me diz, por mais que vá me matar por dentro. Se eu nunca mais vou te ver, quero que seja sincera comigo.
    Respiro fundo e decido falar de uma vez.
    - Se eu ficar com você, vai ser doloroso demais.
    - Como assim?
    - Sempre que eu olhar para você, vou me lembrar do Gregory.
    - Pelo amor de Deus, Chloe – Fala frustrado.
    - Eu vou me lembrar do sorriso dele – Continuo - Do seu tom de voz tentando soar sério ao brigar comigo quando eu fazia algo errado. Porém, o pior de tudo, quando eu te ver dormindo ao meu lado, eu vou reviver a cena do dia em que ele morreu em meus braços.
    Solto um soluço.
    - Ele morreu em meus braços, e enquanto eu o segurava para confortá-lo, eu o apertava forte como se ele estivesse ali para me confortar. Ele era tudo para mim, ele me salvou de viver um inferno, ele me salvou de viver uma vida miserável. E eu me senti a pior amiga do mundo porque eu não pude salvá-lo. Garrett, eu não pude fazer o mesmo por ele!
    - Eu sinto muito – Uma lágrima desce por seu rosto.
    Respiro fundo.
    - Tudo que ele continuava me dizendo era: vai ficar tudo bem, a gente vai dar um jeito nisso. Contudo não demos, eu o assisti morrer aos poucos, dia após dia. E mesmo que tivéssemos um ao outro, eu me sentia tão sozinha.
    Garrett corre para me abraçar e eu não luto. Esse abraço, esse consolo, era tudo que eu queria naqueles dias em que me vi chorando sozinha pelos corredores do hospital. Entreguei-me ao choro e desmoronei em seus braços.
    - Eu sinto muito, sinto tanto – Sussurrava para mim enquanto me ninava como se eu fosse uma criança inconsolável.
    - Eu daria tudo que tenho para mudar isso, para tirar a sua dor.
    O táxi volta a buzinar.
    Desvencilho-me dos seus braços e procuro me recompor. Com a manga do meu casaco, eu enxugo minhas lágrimas e respiro fundo e vou até a porta.
    - Chloe...
    - Adeus, Garrett – Saiu praticamente correndo e entro com tudo no táxi.
    - Bom dia, senhorita. Para onde?
    - Aeroporto, por favor.
    Ele dá partida e minha última imagem é do Garrett me encarando da varanda.

    *****


    Jogo minha mala no canto da sala e respiro aliviada por finalmente estar em casa. Tive muita sorte de conseguir uma passagem de última hora.
    Já era noite quando cheguei. Sentia-me tão estressada, que meu estomago roncava de fome.
    Peguei meu telefone para ligar para a pizzaria. Minha secretária eletrônica piscava avisando que eu tinha recados. Não estou com cabeça para ouvi-los.
    É bom que ninguém saiba que estou em casa, quero muito ficar sozinha.
    Encho minha banheira e coloco alguns sais de banho, volto para a sala e fico esperando o entregador.
    A pizzaria era perto, então 15 minutos depois eu estava recebendo minha refeição.
    - Oi, Doug – O cumprimento.
    - Olá, Chloe. Aqui está – Pego a caixa e lhe entrego o dinheiro.
    - Obrigada, até mais.
    A água ainda está morna quando retorno. Enfio-me debaixo d'água e fecho os olhos, esperando relaxar.
    Como já era esperado, isso se tornou impossível. Cada vez que eu me pegava em silêncio, tudo que me aconteceu durante esses dias voltam à tona a minha mente.
    Rever o Garrett, os dias que passei com ele... Os momentos.
    Tudo que ele me disse antes de eu vir embora. Deus! Como eu queria que tudo isso fosse apagado da minha memória.
    Eu só queria que esses dias não tivessem acontecido. Que eu não tivesse perdido aquela caixa. Teria sido bem mais fácil se eu só tivesse entregado e ido embora.
    E ainda dormimos juntos! Sou uma completa idiota!
    Sei que não é um bom banho que vai me fazer esquecer, então visto o roupão e vou para a cozinha.
    Pego duas latas de refrigerantes e me cento em frente à mesinha de centro, onde se encontra a pizza... E a caixa do Gregory.
    Pego uma fatia da pizza e levo a boca, nunca tirando os olhos da caixa.
    Será que algum dia eu vou ter coragem de abri-la? Eu estou tão curiosa para saber o que tem lá, mas, ao mesmo tempo, tenho tanto medo.
    A campainha toca e me assusto. Como alguém pode saber que estou em casa?
    Vou de mansinho até lá e olho pelo olho mágico. É o Finn.
    Eu posso ficar em silêncio até que ele vá embora.
    - Chloe, abre. Eu sei que você está ai, posso sentir o cheiro da pizza.
    Droga!
    Destranco tudo e abro a porta.
    - Como sabia que eu estava em casa?
    - Estava dando uma volta pelas redondezas e encontrei o Doug.
    - Ah – Dou espaço para que entre.
    - Que cara é essa?
    - Não é nada.
    Volto ao meu lugar no chão e o Finn senta ao meu lado e suspira.
    - Chloe, tem algo acontecendo e quero te ajudar. Eu sei que nunca vou poder substituir o Gregory, nunca vou ser seu amigo como ele foi. Contudo eu quero que saiba que eu estou aqui por você, que você pode confiar em mim.
    - Eu sei disso – Sinto-me melancólica – Me desculpa, eu sei que tenho agido estranho.
    - Tem me expulsado da sua vida mais que o normal – Sorri franco – Eu já deveria estar acostumado, mas fazer o que.
    - Você é incrível, sabia? Por me aguentar mesmo eu sendo um pé no saco.
    - Eu tento.
    - Quer dividir comigo?
    - Aceito – Pega uma fatia e a mordisca.
    Terminamos de comer toda a pizza e me levanto para pegar mais refrigerante. Ao voltar para a sala, vejo o Finn analisando a minha caixa mais de perto.
    - Quando pretende abrir? – Pergunta assim que sento ao seu lado.
    - Acho que nunca vou ter coragem – Afundo um pouco mais perto do sofá.
    - Chloe, quer me contar o que aconteceu nesse fim de semana? E não me diga que não foi nada.
    Solto um longo suspiro e corrijo minha postura.
    - Eu encontrei o Garrett...
    - Isso eu já sei – Me interrompe – Pula logo para a parte interessante.
    - Ok, Finn, você venceu. Sim, nós dormimos juntos e eu sou uma pessoa horrível por fazer isso.
    - Por fazer sexo? – Me olha sem entender.
    - Não, Finn. Não é isso. É que eu mexi em uma ferida que eu jurei que já tinha cicatrizado.
    - Tudo bem, agora você pode voltar na parte em que conta detalhe porque eu não estou entendendo nada.
    - Garrett e eu já tivemos um passado. Um bem conturbado para falar a verdade.
    - Sério? – Ele quase salta para cima de mim tamanho sua curiosidade.
    Finn parece até uma mulher que ama fofoca. Se eu não o conhecesse, até diria que ele é gay. Não que um homem precise ser gay para gostar de fofoca... Enfim!
    - Seríssimo.
    - E como foi isso?
    - Bom, resumindo a história de como nos conhecemos: o Gregory descobriu que tinha um irmão gêmeo, eles marcaram para se encontrar e eu fui junto. Foi lá que nos vimos pela primeira vez, desde então eu não conseguia parar de pensar no Garrett. Claro, eu não sabia o que sentia por ele ainda. Eu achava que era só espanto, curiosidade por saber que o Gregory agora tinha um irmão, porém não era isso.
    - Ele sentia o mesmo?
    - Eu não sei bem dizer. Eu e ele nunca tentamos uma aproximação de imediato, só nos encontrávamos se o Gregory marcasse algo. Contudo, cada vez que nos víamos, era sempre diferente. Eu sentia tanto frio na barriga só de pensar em vê-lo – Deixo um sorriso escapar ao me lembrar daqueles tempos.
    - Mas...
    - Eu gostaria que não tivesse um "mas" – Sorriu fraco - As coisas até que estava indo bem, a gente começou a conversar por mensagem, ligações. Só que eu nunca tive coragem de marcar algo com ele.
    - Por que não?
    - Eu tinha medo da reação do Gregory.
    - Mais uma vez: por quê?
    - Gregory apesar de tentar, ele nunca reagiu muito bem com a "volta" da família dele para sua vida. O Sr. Maxwell e o Garrett tentavam bastante se aproximar dele, mas o Greg estava sempre os afastando. Era muito raro ele os ver. Com o tempo Greg e Garrett começaram a se desentender, por coisas de família e coisas que até hoje não faço questão de entender. Resumindo: eles passaram a brigar muito. Até o ponto que quase saíram na tapa. E foi ai que deixaram de se falar. Eu fiquei no fogo cruzado, claro.
    - Eu sei o motivo do Greg não "gostar" – Faz aspas – Do Garrett.
    - É, eu também sei – Suspiro e tomo um pouco do refrigerante.
    - Sabe? – Se espanta.
    - Eu escutei vocês conversando sobre isso.
    - Caramba. Não me odeie por nunca te contar, não era algo que cabia a mim.
    - Claro, Finn. Tudo bem.
    - Enquanto eu ouvia o Gregory falar o quanto odiava o irmão e desejava que ele não existisse – Continuo - Eu falava com o Garrett escondido por telefone. Mas eu me sentia tão mal por isso, era como se eu estivesse traindo meu amigo.
    Eu estava muito bem sem eles na minha vida. Aliás, eu estava ótimo! Até eles aparecem e foderem com a minha mente. Eu não preciso deles, não preciso de ninguém! E é assim que vai ser agora, Chloe: para mim eles não existem mais - O Gregory praticamente berrava.
    - E então você decidiu se afastar do Garrett?
    - Mais ou menos isso. Eu e o Garrett passamos a nos encontrar, ele não sabia, mas era tudo escondido. Depois daquela briga, eu fiquei com medo que o Gregory achasse que eu estava o traindo ou coisa do tipo. Até o dia que ele descobriu e não aceitou, mandou que eu contasse tudo ao Greg, que ele não era dono de mim e teria que entender.
    Fico alisando a borda da lata, com as imagens daqueles dias em minha cabeça.
    - Voltei para casa naquele dia determinada a contar tudo e pôr um ponto final naquilo. Entretanto, o Gregory me recebeu com a notícia de que estava com câncer e eu não tive coragem de falar mais nada. Depois de chorarmos muito, ele pegou no sono e sai no meio da noite, fui para casa do Garrett. Foi naquela noite que aconteceu nossa primeira vez.
    - Caramba – Finn prestava atenção em mim como se eu tivesse contando as coordenadas do lugar onde estava o Jardim do Éden.
    - Pela manhã eu contei tudo a ele e tentei fazer com que fosse conversar com o Gregory, fazerem as pazes ou coisa assim. É claro que não rolou.
    - Os dias foram se passando e eu mentindo para meu melhor amigo, o que estava me destruindo. O Gregory estava muito mal, eu sabia que seus dias estavam contados. Nenhum dos dois necessária e explicitamente me fez escolher entre eles, mas eu sabia quem precisava mais de mim.
    Paro de falar por um momento e fico em silêncio, mexendo e encarando meus dedos.
    - E o resto da história você já sabe. Eu o deixei e ele também nunca voltou a me procurar. Pelo menos era o que eu achava...
    - Como assim?
    - Garrett apareceu no velório do Gregory e depois veio até minha casa, mas não fez contato. Ele disse que nunca deixou de me amar. Deus, ele me falou tantas coisas. Se minha mente já estava uma merda, agora é que ferrou de vez.
    - Puta merda.
    - Todo esse tempo eu sofri com tudo, mas só então percebi que não era a única. Ficou explicito para mim o quanto aquilo machuca ele, o fato de não ter ido se despedir do irmão quando teve a chance.
    - Chloe – Finn se inclina sobre a mesinha de centro e pega a caixa – Você precisa abrir isso!
    - Não.
    - Abre logo! Sua cabeça está uma merda e talvez o que tem aqui dentro te ajude a resolver isso.
    - Eu não quero resolver nada, é melhor deixar tudo como está.
    - Rá! Definitivamente você quer resolver isso. Minha querida, você pode não ver, mas eu vejo o brilho em seus olhos cada vez que você fala o nome desse cara. Então já chega! Para de choramingo, levanta essa cabeça, pega essa chave e abri isso logo!
    O encaro chocada com sua explosão.
    - E isso é uma ordem! Ou você abre ou eu mesmo vou abrir.
    Não movo um músculo, encarando meu tesouro.
    - Tudo bem – Finn faz que vai levantar e o puxo pela camisa.
    - Tá bom, tá bom. Eu vou abrir, droga – Ele sorri e senta ao meu lado.
    - Agora.
    - Ok, baixa sua bola que estamos em minha casa.
    - Abre logo.
    Pego a chave ao lado da caixa e respiro fundo umas trezentas vezes até tomar coragem e encaixá-la no buraco e girar.
    - Está aberta – Sussurro.
    - Quer que eu veja o que tem dentro?
    - Por favor – Ele se inclina para frente e vejo quando tira um envelope e uma pequena caixinha de joia.
    - Posso ler? – Faço que sim com a cabeça.
    "Hei, CC. Olha eu de novo. Como eu te conheço, provavelmente você demorou muito para abrir essa caixa. Eu estou feliz que finalmente você o fez. Sei que você deve estar achando tudo isso uma tremenda loucura, contudo não seria eu mesmo se não fizesse isso. Acho que assisti demais o filme P.S; Eu Te Amo.
    Lembra-se do dia que eu te pedi que você passasse em casa para pegar algumas coisas para mim? Então... O médico teve uma conversa bem franca comigo, disse que eu só teria mais alguns dias de vida, três para ser mais exato. Ele disse que eu sofreria com muitas dores, mais do que as que eu já sentia, e mandou-me pensar bem na opção de me sedarem. Eu sabia que ao te contar aquilo, eu estaria acabando com você. Decidi então te escrever essa carta.
    Eu sei que esses últimos dias tem sido um inferno para você, minha melhor pessoa. Morro cada vez mais só de pensar em te deixar sozinha nesse mundo. Mas eu sei que você é forte e vai passar por isso como a garota incrível que eu sei que você é. E espero que até agora você já tenha feito, no mínimo, uns cinco novos amigos.
    Solto uma risada em meio às lágrimas. Ele nunca deixaria isso quieto.
    Finn volta a ler.

    CC, eu tenho muito orgulho de ser seu amigo, sou o cara mais sortudo por ter você. Passei meus últimos minutos dopado, então não pude dizer tudo que eu queria. Quero te agradecer por estar lá por mim, por ter ficado ao meu lado até meu último suspiro. Você foi essencial na minha vida, na minha luta. Não sei o que seria de mim sem você.
    Agora eu quero falar sobre um outro assunto muito importante. Eu sei sobre você e o Garrett. Bom, era meio que impossível não saber. O amor de vocês simplesmente exalava pelo ar quando estavam juntos.
    Por eu e ele não nos darmos bem, mais da minha parte do que da dele, sei que você se sentiu pressionada a escolher um lado.
    Chloe, eu fui um péssimo amigo por de alguma forma te obrigar a isso. Você não queria me machucar, não queria me desapontar por estar com ele, eu sei.
    Eu quero te pedir perdão por isso. Jamais quis te ver infeliz, então eu deveria ter falado com você desde o dia em que percebi. Só que eu fui egoísta demais para isso.
    Escuta o que vou te dizer agora: se vocês ainda não estão juntos, eu estou ordenando que você vá atrás dele e que se acertem. Vocês são perfeitos um para o outro. Esqueça tudo que aconteceu, não guarde para você as coisas ruins do passado, só foque nas coisas boas. Ele te fazia feliz e eu sei que ainda tem muito para te dar.
    Eu te dou minha benção, por mais que sua felicidade não deva depender disso, e quero muito que você seja feliz com o homem que ama. Garrett também te ama muito, tenho certeza.
    Chloe, me perdoe por roubar sua vida no momento em que perdi a minha.
    Quero que viva sua vida incondicionalmente! Viva o amor, viva seus sonhos, viva suas vontades. Viva, viva, viva!
    Eu morri, mas você não precisa morrer junto. Não faça cara feia, eu te conheço e provavelmente você deve estar dando muito trabalho para o Finn e o Sebastian.
    Enfim, eu acho que já falei tudo que tinha que falar. A enfermeira já está me olhando feio, acho melhor eu ir.
    Lembre-se que eu te amo, CC. E que uma espada em chamas atravesse meu coração se um dia eu deixar de te amar.
    Seu Gregory.
    P.S: dentro da caixinha tem uma surpresa para você.
    Não consigo parar de soluçar, todo meu corpo treme com meu choro compulsivo ao final de sua carta.
    Finn me abraça forte e até ele chora um pouco.
    Afasto-me dele e com as mãos trêmulas, pego a pequena caixa.
    Meu coração quase para ao ver o que era.
    - Ah Greg – Choro ainda mais – Finn, põe em mim.
    Ele pega a corrente de ouro branco e a coloca ao redor do meu pescoço.
    Olho para baixo e seguro os dois pingentes entre meus dedos.
    - É uma...
    - Uma espada em chamas e um coração – Solto uma risada.
    - É lindo.
    - É algo que costumávamos dizer um ao outro.
    Finn some na cozinha por uns segundos e volta com um copo d'água.
    - Toma – Tomo tudo de uma vez – Tudo bem? – Sorri carinhosamente.
    - É muita coisa, mas vou sobreviver – Seguro sua mão – Obrigada por fazer isso comigo. Foi muito importante.
    - Sou seu amigo, estou aqui para isso.
    Recostamos nossas cabeças no sofá e ficamos olhando para o teto, em completo silêncio.
    As palavras do Greg ecoavam sem parar em minha mente, eu podia até ouvir sua voz enquanto a carta era lida.
    Fiquei mais que surpresa ao descobrir que ele já sabia sobre mim e Garrett e mais ainda por ele se sentir culpado por não darmos certo.
    Não, ele nunca me fez escolher, mas eu sempre o escolheria. Sempre seria meu amigo, o cara que esteve comigo em todos os momentos da minha vida. O único em quem eu confiaria até de olhos fechados. E o único ser humano que eu amei de verdade e que me mostrou o que é o amor.
    Ele era tudo que eu tinha. Como sinto sua falta!
    - Chloe – Finn me cutuca.
    - O quê?
    - Agora você sabe exatamente o que deve fazer.
    - Sei? – Arqueio uma sobrancelha.
    - Sem um pingo de dúvidas.
    Levanto de repente e inflo meu peito.
    - Ok! Vamos lá! Eu vou fazer isso – Digo, tomada de coragem – Mas você vem comigo.
    - Por quê?
    - Caso eu amarele no meio do caminho...
    - Tudo bem. Agora agiliza e corre para o aeroporto.
    E foi o que fizemos, Eu e Finn pulamos dentro de um táxi e pedimos para ele ir o mais rápido possível.
    Passamos correndo pela porta e quase caímos encima do balcão.
    - Oi – Falo ofegante – Duas passagens para Dallas, por favor.
    Ela digita algo no computador e ergue a cabeça.
    - Sinto muito, não temos mais voo para Dallas hoje.
    - Você só pode estar brincando – Fico nervosa.
    - Receio que não, senhora.
    - Tem que haver uma ou duas cadeiras vagas em um dos voos de hoje. Checa de novo – Bato de leve no monitor.
    Contra gosto ela faz o que mandei, mas volta a me encarar com aquela cara de paisagem.
    - Não temos nenhum lugar vago.
    Afasto-me bufando e bato as mãos no rosto.
    - Só era o que faltava – Choramingo.
    - Chloe – Finn me puxa para sentar nas cadeiras ali perto – A gente pode esperar até amanhã.
    - Você sabe que isso é meio que impossível para mim, né – O olho de canto – Eu preciso fazer isso agora!
    Dois garotos sentam perto de nós e não posso deixar de escutar a conversa.
    - Mãe, nosso voo para Dallas é as 23hr40min – Fala ao telefone.
    Miro o relógio do aeroporto e já são 23hr00min.
    Ele fala mais algumas coisas e desliga.
    - Que droga, cara – Conversa com o menino ao seu lado – Queria tanto ficar para a festa. Vai ser a mais épica da faculdade – Bufa irritado.
    Eu e Finn nos olhamos no mesmo instante e sorrimos.
    - Oi – Viro-me para o moreno ao meu lado – Não pude deixar de ouvir que você está com voo marcado para Dallas as 23hr40min.
    - É – Ele me encara.
    - Você precisa mesmo ir hoje? Eu poderia trocar com você.
    - Minha mãe me mataria.
    - Voos atrasam, não? – Pisco para ele e o mesmo sorri um pouco.
    - Para que horas é o seu? – Merda! Eu nem comprei minha passagem.
    Viro-me em direção ao balcão e aumento meu tom de voz para que a mulher me escute.
    - Que horas seria meu voo para Dallas amanhã?
    - Você não...
    - Você pode checar! – Falo entre dente.
    Ela mexe no computador e volta a me olhar.
    - Seu voo seria as 14hr00min, senhora – Seu sorriso é mais forçado do que minha vontade de ter uma vida fitness.
    - As 14hr00min – Repito para o menino – Então...?
    Ele fica em silêncio, pensando no que fazer.
    - Aceita logo, cara – Finn murmura – Ela não vai desistir tão fácil.
    - Ok, tudo bem. Umas horinhas de atraso não vão me meter em problemas.
    Eu quase bato palmas de tão animada que fiquei.
    - Aqui está – Ele entrega as duas passagens.
    - Obrigada!
    Compro as outras duas passagens e dou para eles, me despedindo em seguida.
    Talvez o avião vá cair e Deus colocou esses dois em nossa vida para nos livrar da morte – Escuto o outro carinha comentar enquanto nos afastamos.
    Sangue de Cristo! Repreendo várias vezes esse agouro.
    Fazemos o check-in e ficamos aguardando sermos chamados.
    ****
    - Meu senhor, é caso de vida ou morte. Eu preciso alugar um carro urgente – Me exalto.
    - A senhora tem que entender que não fazemos assim encima da hora.
    - Há uma exceção para tudo.
    - Senhor, eu compreendo que estamos pedindo algo fora de ordem, mas viemos de muito longe para fazer algo muito importante mesmo. Por favor, eu imploro que faça essa exceção. Pagamos o dobro – Finn toma a frente.
    Eu saio sempre como a louca e descontrolada da história.
    O homem solta um suspiro de derrota e pega uns papeis.
    - Assine aqui e só aceitamos cartão de crédito.
    Finn faz todo o procedimento. Escolhemos o carro que queríamos e pegamos a chave.
    - Você conhece o caminho? – Finn pergunta assim que colocamos os cintos.
    - Memória de elefante – Bato com o indicador em minha cabeça.
    - Ótimo. Então vamos lá!

    ****


    - Isso só pode ser brincadeira – Jogo as mãos para o alto, frustrada.
    - Calma. Estamos em um carro alto, vamos sair dessa.
    Estamos na estrada que leva a fazenda do Garrett e não sabíamos que tinha chovido anteriormente.
    Claro, como eu ia saber disso. Eu sequer moro aqui!
    O negócio é que a estrada está uma porcaria. Entretanto, como estamos com um carro alto, acreditamos que passaríamos pela lama.
    Só que agora a desgraça do carro atolou!
    - O que vamos fazer? Aqui nem tem área – Levanto o celular e fico o movendo de um lado para o outro.
    - Sem pânico, ok? Vamos dar um jeito.
    Recosto no banco e choramingo, pondo a mão no rosto.
    - Está dando tudo errado – Minha voz sai abafada pela minha mão – Acho que é a vida dando sinal que é melhor a gente ir embora.
    - Cala boca, Chloe. Não vem dar uma de covarde logo agora, estamos quase lá.
    - Vamos morrer aqui. Ninguém passa nessa estrada.
    - Que exagero – O vejo revirar os olhos.
    Ele respira fundo e tira o cinto.
    - Eu vou descer e procurar alguma tábua ou galho que dê para colocar embaixo do pneu. E você acelera, Ok?
    Faço que sim com a cabeça e ele sai do carro.
    Seus pés vão diretinho na poça de lama, o fazendo protestar com raiva.
    Seguro o riso e fico atenta para quando ele me der ordem.
    Finn vasculha ao redor, procurando por algo que possa nos ajudar, contudo é em vão.
    - Não vejo nada – Se dá por vencido – Vou tentar empurrar e você acelera.
    - Você não é o superman, Finn.
    - Quer ficar aqui o dia todo esperando por um milagre?
    - Ok, ok – Seguro o riso – Só dizer quando.
    Escuto seus grunhidos pelo esforço que está fazendo.
    - Agora! – Grita. E eu acelero – Mais!
    Faço o que ele manda e piso fundo.
    - Para! Para! – O escuto gritando. Tiro o pé do acelerador e olho pelo retrovisor.
    - Ai, merda! – Solto uma gargalhada alta ao ver o meu amigo coberto por lama.
    - Vem aqui me ajudar, não enxergo nada. Acho que tem lama nos meus olhos – Ainda sem conseguir parar de rir, pego uma garrafinha de água e um pano.
    Abro a porta e desço lentamente para não correr o risco de cair.
    - Estou indo, fica calmo – Piso com cuidado, com o meus pés já tomados de lama e o encosto na lateral do carro.
    Jogo água nos seus olhos e depois tiro o restante da sujeira com o pano.
    - Melhor?
    - Bem melhor – Ele abre e fecha os olhos algumas vezes – Obrigado.
    Encosto-me ao seu lado.
    - O que fazemos agora, Superman?
    - Temos que ir andando até a fazenda ou até acharmos alguém para nos ajudar.
    - E vamos deixar o carro largado aqui?
    - Não podemos fazer nada. Se alguém roubar, eu fechei contrato com seguro.
    - Então melhor irmos, porque não estamos tão perto.
    Pegamos nossos pertences e lá fomos nós pela estrada lamacenta.

    ****

    - Eu... Não... Aguento dar mais um passo – Finn fala sem fôlego, apoiando as mãos no joelho.
    - Não precisa... Já chegamos.
    Ficamos parados em frente à fazenda. Eu não conseguia sequer me mover, fui tomada pelo pânico.
    - Anda Chloe, o que está esperando? - Finn se ergue com dificuldade e me olha curioso.
    Eu me vejo andando a caminho da porta quando de repente paro no caminho tendo uma sensação gigantesca de que aquilo é um erro. Dou um passo para trás e nego com a cabeça como se falasse sozinha em voz alta.
    - Não, eu não posso! Não consigo fazer isso, Gregory – Falo como se ele estivesse ali comigo.
    Tento correr até a entrada da rua lamacenta, mas Finn me intercepta no caminho e me puxa pela blusa.
    - Ei, ficou maluca? Onde pensa que vai?
    Viro-me para ele bruscamente e quase caio ao escorregar de leve na lama.
    Olho para a entrada da casa e sinto um frio no estômago, desvio o olhar nervosa e solto um suspiro alto.
    - Eu não consigo encara-lo outra vez... Não depois do que dissemos um ao outro.
    - Mas nós viemos até aqui! Chloe você tem que pelo menos tentar - Finn me segura pelos ombros e dá um leve chocalho.
    Olho para a porta da frente sentindo o frio no estômago aumentar. Engulo meu orgulho e decido ir até lá acabar com aquilo de uma vez.
    Se fosse para ele me rejeitar, ou para que tudo desse errado, eu só saberia depois de tentar.
    Então me aproximei com cautela e mesmo vendo a luz da varanda apagada, bati na porta esperando que ele viesse nos atender.
    Finn e eu esperamos por vários minutos, batemos na porta juntos e com mais força, tentamos dar a volta e até espiar por uma janela, mas a única pessoa que nos respondeu foi um vizinho próximo que estava passando pelo momento de menos chuva com um trator pela estrada de lama.
    Ele acenou para nós de longe e perguntou.
    - Estão procurando o Garret?
    Fiz que sim com a cabeça e assenti agradecendo a Deus que a chuva podia mascarar minhas lágrimas de frustração.
    Se Finn percebesse que eu já havia entregado a batalha, me forçaria a ir atrás dele mais uma vez.
    - Ah minha linda, ele saiu. Acho que foi ver a namorada ou algo assim...
    Estava bem nervoso hoje mais cedo, mas parece que eles fizeram as pazes, ele saiu feito um louco atrás dela. Acho até que vai dormir fora, ele me pediu pra olhar os cavalos dele quando amanhecesse, mas como está chovendo muito eu quis dar uma olhada pra ver se eles vão dormir sequinhos - O sorriso simpático do senhor era a única coisa iluminando a cena naquela vista escura e distorcida pela chuva.
    Eu já não tinha mais forças para estar ali, senti um aperto tão grande no peito quando ele terminou de falar, que mal pude agradecê-lo pela informação e apenas sai andando rumo de volta à estrada.
    Finn se despediu dele e me seguiu voltando a andar na rua lamacenta, nós ficamos em silêncio por um tempo, até que avistamos o carro de longe e ele decide finalmente falar.
    - Pode ser que ele tenha ido atrás de você. Não tem como você saber se...
    - Até parece, Finn - Olho pra ele incrédula ao parar de andar - Ele ficou com raiva por eu ter ido embora, por ter dito todas aquelas coisas e por não querer nos dar uma chance... Mesmo após um ano da morte do Greg.
    Limpo o rosto molhado pela chuva e continuo andando.
    - Garret deve estar dormindo com alguma caipira agora mesmo. Ele nunca quis ficar comigo, eu fui burra demais em pensar que poderia vir até aqui e consertar as coisas.
    Foi uma longa caminhada de volta ao carro. Nós entramos no carro e ele tentou voltar ao assunto, mas eu estava cansada e embora não quisesse ficar mais nessa cidade do que já estava, tive que ceder e aceitar passar a noite num hotel para voltarmos só pela manhã.
    Finn comprou duas passagens de volta para as 10 da manhã, então assim que conseguimos um quarto num hotel barato perto do aeroporto, tomei um banho e fui me deitar para encerrar o dia de uma vez.
    Mas no meio da noite, ele insistiu mais e eu acabei me abrindo com ele outra vez.
    - Acha mesmo que ele não teria coragem de ir atrás de você? - Perguntou.
    - Eu acho que talvez tenha sido um sinal. Foi uma má ideia vir aqui, ele já tem uma vida longe da cidade. Mesmo que acontecesse alguma coisa entre nós, jamais iria dar certo, porque ele não está pronto para voltar para a cidade e eu não sei se me mudaria para o campo só pra ficar com ele.
    - Mas isso não quer dizer que vocês não devem ficar juntos, Chloe! Você está arrumando motivos para não ficar com ele. Fala-me a verdade, por que tem tanto medo de ficar com o Garret? Mesmo depois de tanto tempo? Mesmo depois de o próprio Gregory te dar a bênção dele?
    Soltei um longo suspiro respirando fundo e respondi com a única verdade que havia para se dizer.
    Eu sentia medo, muito medo.
    Medo de perdê-lo também, medo de brigarmos e ele se afastar de mim como fez com o Greg, medo dele simplesmente perceber que não é isso oque ele quer e um dia ir embora.
    - Eu tenho medo de perdê-lo também e, por isso, acho que o mantendo afastado, seja melhor para os dois. Assim ele não poderá ir embora, se ele nunca entrar na minha vida.
    - Então você vai viver assim pra sempre? Afastando as pessoas que querem estar perto de você? Olha Chloe, você está errada. Eu sei que tem medo, e até entendo o seu lado, deve ser mesmo muito difícil ser apaixonada pela cópia perfeita da única pessoa que jurou não te abandonar e ainda sim partiu.
    - Mas – Continua - Você não pode passar o resto da sua vida assim se excluindo das coisas, da vida das pessoas. Garret sente algo por você, e se você não der uma chance aos dois antes que seja tarde, irá perdê-lo de qualquer jeito... Mas irá perdê-lo sem ter a chance de tentar antes.
    As palavras dele me fizeram pensar, mas eu ainda não tinha certeza quanto a tudo, e pensar ainda mais sobre o assunto só me deixava mais deprimida, porque quando finalmente chegava ao final do impasse, me lembrava de que Garret estava com outra pessoa.
    Chorei baixinho quase a noite toda. Finn conseguiu descansar um pouco mais do que eu, e na manhã seguinte pagou a diária no hotel para que não perdêssemos a viagem até o aeroporto.
    Pegamos o voo sem atrasos, chegamos a Nebraska por volta do início da tarde. Ele queria me levar até em casa e ficar um pouco para ter certeza de que tudo estaria bem, mas eu o dispensei e fiz questão de ficar sozinha quando chegasse em casa.
    Despedi-me dele antes de pegarmos táxis separados, segui caminho para casa e durante o caminho tentei por os pensamentos em ordem e deixar tudo para trás, entretanto minha cabeça rodava e voltava sempre a ele.
    Garret.
    O táxi parou na entrada de casa e antes de terminar de pagar o taxista, olhei pela janela e vi alguém sentado na escadaria com a cabeça baixa entre os joelhos e os braços cruzados.
    Saltei do táxi sentindo meu coração acelerar e me aproximei tão lentamente o quanto um adestrador de leões prestes a servir a presa do dia.
    Limpei a garganta antes de falar e parei apenas a alguns passos dele.
    - Garret?
    Ele ergueu a cabeça e parecia cansado e abatido, provavelmente dormiu ali na rua a minha espera e pelas suas roupas sujas de lama e amarrotadas, parecia que havia mesmo saído de casa às pressas.
    Quando nossos olhos se cruzaram, meu coração acelerou de novo e ele se levantou vindo ao meu encontro rapidamente.
    Puxou-me para um abraço e nossos corpos se chocou com o impacto, ele me apertou forte e disse.
    - Me perdoa, Chloe. Por favor, me perdoa.
    Afasto-me do abraço dele gentilmente e pergunto confusa.
    - O que faz aqui?
    - Eu vim te ver. Precisava falar com você e tinha que ser pessoalmente. Quando eu li a carta dele... Eu... Eu só pensei em você. Eu queria te ver, falar com você. Então peguei um voo no meio da noite e..
    - Você abriu a caixa? - Pergunto surpresa.
    - Sim, eu abri. Ele deixou uma carta pra mim também.
    Garret se aproxima e segura meu rosto entre as duas mãos para me olhar nos olhos.
    - Ele estava certo, Chloe, eu não quero mais perder tempo. Eu te amo. Eu sei que você tem medo, mas se nos der uma chance, eu sei que podemos fazer isso dar certo.
    Os olhos dele também estavam avermelhados, ele havia chorado.
    Sua fisionomia dizia claramente que ele estava ali há muito tempo, talvez realmente desde a madrugada passada.
    Eu tento não olha-lo nos olhos e me desvencilhar dele novamente, mas suas mãos me mantêm ali e eu não consigo responder olhando pra ele.
    Então fecho os olhos e digo.
    - Não é só medo de dar errado... Eu tenho medo de nunca superar a morte dele se continuar vendo você todos os dias. Você não entende, sempre que você estiver ao meu lado, eu vou me lembrar dele e...
    - Sim, eu entendo Chloe! Você acha que não me machuca toda vez que olho para você? Toda vez que lembro como as coisas eram pra nós antes de tudo acontecer? Sim, eu morro um pouco por dentro sempre que toca no nome dele. Porque eu perdi tempo demais para ir lá pedir perdão, eu perdi meu irmão por orgulho.. Não quero perder você também por causa de medo.
    Garret continua me segurando entre as mãos e eu continuo de olhos fechados até sentir os lábios dele sobre os meus e deixo que meu coração siga o caminho dele.
    Envolvi seu rosto em minhas mãos também, passei uma mão para a nuca dele e afundei os dedos no seu cabelo enquanto ele aprofundava o beijo pedindo passagem para sua língua.
    Suas mãos deslizaram pelo meu pescoço e foram parar nas minhas costas, ele me abraçava forte durante o beijo e quando paramos pouco a pouco, elas desceram até minha cintura onde ele fez carinho na minha pele exposta por causa da blusa curta com a calça de cintura alta.
    Garret me deu mais um selinho demorado e me abraçou de novo escondendo o rosto no meu ombro, eu tentei me afastar dele para olha-lo nos olhos, mas a vontade de tê-lo ali ao meu redor me esmagando, era maior e urgente.
    Envolvi meus braços em torno dele também e quando dei por mim, estava chorando outra vez. Eu já não sabia mais o que sentir, o que dizer ou o que fazer. Eu só queria que tudo parasse, queria por um fim a todo esse sofrimento e angústia que era ficar longe dele.
    Vê-lo ali, na minha porta esperando por mim, provavelmente por uma noite inteira até que tivesse notícias sobre mim, me deu certeza de que nossa história nunca poderia acabar de qualquer maneira.
    Nós estamos ligados como um só, como eu era com Gregory antes dele partir, e que mesmo hoje, após sua partida, eu ainda me sinto completamente ligada a ele.
    Ligada aos dois.

    ****


    - A gente deve ficar com medo? – Finn pergunta.
    - Ele manda bem, não se preocupe.
    Hoje resolvemos fechar a loja e fazer um almoço especial para todos nós. Até o senhor Maxwell está conosco.
    Garrett e Sebastian estão na cozinha. Os dois não param de discutir sobre o que fazer e o que não fazer. Claro que o Sebastian não aceita que outra pessoa use sua cozinha. Mas eu gosto de ver os dois se matando lá.
    Não paramos de dar risada desde que sentamos à mesa a espera da nossa comida.
    Escutamos o barulho de uma panela batendo no chão.
    - Sebastian! – Garrett murmura – Ainda bem que eu já tinha tirado o molho.
    - O que está acontecendo mesmo? – Senhor Maxwell me olha de sobrancelha erguida.
    - O Garrett está ensinando ao Sebastian uma receita nova que ele aprendeu.
    Ele faz que entende e recosta na cadeira.
    Finalmente a porta da cozinha abre e os dois passam por ela, cada um com uma bandeja e alguns pratos sob elas.
    - Prontinho – Se aproximam e colocam os pratos em nossa frente – Desfrutem.
    Eles sentam em seus lugares e todos pegaram os talheres e provamos.
    - Me Deus! – Finn é o primeiro a se manifestar – Isso está muito bom! Espero que tenham feito o bastante, porque eu já quero mais.
    Garrett fica com ar de orgulhoso e me curvo para lhe dar um beijo no rosto.
    - Está mesmo delicioso – Senhor Maxwell reforça e ri para nós dois.
    - O Sebastian ajudou bastante – Brindam.
    - Olha que lindo – Comento – Já são melhores amigos.
    Todos acabam rindo.
    Enquanto todos estão conversando e rindo muito, eu fico ali, observando e pensando o quanto estou feliz por tê-los em minha vida.
    Cada um, de alguma forma e de seu jeito, me ajudou a seguir com minha vida. E agora posso afirmar que ela está completa. Tudo está como sempre deveria ter sido.
    Os melhores dias da minha vida começam hoje.
    Olho para o céu e sorriu.
    - Obrigada por tudo, Greg – Sussurro baixo o suficiente para que ninguém escute - Sinto sua falta, mas sei que vou ficar bem. Eu te amo muito! E que uma espada em chamas atravesse meu coração se um dia eu deixar de te amar.

    Então é isso, pessoal! Deixem seus cometários, gostaria muito de saber o que vocês acharam.
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